BOMBADO



Mergulhei de cara no ar
Quando eu respirei
Meu coração ia a duzentos por hora
Capotar na primeira endorfina
E ir adrenalizado bater e bater
Até uma morte circunscrita
A alguns idiotas que me matavam
Mas eu voltei vivo
Da camisa de força que apertava
Ainda sem conseguir separar
A realidade da realidade
Por que tudo era realidade
Aquelas vozes que me esmagavam
Aquelas mãos que eram pinças
Aquelas pinças que pareciam caranguejos
E arrancavam meus pedaços
Mas não comiam
Porque era só por prazer
Que faziam aquilo


Monday, August 27, 2007

fantasmas


em especial as sombras
sobrevoam a borboleta

ela quem pousa e é pousada
pela sua silhueta

o que será de uma sombra sem ninguém
ou nenhum objeto?

todo o fantasma começa assim
sobrevivendo a tudo

Friday, August 24, 2007

a voracidade do sexo
meus dedos dos pés nos calcanhares
de todas as luas cheias

e se abrindo um crepúsculo
o músculo do infinito
entre algumas pedras que se abrem

abismos ou grutas onde só me perco
quando encontro
a calmaria total de quem silencia

e feito uma onda plácida
deixa que surfe
no caos enquanto me engole

Wednesday, August 22, 2007

instinto

o plástico que lhe protege
na pele que me arrepia

a aurora no banho de espasmo
que nossas bocas copulam

diversos ventres entre os afagos
e guilhotinas de plumas

cortando cardando o plástico
chegando ao teu átomo

o indivisível dizível
entre paredes de quatro

Monday, August 20, 2007

ÓCULOS


MAQUIAR CADÁVERES

A cicatriz de urtigas
sob a pele de nesga

sob o contorno dos lábios
algum batom que esconde o branco

O escarro do sol nas costeletas
O prisma aberto de suas pernas

Tornar-se claro sem ser verídico
O pó de arroz doce sem canela

Alguns pingos de chuva
Tempestades de orquídeas brancas

Formas paradoxais de ser estátua
Um bronze sardento e sua lágrima

Ela queria nascer ele e nasceu ela
Ele queria nascer ela e nasceu ele

Todos estão mortos por enquanto
Ninguém sabe quem é o pai

E este poema confuso é pra aumentar
a confusão. Jogo xadrez comigo

e sempre um de mim acaba perdendo

Friday, August 17, 2007

DOENÇA DE TREVAS

Um poema é uma coisa tão simples
Assim
Quando não se quer dizer nada

Quando quero dizer tudo faço um furo
No meu plexo
E digo para que olhem através de mim

Se houver horizonte há poema
Há poente

Tuesday, August 14, 2007

CERTEZA SEM NUVENS E ESTRELAS


Nunca saio de mim
Por isso sou só

Tenho uma camada de pó
Tomo remédios coloridos

Escuto com três ouvidos
E vejo com um olho só

Agora me olha e me diz
Se estou certo

Se sou mesmo este céu deserto

Sunday, August 12, 2007

O SELO DA COERÊNCIA LOUCA

o eu suturando tudo: a mesura do silêncio

o escopo do clandestino
pra sempre ser sempre
só

*
olhar a si mesmo nem sempre como si

*
a culpa de ser quem sou não é a única

ser outros além de mim
também

Thursday, August 09, 2007

CONSTATAÇÃO PRIMEIRA

Há um colibri naquela flor
Há algemas para prender os animais?

Há camisas de força pra enforcar
E um varal cheio delas no meu quintal

E há ainda uma quinta-feira por viver
E talvez nada mais importe tanto assim

Do que o colibri naquela flor
Porque ela sabe dar e ele sabe receber

Se alguém (inclusive eu) soubesse disso
Evitaria internar alguém em um hospício

Monday, August 06, 2007

PAPAGAIOS

Há vinte anos tomo Haldol e ainda não me curei porque não tem cura:
por que não tem cura?
Continuo vendo papagaios ao invés de ratos no meu quarto e
sei que não tem papagaio algum: são só ratos
O q um rato pode fazer de mal a alguém? Garanto que um outro
ser humano pode fazer mais mal do que os muitos ratos q não são papagaios
q vejo.
O fato de ver papagaios ao invés de ratos é uma dádiva. Imagine se eu visse ratos?
Imagine se eu visse seres humanos?
Os papagaios pelo menos falam com a gente.

Friday, August 03, 2007

desenho meu e poema.
Entrou pelo meu ouvido uma mosca e uma tarântula e uma borboleta. Saiu um poema. Bem pequeno. Quase nada.
Comi um pastel de minhoca.
Peidei um certo aroma de jasmim.
Algumas coisas acontecem com o meu braço quando escreve sobre animais.
O braço abraça a barca da loucura onde um esqueleto é o capitão.
Enquanto ele comanda o leme eu vou remando contra o vento e a maré.
Alguma ilha quer encontrar.
Diz alguma coisa sobre mim e a maré e a mosca e a tarântula. A borboleta não precisa.
Silencio.
Ela voa.

Wednesday, August 01, 2007

PAÍS

Havia um país que tinha um padeiro com o nome de Stalin. Um outro país em que o açougueiro se chamava Mussolini. Neste mesmo país havia o tal do Adolfo. E um outro cujo jogador de futebol se chamava Mao. E havia ainda um outro país em que todos os pais que deram estes nomes aos filhos diziam: este país não tinha nome

Sunday, July 29, 2007

SÉRIE FACE DUPLA

Um desenho meu.

Thursday, July 26, 2007

PODRE

Dentro de mim há algo podre
algo
algas verdes que flutuam
na química cerebral

Alguma coisa estranha nisso tudo
como um dente com chip
que a CIA colocou

Aquela dentista era minha amiga
era
e hoje ela me telefonou

Disse coisas com sentido
q a vida era um perigo
era
e isso eu já sabia

O que ela não me disse foi o q me deixou triste
Não disse que eu estava podre
Mas sei tudo isso tão bem
q não acredito em mim

Tuesday, July 24, 2007


Pintei esta tela. Não sei q nome dar.

Sunday, July 22, 2007

GÊMEAS

Ana era linda
Era bela e era maldita
Era uma quimera
Era o seu nome Ana Vera

Vera era tão Ana
Cinderela era o que era
Era uma banana
Era o seu nome Vera Ana

Ana se olhava no espelho
E via a Vera
Vera se olhava no espelho
E via Ana

Até o dia que surgiu Pedrinho
E comeu as duas
Vera virou Ana
Ana virou Vera

Wednesday, July 18, 2007

por Paulo de Toledo e Rodrigo de Souza Leão

Saturday, July 14, 2007

AGORA DEPOIS QUE O TEMPO PASSOU E VOCÊ NÃO VEIO.

Um poema tíbio. Um lixo prolixo. Isso o que tinha de dizer pra você. Uma vacuidade era melhor: o nada. Performance de abismo no trampolim do medo. Era melhor se jogar sem medo do que vem. Mas você é tão forte que não sei por onde penetrá-la. Mal tem buracos. Todos os canais estão fechados. Não dá pra ouvir nenhuma canção. Nenhuma música. Nenhum assobio. Só vejo um transeunte passando pela sua rua. E escrevendo seu nome com um giz no chão. Sem deixar pegadas nas areias afofadas de algodão doce. Que as crianças deixaram cair quando voltavam do parque.
Eu estive tão só estes dias que quase me sufoquei bebendo um copo d´água. Engasguei com um milhão de pterodátilos que falavam pai pai painho meu. E eu não tenho filhos de olhos azuis. Para que possam olhar meu horizonte castanho. O que vêem seus olhos verdes? Você fica bonita vestida de preto e seus cabelos castanhos esvoaçantes me fazem lembrar as cobras na cabeça da Medusa.
Papai Noel deixou um presente gordo na meia. Eu fui o inquilino de seu corpo por alguns dias. Só quero ser seu amigo e nada mais que amante. Diamante e rubi e esferas em toda a parte rodolitas e aquele programa às dez horas da noite onde mulheres vendem jóias. Vendo tudo hoje. Vendo minha fé. Meu codinome. Quero um color bar pra me meter entre suas cores. Sua cara tem muitas cores. Quero beber o azul do color bar no bar da minha Tv. Quero me afogar numa piscina vazia. Quero coisas impossíveis como lhe ver de novo aqui e ali mesmo onde esteve vinte quatro horas antes de um trem ter despencado sobre nossas cabeças vindo de não sei onde e indo pra algum lugar que detesto, pois pra ir teve que passar por aqui e nos destru-ir. Ir fundo. Mergulhar da ponta daquele iceberg e dar duas piruetas no ar e cair. O sangue escorrendo. A vida indo. O que não pode voltar não volta. O que não vem não vem. Deus deu também vinte quatro horas para que eu fizesse tudo que eu queria fazer olhar seus olhos de chocolate verde de preto verde de azul verde, portanto era algo verde que eu tinha medo de olhar para.


Thursday, July 12, 2007

de Paulo de Toledo e Rodrigo de Souza Leão

Sunday, July 08, 2007

NÃO DEU PRA COLAR

Tinha um louco no hospício q rasgava dinheiro. Dizem q só um louco rasga dinheiro e q tem q ser muito louco para fazê-lo, mas ele rasgava pra multiplicar. Ele achava q rasgando em quatro partes ficava mais rico. Até o dia em q ganhou na loteria e não ganhou nada. Havia rasgado o bilhete em quinze partes.

Thursday, July 05, 2007

Rugi leão fora da concha
aerando um Universo
de pólen e nuvem

Cobri meus dedos com neom
e com tinta meus cabelos
Logo era um gorila

Travestido de quase gente fui
vestir uma enseada
Nadei entre os despojos e enfrentei
a morte

Gorila e leão e homem enfim
Nadei e nadei e a praia secou no azul-
piscina que no varal escorre

Sunday, July 01, 2007

BRINCAR

1
a sinceridade das nuvens
que choram quando se encontram
comove meu olhar que transita hospedeiro
de algum azul que não tenho e quero

quando negra a manhã
açoita ainda a alvorada com espadas de sol

eu venho para brincar
com as nuvens que vejo nascer no dia
arrepiado de sombras
e sobras de cadáveres que guerrearam ontem

dizem que foram
para onde ninguém sabe onde vai quem não tem fim
aqui
ou quem tem um fim que não quis ter
pois ambos morreram na folia
e era carnaval
e se devoravam feito dois antropófagos
letrados
letárgicos
litúrgicos
se ofertando ao prazer demiurgo
de um beijo de florete ardendo entre o colo
e o reto

diziam que os índios americanos achavam que a maior humilhaçào
e pior que morrer
era verem seu cu tocado pela lança alheia
o que por muitas vezes acontecia
e fez com que milhares de índios morressem até entender
que uma bala perdida é igual a uma direcionada
e mata do mesmo jeito

2
jasmins descendo pela guela
via sangue arterial O positivo
e glóbulos
e hemácias e
leocemia a beira dos dias de fim de ano
índio de si
indiana jones e james bond e zumbi
fundando palmares nos tumores
covardes cavando covas no queixo de um morto
ou aquele afegão chutando um afegão
em rede
via televisão
ah, quanta cooperação
e eu só queria morrer na arena entre os leões
feito um gladiador suicida
pruridando sua última volúpia
arrancando os contornos das unhas
da primavera
incêndio em meu corpo e fogo no louco asilo
que velho escolho
como escopo
me esculpir do nada
as veias poluídas onde algas e fetos boiam
amalgamados pela vitrea chama
de meu cordão umbilical
vida, vida, vida, vida!
vomito tudo pra dentro de mim

Monday, June 25, 2007

NOITE BRANCA

O vinho congelou meu sangue. O inverno congelou quem eu era. As cicatrizes hibernam.

Aquelas marcas de pico viraram verrugas. Minhas sardas ainda tomam conta de mim. Estou tão velho que começo a me lembrar de tudo.

Sou um derrotado crônico. Pronto pra mais uma ilusão.

A alquimia do fogo que a si devora. A chatice do lodo que sobe pelas pernas e eu não tento mais me limpar. O que restou das cinzas já não sou eu.

Engulo alguma química nova. Quem sabe dê certo com um coitado. Não tenho pena de ninguém. Alguém tem pena de mim? Não mereço compaixão alguma. Eu sonho toda noite e não é um pesadelo azul. Negro. Negro. Negro. Negro como todos os dias negros.

Wednesday, June 20, 2007

PLÁSTICA

O poeta e amigo Leonardo Gandolfi fez uma plástica no poema q fiz. Opine e diga se ficou melhor.

FOI A PRIMEIRA VEZ

Estava chovendo quando nasci,
hoje estava chovendo:

estava chovendo quando te conheci,
tinha tomado remédios e tinha lido um pouco.

Eu tremia no frio do Haldol,
algumas gotas de chuva pareciam furar.

Com frio: estava com frio quando veio o sol,
não acabou o frio quando te conheci.

Estava chovendo quando nascie estava chovendo quando morri em Paris,
com muita chuva,era quinta-feira, provavelmente.

Todo o dia é dia de chuva.
Estava chovendo quando nasci.

Estava chovendo: como sempre eu estava
tão feliz. Eu sabia que ia morrer num dia de chuva, se possível, quinta-feira.

Meus ossos quebrados, sobretudo, os húmeros.
Eu estava tão feliz por isso:por estar chovendo quando eu nasci.

Feliz como se soubesse mesmo
que estava chovendo quando eu morri.

São testemunhas disso Vallejo, a chuva,
as quintas-feiras, o sol e as demandas.

Friday, June 15, 2007

PELA PRIMEIRA VEZ

Estava chovendo quando eu nasci.
Hoje estava chovendo:

estava chovendo quando eu te conheci
e havia tomado os remédios.

Eu tremia no frio do Haldol
e algumas gotas de chuva pareciam me furar.

Com frio: estava com frio quando veio o sol
e não acabou o frio quando te conheci.

Estava chovendo quando eu nasci.
Estava chovendo quando morri.

Todo o dia é dia de chuva.
Estava chovendo quando nasci.

Estava chovendo como sempre eu estava
tão feliz. Eu sabia que ia morrer num dia

de chuva. Eu estava feliz por isso.
Feliz como se soubesse mesmo

que estava chovendo quando eu nasci
e estava chovendo quando eu morri.

Friday, June 08, 2007

DA MINHA RELAÇÃO COM O COMPUTADOR

Preciso
salvar este poema
de qualquer jeito
senão ele morre
no lixo
Que vá então
para o único lugar que eu existo
Eu insisto

Friday, June 01, 2007

JACARÉ

Tem festa no prédio do lado
Tem preso no meu presídio
Alguns amores no calabouço

Tem festa e está animada
e eu no meu pântano
apenas com os olhos de fora

Alguns abutres por perto
q por dentro bicam os corvos
e cospem na minha cabeça

Tem festa no prédio ao lado
Todo o dia tem festa lá
E eu aqui no meu velório

tentando agüentar mais um dia
Vencer a minha loucura
Bebendo Morte in natura

Monday, May 28, 2007

AINDA

Ainda
Não circundei
A tarde toda

Vazio sou
Agora sei
Que ainda

Continuo
Desabando
Em você

Meu terremoto
De edifícios
E desabafos

Monday, May 21, 2007

CHECK MAIL

Nenhum spam. Nenhum e-mail. Nenhum vírus. Nada. Somente a certeza que eu não existo. O céu deve ser chato. O inferno deve ser quente. Pra onde vou se ainda sou gente? Pra onde ir nesta cidade de remédios? O que preciso para ser feliz? Se já nasci morto: pra onde ir? Resta-me o rastafari nos cabelos: os obscuros fantasmas como eu. Resta rezar a um Deus ateu e pedir a ele o nada: que me deixe numa estrada: que só tenha fim no dia exato. Bem que o mundo inteiro podia acabar quando eu morresse ou agora que estou morrendo. Eu não tenho filhos. Não tenho ninguém. Não deixo semente. Será que ainda sou gente ou sou só mais um egoísta inofensivo que ofende a todo mundo? Quero rezar, mas não sei a oração. Quero a extrema unção, mas só conheço um padre pagão. E não acredito em mais nada. Só em você que é só pecado. Não sou de Deus e nem do diabo.

Monday, May 14, 2007

mallarmé

segura
prende e bate
e arrebenta
os testículos
o ventre
não aumenta
derrama
a discórdia
do silêncio
arranca
estripa e amputa
freme
bisturis
em punho
na medula
lobo
toma os uivos
selvagens

Sunday, May 06, 2007

poema

prenhe de poesia
cataplasma

catapulta o poeta
sampleador

da rima

nasce o poema
e a armadilha

e dentro do alçapão
a poesia

busca o poeta
e é só sutura

aquilo q está
de armadura

pronto pra lutar
e lapidar

o verso e o vaso
e a veia

até escultura

Monday, April 30, 2007

sonoro fim das estalactites
que em brisa brigam de ceifar
que ejaculando para dentro
explodem-se de uma antiluz

ó antiluz que navega o fim
de alguma bruma divisora
divisória do que taquigrafia
alguém algum dia orquideou

de dia na visão simplória
do afago da lua para besta
delineou seus olhos sol
e algum batuque sincopado

da água com a plêiade vária
é vero que produza vagas

Tuesday, April 24, 2007

GOSMA

gosma de silêncio: nóia
ficar mastigando um palito de fósforo
procurando em si uma respiração

encontrando o próprio bafo
na ponta do nariz alheio

ser a melhor parte do bolo
o recheio

Thursday, April 19, 2007

TANTO BATE ATÉ QUE ÁGUA

A gota
Guarda
Um guarda

Dentro dela
Cacetetes
E porrada

Quando ela
Explode na testa
O corpo
Todo
Sente
Que seria melhor que ele
Fosse feito de água
Também
(o que às vezes acaba
acontecendo)

Thursday, April 12, 2007

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Friday, April 06, 2007

ECLIPSE - PARTE DO HOMOCHIP

1
engoli um chip
um eletrodo
engoli-o todo

hoje não cuspo
bolas de sabão

hoje só cuspo
o que tem no chão

no chão do chip
no chão do eclipse

tal língua de iguana
ou de camaleão

(que é como se chama
o novo vírus que com o chip
eu engoli)

engoli o sistema
cuspo algemas

sem reticências
pra não prolongar

a eternidade
que é estar num chip



2
pra sempre é só
até a morte

pra sempre só
além do depois

algum sentido
procuro na avaria

haveria algum
dilema maior?


3
cintilam cintilantes tropas de sargaços
creme com amêndoas no pudim
as amêndoas me lembram o chip
aquele que eu um dia engoli

como viver sabendo que alguém
é quem manda em mim?
e que só sou eu por alguns instantes
quando não penso que engoli o chip

por isso o fato de ter engolido um chip
pouco importa se é verdade ou não
o que importa é que sou uma rosa
e tenho no talo um chip em botão

e o que faz vou sabendo na medida
em que vai fazendo suas monstruosidades
são sempre coisas que eu quis mas nunca
tive coragem de fazer por dor ou dó


4
por dor ou dó
ou por pudor

pouco se faz
muito se rói

quanto osso
quanto ofício

quanto buraco
sem precipício


5
em mim cio
do contrabando de mim

ao caos

da canção caliente goma
se enrasca no aroma

e conta e assoma que ser
é muito mais não ser

por isso se morto agora
ou se na hora do desuso

pouco importa de estou
vivo ou se uso os dez

por certo uso de minha
neuronicidade vã

Tuesday, April 03, 2007

Rubra testa de floragem
Ramo de boceta em flor

Carda a sua maquiagem
Faz-me rubro e incolor

Ama-me a ponto d
Beliscar a sua realidade

Quando em cruz de fato
Não rimo com sacanagem

Thursday, March 29, 2007

CERTA VEZ

Comeu hipófises
eletroblastos e
osteócitos. Mal
me quer celular.

Bem me quer em
arterial compasso
de espera aspirai
cocaína e caos em

hidrólise de rum.
Campeniquanum
sendonum est pó
rus day in day o

R day in and out
]open in the samba[
Cocaína e caos em
tempo de têmporas.

Maça rubra rosto.
Folha morta de nervos
de fígado bife de
fígado do bife de

fígado no olho contra
a dor de cabeça contra
os do contra contra os
contrários do contra

Sunday, March 25, 2007

BOSTA

A cidade tem um cheiro de puteiro
O puteiro tem um cheiro de banheiro
O banheiro tem um cheiro de esgoto
O esgoto tem um cheiro de morto
O morto tem um cheiro de rato
O rato tem um cheiro de mato
O mato tem um cheiro bosta
E mesmo assim todo mundo gosta

O pão tem um cheiro de mofo
O mofo tem um cheiro de patrão
O patrão tem um cheiro de estado
O estado tem um cheiro de ladrão
O ladrão tem um cheiro de roubada
A roubada tem um cheiro de privada
A privada tem um cheiro de bosta
E mesmo assim todo mundo gosta

Todo mundo gosta da própria bosta

Tuesday, March 20, 2007

Estão tentando me matar: sempre
Sou o covarde de plantão

Estão sempre querendo me dizer o q é certo: sempre
E quase sempre é quase nunca

Assim é assim mesmo
Nem aceitam a minha misericórdia

O outro dia é sempre um outro: se houver outro
Se não houver termino assim

Wednesday, March 14, 2007

AUSÊN&CIA

Eu falto de mim alguns dias
Não vou a encontros marcados
Em certos horários
Estou tão ocupado comigo
Que sinto de mim uma falta
Sou eu mesmo quem me mata

Desato o nó da gravata
E deixo assim habitado
Meu mundo cheio de abismos
Flutuando no limbo saudável
De mais uma nova cura
Pois quando não estou em mim
É que sinto a sua falta
Sei que a miragem flutua
Na minha alma
Quando passa a ser tua

Sunday, March 04, 2007

Quero uma boceta
Uma boceta vermelha

Onde eu possa enfiar
Até a minha sobrancelha

Quero uma boceta
Uma boceta azul

Pra eu pedir pra vc
Tomar no seu cu

Quero uma boceta
Uma boceta amarela

Que de tão chupada
Fique com minhas remelas

Quero uma boceta
Somente uma

Onde lá dentro
Meu eu suma

Tuesday, February 27, 2007

ermo

a lápide de soslaio olha-me
o mundo de soslaio me peida
o que não pode ser mundo, muda

muda a moda que agora sobe
escondendo as barrigas do ontem

hoje sou o que nunca quis ser
e o habitual é habitar o nada quando

ermo penso

Wednesday, February 21, 2007

ÀS VEZES

Às vezes eu tenho vontade de fumar e fumo. Às vezes eu tenho vontade de comer e como.
Às vezes eu tenho vontade de você e nada.

Nenhuma mão vem me acudir no pesadelo.

Existe um desfiladeiro entre mim e você. Existe um foguete espacial. Sondas e satélites e bombas.

Às vezes tenho vontade de morrer e cuspo pro alto para não sujar ninguém, só a mim. É quase a mesma coisa.

Todo o dia os mesmos remédios e a melancolia melando a cueca do dia a dia. Um certo cheiro de merda que me vicia. Aqui então tudo é todo o dia. Assim sempre.

Wednesday, February 14, 2007

A LEI DA INÉRCIA ou OS OLHOS DO FELINO DIANTE DA PRESA

tudo
tende
ao nada

nada
é como
tudo

tudo
tende
a ficar

a estar
como
surdo
mudo

tudo
está

sem
se
moviment
ar

Wednesday, February 07, 2007

IGUAL

Hospícios são lugares tão bonitos
Lembram os cemitérios

Remédios azuis são tão ingênuos
Lembram alguns internos

Há ladeiras e um grande degrau
E flores e gente e muita gente

Muita gente gritando comigo
Como se só eu pudesse ouvir

Todo aquele pedido de vida

Thursday, February 01, 2007

FANTASMAS

Fotos desbotadas
Feridas na pele da alma

Tuesday, January 23, 2007

PRONTUÁRIO

Fico pensando nas pessoas que catalogam pessoas. Que dizem: este é isso e aquele é aquilo.

Fico pensando que sou um bicho-grilo na barriga de um jovem de quinze anos.

Eu engoli um grilo um dia desses, faz tempo. Foi a primeira vez que disseram: esse menino é doente e devia freqüentar uma escola especial para doentes como ele, que são um perigo para a ordem.

Fico pensando em quem disse que ele é esquizofrênico. Fico pensando se a doença está nele que viu ou nele que via.

Fico puto de a vida de duvidar de diagnósticos. Mas às vezes é melhor acreditar do que andar em círculos.

Porque as pessoas que catalogam pessoas não existem para o mal. No fundo catalogam para o bem.

Você, meu filho, é que é incatalogável.

Todo mundo sabe o fardo que você é para a família.

Precisamos de um nome de doença para pôr no prontuário. Que tal dizer que é síndrome de alguma coisa paranóide?

Que tal não esconder que não é letal?

Morre-se com isso e talvez morrer não uma má idéia.

Sunday, January 14, 2007

AINDA BEM

Hoje em dia, quando alguém está doente, a família chama a polícia.

A polícia vem e bate um papo com o cara. Se for preciso, colocam a camisa de força.

Eu não tinha como resistir: eram três tiras mais fortes do que eu.

Eles me levaram junto com o meu irmão. Acharam que eu não tinha nada, mas meu pai sentia um medo danado que eu fizesse alguma loucura

Mas eu era um perigo só para mim mesmo.

Do meu começo podia sair o fim, mas eu não quero rimar pobre com nobre em versos de impacto, só quero um pacto entre mim e você.

Eu jamais poderia dizer que só faria mal a uma mosca. Eram centenas e centenas delas, e matei algumas por prazer.

Saturday, January 06, 2007

Nasci morto
e fui jogado no lixo

Comi os restos
de mim mesmo

Cresci fraco
e pouco sei da vida

Algum dia
ainda ressuscito

Algum dia
ainda digo a mim mesmo:

eu existo

Tuesday, December 26, 2006

O camaleão passa pela soleira
Não vê que é um elefante
com suas presas
O elefante é branco
tal um homem albino
Eles olham pra trás
O camaleão que é elefante que é um homem albino
E ele vê suas pegadas
Outro leão quer por esporte
Feito homens
A caça
O leão quer o homem albino somente
Os outros são animais
Como a gente

Monday, December 11, 2006

ANORMAL

Norma a ser seguida e perseguida
Deve ser seguir a norma
Normal para todos os seres
Que a norma seja culta e não oculta
Que possa afastar qualquer indício
De ruído no discurso ou discursiva
E de facto no acto bem cuidado
Deve-se em deferência a linguagem
Tratá-la de divina Norma
Ou apenas como a Norma
Uma mulher como todas
Que está soltando um peido agora
E defecado no poema o quão sincero
É o seu avesso
Ou a aversão ao belo de um contexto
Digo a Norma finalmente
Deixe-me ser só mais um doente
Que não a teme como mãe

Wednesday, December 06, 2006

Ao vento plumas
na relva escura
de minha sanidade

No tempo dunas
cobrirão meu corpo
Não espero santidade

A vida roubou-me
segundos perpétuos
nas escadas da ampulheta

Nos escombros de mim
fundei meu médico
na poesia da receita

Thursday, November 30, 2006

CONTAMINADO

Dizem que sou muito louco mesmo
Dizem e eu sou

Quando eu acordo e ligo o computador fico triste
Ela não se lembrou de mim

A minha loucura não se lembrou de mim quando mandei um e-mail para mim mesmo
Eu não recebi o e-mail que enderecei a mim

Neste mesmo dia coloquei uma mensagem dentro de uma garrafa e joguei no mar
Segundo os meus cálculos a mensagem vai demorara alguns meses para chegar

Na verdade
Verdade mesmo, eu queria que as mensagens que eu mandei voltassem para mim
Para que eu as refizesse, para que eu as reescrevesse
E assim fosse vivendo reescrevendo aquela mesma mensagem a mim mesmo
Mas nem isso é original na minha loucura porque o que faço mais é reescrevê-la
Como estou fazendo aqui neste espetáculo do óbvio
Neste poema que reluta a ficar circunscrito a minha obviedade

Sou tão óbvio quanto um cartão postal do Brasil cheio de bundas
Mas quem não ama bundas não é óbvio?
Adoro a bunda das mulheres e também as adoro por inteiro
Talvez o que faça de mais interessante na vida seja olhar para a bunda das mulheres

Mas porque comecei a falar das duas mensagens que mandei e cheguei nas bundas?
As bundas são tão óbvias? Tão iguais? As minhas mensagens dizem a mesma coisa sempre?

Estou sempre reescrevendo o poema passado neste aqui que estou escrevendo agora
Não sei porque gosto tanto de reescrever poemas
E o pior,
Pior mesmo, gosto que meus amigos Leonardo Gandolfi e Franklin Alves os reescrevam
Porque acho que nenhum poema meu é meu
Quando saiu de mim já tem sua vida. Já precisa de outra pessoa para ser escrito.
Já não gosta mais tanto de mim

Friday, November 24, 2006

Wednesday, November 22, 2006

PORTAS PANTOGRÁFICAS

Se eu soubesse quem sou já saberia alguma coisa. Ela me diz que sou lúcido demais. Talvez ela quisesse um cara mais louco do que eu. Se me conhecesse ia entender que a minha lucidez vem da loucura. São portas que se abrem e se fecham numa pantografia dos elevadores antigos que fazem aquele esporro colossal, mas são eficientes: ainda são perigosos como eu. Todos os elevadores antigos foram pro poço. Estou saindo de um agora e entrando noutro.

Monday, November 20, 2006

DELÍRIO

Ninguém despertou do ano novo
e todo mundo se divertiu
Hoje dou um de bico na minha cama
e vou voar em outro aroma
Há delírios vários
e um me persegue:
a de que o cheiro da pasta de laçar
me enlaça como um cheiro de bosta
Como eu posso ir à praia feliz
e surfar minhas ondas de Amplictil?
Meus tisunamis interiores são tão maiores
Mas só podem matar a mim
Menos mal

Thursday, November 16, 2006

Eu sou um museu
Tenho uma filha com nome de furacão
Uma mulher com nome de vulcão
Uma farmácia particular
Um corpo pra me distrair
E dois copos de vidro
Um eu quebro
E brindo com o outro
Dentro do meu museu há um zoológico
Há um parque de diversão
Um cidadão jogando paciência
E um cientista se fingindo de importante
Há vários covardes como eu
Alguém bebe leite quente
Palavras se devoram dentro da boca
Há um homem vestido de burro
Um burro vestido de homem
Mandei tudo a merda
Mas um pouco de mim foi junto

Tuesday, November 14, 2006

ZERO

helicópteros de cabeça pra baixo
contemplam
os sinos da catedral
alguns símios que ali flutuam
piscina de arvores invertidas
formam o trovão
estes são os mesmos que se acham humanos
e não respondem
a um e-mail educado
com um palavrão

mas ora
eu também não respondo
a solidão de nunca estar sozinho
é tão maior que tudo

Sunday, November 12, 2006

OLFATO

Os acidentes do espelho e seus cacos de vidro e seus cactos que ferem e seus desertos que unem pontes podem possibilitar a mim um corte ou tornar-me alguma mulher que se movimenta despetalada nas minhas entranhas. Essa mulher sou eu no outro dia em que fui homem mastigando o delírio olfativo que um cigarro provoca: cheiro de merda.

Wednesday, November 08, 2006

Tela minha. O burro.

Tuesday, November 07, 2006

O PUXA-SACO

Eles querem tirar o seu coro
Fazer você trabalhar de semana a semana
Quem sabe um dia você será o funcionário do mês
Ou poderá com toda a sua formalidade em janeiro
Soltar um peido
E ninguém na sala de reunião sentir o cheiro

Saturday, November 04, 2006

NOITE BRANCA

O vinho congelou meu sangue. O inverno congelou quem eu era. As cicatrizes hibernam.

Aquelas marcas de pico viraram verrugas. Minhas sardas ainda tomam conta de mim. Estou tão velho que começo a me lembrar de tudo.

Sou um derrotado crônico. Pronto pra mais uma ilusão.

A alquimia do fogo que a si devora. A chatice do lodo que sobe pelas pernas e eu não tento mais me limpar. O que restou das cinzas já não sou eu.

Engulo alguma química nova. Quem sabe dê certo com um coitado. Não tenho pena de ninguém. Alguém tem pena de mim? Não mereço compaixão alguma. Eu sonho toda noite e não é um pesadelo azul.

Monday, October 30, 2006

LANÇAMENTO


A rigor há somente dois lugares
onde acontecimentos distintos ocorrem
A vítima e suas palavras estão no chão
se não me engano a meio metro da cama
O lençol que por razões óbvias também jaz ali
toca o pé direito e descalço dela
Três ou dois cômodos a separam de imagens
como as do carneiro ou da pia que estão na cozinha
onde há também uma mesa em cuja toalha
estão bordadas as mesmas figuras do texto
Ainda que o tempo de exposição seja parecido
em algumas delas noto maior descompressão
É o caso aqui do prego que oscila entre os cômodos
devido sobretudo ao desprendimento
com que conduz seus propósitos
O mesmo é dizer da mão sobre um dos teus ombros
e do que nela ou na leitura se coagula
– até porque se diz por esta voz
diferente daquela que falava
e ainda fala alguns versos acima –
Assim também com ombro faca estrofe
e outros tantos efeitos de superfície
Em tudo o mesmo gosto de arrependimento


Leonardo Gandolfi : No entanto d'água

Friday, October 27, 2006

Gozo com a terapeuta


Durante o eletro-choque
Dizem que mordi minha mão,
Dizem que mordi a aurora.
Quando o crepúsculo nasceu.

Dizem, pois nada lembro:
- Quem foi? Qual trem?
Qual lua se afogou
Entre as escarpas da testa?

E eletrocutada desabou
Seu leite de gozo eufônico
Na solução de abismo e orquestra,
Que inundou seu ventre vale.


Gozo con la terapeuta


Durante el electrochoque
Dicen que mordí mi mano,
Dicen que mordí la aurora.
Cuando el crepúsculo nació.

Dicen, pues nada recuerdo:
– ¿Quién fue? ¿Cuál tren?
¿Cuál luna se ahogó
entre las escarpas de la testa?

Y electrocutada derramó
Su leche de gozo eufónico
En la solución de abismo y orquesta
Que inundó su vientre valle.


Traducción: Pedro González

Wednesday, October 25, 2006

SUICÍDIO

Não havia saída. Nenhum abismo se abria. Nenhuma porta fechava. Nenhum abracadabra. Não conseguia ficar sozinho. Então eu me joguei dentro de uma caixa de Amplictil.

Vi que no centro só estava eu comigo

Eu dormi no meu suicídio.Acordei para outra vida. Estava dentro de um vidro. Cristo era um suicida?

A vida me agarrou e ainda não me soltou. Quando ela me quiser já estou preparado. Basta um abismo crescer. Nem a eternidade é pra sempre.



Suicidio

No había salida. Ningún abismo se abría. Ninguna puerta cerraba. Ningún abracadabra. No conseguía quedarme solo. Entonces me metí dentro de una caja de Amplictil.

Vi que en el centro estaba solo conmigo.

Me dormí en mi suicidio. Desperté en otra vida. Estaba dentro de un frasco. ¿Cristo era un suicida?

La vida me agarró y todavía no me soltó. Cuando me quiera estoy preparado. Basta con crecer un abismo. Ni la eternidad es para siempre.

Tradução Frederico Nogara

Monday, October 23, 2006

Não adianta fazer força você está numa camisa.
Ela não é bonita e você não acreditou em mim.
De que adianta ter braços agora?
Saber que tudo está no início e não no final.
Você vai passar um tempo com a gente moldando massinha.
Será bem tratado e acorrentado todo o dia antes de dormir.
Viverá com insônia, mas dormirá de olhos abertos.
E as melecas serão grudadas no teto porque ele ficará bem perto.
E o seu silêncio [quando vier] passará a eternidade para existir.

Você ouvirá vozes redentoras que lhe falarão da felicidade.
Agora é só algum segundo depois do enigma ser desvendado.
Jogarão golfe com o seu crânio pré-moldado.
Costuraremos todas as grandes cicatrizes. Mas deixaremos
as menores pra você acreditar que ainda existem.

Monday, October 16, 2006

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Muitas pernas pernas esquisitas pernas de elefantes pernas de lince. Dores na perna na perna de elefante na tromba de um cordeiro. Muitas faces na face dela. Muitos beijos no beijo que dei e tropecei nas próprias pernas. Mal caí e me quebrei. Mal parti e me alonguei como o vento que sacode a enseada e os galhos verdes das árvores que vejo do meu quarto parecem tremer de frio. Eu não sei mais muita coisa e sobre o que falar: perdi as pernas e ouço versos deste lugar sem pernas. Onde está o meu corpo morto? Eu diria que este silêncio me confunde nesta tarde sem binóculos. Não posso ouvir o que digo. Não consigo mais levar minhas pernas pra onde quer que eu vá só levo tentáculos enfurecidos e as cascavéis com seus chocalhos perguntam-me onde estamos indo com tanta velocidade. Pernas pra que te quero. Não consigo entrar. Não consigo sair. Me deixe ficar. Parado. Imóvel. Morrível. Aqui onde ninguém possa tropeçar nas minhas pernas.

Monday, October 09, 2006

PROTEÇÃO ÀS PUTAS

o filho da puta
é o meu filho
porque ela é puta
ser filho da puta
não o incomoda
não a incomoda
não me incomoda
afinal
todo mundo é filho de
uma foda

Thursday, October 05, 2006


a mosca

a mosca é foda
antípoda: poda

voa na neurose
no soslaio de tempo

a mosca oblíqua pousa
numa banana

a mosca é fétida
como o sentimento da asa

que centímetro se fecha
milimetro se abre

no ziper do poema

britadeira no ouvido
arrepio

a mosca é um rio
que cospe glandes

e girassóis
a mosca está em nós

ou estará no rosto absorto
do morto

contrito, duro
naquele escuro que só vôo

Tuesday, October 03, 2006


Bombado

Mergulhei de cara no ar
Quando eu respirei
Meu coração ia a duzentos por hora
Capotar na primeira endorfina
E ir adrenalizado bater e bater
Até uma morte circunscrita
A alguns idiotas que me matavam
Mas eu voltei vivo
Da camisa de força que apertava
Ainda sem conseguir separar
A realidade da realidade
Por que tudo era realidade
Aquelas vozes que me esmagavam
Aquelas mãos que eram pinças
Aquelas pinças que pareciam caranguejos
E arrancavam meus pedaços
Mas não comiam
Porque era só por prazer
Que faziam aquilo



Friday, September 29, 2006

DE CIMA PRA BAIXO


Sou o melhor que posso
Possuo o melhor que sou

De mim sei não restará nada
Nenhum caroço, nenhuma empada

Às vezes me jogo do sexto andar
Às vezes me jogo do quinto

Mas nunca passo do chão
Do chão onde um fogo extinto

De um mendigo que me acudiu
É aceso toda noite

Toda noite um anjo cai
E um outro abismo cospe labaredas

Talvez o dragão seja hoje
O melhor amigo do fogo

Talvez seja o deus pra quem rogo
O último ateu suicida

Monday, September 25, 2006

Tenho fobia de gente
Mais de cinco
me deixam tonto

Um sexto
logo eu pensaria:
o que está fazendo aqui?

Ela não fala nada
Não ri
Nem nada

Não serve nem
pra dar um
clique

Num retrato chique
de nós todos
sorrindo

Ela veio
pra me irritar
sinto-me perseguido

Por sua bizarria:
será que está armada
ou é agente da CIA?

Monday, September 18, 2006

sistema*

a noite exala cemitérios
escovo as lápides como dentes
o hacker cheira cocaína nos meus alvéolos

15 engraxastes brasileiros e 200 bombeiros
morreram em Nova York
hoje quem sabe algum culpado será crucificado
hoje quem sabe algum deus surgirá

debaixo do entulho será
que a caixa preta dirá mais do que o povo negro sem fome
diz ao dizer que adora outro deus

debaixo do entulho será
que o sangue vermelho é igualmente vermelho em todo o lugar do mundo
desde que vivo ainda agora sobrevivente do que persigo

debaixo do entulho será
que um outro futuro existe ou será sempre em nome do pai
que matarás

debaixo do entulho será
que existem bíblias e alcorões queimando em igualdade de condição
ou será que só existirá

o corpo de um jovem mais jovem do que eu
suicidado por a si suicidar

* poema escrito na noite do 11 de setembro. Eu me achava jovem!

Monday, September 11, 2006


Um locutor me anunciava:
“Direto do útero materno
para o inverno do inferno

Rodrigo de Souza Leão”
Fui aplaudido e assinei
a carteirinha de sócio-atleta

Monday, September 04, 2006

Tantos baiacus
voando cócegas

Tantos meninos
engordando

Quantos ventos
lutando na biruta

Voando cócegas
quantos céus em mim

Baiacu engordando
explode infinitos

Sunday, August 27, 2006


por Paulo de Toledo e Rodrigo de Souza Leão

Tuesday, August 22, 2006



1. Abrolham vulcões pela pele

Erupções compõem
o amarelo

Elos de luz
Pus em pus

2. Cavalo sem crina
branco

Cuspindo falésias de
seda turquesa

Todavia o mar bordejando
aspergindo

gotas

Água de calor
vulcânica quase ar

Quasar

Pulso móbiles redoma
Aquário de fumaça

Cospe sombras
cadências cardantes

Cabelos crinas d’éguas
Bolas de sabão

explosão

3. Fios de ouro
preto

virando olhos
claros

Fumaça, fuligem
cinzas

apenas tragadas
d’eu(s)

4. Deitado olho céu
Magma jorra

da jarra – corpo
copo de cinza

5.Gatos lambendo
a pele de filhotes

Morreram na guerra

Dromedram desertos

Gatos miragens
Nesgas de aurora

Intermináveis dores
erupções e mordiscos

Vulcões bons apenas
quando mortos

Estou comendo crepúsculos

6. Brisa maquinal
Matina eterna

Vento de bolso

Barcos velejando

Miragens aquosas –

Sopro endêmico
mixando suores

Odores espinhas
Rugas melecas

Despojos restos
Andrajos orgânicos

Verdadeiros oceanos
de frios sonhos

Pesadelos e infernos

7. Rastafári safári
em mim

Elefantes trombetas
esporrando

Sangue saliva
seiva e pus

8. Via Delfos delfins
e hienas

E sua cria de corvos
amestrados bicavam meu ventre

arrancavam palha pulhas palha
palhaços

Thursday, August 17, 2006

ESTRELAS

Os anjos estão dispostos a nos ajudar
É meia–noite e eu me divido em três
Sou o cavalo branco diante do abismo
E o morcego que vê na escuridão
E a esfinge que baba sêmen

Alguns corvos estão a nos olhar
O nosso longo beijo de compreensão
E a morte tão próxima quanto o medo
De que um anjo vire uma verdade suspensa
E assim se enforque com a própria luz

E um anjo enforcado é mais um aviso
De que a voz que escuto em mim
Continuará a pedir ajuda a todos
Haverá então o encontro das trevas com a noite
E eu ouvirei outras vozes além daquela

Que dirão que tudo está no início
E o universo ainda não copulou com a terra
E o dia que isto acontecer
Será o início de uma nova era
Será noite de dia e de noite

E os zumbis jogarão xadrez com o resto
De corpos mutilados
E o fogo inundará as pradarias
Aí os loucos estarão todos livres
Por que todos estarão loucos

Friday, August 11, 2006

Este poema foi feito após minha segunda internação. Dormia no mesmo quarto que um outro louco que só fazia repetir: eu vou pra Paracambí se vc num comer vai pro Caju. Paracambí era onde ficava um hospício e creio que o Caju era o cemitério. Deve ter sido alguma coisa que repetiam muito pra ele. Não sei.

diário 002.01 [E alguma luta haveria de persistir naqueles olhos que duvidavam de tudo. O policial César Amparo foi internado no hospício.]

extremo



amparo ampara e dorme de vaga aberta
a onda que opera nele diazepan ou lexotan

satã ao seu lado e do meu deus dormindo
a mímica do algoz em seu sorriso limpo

quanto de mim fica claro como o mijo
que bebo na falta d,água e de miragens

algum azul claro no céu pede que nuvens
venham salvar as fezes que ocasionalmente

rolam como pedras que não criam limo
ao som de Sabath cantando Born to be wilde

trepidam os loucos e no gardenal flutuam
bolas três vezes ao dia todo dormindo

césar amparo beija na boca de Sabath
que homem não pula mais que ele agora

Sabath comeu uma juba e cospe vírgulas
na orelha de amparo alguns sutiãs se aquecem

são os bicos dos seios de Karina e suas coxas
anelando minhas mãos que cofiam o ralo

barbeado mal feito pelo que restou de presto-
barba azul e barba vermelha e barba papa e

sorria que estou te filmando e vai Serginho e
vai Serginho e puta que o pariu cotia não

na noite a escuridão acende a Rocinha
as orquídeas brotam na beleza dos olhos

da Lua cheia que explode na água ao som
do testículo de mármore moído por Alfonso

eu vou pra Paracambí e tem que comer senão
vai pro Caju e metrô Estácio e Tijuca e Paracambí

Vanessa olha os olhos em sangue do sargento
no pico hiper-tensivo de um assobio doido

ele lê cantando um texto que fez ontem
para hoje ser lido na dinâmica de grupo da Dra.

pouco mais velha ou muito mais nova eu não
quero nada que não seja o desenho de prata

no arco do sorriso de uma doida que lembra
a minha mãe e me dá um beijo e diz que garoto

bonito que garoto bonito que garoto bonito

Ana é internada de manhã e amarrada na cama
não mama não come não nada e assim como o

procurador mente brilhante e brilhantina no cabelo
atesta que detesta eletrodos na testa mas adora

ouvir o funk carioca da favela que minas pow
paulista big brother e casa dos artistas

café e leite com água fervendo na cuca legal
macarrão no almoço e no jantar gardenal

na noite tem jogo da seleção e se enfermeira b
deixar deixará de novo a tv ligada na globo

e vc tudo haver ou a ver ou haverá ainda
outro céu que não as grades de ferro cromado

engolindo a noite e alua de Cortazar enforcada
e escaldada entre a química cerebral e Deus

quem pode com um ateu quem quer que seja eu
sei que Ana dorme no pé de Alfonso e presa a cama

babam e babam e babam enquanto tremo pedindo
piportil ou acneton ou a hóstia e a extrema unção

Monday, August 07, 2006

1. Pânico no circo
aladodas têmporas

Endorfinas macaqueando
a goiabada pineal

Volts em volta
Eletrodos todos

De branco culpados
culpas pecados

Haldol no leite
Ralo do tempo

Clitóris de plástico
na sopa de adrenalina

2. Nódoas nuas cristalizadas na nuca
Nunca injete tudo

3. Camisa sem mão sem mangas
Nos olhos apenas antolhos

Na janela áurea de peristilos
punção de morte fode

4. Peixes fisgando anzóis comicham no corpo
Baleias de chupeta

5. Na veia sossegada o leão caminha
inválido de juba cortada, cuspindo
vida curta

Em curto circuito fechado
faixas vendas ferem as paredes

Sem degraus as pilastras
Sem grade degrade

Degradado de sol
de lua

Chuva desbotada
Eletrochoque natural

Enguias guiam os volts
na cabeça dos cegos de si

Thursday, August 03, 2006


VENDE-SE.


Guelras e silêncio. As formigas passeiam pelos peixes. Jonas e sua baleia estão expostos. À mostra toda a tradição. Estandartes nas mãos. Crianças começam a cantar o estribilho do hino nacional. As bandeiras se masturbam no vento. Poetas discutem complexidade do mundo sem complexidade. O hino é belo e a flâmula é verde e amarela. Eu só queria romper a bolha que me prende a esta casa e a estes metros quadrados. Eu iria à feira ver os peixes mortos. Sentir o odor fétido das sardinhas expostas. E não ler num blogue que tudo está a venda. Inclusive as cabeças dos líderes da oposição poética. Um a um decapitados por serem diferentes.

Monday, July 31, 2006


de Paulo de Toledo e Rodrigo de Souza Leão

Thursday, July 27, 2006



Uma Temporada nas Têmporas

lamina na goela estéril da minha criatividade toda lux luxuosa e rubra ruboriza aquele horizonte onde dante e algum demônio se dilacera numa verdade e alguma turbina de um avião cadaveriza o aerador fênix mordendo jorge de lima revirando na cova por ter citado o seu nome nesta nova trova embolada onde ponho todo o meu coração apodrecido por fezes e cactos e sêmen-lhantes que abominam alguns trocadalhos mesmo assim quem sabe me invento inventando um vento que turbine a alma daquela vela próspera em ignecer minha designição
- Eu surgi do nada e nunca fui ninguém. Queria perdoar meu pai mas ele não me pediu perdão.
Marx e Nietzsche conversavam sobre Zaratustra temendo que o fogo daquelas labaredas próximas destruísse o abismo que limita o fim e o início dele. Ele era Deus e se recompunha de uma fase onde as chamas foram fartas mas não fatais. Criar e Destruir. Aqui está a modernidade enforcada com seu próprio paradigma. Quem sabe um novo Deus virá?
Daniel B. E seu boné peludo com um pênis pediu para que Picasso acabasse logo de fazer o seu retrato.
Eu querendo ser James Joyce.
(marfim tristeza onde derrubam a profusão de idéias tolas que circundam o que todos esperam é que o ser seja o que todos são e iguais assim seremos animais também) Derrubem uma vaca e a defequem quando gozam. Os pássaros foram feitos para morrer voando.)
Triste hospício em que me visto em que me vasto em que insisto em devastar têmporas de verde e.
Um tablóide sensacionalista publicou uma foto da lady Diana dando um beijo na boca de um surrealista. Foi quando eu qualquer fuzilei um por um dos meus ídolos e ficou claro que teria que deixar de ser sensasurrealista.
James viu Joyce que viu Frederico que viu Nietzsche. Trocaram sorrisos e disseram que mesmo um beijo rápido que trocaram, não significava amor. Por que amor é Camões. É o fogo que arde sem se ver. Entre eles não havia nada além de poesia. Gostavam dos mesmos poetas e tinham certa erudição vulcânica: transbordante. Mesmo quando esporraram e cuspiram palavras cruzadas e bombas de efeito moral, se diziam pessoas tristes e inacabadas. Alan Kardec lhes havia dito que Nietzsche iria voltar. Daniel B. chorou como quem abandona o silêncio de uma rua da infância. Marx foi sarcástico e pediu que Sartre fosse crucificado. Picasso sorriu, sorriu tanto que ruiu feito um edifício explodido.
- Mas eu nunca li James Joyce.
- Eu também nunca li nenhum destes caros, mas se você complicar bem a coisa...
O olho esquerdo de Marcel Proust caiu de sua boca.
- Voltar! – gritou Nietzsche. Porra eu quero ir eu não quero voltar porra nenhuma.
Ouve-se Mozart num piano de cauda tão longo que o infinito daquele ponto de interrogação comeu o horizonte no peito do Charada.
- Quero Ac. Quero Ac.
Keruac surgiu com Freud. Freud disse:
- Esse povo quando quer zona quer a tempestade de um Amplictil. Ficam com
estes trocadilhos que não levam a literatura para lugar nenhum. Mas quem quer chegar a algum lugar e que lugar é este?
Assim todos esperavam sua vez de esperar.
Era o soma que estava em falta naquele inferno place. Motel vagabundo onde Elizabeth Bishop e Emily D. onde Breton e Piva onde Marlom Brando e Elvis se encontravam com Lou Reed, Yma Sumac e David Bowie.
(MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo1) Quero qualquer coisa qualquer nota qualquer dia e odeio aveia Quaker. Desejo o que respiro. Respiro o que desejo. Cada um é livre e pode se dizer poeta da forma como quiser e se expressar como quiser e a palavra poetastro será banida do dicionário. Todo o poeta é um bom poeta e Jesus Cristo que ia julgar os vivos e os mortos ainda não apareceu para me coroar com uma flor carnívora. Além do fim do poço há muita possibilidade de haver uma areia movediça no quintal de sua depressão. Por isso tudo pode piorar. Para que o Qualquerismo seja implantado é forçosamente necessário que os dez primeiros inscritos no movimento façam uma antologia poética com Os Cem Piores Versos dos Cem melhores Poetas de Todos os Tempos. Assim veremos que ainda somos piores do que o que os piores dos melhores.)
to cansado de escrever e como ninguém vai ler:
lamina na goela estéril da minha criatividade toda lux luxuosa e rubra ruboriza aquele horizonte onde dante e algum demônio se dilacera numa verdade e alguma turbina de um avião cadaveriza o aerador fênix mordendo jorge de lima revirando na cova por ter citado o seu nome nesta nova trova embolala onde ponho todo o meu coração apodrecido por fezes e cactos e sêmen-lhantes que abominam alguns trocadalhos mesmo assim quem sabe me invento inventando um vento que turbine a alma daquela vela próspera em ignecer minha designição
ao invés de enrolar prefiro copiar e colar:
(marfim tristeza onde derrubam a profusão de idéias tolas que circundam o que todos esperam é que o ser seja o que todos são e iguais assim seremos animais também) Derrubem uma vaca e a defequem quando gozarem. Os pássaros foram feitos para morrer voando.)
OS PÁSSAROS FORAM FEITOS PARA MORRER VOANDO.
MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo 2) Partindo do pressuposto de que tudo é tudo e nada é nada como nos dizia um dos dez maiores filósofos contemporâneos - o Tim Maia -, é que o pilar das patas bovinas do Qualquerismo deve ser fincado. Depois de uma antologia com “Os Piores”, é a hora de aliciarmos o maior número de adeptos a nossa causa. Para isso o departamento esportivo estará fornecendo a carteirinha de sócio-atleta aos dez primeiros que chegarem depois daqueles dez primeiros. Assim poderão todos os vinte freqüentar a piscina cheia de ratos da modernidade, e ouvir esta “chupação” extraída daquela música de Cazuza. Lembre-se que uma vez Qualquerista sempre Qualquerista. Todo o Qualquerista carregará um Q de (abrir o MINIDICIONÁRIO SACCONI DA LÍNGUA PORTUGUESA E LER DA PÁGINA 555 ATÉ A PÁGINA 662) dentro do coração e estudará apenas nos manuais da Disney. Aos jornalistas nada melhor do que o Manual do Peninha. Aos magos, como o nosso querido Paulo Coelho: o Manual da Maga Patalógica. Aos escoteiros: o Manual dos escoteiros. Ao Manuel: o Manual do Manual que é a bíblia de todo o Qualquerista.
Marx e Nietzsche conversavam sobre Zaratustra temendo que o fogo daquelas labaredas próximas destruísse o abismo que limita o fim e o início dele. Ele era Deus e se recompunha de uma fase onde as chamas foram fartas mas não fatais. Criar e Destruir. Aqui está a modernidade enforcada com seu próprio paradigma. Quem sabe um novo Deus virá?
Impávido Caetano Veloso é que não agüento mais. Ë muito espaço para uma pessoa só.
Pedem os piolhos que peidam. Pedem as algemas que prendem. Tudo quer e o querer e a vontade de ser é o que habita o instante que não se repete mais. Heráclito está no amarelado lago de Van Gogh. Heráclito pede uma orelha enquanto Dennis Hoper beija na nuca de Agripino de Paula.
Paulada.
Pau.
Pau grande de poder para embocetar-te de porrada.
OS PÁSSAROS FORAM FEITOS PARA MORRER VOANDO.
Pardal voando louco no infinito de uma boca sangrando sempre a procura de outra boca em que pardais que voam no escarro de Augusto dos Anjos que deve morrer como eu morri. Perdão meu pai é o que queria dizer mas meu pai não me pediu perdão e não me lê e não me quer mais agora aqui. É um pássaro dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro: tal vôo só é possível se todos os pássaros se unirem.
Daniel B. Pergunta a Nietzsche:
- Por que você quer voltar?
- Eu não quero.
Daniel B. tira o seu boné e o seu rifle e atira no criador do seriado em que foi Daniel B. Daniel B. chora.
- Diga a ele que eu fico – disse Nietzsche.
- Posso ir então.
- Kardec quer que eu vá.
- Kardec não é Deus. Deus é o circular.
Havia um círculo redondo na palma da mão de Daniel B.
Ele continuou falando:
- Sabe quando a gente é pequenina como a ponta de um dedal e a gente acha que sabe tudo. A gente chega a juventude e acha que sabe tudo. A gente chega a idade madura e acha que sabe tudo. Por que a gente sempre acha que sabe tudo?
Nietzsche olhou bem naqueles olhos que eram ciclones e que diziam o que Daniel B. queria. Queria profundidade de um personagem de Marcel Proust. Ele queria ser Marcel. Daniel Boone não gostava de ser Daniel Boone e queria ser um abismo como foram aquelas outras almas tão torturadas mas que no fundo podiam ser miragens, palavras, canções, desertos, história em quadrinhos e mais uma pá de coisas e de cal sobre o assunto. Assim tudo ficou durante o tempo em que penso em algo e foi o suficiente para me perguntar; “por quê me metalinguo?” Assim surgiu:
(MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo3) O Qualquerismo não é um movimento pois se pretende estático. O único movimento que pode se equiparar ao Qualquerismo em proposta é o MRU: Movimento Retilíneo Uniforme. Parar é andar para frente por mais contrário que possa isso parecer. Ócio total. Ócio parcial.Ócio ossal. Parar e olhar a natureza dentro de cada prédio negro além da vidraça. Parar para sentir a brisa do óleo que sobe. Parar e cintilar no corredor de ar entre o vazio que a cidade tem. Parar com o movimento por aqui pois devo mover-me, devo demover-me, isto eu acho.
populacho
prepopula
própopula
copio e colo:
- Eu surgi do nada e nunca fui ninguém. Queria perdoar meu pai, mas ele não me pediu perdão.
“Tornar-se pessoa. Thor nasce tornado. Tornar-se Tornado. Thor nasce Thor”.
Toni Tornado.
Nietzsche não queria o que Daniel Boone queria mas ambos eram populares em demasiado. Um tão gênio e o outro tão burro. Ambos bem pop. Um astro esquecido e idolatrado por milhões. Outro o filosofo da moda. O cara que fazia a cabeça de quem inventa de Quem I. De QI.
- Eu falo com Kardec que você quer ir em meu lugar e é você quem merece ser, o criador do Qualquerismo – disse N.
- Também acho. Mas será que este cara vai ser feliz?
- Um gênio!
- Então irei sofrer para caralho sabendo de que a inteligência não me ajudará de nada. Mas irei por que como Daniel Boone eu fui muito amado e quero sentir o que é o ódio.
- Saberá bem. Aprenderá tudo que eu disse e o pior é que você não porá em prática meus ensinamentos pois quem nasce para Daniel Boone nunca chega a Frederico. Nunca. Você viu o filme Traído pelo Desejo. Um escorpião é um escorpião.
Roberta Miranda cantava “Vá com Deus”. Kardec cochichou no ouvido de Nietzsche e Daniel Boone baixou em mim num centro espírita. Disse que iria ser, o criador do Qualquerismo. O movimento do eu sozinho. Disse para que eu fosse o meu movimento. Para que eu fosse fiel a ele e que o importante era se movimentar mesmo pedra.
Nasci. Os pássaros foram feitos para morrer voando. Mas nunca morrem assim.
lamina na goela estéril da minha criatividade toda lux luxuosa e rubra ruboriza aquele horizonte onde dante e algum demônio se dilacera numa verdade e alguma turbina de um avião cadaveriza o aerador fênix mordendo jorge de lima revirando na cova por ter citado o seu nome nesta nova trova embolada onde ponho todo o meu coração apodrecido por fezes e cactos e sêmen-lhantes que abominam alguns trocadalhos mesmo assim quem sabe me invento inventando um vento que turbine a alma daquela vela próspera em ignecer minha designição

Sunday, July 23, 2006

.o lince corre das listras vestindo meias coloridas.

Wednesday, July 19, 2006



SINDROME DO PÂNICO

A minha casa está doente. Como eu a minha casa tem 4 cômodos e 6 pernas. Ela vai de corpo em corpo procurando um lugar onde morar.

Como eu a minha casa é o melhor lugar do mundo para ser sozinho como sou.

Há palavras que não encontro para definir a minha casa.

Talvez a mais exata seja: asa.

Sunday, July 16, 2006



SOMANDO DIMINUINDO IGUALANDO

poeta + poeta = nada
poeta – poeta = nada
poeta = poema
poema = nada
poema + nada = poeta
poesia + nada = poema
poema + poesia = poeta
poema + poesia = João Cabral de Melo Neto
poema – poesia = este poema
poesia – poema = matemática
poesia = tudo

Thursday, July 13, 2006





1. Algum palhaço
apontou um revólver
e divulgou seu nome
ao matar um macaco

O macaco morreu
desconjurando
O palhaço ria
pela primeira vez

Tantos macacos
vieram para o enterro
dar pêsames às núpcias
do palhaço com a dor

2. A tromba do elefante
limpa banha molha
os animais menores

Tempestade e pi
po
ca
porque quando escrevo agora
tudo chora
E o barulho da chuva na janela
lembra o da pi
po
ca
na panela

E o elefante no circo
E os animais menores
lascivam estáticos
escrutam o trapézio

(a cadeira nas rodas do trapezista)

que quer vôo
mola motor motriz lágrima grinalda e véu
e vento
Chuva
molhando
o poema

Água daquele elefante branco
sem o nó na tromba

3. O transferidor se abre bailarina
em poucas cores
piruetas e montanhas russas
E os alvéolos avelãs
de delicados se esticam
na ponta dos dedos
Linha finita limítrofe elástica tensão máxima
Ou o poema:
dança nas ancas
dobras e dribles
corpo agulha
Penélope baila

Monday, July 10, 2006



O copo quebrou
e não foi preciso mais nada
além da voz de Yma Sumac

O copo quebrou
no agudo do passarinho
dentro dela

O copo quebrou
e os cacos ficaram no chão
para algum faquir sorrir dor

O copo quebrou
e toda criança sabe
que a boa água é a da bica

Thursday, July 06, 2006


Freud dizia que defecar é um prazer
e que todo mundo ama sua mãe

Eis que defequei um filho com barba
Onde foram parar minhas hemorróidas,
eu pergunto

Só uma puta poderia te parir, respondo
E vou pondo naftalina na latrina
do dia-a-dia

Para não apodrecer de mim mesmo

Tuesday, July 04, 2006

COPA DO MUNDO 5

Perdemos. Foi bem perdido. O Brasil vive um caos interno e eterno. É hora de nos irmanarmos para a construção de um país que seja realmente vencedor. Um Brasil sem tanta desigualdade. Sem tanto político corrupto. Tão rico e tão pobre. Que a derrota sirva para abrir os olhos do povo brasileiro que só se une em época de Copa do Mundo. Eu preferia não ser pentacampeão e ter um país melhor. É hora de reflexão. Vem eleição aí e é temos que votar bem. Precisamos de tanta melhora. Estamos numa eterna UTI. Tomo meu Haldol das seis horas. Estou triste porque a gente perdeu na única coisa que a gente é considerado bom. Temos que ser um país. Liberdade, igualdade e fraternidade. O Brasil se nutre do caos que gera.

OS TRÊS AZUÍS FRANCESES

AZUL MARINHO

Quase Negro noite além
Perto escarra maresias
Cais, caos, faraós e faróis

No Egito um homem
Veste azul marinho
E enfrenta as estrelas

Vasculha o céu deserto
De algum puçá
Que o Escorpião que sou

Galáxia impura
Inocula o veneno próprio
Do amor impróprio

Pela tempestade
Nas pernas do Oásis
Chovem suicidas

“Liberade, Liberdade
Abre as Asas sobre Nós”

AZUL TURQUEZA


Todos são iguais perante a lei
Mas há os mais iguais

Há os mais iguais perante deus
Há os mais iguais perante a lei

Pior que os mais iguais perante a lei
São tão iguais quanto os perante deus

Pelo menos no céu occipital do Ocidente
Onde se arrependendo no fim de Hordelin

Rimbaud cuspiu a hóstia sagrada


AZUL FINAL


No final todos
Os amigos e os inimigos
Se reúnem num churrasco

E comem a carne do Bisbo
E as sardinhas

No céu os fogos de artifício
Entram pelos orifícios negros

E um dia voltam
Caindo na noite de natal
Feito um colírio no plenilúnio

Laranja do Pequeno John

Saturday, July 01, 2006


ARTE


Eu não sei captar lei
Capitularei

DESEQUILÍBRIO

A esquadrilha da fumaça polui
Tanto
O ambiente
Mais que um baseado
E ainda faz manobras de guerra

?

Um canguru
Pula mais que um cervo
Que pula mais que uma mola
A zebra é preta ou branca
Qual o caminho da boceta
É mais fodido e fedido
Para uma boca animal
Tudo é perguntar
Nem sempre com interrogação
Que é algo
A mais
Há mais??????????????????????????

DEPOIS DA MORTE

Se pudesse decidir pra onde ir
Riria

Thursday, June 29, 2006

COPA DO MUNDO 4

O time jogou muito mal, muito. Foi o pior jogo até agora. Deixou Gana jogar com gana. Dida salvou o Brasil umas quatro vezes. Haja Lexotam 6. Por que o país não se une tanto para fazer um país e só se irmana numa Copa do Mundo? O futebol é como a vida. Nem sempre os melhores ganham. Viva Gana e sua valentia e seu futebol pra frente e seu toque de bola. A seleção brasileira jogou no contra-ataque. Na encolha. Esperando para dar o bote. Mas este time ainda não convenceu. Tomara que o Robinho volte logo. Ronaldo, mesmo fora de forma, é o maior artilheiro de todos os tempos. Tem que tirar o chapéu pro fofucho. O gol de Adriano valeu, mas ele estava impedido. Placar moral Gana 4 x Brasil 2. Mas continuamos na vida de torcedor sem distorcer. Gana chuta mal a gol. Kaká não jogou bem. Cadê o nosso toque de bola? Ronaldinho Gaúcho não foi o mesmo de outros jogos. Um dia ruim. Zé Roberto foi eleito o melhor do jogo. É preocupante. Ainda bem que tomei Haldol hoje!

Tuesday, June 27, 2006




Tudo ficou dourado. O céu dourado.
O Cristo dourado. A ambulância dourada.
As enfermeiras douradas tocavam-me com suas mãos douradas.
Tudo ficou azul: o bem-te-vi azul, a rosa azul, a caneta bic azul, os trogloditas dos enfermeiros. Tudo ficou amarelo. Foi quando vi Rimbaud tentando se enforcar com a gravata de Maiakovski e não deixei.
Pra que isso Rimbaud? Deixa que detestem a gente. Deixa que joguem a gente num pulgueiro. Deixa que a vida entre agora pelos poros. Não se mate irmão. Se você morrer não sei o que será de mim. Penso em você pensando em mim.
Rimbaud tudo vai ficar da cor que quiser.
Aqui não dá pra ver o mar. Mas você vai sair daqui.
Tudo ficou verde da cor dos olhos de meu irmão e da cor do mar. Do mar. Rimbaud ficou feliz e resolveu não se matar.
Tudo ficou Van Gogh. A luz das coisas foi modificada.
Enfim me deram uns óculos.
Mas com os óculos eu só via as pessoas por dentro.

Sunday, June 25, 2006

COPA DO MUNDO 3

Finalmente o Brasil jogou. Os samurais não conseguiram conter Ronalducho e seus blue caps. É sempre estranho ver o Brasil jogar com calção branco. Parece a seleção do Vaticano. Foi um dia bom para a seleção. Os reservas mostraram que são melhores que os titulares. Repetiu-se o time da Copa das Confederações e a boa atuação veio. Ao invés de tomar 4 Lexotans, tomei 2. O 1x1 do primeiro tempo era injusto. A torcida brasileira ficou calada ouvindo os japoneses gritarem alguma coisa parecida com “Zico, Zico”. Zico foi o maior jogador que vi jogar e o maior ídolo do meu Mengão. Ele cantou muito o nosso hino nacional pelos gramados do mundo e, hoje, não foi diferente. O cara é um exemplo. Como disse um comentarista outro dia: “Se o Zico não ganhou uma Copa do Mundo, azar da Copa do mundo”. Hoje o escrete jogou que nem meu Rivotril, guardado para alguma ocasião de tensão. Foi forte. Incisivo. Jogou bola. O problema agora do Parreira é maior. Quem escalar? Juninho jogou muito. Eu desfazia o quarteto mágico e o seu abracadabra que nunca foi mágico. O Fenergam é mais um remédio amarelo que me impede de tremer tanto durante os jogos. Tremo já o suficiente. Que venha Gana, sem tanta gana assim, por favor.

Thursday, June 22, 2006

COPA DO MUNDO 2


Vencemos. Ronaldo mais atrapalha do que ajuda. Sufoco de novo. Dois a zero contra os fisiculturistas australianos. Nunca quis perder e nunca saí ganhando em nada. Sou um fracasso. Projeto na seleção. Ainda um projeto de equipe. A camisa amarela está lá. Repousa. Será que vou usá-la? Já disse q só ponho o amarelo se o Brasil for campeão. Um Lexotan verde, o de seis miligramas. Pelé que recebeu a alcunha de poeta, quando calado, acertou uma: o Equador está surpreendendo. Ronaldo tava com trique-trique. Ele disse que não vomitou no primeiro jogo. O jornal italiano diz o oposto. Ser ou não ser: o doente sou eu ou o Ronaldo? Manda um Gardenal na veia que ele melhora. Eu nunca tomei Gardenal, mas dizem que faz um bem danado. Tudo vale a pena quando a alma não é de adrenalina. A Alma apenas é. Sempre conheci os que levaram porrada. E a Austrália veio com tudo. Deixou marcas na canela dos brasileiros. Eles queriam ficar no nosso corpo feito tatuagem. A imobilidade do Brasil em campo é um reflexo da apatia do governo brasileiro. Ninguém se movimenta. Adriano num é ponta e quer jogar com Robinho. Deixa Parreira. Deixa o Robinho jogar desde o início. O time tem que mudar pra enfrentar o Japão. Acertar o time para as oitavas. Roberto Carlos, por enquanto, é só um cantor que é chamado de rei. Muda a seleção. Acho que não tem o Bagio nesta Copa para perder outro pênalti. Até o Obina, do Mengão, está melhor que o Ronaldo. Num teima tequinicu! Parreira tem uma cara melancólica. Toma um Lítio, meu caro. Esse cara é bipolar, hein!!!!!!!!! Vou ver o Raul Gil que me dá mais alegria.

Sunday, June 18, 2006



No aquário os peixes brisam
levando flâmulas e bandeiras

Essa bebedeira nunca passa
o porre parece ser eterno

Dia após dia vomito ventres
já não tenho um corpo material

Ser uma pétala ou página branca
bailando no vento do rabo do peixe

Thursday, June 15, 2006

COPA DO MUNDO 1

Ganhamos. Sufoco total. Dia do jogo do Brasil. Eu me preparei para esta Copa do Mundo. Comprei até uma camisa da seleção, mas só vou usá-la se o Brasil ganhar o caneco. Gosto de amarelo. A gravata de Maiakovski era amarela. Era a gravata que ele mais gostava. Na verdade era um pano que cortou e usou como tal adereço. Tomei um Lexotan e mais os remédios de praxe. Consigo enxergar com os meus óculos a gordura de longe. Ronaldo está tão gordo quanto Lula. O Lexotan é um remédio inofensivo que muita gente não toma para não perder a memória. Pra que serve a memória? Só serve pra eu lembrar de meus traumas. Todas as gaiolas voam. Sou um canário preso. Mas faço tudo voar dentro e fora. Voa canarinho, voa. Por isso tomo os remédios sem medo de ser feliz. Mas num sei se voto no Lula de novo. Aliás, eu não voto. Estou muito velho para isso e não pretendo fazer nenhuma viagem ao exterior. Só saio para ir ao jornaleiro para comprar jornais sobre o futebol. Vi quase todos os jogos até agora. Torci pelo Zico. Mas até agora surpresa mesmo só Trinidad Tobago! Não tenho nenhuma informação sobre Trinidad. Não quero pesquisar na Internet. Estou farto de pesquisas. O quarteto mágico deve estar no Google. E foi um membro do quarteto que, aos 43 minutos do primeiro tempo, deu a vitória ao Brasil. Kaká fez uma boa partida e Dida fez boas defesas. Foram os melhores. Um jogo duro é bom pro brasileiro ver q o time do Brasil não é isso tudo. Tem a Itália, a República Tcheca, a Argentina, a Holanda. Há outros times. Foi bom para tirar o peso de favorito. Para tirar a nhaca. Robinho tem lugar neste time. Pedala Brasil. Enquanto isso, enquanto espero os outros jogos achando que o nosso time tem que melhorar, tiro a camisa de força e o coração na boca pulsa de nervosismo. Mais um Lexotam e tudo bem. Que venha a Austrália e seus gangurus assassinos de camicases. O país se nutre do caos que gera. O Haldol é um remédio azul, bem que poderia ser amarelo.

Wednesday, June 14, 2006





Hoje em dia, quando alguém está doente, a família chama a polícia.

A polícia vem e bate um papo com o cara. Se for preciso, colocam a camisa de força.

Não tinha como resistir: eram três caras mais fortes do que eu.

Eles me levaram junto com o meu irmão. Acharam que eu não tinha nada, mas meu pai sentia um medo danado que eu fizesse alguma loucura.

Mas eu era um perigo só para mim mesmo.

Do meu começo podia sair o fim, mas não quero rimar pobre com nobre em versos de impacto, só quero um pacto entre mim e você.

Jamais poderia dizer que só faria mal a uma mosca.
Eram centenas e centenas delas, matei algumas por prazer.

Thursday, June 08, 2006



TORTA TORTA

Uma pitada de pó de abismo. Uma colher de sopa de farinha de fogo. Dois litros de leite de fósforos e cigarros picados ou moídos no liquidificador. Um cinzeiro de cristal triturado. Duas porções de batata frita em banha de crepúsculo. Duas bananas de dinamite. Uma dose de destilado de tornado. Cinqüenta colheres de AR-15. Alguns motivos pra viver em guerra. Outros tantos de rosas de chocolate. Um Impare State Building. Duas tochas de adrenalina. Alguma química de estrelas e buracos negros ao molho pardo. 20 litros de catarse. Cinco motins num espaço de um beijo. Um trovão. Um cavalo branco empalhado. Uma múmia viva. Quatro nozes de água benta. Uma flor de cianureto na lapela. Meia torre de Pisa inclinada. Dois Van Goghs al dente. 211 bispos sardinhas fritos. Outra porção de goiabada com nuvem. Quatro escorpiões mascando chiclete. Cinqüenta leões defecando o horizonte. Um mar de Fernando Pessoa. Quatro braças de braços da Vênus de Milo. 1 quilometro de algodão doce. 24 brigadeiros de terapia de grupo. 29 semanas sem beijar. Uma folha de olhos esbugalhados. Algum poema que termine no fim.

Friday, June 02, 2006

 
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