ECLIPSE - PARTE DO HOMOCHIP

1
engoli um chip
um eletrodo
engoli-o todo

hoje não cuspo
bolas de sabão

hoje só cuspo
o que tem no chão

no chão do chip
no chão do eclipse

tal língua de iguana
ou de camaleão

(que é como se chama
o novo vírus que com o chip
eu engoli)

engoli o sistema
cuspo algemas

sem reticências
pra não prolongar

a eternidade
que é estar num chip



2
pra sempre é só
até a morte

pra sempre só
além do depois

algum sentido
procuro na avaria

haveria algum
dilema maior?


3
cintilam cintilantes tropas de sargaços
creme com amêndoas no pudim
as amêndoas me lembram o chip
aquele que eu um dia engoli

como viver sabendo que alguém
é quem manda em mim?
e que só sou eu por alguns instantes
quando não penso que engoli o chip

por isso o fato de ter engolido um chip
pouco importa se é verdade ou não
o que importa é que sou uma rosa
e tenho no talo um chip em botão

e o que faz vou sabendo na medida
em que vai fazendo suas monstruosidades
são sempre coisas que eu quis mas nunca
tive coragem de fazer por dor ou dó


4
por dor ou dó
ou por pudor

pouco se faz
muito se rói

quanto osso
quanto ofício

quanto buraco
sem precipício


5
em mim cio
do contrabando de mim

ao caos

da canção caliente goma
se enrasca no aroma

e conta e assoma que ser
é muito mais não ser

por isso se morto agora
ou se na hora do desuso

pouco importa de estou
vivo ou se uso os dez

por certo uso de minha
neuronicidade vã

Tuesday, April 03, 2007

1 Comment:

Cássio Amaral said...

Trem tá bom demais aqui sô!

 
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