A mente esquizofrênica não funciona bem e boicota, sem os remédios, o tempo todo. Com remédios ficamos bem. Leves e tranqüilos para o mundo, que é muito bom. Fora as pessoas que não valem à pena, estas manter distância torna-se necessário. Positive Vibrations.
Tudo é pequeno.
Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana
O que é grande
É a arte
Há vida em marte
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:42 AM 8 comments
.
Entendi o funcionamento do cérebro humano.
Um duplo sem fim
Algo diz sim e algo diz não
E vence sempre o sim
Se a mente for um cetim
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:54 AM 1 comments
MELHORA.
Tudo é uma criação da mente
Um poema ou um poente
Tudo tem um forte sentido
Quando não se oprime o indivíduo
Alguém soletra uma distância
A distância separa os fatos
A verdade não é tão necessária
Já que Heráclito já morreu
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:20 AM 0 comments
Pai-Nosso.
Um homem alto e forte apontava uma arma sofisticada para a cabeça de um senhor nos seus oitenta anos. O homem alto e forte tremia. Suas veias pareciam pular da face como que armadas também. Ele vociferava e pedia ao velho que passasse tudo, que desse tudo, que fosse o mais rápido possível, que tudo estava por um triz. O velho calmo e com atitudes lentas de velho, pedia que o homem alto tivesse calma, que o homem alto não atirasse, que passaria tudo que tinha para ele, pois a sua vida era importante. O homem alto e forte tirou o relógio do velho e a camisa e o suspensório e a calça e a carteira. O velho ficou só de cueca enquanto o homem forte contava o dinheiro e queimava as roupas do velho. O homem alto e forte que havia roubado tudo do velho deixou-o caído depois de um soco e sumiu nas esquinas seguintes. Quando eu encontrei o velho, quis saber o porquê de ele estar rezando naquele momento se havia sido roubado e todos os seus pertences foram levados pelo homem alto e forte. O velho me respondeu que rezava por si mesmo, pois era ele, velho, quem poderia estar no lugar daquele homem alto e forte.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:34 AM 0 comments
Madalena, Madalena.
Estudar era coisa muito importante para Madalena. Ela havia conseguido o crédito educativo e fora a melhor aluna do curso de jornalismo. Tanto que dois meses antes da formatura já havia conseguido um lugarzinho no Jornal do Brasil. Dona de um texto no qual o adjetivo que ia escrever aqui só reduziria a sua qualidade, Madalena gostava de estudar e foi a única que se formou em três anos e meio e com todas as médias superiores a oito. Eu conhecia muito pouco Madalena e não fui de sua turma. Soube que ela colou grau sozinha e que um dia depois de formada, ao atravessar a pista dupla da Avenida Brasil, em frente ao Jornal do Brasil, foi atropelada por um caminhão da firma de relógios Tempo.
Wednesday, June 24, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:13 PM 0 comments
Direitos.
Deveres humanos são direitos quando um míssil percorre o azul do olho de uma criança que suspira um horizonte de chamas. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. A humanidade cinza de quem desfigura um índio na calçada e joga as tranças de Rapunzel pela janela da própria boca. Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania. A quem reclama da fraterna esfera celeste, aquela abelha redonda de bola de fogo e aquele cão de sutiã. A quem pede ao fogo que decalque mais rapidamente os galhos em que os saguis se acostumaram a tomar Fanta uva. Nega a si mesmo o dever de seguir no caminho traçado pelo esboço do que foi o seu almoço e ilha seu eu no paradoxo mais perto porque tudo parece muito bem empregado neste cemitério. Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. De que adianta sobreviver na estrita terra que leva tuas mãos ao marasmo do armário cheio de roupas cuidadosamente arrumadas por um personal arrumador de roupas. Há personal para tudo. Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. Há um nascer e um morrer todo dia, há o existir e há um elixir para o existir que é o bocejar. Paz cão. Peace Dog. Ninguém será submetido à tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Entre os dois irmãos que lutam pelo poder, foi o que cuspiu no outro que morreu primeiro. Foi o primeiro que morreu primeiro. Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica. Advogo em situações difíceis como a sua. Mas não dá para trazer o horizonte para o mar e nem levar o vice para o versa. Versa versejar o pouco de vento ainda e respirar ouvindo um átomo de colibri girinascendo. Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito à proteção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Nelson ficou preso uma porrada de tempo, levando cordas para o seu suicidador suicidá-lo na dor mais torturante. Toda pessoa tem direito a recurso efetivo para as jurisdições nacionais competentes contra os atos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei. No olhar de mamãe há um saco de boxe, e dizem que sou eu que dou o soco nela todo o dia. Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. Os padres rezam com a fé de que o céu nunca pode cair sobre suas cabeças. Tudo é possível, até na impossibilidade há a segurança de que tudo é impossível. Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida seus direitos e obrigações ou as razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida. Num sei, quem julga é Deus e virá para os vivos e os mortos. Os mortos, coitados dos direitos dos mortos. Toda pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. Até os mísseis que olhavam Cuba com bons olhos beberam naquele dia em que Fidel engoliu-se de falar. Fidel estava Castro ainda. Castrando. Mas será que saber que está sendo Castrado é melhor do que acordar castrado? A ditadura do invisível é invencível. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido. Cláudio Manuel da Costa era maior do que o espaço que foi enforcado. Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques, toda pessoa tem direito à proteção da lei. Há programas do Gugu que salvam uma pessoa por semana enquanto o resto come a mão ou a colher com sal. Toda pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. O mundo em Ibiza. Toda pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país. Londres e seu fog nunca voltaram a quem foi e alguns ficaram em Londres, e pior os que Brasil na testa escrito tiveram que ser brasileiros. Toda pessoa sujeita à perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar-se de asilo em outros países. Baby, eu dormi na praça pensando nela. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por atividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Nobel foi o inventor da dinamite. Todo indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. A nação rubro-negra é católica e canta hinos bonitos. Eu sou mengão com muito orgulho, com muito amor. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade. Nunca quis ser americano. Nem torcer pelo Botafogo. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais. Um amigo que nunca foi amigo me mostra a foto da mulher nua e pergunta se ela é gostosa. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado. A Fat Family vai tocar no Canecão. Toda pessoa, individual ou coletiva, tem direito à propriedade. A Igreja é a maior detentora de terras, e os cemitérios deveriam ser no Egito vivo. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade. Quem é o proprietário dos meus sentidos? Quantos sentidos têm a vida? Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos. Eu comunguei quando pequei e depois disso só pequei! Todo indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. Viva a lista sem discussão. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. Ninguém pode bater num homem de saias. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. A carteira de sócio-atleta federado está sendo vendida por quinze mangos. Toda pessoa tem o direito de tomar parte na direção dos negócios públicos do seu país, quer diretamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos. Toda pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto. Se o porteiro pode votar pode ser poeta. Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país. Eu não sou profissional da escrita e nem quero ser. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à proteção contra o desemprego. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social. Toda pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses. Os meus interesses são o de ficar mais rico do que o mais rico dos riquinhos e peidar dólar. Toda pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e às férias periódicas pagas. Das sete às dezenove horas papai trabalhava no Hospital X e depois ia dar plantão no Hospital, e um dia perguntei quem era aquele homem que dormia com mamãe e era pouco visto e era ele mesmo. Toda pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. A maternidade e a infância têm direito à ajuda e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma proteção social. Engraxa o sapato da cola. Toda pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos. Pode escolher entre educar em Esparta ou Atenas? Eu estudei tanto que hoje sou burro. Toda pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam. Todos têm direito à proteção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria. Principalmente os chatos como eu. Os chatos como eu são chatos. Toda pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração. O espaço, a fronteira final, estas são as viagens da Enterprise em busca de novos mundos, audaciosamente indo onde quem sabe o mal não existe por detrás dos corações humanos. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade. No exercício deste direito e no gozo destas liberdades, ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente e aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Carcará pega, mata e come. Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma atividade ou de praticar algum ato destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados. Acabaram com o World Trade Center e deixaram a estátua da liberdade intacta. Os loucos têm seu céu particular. O meu dever é sempre fazer a lição de casa, e um bom menino não faz pipi na cama.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:22 AM 0 comments
TELA FAMÍLIA UNIDA. POEMA.

Minha mãe não gosta que eu pinte cruz, mas eu pinto. Diz que quem pinta cruz carrega uma cruz e eu não carrego, rs? Julia me levou pro Parque Lage. Um local de gente muito bacana. Esta vai para todos os amigos que fiz lá e pra ela que é muito minha amiga.
PARQUE LAGE.
À Julia
Os olhos da menina são da cor
Da piscina
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:50 AM 0 comments
MEU PAI QUE NÃO ESTÁ NA FOTO.
Comi distância nas pálpebras
Fechadas de minha razão
Pude sentir a minha Loucura
Sempre sorrindo de dentadura
Oro aos sãos que me querem
Tateando o Horizonte dentro
Daquela noite eterna
Em que me deitei em mim
Pra sempre quis estrelas
Quem sabe irei ser um dia
Aquela que adiante guiará
Meu pai no mar da poesia
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:41 AM 2 comments
FAMÍLIA É TUDO. O NADA ACONTECE. MINHA TIA RITA. MINHA MÃE SYLVIA. MINHA IRMÃ DULCE. MEU IRMÃO BRUNO. EU SOU ELES.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:30 AM 0 comments
VIDA.
A mim foi negado tudo.
Até o absurdo.
Monday, June 22, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:36 PM 0 comments
O mendigo.
As nuvens flutuam nos olhos do anjo
Alguém sabe que ela esbanja crepúsculos
Também o antipoder de conter a si em asas
E mascar as auréolas da realidade nua
Às vezes ela freia a bondade que esbanja
Para tocar a sua flauta divina em âmago
Ela só pode ser o que ele foi e é
E foi bom, pois naturalmente era assim:
Nem todos os anjos são bondosos
E a bondade pode ser uma praia nua
Ou uma mulher tão vazia quanto eu
Eu apenas fui bom como eu sou
Mas a bondade não é genética
Saber que meu filho pode cuspir na cruz
É o que me apavora muito mais
Do que a falta do dólar para o lanche
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:35 AM 0 comments
.
A gente aprende a ser bom
O mau nasce
Sunday, June 21, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:29 AM 0 comments
LOUCO.
Já fui gordo. Já fui magro.
Já fui ego. Já fui id.
Já fui o que quis e o que não quis.
Já fui muito. Já fui pouco.
Hoje tenho a sensação
que não passei de um louco.
Saturday, June 20, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:13 AM 2 comments
AQUI 2.
Sou maldito de boutique
Mendiguei no meu quarto
Na sujeira das cinzas
Entre latas de cerveja
Fiz de toda a prisão
Um poema feito pele
À moda das cicatrizes
Que eu deixei em mamãe
Amo toda a profundidade
Mesmo aquelas abissais
E desconfio de mim tanto
Que paro o poema aqui
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:48 AM 1 comments
.
mobiliando o silêncio
com aquários vazios
vê-se inexistente
uma cor na parede
o que se vê
é um pássaro com sede
de poleiro em poleiro
fazendo voar a gaiola
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:33 AM 0 comments
.
tráfego entre a orquídea azul
e o meu zunido ouvido em fá
levo comigo alguns alçapões
para que possa prender o ar
turbinas cheias de poesia
onde posso respirar em lá
para que a dor pare de doer
em re-médios de injetar
levo máquinas de lavar
para limpar minhas máquinas
e meu sangue possa lubrificar
com meu sêmen-lhantes
Thursday, June 18, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:40 AM 0 comments
.
me sinto uma chupeta
de baleia
que a cada fim do verso
se tateia
pra ver se ainda há vida
na veia
há poema enquanto houver
centeia
e esta fagulha vivificando
é a máquina pedindo
me leia
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:36 AM 1 comments
ARTIMANHAS.
Fiz uma leitura dia 12, no Real Gabinete Português de Leitura. Minha irmã, Maria Dulce registrou. Foi rápido. Foi bom e o Leonardo Gandolfi dedicou um poema a mim. Fiquei emocionado.



Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:53 AM 0 comments
TODA A VIDA EM UM SEGUNDO.
Morrendo a cada
Dez minutos uma vez
O círculo se fecha
E cada vez mais
O que vai indo vai
Pra nunca mais
O que fica é o futuro
Uma criança na foto
Por que nenhuma
Mãe guardou
Nossas fotos
Quando adultos
Sunday, June 14, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:57 AM 1 comments
.
foices
ceifando
o sol
naus
ornando
o mar
peristilos
lambem
pilastras
aprendi
arquitetura
Proust
Saturday, June 13, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:23 AM 0 comments
.
músculos
rompem
o crepom
baionetas
nascem
do solo
olhos
guerreiam
com garfo
pedras
resaqueiam
a brisa
folhas
lambem
o solo
irei
cinzas
ser
Friday, June 12, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:06 AM 1 comments
.
lápide sem inscrição
já feita
já feita a luzificação
da alma eleita
tramites e processos do sol
no dia d
flechas e cartas de amor
fagulhando hou-
sebad
e que me marcou só sei eu
que pleiteio um fim
também
muito afim de mim
Thursday, June 11, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:31 AM 1 comments
.
suor na pétala de abril
dias tão circulares
corredores de cânhamo
sirenes iluminando
a fumaça do cigarro
cristo de baixo do pó
corredores paralelos
aos mundos que fui
tantos murros n´água
Wednesday, June 10, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:26 AM 0 comments
entrevistando.
a velha cadeira do velho
durou mais que o velho
as vezes as coisas duram
tanto quanto o tempo
mesmo não sendo eterna
a foto tenra mostra-me
ainda tenro em botão
será que inda estará lá
depois que meu tudo
inundar as sombras
do meu sangue poluído?
será que a minha palavra
permanecerá inerte
ou ecoará no eterno?
tudo que eu nãoa sei
são perguntas
que a si perguntam-se
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:12 AM 0 comments
bandeira vermelha.
o sono eterno da pedra
as falésias surfando
o mar de cicatrizes
a cata está o poeta
de alguma imagem rara
ou de alguma metáfora nua
na ressaca da prudência
alguns ficam nas pranchas
carrancas com medo
castelos de areia
crianças a milanesa
o céu maior que tudo
e a maneira do sol
espero o mar crescer
se encher de sudoeste
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:40 AM 2 comments
.
na alça do alçapão
mordiscando o Tempo
lá vai o tapuru
infante terrível
as bordas das botas
chatas de galocha
e o meu corpo gordo
levado por oito
quando caiu
um orangotango riu
e o alívio deles
é igual ao de Sanfona
murchando pulmões
para xerografar
toda a luz
que se apagará
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:05 AM 1 comments
CAGA-REGRAS.

Caga-regras
Rodrigo de Souza Leão
Todo mundo caga
regras também
Hoje em dia, quando alguém está doente, a família chama a polícia.
A polícia vem e bate um papo com o cara. Se for preciso, colocam a camisa de força.
Não tinha como resistir: eram três caras mais fortes do que eu.
Eles me levaram junto com o meu irmão. Acharam que eu não tinha nada, mas meu pai sentia um medo danado que eu fizesse alguma loucura.
Mas eu era um perigo só para mim mesmo.
Do meu começo podia sair o fim, mas não quero rimar pobre com nobre em versos de impacto, só quero um pacto entre mim e você.
Jamais poderia dizer que só faria mal a uma mosca.
Eram centenas e centenas delas, matei algumas por prazer.
Pulei
de uma janela
deitada
Andei
na nata iceberg
do leite
Caí
de pára-quedas
no nada
Subi
cavando
com enxada
Não sei: não sei
O por quê: o por quê
Me repito: me repito
Se o que sou: se o que sou
É esquisito: é esquisito
Por que me tratam mal?
Por que me tratam bem:
O bem: o mal
Freud dizia que defecar é um prazer
e que todo mundo ama sua mãe
Eis que defequei um filho com barba
Onde foram parar minhas hemorróidas,
eu pergunto
Só uma puta poderia te parir, respondo
E vou pondo naftalina na latrina
do dia-a-dia
Para não apodrecer de mim mesmo
Saturday, June 06, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:32 AM 1 comments
TRIBUTO.
Não tem uma teoria que explique o q sinto
Não tem ninguém que nunca não mentiu
Alguém pode vir aqui e escolher entre os
Poemas errados que escrevi nestes últimos
Vinte quatro anos é um número gay Power
Diria que não sou gay, mas não é isso que
Pensam. Pensem o que quiserem os pensadores.
O pensamento foi feito para ser livre como
Este verso. Aliás, que versinho sem vergonha.
Nunca mais escrevi alguma coisa que preste.
Acho que estou condenado a isso; melhor
Seria me calar ou manter minha abstinência
Poética. É que a vida tem tão pouca poesia
Para tanto poeta que insisto nesta linha de
Força. Como se só restasse isso a fazer.
Thursday, June 04, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:09 PM 1 comments
FIO INVISÍVEL.
Andei hospedado no Nada
Andando em círculos concêntricos
Estiquei demais a empada
Sou um ser excêntrico
Detesto ser o centro
Prefiro guardar distância
Essa que guardo lá dentro
Lembro da minha infância
Onde todos os cachorros são azuis
E todas as vacas são sagradas
Meu pai vê minha garganta com pus
E minha mãe é internada
Junto comigo carrego problemas
Milhares de coisas que me dividem em mil
Um lindo par de algemas
Me prende ao infinito do seu olho anil
Eu quero sair de onde estou
Mas não sei bem qual o lugar
Onde devo levar o meu soul
Canto apenas por cantar
Por que gosto deste hospício?
É, pelo menos, um local verdadeiro
Desses que levam a um precipício
E vicia pelo mau cheiro
Saiba, não sei me cuidar
Pouco sei desta existência Febril
Às vezes me falta o ar
E sempre estou por um fio
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:12 AM 0 comments
O PIOLHO.
O piolho numa folha de papel é um ponto (ponto).
Na cabeça é uma serra-elétrica.
A esteira é ergométrica e o piolho anda quando eu ando.
Sinto falta dos piolhos da infância e corto o cabelo curto.
Estou sempre em curto. Curto isso.
Estes seres abjetos (objetos abjetos) têm que viver (interrogação)?
Talvez seja um deles ou venha a ser já que não faço nada.
Como uma empada e arroto Coca. Deus é um piolho na toca.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:58 AM 0 comments
O FAQUIR.
Andando no fio de fogo
lá vai o faquir
Vestindo camisa de pregos
lá vai o faquir
Segurado por ganchos de aço
lá vai o faquir
A sete palmos da Terra
morreu o faquir
enterrado vivo
Tuesday, June 02, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:55 AM 0 comments
BRINCAR DE VIVER.
BRINCAR DE VIVER.
Por Rodrigo de Souza Leão
A minha sobrinha Marina
BRUXINHA.
A bruxa
Sem a sua
Vassoura
Não limpa
A poeira
E não voa
A BOLA.
A bola
Murcha
Não quica,
Não pula.
A bola
Redonda
É balão:
São João.
A esfera
Não bola,
É remédio:
Pílula.
Cuidado!
Nem tudo
Redondo
Engula!
Vide
Bula.
GUIAR.
O Sol
É amarelo.
O Sol
É sincero.
Amarelo
E sincero
Como o Sol
Só o brilho
Dos olhos
Do farol.
BEM-TE-VI.
Desenhar é existir.
Pôr no papel o colibri.
Este voando dentro de ti.
Ou seria um
Bem-te-vi.
REALIDADE.
Povo não é polvo.
Polvo tem tentáculos.
Povo, obstáculos.
PAZ.
A Terra
E a guerra:
Palavras
Tão iguais
São tão
Diferentes
Como
Os animais
Para que
Guerra
Se há
Terra demais?
Para que
Guerra.
Não somos
Animais.
OLHOS.
A folha reflete o céu.
Enfim,
Seus olhos
Desenhados
No papel.
BADULAQUE.
O brinquedo
Fica mudo
Embrulhado
Por papai Noel.
Quando chega
Faz barulho.
Brincadeiras
Traz do céu.
BRINCAR.
Eu brinco com o meu brinco.
Brincar é o que faço.
Só não brinco quando minto.
Assim me sinto: um palhaço.
TÍTULO.
Brincar é respirar o azul do céu e do mar.
Sonhar... E quem sabe navegar e ver cores surgindo no infinito.
Bonito!
Falta botar no poema um bom título.
INFINITO.
Na marina
Ficam
Alguns barcos
Descansando
Do horizonte.
Desiluminando...
Irão:
As nuvens
Ser dos mosquitos
E os navios
Do infinito.
REFLEXO.
No espelho
O meu olhar
É tão meu:
Bem
Maior
Seu.
GROENLÂNDIA.
A mentira cresceu tanto
Que as formigas viajaram,
Via espirro,
Até a Groenlândia.
COMER.
Comer é tudo que quero na vida.
Comer faz muito bem a barriga.
Criança alimentada como eu:
Forte e feliz cresceu.
O REMÉDIO E O POEMA.
Tomar os remédios é meu lema.
Comer feijão eu não esqueço.
A saúde é um poema.
Não tem preço.
O COMPUTADOR.
O computador faz o que a gente sabe fazer.
Não adianta pedir para ele escrever.
Nada tem a dizer. E você?
ELEFANTE.
O elefante
Adiante
É o infinito
Gigante.
ESTRELA.
A estrela do mar
E a estrela do céu...
Uma sorriu para a outra.
Há muito brilho no céu e no mar.
Quem sabe as estrelas não querem brincar.
AS VOGAIS.
AS CINCO VOGAIS:
A
E
I
O
U,
PINTARAM-SE DE CINZA.
NÃO VIRARAM CONSOANTES
E SIM: ELEFANTES.
BRANCO.
O cabelo branco do vovô
É nuvem:
Camuflagem de disco voador.
A LÂMPADA.
A eletrônica que o diga.
Se acender
É coisa antiga.
Hoje:
Tudo liga.
O NORMAL.
TODOS FICAMOS VELHOS CEMITÉRIOS.
AONDE VAMOS MISTÉRIOS.
HÁ VIDA NAS BEXIGAS DE HÉLIO?
ELAS SOBEM SEM CRITÈRIO
DIREITO.
Toda a criança tem direito à vida.
Tem direito a brincar.
Com o avião de voar,
O boneco, a boneca, o papagaio e a peteca.
Toda a criança sapeca deve ser
Um bom moleque
E uma boa moleca.
ARMAS.
Parece uma besteira
Brincar com armas de madeira.
A fraternidade é o que vale na brincadeira.
Mesmo de mentira
Não atire sua ira.
Há brinquedos mais bacanas.
Há bananas de pijamas.
VERGONHA.
O cabelo do toureiro é louro.
De príncipe.
Por que faz isso com o touro?
BRIGUINHA.
- Tira a mão da boca!
- É meleca?
- Não se mete. É chiclete.
AUTORAMA.
Os sete anões eram oito?
Os dez trabalhos dezoito?
Mentira!
Só os mosqueteiros não eram três.
Existem quatro no retrato.
LER É LEGAL.
Ler é preciso
Para saber o valor de um sorriso.
Para ficar mais inteligente
E preciso.
Ter a cabeça calma e clara como a garça na Lagoa.
Ler é diversão e viajar dentro de si.
Ser para sempre uma garça, um bem-te-vi.
CHULÉ.
Por que não lavar o pé?
A sujeira traz doenças e chulé.
Olha o sapo e suas rugas.
Não fosse quem é
Seriam absurdas?
FIM.
O FIM É UM CÍRCULO ONDE TUDO COMEÇA
SEM PRESSA.
Sunday, May 31, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 12:20 PM 0 comments
TODOS oS CACHORROS SÃO AZUIS 2.
Já estive no Japão. Era um lugar diferente. Bem parecido com um hospício. Cheio de gente. Às vezes, quando me lembro do Japão, me vem a recordação de Temível Louco. Era um cara legal. Havia matado seis pessoas. Estrangulado. Estuprado. Era um cara estranho, mas delicado comigo. Como já disse, ele tinha medo da minha voz quando eu falava num tom mais grave e forte. Temível gostava de jogar xadrez consigo mesmo. Quem tinha matado Temível Louco? Era um mistério que ecoava no pouco silêncio que existia num lugar como aquele. Quero botar no silêncio minha voz.
Na minha voz, um grito.
Mas o Haldol me segura. Segura meus gritos, sussurros. Eu, que já escondi muito remédio debaixo da língua, hoje tomo todos sem problemas. Sei lá se adianta. Sei apenas que sinto falta dos meus dois amigos. Rimbaud aparece e me diz que está com aids. Quer fazer um pacto de sangue comigo. Aceito o que ele pede e corto meu dedão. Baudelaire aparece e diz que quer fazer parte do pacto. Só o fato de morrer de outra coisa que não seja o chip (ou o grilo), já me deixa alegre. Morrer com Rimbaud e Baudelaire. Melhor, impossível. Acugêlê banzai!
Já estive na China. Contando assim, parece que viajei muito. Era um lugar muito bonito, cheio de gente, bicicletas e muitas nuvens. As nuvens, nuvens. Ali tive fome, tive sede, era estrangeiro e loucamente amei as nuvens longe, lá muito longe, as maravilhosas nuvens! Desenhos no céu. Quando o dia está assim, um dia de sol, um dia como este, não quero mais sair daqui. Vou dormir no verde calmo de um Lexotan seis miligramas. Me agarrar ao meu cachorro azul e fazer pactos com a felicidade. Lembrar-me da China, das suas bicicletas, da sua bandeira vermelha cor-de-sangue e finalmente, das incríveis nuvens do céu chinês. Acho que depois do pacato pacto de sangue, serei mais feliz. Quero morrer de tudo, menos por causa de um chip que engoli. Engulo os remédios. Um dia, engoli três. Outro, engoli quatro. Não sei ao certo o que devo fazer para melhorar. Simplesmente, porque sou um pterodátilo numa gaiola. Um corvo bicando o ventre de um espantalho. Um homem sem medo do terror que é viver sem medo. Never more, todos aqui não têm medo. Inclusive o Procurador Geral da República. Ele me lembra um personagem de faroeste e de filmes de gangster. Mesmo com sua senilidade, ele utiliza uma colher ao invés da faca. Aqui só tem colher. Procurador faz aquela brincadeira perigosa de percorrer todo o caminho entre os dedos com uma faca, no caso, uma colher. O velho faz isso com habilidade, como se treinasse isso há muito tempo. Pra se divertir. Deixar os ventos de adrenalina brisar.
Rimbaud aparece na hora dos vendavais. São ventos que o trazem e me fazem viver enrolado em seu cachecol. Fuma maconha. Desmancham perto de mim as baforadas que Baudelaire dá no seu cachimbo. Ele me diz que é um pai de santo. Ele me diz que tem poderes. Renova minha linguagem. Eu acredito piamente nele. Rimbaud é a tempestade. Baudelaire é o vento. Um toma éter. O outro, cocaína. Triste, sou apenas aquele que descobre que os remédios coloridos engordam e fazem, cada vez mais, eu não conviver com estes meus amigos de longa data. O que é a vida sem amigos? Sou como Emmanuel Bove que secretamente amava os amigos que não tinha. Sou amigo dos meus olhos. Eles só vêem o que quero. Olho pelos meus óculos coloridos e vejo tudo em preto-e-branco. Tudo parece um filme de Bergman.
A propósito, me pareço um pouco com Charles Laughton.
Por pouco tempo, espero. Por que estar gordo e beber café com açúcar? Tudo com muito açúcar. Vejo relógios e as xícaras de café. Cuspo bolas de sabão. Viro um trem que vai indo sem saber onde parar. Me transformo numa máquina que escreve e ela escreve o que quer que eu escreva. Ataco uma formiga vorazmente e vou arrancando pêlos do meu sovaco. Faço uma depilação. Tiro de mim pegadas. Calafrios. Certezas. Coisas que deveria fazer. Tiro de mim enguias ferozes e cubro meu abdômen com algodão doce.
É junho.
Tem festa junina no hospício.
A quadrilha de loucos está em fila. Os que tomam Gardenal não falam. Outros tomam Haldol. Outros são dependentes químicos. Outros estão doidos por uma cachaça e jogam sinuca de bico. Ninguém quer entrar na fila pra dançar. Nenhum psicótico quer dançar. Nenhum oligofrênico quer deixar de dar cabeçadas na parede. Mas Rimbaud está contente e dança sem tristeza. Está, com o perdão da palavra, com a faca entre os dentes. É um espírito cigano, espírito de índio. Espírito de porco. Espinho. Lepra. Aids. Silêncio de cal e mirto, malvas nas ervas finas. Rimbaud borda alelis sobre um pano palhiço. Voam na aranha gris sete pássaros do prisma. Pelos olhos de Rimbaud galopam dois cavaleiros: Baudelaire e eu. Todas as coisas que matam passam por mim. O que é isso? Cocaína ou éter? Que novo som é este? Tambores. Não sei dançar, não sei dançar. Ele é meu amigo, um amigo, enfim. Acugêlê banzai! Cuspo pro alto e abro um guarda-chuva. Baudelaire fala cuspindo. Uso o guarda-chuva pra me proteger. Perdigotos.
Fui obrigado a estar aqui. Não queria vir. Não quero ficar, porra! Avisem pra eles que eu sou o Charles Laughton, porra! Será que nunca viram um filme? Aqueles que estão abandonados teriam uma vida melhor lá fora, inclusive eu. Digamos que estou passando uma temporada no inferno, uma temporada nas têmporas com meus amigos poetas e atores. Amanhã me esqueço deles, mas voltam depois de amanhã. Sei que nunca vão me abandonar, amigos são para isso, não? Gari da Comlurb me convida para comer uma caixa de biscoitos Segredo. A vida é um segredo para mim. Não sei exatamente o que ela significa. No mundo de fora, procuro no obituário todo dia meu nome. Já decidi: não quero ir ao meu enterro. Como será o céu dos objetos? O céu dos relógios, das tevês, do computador, do estilingue, do garfo, da faca, das colheres? Aqui só tem colher: ninguém come com garfo e faca. Comem de boca aberta, menos a Lembra-vovó. Lembra-vovó come um pouco igual a minha avó, é magra, mansa, meiga. E ainda tem um detalhe muito importante: me dá um beijo toda a vez que passa por mim. Não sou muito chegado a beijos.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:02 AM 0 comments
SYLVIA.
Um poema de amor
Que não fala disso
Um amor diferente
Que entristece de felicidade
Por que tantos poemas
Se todos já disseram
Que só o amor
Conhece o que é verdade
Saturday, May 30, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:14 AM 1 comments
POEMA PARA MEU IRMÃO BRUNO DEPOIS DO ELETROCHOQUE.
deixar ir
cacto adentro
espinho
nó embutido
pela pele
algum aroma
de sangue
relatos de magnésio
restos mortais
de um ex-poeta
embrulho
enguia
Bruno
café com leite
depois de tudo
o amanhecer
Friday, May 29, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:30 AM 1 comments
MAIS CACHORROS.
Tudo começou quando engoli um grilo em São João da Barra. Eu tinha 15 anos de idade. Estava indo ou voltando. Sempre estava indo ou voltando. Só parava pra voar. Assim eram meus 15 anos, e foi como tudo começou. Nenhuma mulher saiu de mim. Nunca. Fui eu quem sempre entrou em minha mãe. Lá estava ela bela e bonita, transando com papai. E eu vi, e era apenas mil novecentos e setenta. Não foi um trauma. Eu costumava andar com um cachorro azul de pelúcia. Meu cachorro não era gay por ser azul. Só era azul. Também não tinha as noções de feminino e masculino naquela idade, ou tinha. Na verdade, eu já me masturbava e papai, com muito jeito, pedia para que eu tirasse a mão do meu pinto. Lembro-me de uma psiquiatra nos meus verdes 15 anos, que me dizia que eu era homem porque me masturbava, não tinha por quê ter crise de identidade. Eu não tinha crise de identidade, porque vivia correndo atrás daquela mulher no horário da sessão. Ela chegou a me ameaçar, dizendo para o meu pai que se eu continuasse a querer agarrá-la eu teria que sair da análise. Ela falou que não agüentava dar conta de mim e reclamou porque eu não fazia um desenho e não brincava com a massinha. Eu imitava um golfinho deitado no divã. Meu pau ficava duro e eu o friccionava o tempo todo, enquanto o golfinho nadava dentro de mim.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:43 AM 0 comments
TRECHO E MAIS E MAIS DE TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS.
Meu pai aparece num dos dias de visita. Foi ele quem me internou, mas eu não tenho ódio no coração. Gosto deste homem. Ele me dá um beijo.
Como você tá, filho?
Quero sair da gaiola.
Ele diz que sairei quando estiver melhor. Movimento-me em sua direção e dou um beijo em sua face. Será o beijo de Judas? Será que trairei meu pai em minha loucura? E se agora viessem dois homens e me crucificassem e me colocassem de cabeça pra baixo? Será que a cruz ia agüentar toda a banha?
Antes da minha internação maior, já havia sido internado outra vez, e outra vez tinha ficado na gaiolinha. Minha mãe mentiu-me, dizendo que eu havia ficado na ala melhor daquela clínica. Não, havia estado no Carandiru. No pior lugar da clínica. Lá onde ficavam os casos sem solução. Mas eu achava que tinha solução. Apenas algumas pessoas estavam me perseguindo, e se essas pessoas resolvessem dar uma festa para mim naquele dia? Naquele dia em que a chuva abundava, foi internado o Temível Louco. Temível Louco, quando pequeno tinha atitudes psicopáticas. Já havia matado muita gente, segundo rezava a lenda. Temível Louco me deu um beijo na face direita e deu duas voltas em volta de mim, disse que seria meu amigo. Isso foi na minha última internação. Não sei se lembra de mim.
Era hora do almoço e estavam todos os loucos na fila quando chegou o Temível Louco, que cuspia onde queria, urinava onde queria, defecava onde queria, peitava os enfermeiros, e só não era líder, porque louco tá cada um na sua paranóia. Louco não pensa na coletividade.
Eu tinha uma paranóia muito louca. Uma espécie de compulsão. Toda vez que me davam três remédios, eu tinha de tomar o quarto. Eu enchia tanto o saco que me davam quatro logo. Se tomasse três, coisas horríveis podiam acontecer.
O Temível Louco começou a comer tudo o que via. Mordeu a falangeta de um outro louco. Foi repreendido por enfermeiros. Todos os enfermeiros eram gordos. Os que não eram gordos eram fortes.
Eu sempre dava um cigarro para um louco que, na hora do almoço, dava cabeçada nas paredes. Imagina se esse doido fosse jogador de futebol. A cabeçada dele ia ser poderosa. Acostumado a cabecear paredes, ele ia estourar todas as bolas que cabeceasse. Quem sabe a seleção brasileira não o convocaria?
Toma um cigarro. Fuma o cigarro todo. Vê se não dá mais cabeçada na parede.
Eu já estava tomando tanto remédio, que estava com aquela baba elástica bovina e viscosa, como dizia o escritor.
Depois do almoço eu contava as estrelas do céu e não via nenhuma. Depois do almoço eu defecava no banheiro aquela comida ruim. Não havia nenhum interno que agradecia por aquela comida com uma boa oração. Só porque o cara é louco, tem que comer o pior. Lasca de goiabada. A única coisa boa era a lasca de goiabada. Era o tipo de goiabada cascão que grudava no dente. Os loucos comiam. Minha mãe, toda vez que vinha me visitar, me mandava tomar um banho. Eu tomava um banho onde os outros tomavam. Era um lugar limpo, que tinha de ser limpo toda hora. A cada minuto vinha um louco e cagava no chão e deixava a merda toda lá. Imagina se houvesse um louco que fosse uma pomba. Ia sair voando e defecando por aí. Não ia ter mais careca de vovô, vidro de carro, chapéu ou boné sem merda incrustada. Mas loucos não voam, fazem sua merda parados. Às vezes se lambuzam todos.
Minha mãe me trazia o sanduíche de atum que eu devorava como se fosse filé mignon. Eu tinha saudade de casa.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:35 AM 0 comments
poemas.
primeira masturbação
esquinas de horizonte deflagravam
os olhos biônicos da aurora
- sedutora mendiga andrajada de estrelas
e foi passando pelas ruas de aurora
que contornei todo violão de sua forma
toda a guitarra de sua voz
então busquei o amor de olhos faroleiros
e ao invés de me iluminar, se iluminaram
e eu me perdi enquanto apagava o mar
eu ia naufragando em sua saliva salgada
foi quando respirei as vogais de sexo
e ereto olhei pro teto que gozava em mim
a parteira
em seu oculto olhar
atrás dos óculos rayban
estará o lúgubre de orelhas
a fauna habitual de um olho
e a natureza de um ser humano
em seu oculto olhar
há uma mulher que ama
há um homem que desaba
e um triste sonho de viver
com alguém que não te ama
em seu oculto olhar
há um oculto arco-iris
e um velho aeroilis de vovô
e a remington de everaldo
e muitos sonhos de que serei
em seu oculto olhar
há uma louca conjutivite
e uma barriga de filho vindo
e uma bacia de água
e muitos sonhos em que sou
TANTO
LENTO
MINTO
PONDO
FUNDO
Descobrir liberta
1
Raios perpassam a clarabóia inundando
de luzes difusas os bancos
onde sentadas senhoras oscilam
entre cruzar e descruzar as pernas magras
revestidas de laicra cinza
Seus lascivos gestos excitam os hormônios
desavisados e menos perscrutadores
Senhores reparam nas senhoras de mãos rudes
e pintadas nas extremidades híbridas
2
Descoberta, a pólvora se espalha
E os sobressaltados inalam o cheiro forte
do perfume das drags
em discussão assexuada
O fedor só finda quando a brisa infinda
(e fresca) liberta o ambiente em espanadas
apalpando bundas e pernas
agora argoladas e pós-cedidas
de bolas cinzentas nuvens
Como prender as nuvens?
Ressaca
Ao olhar a bússola, o Horizonte se perde
deixando rastros de dia naquelas nuvens
O silêncio acaba com a chuva de
pedras azuis, amarelas, grenás, turquesas
As vagas deformam o manso pélago
Os aqueus entoam velhas canções
e Poseidon acalma as vagas
que agora marolam no olhar de Capitu
Saturday, May 23, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 2:59 PM 0 comments
PORTUGAL TELECOM.
20/05/2009 - 23h44
Prêmio Portugal Telecom divulga os 50 livros selecionados
da Folha de S.Paulo
O prêmio Portugal Telecom divulgou nesta quarta-feira os 50 livros selecionados para a próxima fase da premiação. Veja a lista completa:
· "Pássaros de Voo Curto", Alcione Araújo
· "Circenses", Alkmar Santos
· "Como se Caísse Devagar", Annita Costa Malufe
· "Ontem Não Te Vi em Babilônia", António Lobo Antunes
· "Noite Nula", Carlos Felipe Moisés
· "Flores Azuis", Carola Saavedra
· "Poemas da Recordação e Outros Movimentos", Conceição Evaristo
· "O Conto do Amor", Contardo Calligaris
· "O Maníaco do Olho Verde", Dalton Trevisan
· "Cordilheira", Daniel Galera
· "Cinemateca Eucanaã", Ferraz
· "Retrato Desnatural", Evando Nascimento
· "Canalha!", Fabrício Carpinejar
· "Marcelino", Godofredo de Oliveira Neto
· "Aprender a Rezar na Era da Técnica", Gonçalo Tavares
· "A Filha do Escritor", Gustavo Bernardo
· "Ravenalas", Horácio Costa
· "A Eternidade e o Desejo", Inês Pedrosa
· "O Livro das Emoções", João Almino
· "Acenos e Afagos", João Gilberto Noll
· "Cemitério de Pianos", José Luís Peixoto
· "Lisbon Blues", José Luiz Tavares
· "A Viagem do Elefante", José Saramago
· "Memórias de um Intelectual Comunista", Leandro Konder
· "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa", Lourenço Mutarelli
· "O Osso Côncavo e Outros Poemas", Luís Carlos Patraquim
· "A Casa da Minha Infância", Luis Nassif
· "O Livro das Impossibilidades", Luiz Ruffato
· "Contos Eróticos", Luiz Vilela
· "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Manoel de Barros
· "Rasif", Marcelino Freire
· "Animais em Extinção", Marcelo Mirisola
· "O Livro dos Nomes", Maria Esther Maciel
· "Venenos de Deus, Remédios do Diabo", Mia Couto
· "A Primeira Mulher", Miguel Sanches Neto
· "Rio das Flores", Miguel Sousa Tavares
· "Órfãos do Eldorado", Milton Hatoum
· "Manual da Paixão Solitária", Moacyr Scliar
· "Ó", Nuno Ramos
· "Cinco Lugares da Fúria", Pádua Fernandes
· "A Fábrica do Feminino", Paula Glenadel
· "Predadores", Pepetela
· "Chocolate Amargo", Renata Pallottini
· "Todos os Cachorros são Azuis", Rodrigo de Souza Leão
· "Galiléia", Ronaldo Correia de Brito
· "De Paixões e de Vampiros", Ruy Espinheira Filho
· "Jornada com Rupert", Salim Miguel
· "Heranças", Silviano Santiago
· "O Livro Amarelo do Terminal", Vanessa Barbara
· "Satolep", Vitor Ramil
Thursday, May 21, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:47 AM 3 comments
AS SETE VIDAS DE QUEM NÃO TEVE UMA.
Enfim caminha a rua
Em direção a outra rua
Como se fosse uma mulher nua
Caminha sem caminhar
Levada por rodinhas
Que é o melhor jeito de estar parado
Caminha em si para lugar nenhum
Onde todos nos encontramos
Com a certeza de que um dia voltaremos
Para contar a história de um deserto de concreto
Que virou fezes de rato
Para contar a vida como se ela fosse um retrato
Tuesday, May 19, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:46 PM 1 comments
FAZER SOCIAL.
Vou fazer uma social
no seu quintal
Vou comer o caviar
e o angu deixar
Vou comer sua bunda
Me chamo Sunda
Vou estar em eventos
levado pelos ventos
Vou lá freqüentar
qualquer lugar
E
Vou me embora
p´ra passar a agradar
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:57 AM 1 comments
IN.
O que se sabe e o que não se sabe sobre uma mudança
É o que se deixa de herança
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:48 AM 0 comments
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Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:13 AM 0 comments
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Thursday, May 14, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:36 AM 0 comments
De pérolas.
Os porcos fartos ainda mastigam
e trituram ao vento
expandindo a distância
entre os beijantes casais corpulentos
Perplexos
ficam os versos que o vento esculpe
nas encostas recalcitradas de macacos
e lesmas
caminham rapidamente
As tartarugas
tardam a morrer
Quantos porcos matar
até encontrarmos as pérolas?
Wednesday, May 13, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:02 AM 0 comments
lagoa.
a garça
disfarça-se de branco
para nuvem
ser
também silenciar
Tuesday, May 12, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:10 AM 1 comments
os sapos.
na lagoa a neblina
esconde os sapos
quantos sapos
engole a neblina ?
quanta neblina
engolem os sapos ?
quantos sapos
engoli hoje ?
quantos sapos
estão calados?
quantos sapos
sabem do fato ?
que sou
também um sapo?
Monday, May 11, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:08 AM 0 comments
crepúsculo.
e o sol morre
de infarto
e a lua derrame
Sunday, May 10, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:06 AM 1 comments
.
Gente você gosta
Tenha fratura exposta
Ou cheire feito bosta
Passando alguma pasta
Nos cabelos que ele gosta
Nem sempre toda a gosma
Nem sempre tudo tosta
Ao sol que tudo mostra
Dinheiro você gasta
Gente você gosta
Se fosse uma aposta
As minhas quentes costas
Pela costa coisa nostra
Aquela voz que imposta
No grito de esta joça
Em mim não vem se roça
Enfim tudo que imposta
Imposto vira fossa
Rock vira bossa
Saturday, May 09, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:26 AM 1 comments
Rir.
Dente tende
A virar músculo
Antes varo
Vara e másculo
Depois frouxo
Roxo e carne
Antes branco
Total Mármore
Friday, May 08, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:38 AM 0 comments
CANÇÃO PARA UM AMOR NAUSEABUNDO.
Inspira um segundo o ar da manhã
Sente o olfato dos carros passando
Daqui de cima não dá pra lhe ver direito
Você é tão minha que é quase a ponte inteira
Um abismo de leões e dragões rugindo
Um caminhão de suicidas pedindo auxílio
Um beijo que o chão me deu aos sete anos
Depois: algum flanelinha flanando o amarelo
Dizendo pr`eu botar meu carro aqui
Bato parado carreiras de insanidade
Me dizem para pular em mim mas é um lugar tão deserto
O escuro da noite sobe pelas escadas
As sirenes do bombeiro
O escudo da tropa de choque
O choque que já levei um dia
Tudo isso lhe circunda e você foge de mim como de uma locomotiva
Eu venho vindo em direção contrária
Ainda encontro tempo para sentir o seu perfume
Dedico um segundo a guardar o seu cheiro
Depois vomito tudo antes que me beije
Tão decentemente que me enjoe
Thursday, May 07, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:10 PM 0 comments
O DADO DE SETE LADOS.
Psiquiatras vêem doença em tudo.
No azul do veludo
de uma neurose:
numa operação de fimose.
Por osmose
(numa réplica de crocodilo)
vêem o Murilo.
Mendes é o nome dele.
Vêem a Paranóia (de Piva)
e os sete cantos de um dado imaginário.
Podem me chamar de otário:
no sentido horário
e no anti-horário.
Wednesday, May 06, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:39 AM 3 comments
.
Ele matou Freud tomando uma pílula
azul
E nunca mais discutiu os seus problemas
mentais
Sexo
era algo doentio e continuava sendo o mesmo
que
surgir do nada com uma flor de pláastico
Monday, May 04, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:21 PM 0 comments
EU.
Morri sem conhecer Rodrigo
Há quem diga que ele
Olhava muito o próprio umbigo
Mas não é isso não
Tinha fome de Leão
Queria tudo agora
Foi
Chegada a hora
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:39 AM 2 comments
BRILHO.
Tudo é Cia
Interpol
KGB
Enquanto eu
Amo você
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:07 AM 1 comments
LIGHT MY FIRE.
Sunday, May 03, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:14 AM 1 comments
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Todos que me cercam
Talvez Deus seja um agente
Gente é que ele não é
Saturday, May 02, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:46 AM 1 comments
.
Aranhas e cavalos são sombras perpétuas. A minha sombra não fala de mim. Sequer posso vê-la. Na escuridão/com uma vela acesa/acendo minha mão.
Na imensidão do olho dela posso vê-la. Quem é? Quantos anos?
Tudo me devora até meu ápice e volta devagar como se o dragão que eu cavalgo cuspisse em mim cem mil bocetas azuis.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:42 AM 1 comments
.
a polícia procurou e o internou
o que não se sabe é quem o matou
Há palavras que não podem ser ditas
Há até as mais e mais bonitas
quando alguma coisa acontece depois
e só o depois importa além do que foi
é o que fica rodando na minha frente
esquecer das vozes que ecoam na mente
salpicar alguma tristeza aqui e ali e pronto
é complexo terminar tudo num ponto
Friday, May 01, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:13 AM 1 comments
.
tudo está como antes
e eu sinto tanta saudade
o mar sepulcro de fogo
ilumina o horizonte inerme
de seus olhos divindade
acesa nas velas de ontem
se as vagas velas acesas
ignoram a profundidade
uma onda mergulha em si
se apagando até outra vir
para novamente se apagar
as cinzas são as anáguases
pumas brancas d'água
onde a criança brinca
até se afogar de tanto ar
vendo fuligens e labaredas
tudo está como antes
e eu sinto tanta saudade
Thursday, April 30, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:36 AM 2 comments
LUZ.
Antes de antes era o depois
Depois do depois era o antes
De modo que tudo era o que era
Só eu não era o que era
Então quando eu era não era
até errar. Depois de errar
Tudo deu certo e ficou claro,
heraclitiano
Wednesday, April 29, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:57 AM 1 comments
PARE AGORA.
Falar tudo de novo de uma nova forma
Lema ou norma?
Idade de substituir a tosse pelo calo
Calar-se por algum tempo
Ou parte
De um assombro que dará
Qualidade ou
Enfarte
Cuspir numa latrina invisível o indizível
Levar o dirigível para outras terras
Onde quem me habita não sou eu
Sim, mais uma engrenagem:
Um suicídio
Ou morte diletante
Alguma ilha flutuante
Onde possa contar os meus ossos
Do ofício
Tuesday, April 28, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:07 AM 2 comments
LAGOA NEGRA.
a ilha flutua
a água flutua
quem não flutua
é a lua
Monday, April 27, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:36 AM 2 comments
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Morri por um triz
Fui no que fiz
Sunday, April 26, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:20 AM 1 comments
HERÓIS.
Os verdadeiros heróis estão mortos
Alguns tortos
Outros de óculos
Nenhum recebendo o ósculo de Deus
Quem sabe a hóstia no fim da fila
Quem sabe pedindo esmola numa cadeira de rodas
Quem sabe num hospício como eu agora
Os verdadeiros heróis mostram a carne
E o osso
Foram alguns mortos no fosso
Os covardes fazem poesia e cinema e arte e música
Foram os que sobraram do enfarte
Da luta
Da guerra
Desta vida tão terna e tenra
No planeta Terra
Que agora insiste em enterrar o que se encerra
É a hora de outra quimera
Saturday, April 25, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:35 AM 3 comments
O MESMO POEMA QUE É SEMPRE O MESMO SEMPRE.
Prefiro suruba.Querobacanal.
Friday, April 24, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:04 AM 2 comments
BANANAS.
Se viver até os oitenta
ganharei um Nobel
e uma penca
Mas aos quarenta
e três
uma linda banana Warol
de um mundo burguês
Thursday, April 23, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:42 AM 3 comments
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Colocando um c com um circulo em volta
quem garante que não virará uma cópia?
Aprende-se a copiar e colar na escola
e faz-se no computador a diminuta cola.
Com um outro poeta aprende-se o conteúdo-
forma. Mas o que dizer se é surdo e mudo?
O que fazer com todo o conteúdo-forma
se o poeta só faz seguir a culta norma?
Wednesday, April 22, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:20 AM 1 comments
DOIS FANTASMAS.
Ali onde escuto o escorbuto
Nasce o silêncio
No canto do quarto
Onde velas negras saltam
O abismo
É branco e azul e às vezes laranja
Também as formas das sombras são estranhas
Existe a minha sombra
E a sombra dela
Nunca se tocam quando nos tocamos
Nunca é uma palavra pesada
Mas ao fundir um corpo com outro
Eu estaria quase morto
Por que o que mais quero é ser só?
Tuesday, April 21, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:58 AM 1 comments
A mulher sem dente era gostosa por isso a comiam. O fato de estar sem dente não a diminuiu até o dia em que a barba apareceu e ela virou uma mulher barbada que usava Prestobarba. A barba cresceu até a Groenlândia e um esquimó ou sei lá quem mora na Groenlândia se apaixonou por ela.
Ele gostava dela assim como era e ficou velho igual a Papai Noel que entrou aqui porque todos morremos e a mulher barbada foi feliz para o céu.
Curtiu a vida como pode deixando pros urubus sua barba podre.
Monday, April 20, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:19 AM 0 comments
&.
É tanta doença
que ser são
talvez seja uma doença
Sunday, April 19, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:50 AM 1 comments
.
alma lama lâmina
na palma da mão
transformando esponjas
aglutinando detritos
decupando cinzas
escolhendo algum caminho
por onde
escorrer os espinhos
pele sobre pele
resto sobre resto
um olhar absorto
que diz o posto
sobre o oposto
a ternura do gesto
sobre a escultura
do rosto
Saturday, April 18, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:46 AM 0 comments
ORAÇÃO.
Percebe que me fere
No exato expandir
Do aroma em pluma
Que céu da boca tece
Teu céu é imune ao Sol
E minha língua é outra
Aquela que fala do medo
Do falo que se aquieta
Se sou gigante em Deus
Ou ainda sobrevivo à dor
Talvez demônio ampare
Tudo que digo é reza
E rezo calado em mim
Nosso pranto ao segredo
Friday, April 17, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:16 AM 0 comments
.
Cabei de cabar
O a que falt-
Ar rarefeito
Thursday, April 16, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:42 PM 0 comments
EU.
Eu chorava só porque eu chorava:
ela perguntou quem morreu:
Eu
Wednesday, April 15, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:47 AM 0 comments
.
Chove e estou lá
Ouvindo a chuva dos carros
Chove e eu estou lá
Comendo o meu escarro
Tuesday, April 14, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:46 AM 1 comments
.
duas unidades
nãohumanidade
mil unidades
nãohumanidade
uma unidade
humana idade
de humanidade
Monday, April 13, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:56 AM 0 comments
.
- Eu tenho que escrever alguma coisa que não eu
Prometeu
Acorrentado em si
Sunday, April 12, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:06 AM 0 comments
DO CAIS AO CAOS.
vitória régia flor
regendo a orquestra
maestro régio: o tempo
das flores é o da chuva
regendo o silêncio: os
filósofos: os filólogos
abrem os guarda-napos
os perdigotos são troca-
dos: algum beijo via ar
elevado à potência de
Won Kar Wai dirige
entes lentos de seres-
teiros: boleros e la
barca: todos partem
Friday, April 10, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:02 AM 0 comments
AINDA FALAM ISSO.
pE
lo
menos
isso
:
a comida do mendigo está no lixo
Thursday, April 09, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:00 PM 1 comments
.
Silêncio. Ele está pensando. Babo, cuspo, peido, cago
e tremo. Uma planta carnívora.
Silêncio. Ele é gago.
E quando começou a falar sobre isto não gaguejava mais.
Wednesday, April 08, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:30 AM 1 comments
GOGH.
A aparição por si
nequan
on(m)
só fez desligar
O andador anda só
Volta no quarteirão
Algum(a) en-ig
nigção
outra
qualquer poema paira
sob
o sol a si desbota
tbm terra: cor do ofício:
amarelo
Monday, April 06, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 12:52 PM 1 comments
NO LITORAL DO TEMPO. POEMA DE 2000.
Prefácio
A poesia nasceu como canto e fábula. Sua origem se confunde com a gênese dos mitos. Talvez apenas com versos seja mesmo possível dizer o transcendente. Por essa razão, o poema épico e a fábula moral tenham entrado em declínio na era da máquina e da técnica, que não suportam a metafísica. A complexa alegoria dantesca não teria lugar na era do descartável. O poeta moderno, porém, apesar de viúvo da cabala e da tradição hermética, não renunciou de todo à busca da origem. Fazendo da lírica um teatro inquietante, com máscaras às vezes burlescas, ele demanda respostas junto à Esfinge-pensamento, ainda que a sentença do oráculo mental seja a pura perplexidade.
Rodrigo Leão é um poeta com vocação para a narrativa, o tecido ficcional; em seu livro de estréia, apresenta um enredo alegórico, estruturado em dez seções temáticas, sem um fio condutor linear. O argumento é apresentado de maneira sutil, lúdica, sem contrapor-se às filigranas da função poética. Aqui, o poeta experimenta várias técnicas e estilos, num conjunto multifacetado, surpreendendo o leitor com flashes líricos como “A garça interpreta em silêncio / Sua vocação para o branco” ou violentos como “naus aportam no cais / esqueletos de sombras / mausoléus ambulantes / nenhum resto de homem.”
Nos excertos mais concisos, em especial na terceira parte do livro, Rodrigo consegue versos de alto impacto, quase expressionistas, como estes: “gatos / miragens / nesgas / de aurora / intermináveis / dores / erupções / e mordiscos / vulcões / bons apenas / quando / mortos / comendo / crepúsculos”. Dialogando com a poesia beat, Roberto Piva, Glauco Mattoso, mas também com o melhor da tradição canônica, como Cesário Verde e Sá-Carneiro, Rodrigo Leão nos apresenta, em sua estética do bizarro ou geometria do escarro, poemas de elaborada feitura, fortes e contudentes, que merecem leitura atenta.
Claudio Daniel
Setembro/2000
Quem? A eternidade,
É o mar que evade
Com o sol à tarde.
Rimbaud
(Ivo Barroso)
DILÚVIO
1
Seria uma honra ser escultura,
Mas me moldaram vivo e
Eu sou tudo e nada posso ser.
Tenho que olhar sempre o nada,
Foi me dito que tudo é sempre.
E assim vi as caravelas chegando.
Vi os gerânios crescendo sem
Poder tocar ou sentir o aroma.
Cheiro só de bosta. Os mendigos
Sempre deixavam seu quinhão
Aos meus pés. Até que um
morreu no fogo dourado
Desde então alguns ministros
Passaram a defecar aqui também.
Neste bronze de sardas .
Eu esperei a chuva. Eu fiz
A dança da chuva dentro de mim.
E me libertei num dia negro.
A água desaguou chuviscada.
Pirâmides de cabeça para baixo
Era mais merda. Era o dilúvio.
Assim sai da merda para merda.
3
Pudera Deus negar os fatos
E vagar pelas pedras portuguesas.
Mas tudo está sujo até o ápice.
Deus não pode ser tudo todo dia.
E não adianta eu me iluminar.
Acender um fósforo é perigoso.
E não existem gravetos e pedras
Para descobrir o fogo novamente.
Para moldar um poema na pedra.
Além de mim o que serei.
Pra que me libertar numa prisão?
A maior clausura sou eu?
4
Dentro do escuro meticuloso.
Um enigma nasce negro.
E um enigma negro nunca
Deixa de ser um vazio eterno.
Deste lugar em que o nada
É uma riqueza tão profunda
Quanto um ânus sujo profundo,
Nasce envergando o lábaro
O último dos homens vivos.
Poderia ser um Prometeu.
Ou um Cristo totalmente ateu.
Mas o que ele é além de Deus?
Depois do Dilúvio, quem é
este Noé sem sonhos medonhos.
5
Paira sobre o planeta. Paira luz.
E luz fecunda. Fecundo pus.
Ferida linda. Infectando tudo.
Ah, se eu não pude viver
De que vale o mundo? Bonito.
Ou imundo. Mundo inundando.
Queimando. Queimando.
Olho as bolas de fogo
Colorindo o infinito dos olhos.
Asas e Asas estão voando.
Voam e mergulham no mar e
A natureza ama viver e vive.
Quem é aquele homem? Noé?
Em que barco guardou os bichos?
Ora. De que passado vim?
(Um de nós vai virar mulher!)
6
O ódio nasceu de uma senda,
Nesga aberta pela primeira vez
Em que trocamos olhares.
Foi como uma luta de boxe.
Nos nocauteamos. Éramos o resto.
Seus olhos pareciam cobras
Meus olhos estavam envenenados.
Nossa viúves esticou o nada
Que passou de horizonte a infinito.
Olhei o mar revolto. Tudo fezes.
7
O planeta era pequeno dedal.
Ele foi para a outra parte.
Golden fugiu para o fogo.
Fiquei a penetrar o passado
Dias via caravelas. Dias nada via.
Dias cotovia. Dias preâmbulos.
era o que eu não queria que fosse.
Aonde estava o azul. Deus havia
Sumido, e a merda potável parecia
potável.
Eu vivia olhando para fora quando
Lá dentro era que estava toda flora
De angústias, pesadelo e medo.
Um homem abandonado. Deixado
Rosa branca no lodo. Nódoa.
Laivo roxo na pele branca da luz.
7
Enquanto me prometia não ser
Nada que pudesse me destruir,
O Sol nasceu e de tanto olha-lo
Fiquei cego para ver o que eu era.
Veio chuva e natureza me banhou
Como quem tira um animal branco
De uma poça de petróleo derramado
Na baía de Guanabara, ano 2000.
E cai bebendo água doce. Bebendo
Turmalinas, cegonhas, garças,
Cisnes, bem-te-vis, araras, papagaios
E alguns corvos que me disseram:
“Tudo é negro”. Eu não acreditei
E eles foram dizer ao outro,
Que tomasse cuidado comigo.
Que nunca nos tornaríamos amigos.
Que poderíamos nos amar
Mas tanatos iria nos destruir.
Alisando feito madeixas d’óculos
Nossa medusas de cabelo
Olvidei o negro, olhando as rosas
Que começavam a brotar cada
Vez que lembrava de Deus e
Eu agradecia. Eu nada era ainda.
Cada palavra que eu dizia virava
Uma cor. O papel de parede
Ao meu redor ainda sangrava.
Para que servem paredes?
Não havia portas. Só paredes.
Em algum lado comia concreto.
Logo vieram as maças e peras.
Amoras e uvas. Morangos.
Quando viria o pecado original?
Quando Deus seria um animal?
Quando eu iria ser mais que eu?
Quando tirariam uma mulher
De minha costela? Quando o
Infinito ia mudar de coloração,
Quando ia voltar a ver minha
Imagem e a de Narciso no lago.
Quando viriam os ciclones, os
Tornados, os furacões. Por
Enquanto tudo isso sou eu
Girandolando sem cuspir fogo.
8
O mar de capim fazia barulho.
Podia ver as vagas surgindo
E destruindo formigueiros.
Havia também a lembrança
Destruída, assim apenas
por lembrar d’outra existência.
(As pipas coloridas galgavam
o céu. O tosa ia acontecer
qualquer momento. Dá-lhe
vento). O que é a infância?
É uma outra existência.
São as pipas de ontem sem
os ventos de hoje.
O eu é um ladrilho de nuvens.
Onde estão as pipas? Onde?
9
Preciso de sonhos amarelos
O Sol sai de sua moldura.
O prata veste a noite escura.
Quando Deus será quem quero?
10
Travo guerras colorindo folhas,
Caídas no abismo que construí
Nas verdades que ocupam
Todo espaço nessa mente crua.
Aqui vejo chamas e água.
Tanta abundância para nada.
Aos poucos isso aqui vai virar
Um paraíso, pelo menos é
Isso que passa agora pela
Cabeça do poeta que escreve
Este verso. Assim não fujo
De mim e minha necessidade
.
De dizer logo tudo. Antes que
O abismo cresça tanto e eu
Não possa mais saber
Se estou dentro ou fora dele.
11
Passei a comer tamarindo
E comecei a ver alicerces
E pilastras sangrando fogo.
Engoli aquelas imagens ígneas.
E passei a pensar se eu estava
No inferno. Mas logo nasciam
Flores e beija-flores e novas
Dores. Tantas quanto possam
Imaginar sem imagens.
12
Saudades dos vincos que não
Terei no rosto. Ravinas nascem
Meu olhos sangram o azul.
Ninguém me idolatra agora.
Ninguém me ignora também.
Desde que ganhei carne e toco
O mundo e o que restou dele,
Ninguém nasceu além de mim.
13
A pior prisão é a mental
Fazer parte do indivisível.
Ser escravo da alma abissal.
E não poder ver o invisível.
Antes eu só tinha o infinito.
Tenho tudo menos o horizonte.
Hoje o deserto é meu rito
E tão meu, inesgotável fonte.
Fonte. Ponte entre mim e Deus,
Se é que ainda acredita em mim.
Tudo aqui é tão meu de meus
Eus. Deus e criador ou cupim?.
14
Uma onda que se comia
Uma onda em meio a ventania.
Comeu também meu castelo..
Abrindo uma boca de 10 metros.
Quando será que quis existir?
Nas coisas que eu fiz ou sou.
Ser é tão pouco e não ser, zero.
Ë o Zero. Não ser é zero. Pode
Ser zero, zero, zero. Tudo é
Zero. É o fim e o início.
15
A garça interpreta em silêncio
Sua vocação para o branco.
Me perco naquele vôo que
Submerge no lago dourado
De Sol. A natureza se esconde
Para sobreviver. Eu dou um
Grito e minha voz estoura
Os meus tímpanos cantam.
O CICLONE
1
o ciclone nasceu sopro branco. o lago tremeu no calafrio das margens. venta. dentro de uma concha (eu) debuxava, entalhava o poema. tatuagem rupestre. pontes se abrindo, pernas, olhos, boca e tudo mais que se abre meio enquanto folha, estrela, pórtico, ponte, átrio, portal.
2
aqui o vento faz a curva e volta cardume: vida, vinda em linhas e puçás. silêncio e terror: sêmen. tudo ciclo, fogo-fátuo, rictus. doses de aiperon. vitral. torpedos. chamas. cavalos de crinas brancas. mucamas. caubóis. comboios. joios. jóias e círculos. pulseiras e fitas do senhor de bom fim, em cada início e meio. o ciclone ejaculou por todos os lugares. no futuro, veria que os filhos do ciclone eram todos homens castrados por ele. prometeu acorrentado.
3
riscar no vento, esculpir na mobilidade. preencher a inexistência com o nada. buraco negro. num átimo o grito agônico. como se o ciclone varresse a primavera. vivia comendo bisnagas de frio e bebendo café-petróleo do futuro. parece que tudo aconteceu enquanto eu penteava o cabelo. enquanto isso, o mar cheio de surfistas e poetas que se beijavam conspirava contra a violência espúria dos hipócritas.
4
será que um dia o silêncio será ouvido, e cravarei um punhal no peito da morte? então, poderei dizer das pegadas do fantasma chamado pai. ainda existem folhas poluindo as palavras com figuras de linguagem. tudo poderia ser etéreo. tenho feridas ciclônicas, agora que acabei de conter o ciclone dentro de uma garrafa e o mandei para um instituto meteorológico. mandei junto (em atach) uma outra mensagem feita de nuvens coloridas e algodão amargo e pó-de-mico e bicho-do-pé. que se cocem em falésias alcantiladas.
5
vejo um ciclope cego e alguns anjos correndo em esteiras ergométricas. a branca de neve anda de mãos dadas com o curupira. a emília dá um chupão no mickey mouse. fazem amor hércules e o pintinho frajola. enquanto isso, zé carioca beija o capitão marvel. contam-me histórias que não sei se vivi. escarro para o alto porque sou um chafariz, chafurdo.
6
fogo amarelando o horizonte. sombras são mulheres de preto ou garças de luto. a mendiga, cheia de latas, figas e espelhos que refletem imagens. a tarde invade o sol, o mar e a eternidade (soldados de chumbo, presentes da infância. as bonecas eram apenas mulheres do falcon.) ouvi uivos dos castelos, areias em minhas mãos.
7
tudo já feito, tudo por fazer. toda minha família estava no circo. os palhaços comiam manga, engoliam o caroço e ficavam entalados, vôos de acrobatas. (quando acordei, com pterodáctilos, nova visão do mundo.) soltei-me, e minha família tinha ido toda embora. tudo já dito, tudo por dizer.
7a
ciclone clona clones e a vela vela a velha e ovelhas aquecem os lobos e o cosmos come buracos e haicai: amordaçaram/o silêncio/ecoou.
8
ciclone, disco em alta rotação. o vinil virou cinzeiro, o ciclone é em senurround cospe mantras em dobly estéreo.
VULCÕES
1
abrolham
vulcões
pela pele
erupções
compõem
o amarelo
elos de luz
pus em pus
2
cavalo sem
crina branco
cuspindo
falésias de
seda
turquesa
todavia mar
bordejando
aspergindo
gotas
água
de calor
vulcânica
quase ar
quasar
pulso
móbiles
redoma
aquário
de fumaça
cospe
sombras
cadências
cardantes
cabelos
crinas
d’éguas
bolas
de sabão
explosão
3
fios de ouro
preto
virando olhos
claros
fumaça, fuligem
cinzas
apenas tragadas
d’eu(s)
4
deitado
olho céu
magma
jorra
da jarra
- corpo
copo
de cinza
5
gatos
lambendo
a pele
de filhotes
morreram
na guerra
dromedram
meus desertos
gatos
miragens
nesgas
de aurora
intermináveis
dores
erupções
e mordiscos
vulcões
bons apenas
quando
mortos
comendo
crepúsculos
6
brisa
maquinal
matina
eterna
vento
de bolso
barcos
velejando
miragens
aquosas
- sopro
endêmico
mixando
suores
odores
espinhas
rugas
meleca
despojos
restos
andrajos
orgânicos
verdadeiros
oceanos
de frios
sonhos
pesadelos
e inferno
7
rastafari
safári
em mim
elefantes
trombetas
esporrando
sangue
saliva
seiva e pus
8
via Delfos
delfins
e hienas
e sua cria
de corvos
amestrados
bicavam
meu ventre
arrancavam
palha
pulhas, palha
palhaços
9
por dentro
contenção
por fora
explosão
assim me
defino
sou um
vulcão
IV – Canto ao Abismo Interno
Me soltaram há mil anos
E eu estou caindo.
Me disseram que as sombras
São inimigas
E elas são as únicas coisas que vejo.
Cuspiram na minha fronte
E tiraram minhas falangetas.
Mas eu não sei se isso aconteceu
Ou é este apenas um canto ao abismo interno.
Há camadas de abismos.
Nenhum colchão à minha espera.
Nenhuma ponte.
Ninguém no pódio.
Nenhuma medalha.
Toda velocidade me bloqueia.
Meus galhos
Meus esboços
Meus edifícios
Meus calafrios
Caem comigo.
2
Eu sou o culpado por terem destruído os meus moinhos? Por que os meus moinhos odiavam ventos? O que eu queria depois de ser uma estátua? Que o pára-quedas se abrisse feito um cogumelo? Que a bomba atômica explodisse espalhando pétala palavra em flor. Plantar.
3
Semear papagaios colher aves de rapina. Horizonte e grades. Cocada e fezes. Cravo e rosa. Tese e antítese. Dicotômicos verdes/azuis tendem a orbitar cabelos negros. Lança-me o teu farol que me reflete, desenho flutuando sumindo, subindo, descendo.
4
Pégasus lança chamas pelas narinas . (Nesta altura o cavalo ganhou fogo e o dragão ganhou asa). A guilhotina e os postes apostos para expor a apoteose quando eu chegar lamina quente de cortar água e angu. Cortarão meu pedaços e farão lanterna com meu crânio e sequer poderão doar meu corpo podre. sou um animal grande no corpo de um pequeno. As gorduras de minha alma não vão além do bronze.
5
Devoro-me
Arranco a pele que ainda me sobra.
(Unhas chupetas seios pirulitos
grelos falos)
Flores nascem de veias.
Veias velhas levam a seiva
Iremos enforcar alguém
nos meus galhos
Se conseguir deixar
que a Eternidade se apague
junto com seus abismos
e praias particulares
V – O Outro Estrelas
1
Construí um telescópio
Para ver estrelas no outro,
Ouro em aura luzificada
Não começou a guerra
Ainda quero falar-lhe
De como a solidão colide
Com as estrelas que somos.
Antes de nos digladiarmos
Simplesmente por ser assim
tal nossos deuses querem.
(Subtraio de mim sinuoso
Vejo barcos no paraíso.)
Gôndolas rasgando o fogo
2
naus aportam no cais
esqueletos de sombras
mausoléus ambulantes
nenhum resto de homem
(parece que vejo fogos
quando olho o sol e o mar
um se afogando no outro
e um comendo sua baba
bebendo do sangue
bebendo tudo in natura)
3
O Outro Estrelas caminha sobre as águas.
Labaredas mordem seus pés.
Ele divide o oceano ao meio.
Mesmo assim eu não entendo ainda.
Outro Estrelas passa por mim e me dá um beijo.
Há uma fábrica desativada que joga seu lixo
no rio de minha veia principal.
As escamas do peixe me protegem neste dia frio.
De olhar o Horizonte quase vejo os olhos dele.
Náufragos de si.
Num mundo em que não existem mais restos no prato.
A última refeição foi servida há milhões de anos.
3a
sublimo o limbo
te olhando fundo
catapulta-me de volta
novos abismos
pêndulo e pingente
os pés do crepúsculo
as mãos que buscam
nervosamente o santo
4
A loucura é um óbito diário.
Faço um centenário.
Procuro pescar peixes novos.
Mas só tem baiacu.
Quando criança um amigo
coçava a barriga do baiacu e
depois dava um bico no peixe.
(Parecia que o baiacu não servia
como alimento) Mas quem pescava
para se alimentar?
(Esse mesmo amigo tentou me bolinar
quando eu tinha 12 anos)
Será que teria uma vida diferente?
Nunca amei homem algum
amando a todos. Sei que não entenderam
o que digo e dirão que eu sou veado,
isto pouco importa,
nada importa tanto quanto eu.
Sou aquela fonte de águas cristalinas
desinfetando tudo que é doença.
Sou água mineral com gás.
Sou o sonho fluindo feito sangue
da mão de um suicida.
pulsos cortados e coroas de espinhos
5
É a primeira vez
que vejo um ser humano
de perto. Mesmo com
águas límpidas,
fiquei com medo de
mergulhar em mim,
ao olhar o espelho d’água.
Iria me afogar?
Ou sairia do mito vivo?
Peguei uma tulipa
e enfraqueci um soco
que iria vir.
Dei-lhe um abraço
demorado.
Mostrei minhas chagas
e enquanto trocávamos
afagos, fui sentindo
que flutuávamos.
Éramos anjos.
Éramos animais sem
asa e quando me lembrei
disso, voltei a cair.
6
Os pára-quedas foram acionados.
Mesmo assim caí de boca.
Dei um abraço em meu amigo sem saber se voltaria a criar ventos e moinhos. Quem nasceu primeiro foi o vento e o moinho veio depois junto com Cervantes. bebo uma coca e tudo está dentro de mim e em minha mente. Caio, magma que sou. Enquanto eu me derreto. Ferro de novo. Verão de Novo e um pesadelo como a vida real.
Quem me escolheu como amigo foi ele. Depois fechou todas as portas que agonizavam sem pênis. Aí me tratou como eunuco. Eu nunca fui tão maltratado.
Eu caía e apertava a sua mão. Viravam castelos os nossos pensamentos. Sem nos tocarmos produzíamos uma energia lasciva. Colidíamos com pensamentos etéreos. Havia a nossa volta índios Caimam. Índias gostosas que se abriram agüentando a vara fétida de meu sonho. Surgiram canibais e os homens brancos foram todos para o caldeirão. Alguns comidos sem tempero. Todos gritavam dentro de seus berros e outros diziam violeta branca rogai por virarmos flores e seqüência de batidas de rap.
A água que me borbulhava foi sorvida sopa de meu sêmen e de meu melhor pedaço. Santa carne. Santo Deus pagão
Os pára-quedas se abriram na noite.
7
Fogos de artifício saudavam o pássaro negro.
Bolas de fogo eram devoradas por ciclopes.
Um anão soprava. Um anão qualquer.
Uma dezena de anões comia um bolo de aniversário
temático. Anões comiam a Branca de Neve.
Meu pai gosta de Fellini.
Quem não comia pedaços de amigos morria de fome
Chegavam barcos azuis. Cresciam violetas de prata.
O mar mais azul que vi. O som mais agudo na concha.
Chovia Prozac, Lexotam 6, Hoipnol 4.
Talvez o diabo esteja ao meu lado.
O demônio é só aquele que mastigou o outro lado.
Não comeu e tem sempre na boca o sangue da noite.
A fome de fogo.
8
Quem comeu
os pentelhos
da aurora?
Foi crepúsculo
distendeu
o músculo?
Abriu
o frontispício
deus sorria
indo
rindo
pro hospício
9
o hospício é uma viagem
riem os que são normais
loucos não são animais
plumas do cão sem plumas
legado: pão com manteiga
leite bem ralo, água
fazer a cama toda a manhã
Cid e seus desenhos
10
o primeiro beijo da morte
foi o segundo beijo da vida
contados beijos por esporte
e os outros por despedida
há beijo pra todos os gostos
uns encerram a fatalidade
há beijos de total desgosto
bons os de cumplicidade
e todos beijos não apagam
o batom em outras partes
partes que alguns afagam
chamando-as minhas artes
há quem beije como a vida
que coloca lentes de óculos
para que os poetas da antiga
escrevam beijo com ósculos
11
o vento hospeda
tempestades verdes
e simulacros
estão no móbile
vários fios de
alta tensão
que parecem pegar
minha mão
e me tocam volts
comichões sem início
baleias rangendo os dentes
eunucos abanando o tempo
colchões d’água explodindo
e o elefante
deitado numa banheira
bebendo água gasosa
palavras saindo da minha boca
Vênus despida
nuamente fleuma
Tordesilhas
12
Tudo é hospício.
Até as lápides frias
são hospícios.
(Dentro de um túnel,
eterno trem.
Luzes apagadas e gritos
no negro
e no amarelo dos holofotes,
assinatura do estado.)
- Vendo ouro!
Tudo é hospício,
Loucura não é dádiva.
Loucura é ávida morte
não é impávida sorte.
(Assim caminho com meus
vinte e cinco tentáculos
e não me atrapalho com as duas pernas
de pau e com o grito
que ecoa:
- vendo ouro )
13
outro estrelas
chegou
pedindo poesia
e almoçou de minha fé
pedi que voltasse
outro dia
assim como as ondas
que o trouxeram de marte
outro estrelas pensando
alto
gravou seu sorriso
postergou o silêncio
outro ano outro estrelas
me perguntou
o por quê chamou
como eu o chamo:
somos outro estrelas
e eu não sei
quando os quadros
estarão com seus is
e nossos desenhos
pendurados
em pregos
como os enforcados
14
assim que surgiram
os dedos
outro estrelas defecou
sua fome
saindo de minha boca
como se tivesse engolido uma salamandra
estava em Mallorca
e eu estava aqui
nesta loucura entre brumas
bulindo numa lápide fria
pedindo a deus tudo o mais que nunca deu:
- pipocas amarelas
- discos cor de laranja
- laranjas negras
- brinquedos que não quebrem
- crianças que não chorem
- músicas sem muitos acordes
- elaboração de sonho
- castelos
- areia
- área aérea para cair
- dor eterna
- palavras exatas
15
cospe chamas
Emily em mim
divina dama
de bronze zin-
co
zen
do
cor
ar
co
ir
is
o
por
sol
chão
18
vulcão
de palavras
retalhadas
telegráficas
envolve
noites
e calafrios
e cachoeiras
e vulcões
internos
calças
bufantes
voando
varais
degraus
andam
escadas
se afastam
e vento
e verve
viva
vem
no
eletro-
do
cateter
bisturi
micróbio
vermes
e beijam
moléculas
átimos
resistem
existe
o cavalo
plumescente
da noite
piscando
neonights
and days
in day out
door
com letras
e baba
e sangue
escorrendo
inundando
o átrio
promontório
aqueu
aquoso
deus
comido
por pigmeus
um deus
ateu
parte
de marte
partimos
parindo-nos
19
duzentos watts iluminam
quinhentas sombras escondem
na noite o silêncio afaga
enquanto outro estrelas olha
o píer vazio cospe as ondas
e a ressaca parece um ímã
levando o paraíso e trazendo
o inferno transita inóspito
20
repelimos nossas bocas
as diversas
- todas ocas – só as nossas:
loucas
poucas falam agora
paredes para as horas
em que semear
sem sêmen
sem vaginas
escolhemos um ao outro
é pela boca que entram esgotos
pelo anus nos humanizamos
nunca mais nos encadeamos
VI – A Guerra
1
bonecos de chumbo
comiam vatapá
enquanto a barbie
dançava na sombra
e o falcon barbado
rebolava travestido
alguém brincava
no silêncio sério
de meus dez anos
olhos fora de órbitas
catapultados, molas
pontas bolas de gude
2
Desciam das profundezas.
Subiam das montanhas
Folhas farfalhavam o horizonte
bocetalmente arreganhado e vermelho
Van Gogh
A tempestade limpava confetes
e serpentinas
A folia agora era repetir na eternidade
as cores,
os sonhos,
os odores
do carnaval
[Havia uma nau acariciando o píer
E uma nova carranca surgindo
Era mais um navio sem ninguém
uma guerra por vencer
inimigo que não tinha
Era o esqueleto de minha infância
(Havia partes de pai e mãe nele)]
Doeu no azul daquele mar que chorou
lágrimas de Portugal
Chora lágrimas ruborizadas
Vítreo sangue
Aviões sobrevoando
Garças aspergidas
Bombas de flores
Tiros de negro chocolate
Perfurando as emacias
[falésias
girandolando
na carne
(talvez eco
talvez fauna)
floração
de glóbulos
inquietos
átomos
átimos
istmos]
A guerra estava apenas começando
3
Ela babava sangue. Cuspia. A sua língua era longa e fina. tinha uma cabeça de cobra na ponta. Comia cabeças. Poderiam te-la chamado de Medusa. Mas não existiam tantas cabeças nela até o momento em que ela metasticamente começou a produzir bocas em todo o lado. Chegando ao istmo de meu corpo, senti-me chupado para dentro dela e para fora da terra. O vermelho derramou espelhos.
4
Um locutor me anunciava:
“Direto do útero materno
para o inverno do inferno
Rodrigo de Souza Leão”
fui aplaudido e assinei
a carteirinha de sócio-atleta
5
Percebi que havia flores a cingir-me
enquanto alguém dizia
trégua
Mas eu queria guerra
tal um tigre corre pra corça
ávido
e perdendo as listras
de seu color bar
(parece que ele vai furar o horizonte)
6
(o machado medieval nas paredes
o aríete penetrando âmago
e duzentas formigas
cada uma com um volt
na testa da metalinguagem)
7
A guilhotina estática
A lâmina sulcando o horizonte de bocas
Rimbaud aplaudindo a dicção
de Outro Estrelas
Meu inimigo foi comigo
por que sei que é o meu inimigo
Se soubesse ser o que eu sou
seria ainda o carrasco
- este que encara meus olhos
e talvez seja só Narciso
8
Flechas sibilam no eflúvio branco
Trêmulo
sangue sulca ravinas
Martírio etéreo
A alma ilhada
Sem responder comandos
contrl alt delete
Erguido a guincho
A forca de prata
no fundo uma coleira
contra a loucura
Meu psiquiatra
Aquele que não disse quem eu era
Fugiu da neurose
Contando carneirinhos
(parece que eu achava ele forte demais
para revelar os podres e
o frescor
de meu interior repleto de garças
às vezes negras)
os urubus
8a
Voam garças de outrora
Voam com bombas de nêutrons
que é pra alguém ficar
com o ouro
com a bauxita
com a prata
(mas também com a lata
e um filhote de baleia dentro)
suicidado
com a própria placenta
9
bruma na magna
carta dourada
dromedários
negros
voam até Tétis
tudo voa
segure os móbiles
10
depois de depois
é ser eterno
(talvez seja
a maior imprecisão
do inferno)
algo como conter
com a voz um pelotão de violetas
virgens
hímens
complacentes
desfilando no hermético
carnaval
(seriam baianas
rodopiando
piões na desordem
do caos sem estrelas
nuvens
brancas
algodão
de galáxias
rubras
e estáticas?
ou estéticas?)
11
a guerra era eu
era o outro
e suas estrelas
no peito vozes
inquietamente
mobilejantes
é uma guerra
lúdica pratica
xadrez tática
peão avança
rainha no rei
chão branco
chão preto
petróleo pus
cavalo
bispo/roca
troca- troca
chão negro
12
tabuleiro
ou campo
de batalha
navalhas
pedras
flechas
soldado
inimigo
conhecido
há flores
na pele
tapurus
13
em si
o não ser
se alvéola
a rede
presbíteros
não são
apenas
andam
nas águas
anáguas
nuas
e molhadas
14
front
frontal
frontispício
hospício
terno
é interno
pulsa
implode
e ousa ser
algo mais
que parecer
cometa
loucuras
15
interna guerra ígnea
o sol e o fogo queimam
a lápide do vento
uma garça no alçapão
uma mancha negra
flutuando etérea
pelo eflúvio d’água
e um silêncio quebrado
pelo farfalho divino
das estrelas rangendo
daquele sol laureado
pelo ouro da aurora
16
a guerra continua
a desvelar vela pura
linda que flutua
no front onde dura
a eternidade ao lado
dos corpos que jazem
dos pobres coitados
mortos o que fazem?
nem acendem a vela
nem as podem apagar
as luzes mais singelas
são feitas pra olhar
lá de cima das cavernas
onde o sopro hiberna
17
E a espada
lança chamas sobre o capim
Logo estaremos em Londres
Naquele frio que seus olhos me hospedam
Eu quero o fogo agora
para beber antes da degola
A lâmina aquece o sangue
Jorram flores
Apenas um eunuco chora
A lágrima altiva
de quem serviu ao rei
e cantou todas as estrofes
do hino
Então um gozo
fez pálida
a minha fronte
pude vê-la
naquele horizonte
de espelhos
(ou era um truque de mágica
e o mágico divertia a tropa
antes
de chegarmos a Londres)
18
Sex Pistols tocava Vivaldi
Num pub fedorento
com melecas de moléculas
como móbiles
O céu se encabulava ao ouvir
a única estação que havia
Nuvens e garças evacuavam filhos
Era inverno o ano todo
E aquele sonho acabava
Velvet tocava Vivaldi
E as frutas tão crescidas
e cada vez mais podres
caíam na neve fétida
de purpurina prateada
Naquele dia em Londres
era tudo maquiagem
no rosto das ruas tudo
era passagem
19
a guerra encerra o eterno
um ser humano vivo
debuxando seu retrato
a chama acata o inferno
barulho/farfalho via crivo
da vida só o sumo/extrato
da vida só o que for exato
cartesiano ou abstrato
pouco importa o fim
desabando feito fezes
há vida ainda em mim
guerras ainda que rezes
20
Foi em Los Angeles que encontrei
Outro estrelas
falava ao Horizonte
e cantava odes fáceis
masturbando o Inverno
Daquela relação
não surgiram filhos
e nem de nenhum homem
com um deus ou deusa
Podíamos ouvir o inverno
provocado ao êxtase
e reinventando o frio
ejaculando purpurina
de todas as cores
21
quando resolvi arrancar minha orelha
e navalhar meu olho salvador dali
surgiram exatas três dinastias naturais
o tempo, o espaço e a velocidade
o tempo recaia selvagem sobre o capim
as cabeleiras ao vento fagulhando:
cabelos xucros do rubro azul
ampulhetas de cocaína e narinas de bronze
o espaço de uma caixa de fósforo
era suficiente para nos calarmos
e ouvirmos ecos dos canhões
e baterias antiaéreas da Portela
a velocidade era um bólido
cruzando a charneca oitocentos
e cinqüenta quilômetros por hora
era vertigem e tortura gota na testa
o tempo, o espaço e a velocidade
formavam uma equação perfeita
e naturalmente prolongamos
o cobertor sobre a gênese solar
assim podíamos ouvir os acordes
de purple hase e depois Hendrix
pedindo peace and love
e foi o que tivemos maconhados
22
nosso sangue foi contaminado numa hemodiálise
e eu perdi todas as palavras vermelhas
o meu sangue borrou a parede de branco e azul
comi seus olhos com uma colher de madeira tosca
comi suas vestes depois de queimá-las
continuei magro e iluminando o pôr do sol
meus faróis serviram para cegar e indicar
todas as vezes eu não sabia nem aonde era o norte
por isso todos comeram abismos
náufrago de mim fiquei parado espantando corvos
e não deixei que bicassem uma vez seu rosto
e hoje todos se distanciaram, até meu sonho com você
23
tudo máscara
a ponte entre nós
balões de amizade
e corações bexigas
voando tudo
todo o aniversário
a luz venceu
cuspindo trevas
no leilão
crepuscular deste
dia, eternamente
imobilizado
as verdades
cobras olhando
e iluminando
meninas dos
olhos claros
faróis em nós
borboletas
amarelas
24
depois da morte vem a humildade
depois da puberdade, o silêncio
ele diante daquele oceano chip
poderia ter dito: - atualize o mar
atualize o céu, e todas as imagens
necessárias para um poema estranho
porque meu mar é acinzentado ainda
e de vez em quando neva açúcar
e fico mais gordo com a chuva
eu me humanizo olhando nesgas
féleias trupilias eululicas carbólicas
depois de minha morte fiquei humilde
adoçando os bicos dos pássaros
sendo parte e vegetação com plumas
até o ápice envergonhado da ereção
daquele canhão que deveria cuspir-se
VII – ELEGIAS AO NADA
1
dentro da mensagem
havia uma garrafa
ou seria uma mensagem
dentro da garrafa
ou ainda uma palavra
ou elegias alegres
ou palavras bêbadas
daquele oceano todo
daquele oceano todo
a mensagem engravidou
e quando me disseram
que não era verdade
percebi que era
o tempo daquelas
elegias em que um blues
parece frevo ou samba
2
aquela vida de cais
que não deixa
os barcos beijarem
as pedras
não existe mais
só yemanjá
vem vezes nua
falar com netuno
e seus cavalos
os barcos
não se chamam
mais silêncio
e não farfalham
e não desfiam
as cordas
3
há uma jangada
pluma arfando
afundando
gota
bolha
naufragando
no nada
4
o nada é apenas
o resto de ar que têm os submarinistas
talvez o cianureto
os tire do aquoso inferno
interno
da vida
ninguém se salva
5
profanando
o corpo heráldico
esculpido em mármore
estátua de seda
opulentamente negra
feroz pantera
me olha nos olhos
tanto verde
que defloro a botânica
procurando nos livros
aquela flor nobre
pétala/música/melodia
canção dissonante
e alguns ecos
de criança
6
tudo se apaga
no nada
tudo se apaga
translúcida
chama
chama-me
ao nada
onde tudo
se acaba
7
e assim se
naus se afogam
cheias de vento
em breve o que
está por dentro
virará tesouro
poderei trocar
todo o leite
por ouro em pó
todo o pó
por um nariz
dourado ouro
8
assim os índios caminhavam
pelo arco-íris junto com os arcanjos
e havia uma placa com o nome de
um desaparecido na mão de cada um
no palco diziam do bem maligno
que é dar uma esmola ou uma estrela
pra naufragar no peio oco de outro soldado
(não perdi nada que a lepra não me levaria)
9
estive
esquivo
vivo
privando
ando
tosquiando
a lã
do trocadilho
na fazenda
hospício,
abelhas
fodendo
pólen
polido
porto
vôos
anfíbios
insetos
10
não há nada que o sol não revele
principalmente hoje
quando a neve fecunda o óvulo negro
do asfalto
e dessa combinação
surge o óbvio
larva não é carvão
pinga não é chopp
chinelo é pra quem dissolve a prata
cuspindo luas
aquosas
no café
combustível
querosene
11
e fustigado
punido
no canto
de uma jaula
com a missão
de se eternizar
num grito
eis o poeta
que ruge
com todos
os pelos
do corpo
arrepiados
eis o poeta
domesticado
pelo
pânico
12
então masco um colibri
só para ter seu vôo
só para aprender a voar
mas deus impede o poeta
de tentar vôos cegos
e se soltar dos cimos verdes
deus impede de ser morcego
sendo o poeta um vampiro
que suga outra poeta
deus impede o ser humano
de ser um poeta e um vampiro
pelo menos é o meu deus
o que beija a minha jugular
o que me matou de aids
13
tantos baiacus
voando cócegas
tantos meninos
engordando
quantos ventos
lutando na biruta
voando cócegas
quantos céus em mim
baiacu engordando
explodem infinitos
14
o nada então sorriu na penumbra
formada de um coqueiro
com a rede
o poeta é o seu ócio
é o plágio
proposital
como aquelas baleias
que repetem
os golfinhos
repetindo
nas anáguas d’água
a implosão
d’ondas
no promontório
15
cuspindo o fogo
são Jorge e seu dragão
aquático
sem escafandro
ou rarefação
usina
aquário
cavalos marinhos
pulmando
quem sabe
um puma
lance borbulhas
e dentro delas
cogumelas
exista ar
16
no lume
o nada envolto em luz
o vaga-lume
as vagas destroçando-se
o nada envolve o tudo
o tudo envolto nada
e o vaga-lume,
uma lágrima vulcânica?
naus à vista
novos esqueletos
do que nós fomos
bandeiras e velas
carcaças e couraças
tudo em tons de cinza
cada esperança
chega morta ao nada
17
assim a cidade
cresce por metástases
impregnando o silêncio
com cicatrizes fáceis
dores já curadas
marolas outrora ressacas
ressacas outrora nuvens
olhos do mesmo espelho
perturbados de se verem
cuspindo branco cinza
mar mexido
tanto branco
para me afogar
18
bromélias rubras
recebem as cinzas
quase azuis
dos seus restos
no pólen aquático
o jardim florido
botânico encontro
da garça e o biguá
da respiração
com o ar
19
sobre o nada
nada mais tenho
talvez em algum
encontro com Sol
possa abrir
todas as reticências
que são minhas sardas
(quem olhar para mim
verá que sou um cosmos
branco com planetas
pretos) quem olhar
verá que ao contrário
do cosmos, meu nada
se encolhe
e não se afasta
VIII – O CIRCO ZOO LÓGICO
1
algum palhaço
apontou um revólver
e divulgou seu nome
ao matar um macaco
o macaco morreu
desconjurando
o palhaço ria
pela primeira vez
tantos macacos
vieram para o enterro
dar pêsames às núpcias
do palhaço com a dor
2
a tromba do elefante
limpa banha molha
os animais menores
tempestade e pi
po
ca
porque quando escrevo agora
tudo chora
e o barulho da chuva na janela
lembra o da pi
po
ca
na panela
e o elefante no circo
e os animais menores
lascivam
estáticos
escrutam
o trapézio
(e a cadeira
nas rodas
do trapezista)
que quer vôo
mola
motor
motriz
lágrima
grinalda
e véu
e vento
chuva
molhando
o poema
água
daquele elefante branco
sem o nó
na tromba
3
o transferidor se abre bailarina
em poucas cores
piruetas
e montanhas russas
e os alvéolos
avelãs
de delicados
se esticam
na ponta dos dedos
linha
finita
limítrofe
elástica
tensão
máxima
ou o poema
dança
nas ancas
dobras
e dribles
corpo
agulha
Penélope
baila
4
fleumam
tigres de bengala
begônias
girandolando
fogos
e artifícios
encarnados
na cor
d’ouro
listras
zebras de bengala
5
a cartola gigante
contém elefante
parado um instante
o mágico arfante
fez força demais
ao puxar animais
elefantes carnais
pelúcias peluciais
6
descansa o equilíbrio
malabarista do falso
enigma prenhe
criador de eternos
joga ótico
efeito bola
mão para mão
equilibra os ovos
ovacionado
palmas silábicas
urros êxtases
enfim cardume
7
bailam baleias
nos violinos
dos delfins
8
picadeiro cheio
respeitável solidão
daquele prisioneiro
andarilho véio leão
preso em seu crime
emoldurado na prisão
procurando o que rime
é fácil rimar com ão
difícil fazer infinito
de cada dia carcereiro
e revelar-se mosquito
amarelo faroleiro
cegando as carrancas
naus flagrando cais
9
a privada do cuidado
as fezes são banheiros
bostas são coisas lindas
quando lembro defeco
ouvindo o barulho
cachoeira cascata
verdade é a descarga
abunda em água leva
larvas lavram vermes
tânia solium na espada
10
circo
sinto
nalma
presa
posto
aquis
tudos
gosta
sinto
nãoma
labar
isara
posta
bosta
11
a barba
da mulher
pegou fogo
o tambor rufando
surfando
suor no infante
o canhão catapulta
os olhos
do homem bala
o canto
da sereia
irapuru-se cigana
a linha
da felicidade
estica
cabelos arrepios d’aura sombra sobra contornos quiromantes pélago e saliva beijo na tomada ou trovão in natura
preciso de atalhos antolhos para me encontrar?
óculos retráteis
10
grilos
iluminam
os trilhos
ruminam
camelos
o silêncio
do pelo
denso
acarneirado
olhar
do leão
garanhudo
a rebolar
na fricção
11
A noite chega diluindo o café no copo de leite
enquanto ouço ecos do respeitável público.
(A plantação balança como um mar em chamas
farfalhando na brisa
os cabelos de capim gordura).
(Tudo parece estar entre parênteses
quando um trapezista não segura o travessão e
c
a
i
nas reticências).
A manhã chega diluindo leite no copo de café.
O circo foi embora.
12
O abismo abre sua grande boca.
Devora os suicidas
vão primeiro,
depois os dias chegam mármore
e se metamorfoseando em barata, ouro,
incenso, mirra
esgoto que abre minha boca
para os dejetos do que foi o circo.
Pau, pedra, samambaias no percurso
inerme
minha imensidão de amarelo,
também roxo, azul, cinza.
Quando a pintura do cabelo diz a idade,
eu caio diante da Lua prateando tudo.
Só agora, duzentos anos depois
percebo que o circo esteve aqui.
IX – O ATAQUE DOS ANTICUPIDOS
1
ele me pede elipse
sou todo eclipse
Olhos de pássaro
nunca se cansam de infinito.
de poleiro argolado
alpiste aqua vox
É o som do claustro,
bebo(a) do antivôo.
2
o copo quebrou
e não foi preciso mais nada
além da voz de Yma Sumac
o copo quebrou
no agudo do passarinho
dentro dela
o copo quebrou
e os cacos ficaram no chão
para algum faquir sorrir dor
o copo quebrou
e toda criança sabe
que a boa água é a da bica
3
do seu rosto
deixada
uma ravina
cheia de sal
e sentimentos
voadores
espectrando
cicatriz
e chagas
do seu rosto
brota a vida
pinga húmos
4
No catecismo neutro
da química
descoberta do som,
a luz inunda
aquele rio
ruborizado.
Tentei fazer um dique,
uma represa.
mas meus sentimentos
foram poucos
para conter
todo aquele vermelho.
Transbordou.
Tudo. Transbordou.
5
Neste deserto de humanidade
não há oásis nem recantos.
Tudo é paradisíaco
e só falta a égide divina
para exibir as medalhas
que ganhei na última guerra.
que foi ontem.
O sangue ainda escorre
pelas minhas bocas
manchando de verde
e maculando as asas
de alguns anticupidos.
Porém o vermelho deles
deslumbra a cadeia de tv,
pelo menos o dono;
me mostra diariamente
matando os inimigos
no horário nobre.
5
o anticupido
é um anjo enviesado
mas não é um demônio
comum
ele nasce a cada dia
suas flechas ao invés
de unirem
criam uma ilha na pele
e um buraco no âmago
também costumam
criar cores em olhares
e é muitas vezes comum
alguém ficar com as pupilas
negras ou alaranjadas
ou vermelhas
(assim ficam os olhos
do infinito)
lacrimando
o amarelo maikóvski
7
logo
sur-
giram
outros
anti
cupidos
eram
abelhas
enxame
de
asas
vento
mordiscando
arrancando
meus
pedaços
tenros
8
cuspindo mãos e olhos
cupidos dessa dor
comiam uns aos outros
olhando-se lábaros
e tirando do outro
mutuamente a fome
enquanto um comia
e arrancava dos olhos
as asas d’outro
alguns não agüentavam
homens dentro de si
e vomitavam musgos
omeletes inteiros
que continham
arco-íris dentro
viraram panqueca
amarelo e outras
cores gordurosas
9
olhava o mar
por dois séculos
fiquei olhando
a baba da onda
devorando
minhas canelas
e vez em quando
mergulhava
para salvar
um anticupido
que apesar de tudo
só nadava no etéreo
apesar de destruir
com um beijo
ou me deixar
naquele barco vazio
beijando o cais
cadeira balançando
madeira rangendo
pau com pau
10
binóculo pra ver
os olhos do horizonte
óculos pra ver
olhos cadentes
caindo um a um
(depois de percorrer
o universo e voltar
ao local inicial
de onde saíram
os primeiros seres
chamados homens)
filhos de anticupidos
11
ligados
pelo cordão umbilical
da fome
os macacos
surgiram
copulando inocência
e depois de um tempo
havia gorilas
lutando
pela migalha de espaço
nos meus olhos
via satélites
e meteoros caindo
e tudo acabou mais uma vez
12
fiquei entre as labaredas
e o abismo
mais uma vez caí
e pareço estar caindo
ainda
neste século e meio
que se atrasou
a movimentar aquela ampulheta
que o macaco
manuseia
ao bel-querer
(os anticupidos
voltaram ao útero de deus
de onde nada
mais nascia)
X – ESPELHOS
1
todos os espelhos
refletem minha mão
nas águas do pensamento
aqui estão camélias
dromedários e camelos
bebendo de mim
2
enquanto nascem
os oásis enquanto
nascem os desertos
enquanto há bolas
de fogo enquanto
ainda eu chama
enquanto iguana
língua enquanto
linguagem e mosca
enquanto falo
objetos enquanto
animais apenas
enquanto apenas
dicção enquanto
moscas cu’amão
enquanto macacos
bananas enquanto
mascamos chicletes
3
invólucro
envoltório
todas as gemas cadentes caíram no meu território
imbróglio
nasceram flores
no cemitério
é verão
no seminário: inverno
e todos aqueles homens
com tanta roupa
4
com tanta roupa
marinheira Odete
com toda a roupa
boca de grapette
mulher de gostos
ligeiros
vulcão sexual
tipo de mulher que goza
e ela anda nos meus
sonhos pesadelos
e masturbações
de quarta-feira
decai sobre
o meu eu
natureza mortalmente
esculpida
cupido que era ontem
homem
5
penetra-me por pedaços
consumindo-me
(todo o meu pólen
está aguardando
o teu gozo polifônico)
saí então de ti
e tatuei meu eu em
teus braços
tatuagem do que falo
olha-me com espelhos
6
além de ir queimei tua imagem
seda e pluma e javanesa e linho
me vesti com apenas a vegetação
alguma folha de alguma planta
fui ser verde
quando cheguei não havia ninguém
esperando e pouco importava
se eu estava nu ou pomposamente
trajado com aquela folha de não
sei o quê
7
supri-me
contive-me
alienei-me
soquei-me
entreguei-me
para as pilastras
entreguei-me
como uma mulher
se entrega ao homem
e dei o filho
que o mundo pedia
para continuar
(não sei como
os tubos de ensaio
cantaram a canção
que quis)
o certo é que
precisava de um útero
mas só há animais
comendo-se
matando-se
atacando-se
respeitando-se
8
rajadas de sêmen
inocularam uma macaca
e meu filho nasceu
para ser uma seda
uma labareda
de tão humano
distante dos modelos
perfeito e eterno
mar de águas abertas
assim o quero
alado
molhado
seco
(mas por ordem do inferno
nasceu fêmea
machucada
flor brotando
do esterco)
(matei-a e as cinco que vieram
depois dela)
na sexta tentativa
deixei flores crescerem
livres
longe de anticupidos
homens
perto
begônias
abertas
lapelas
lápides
depois
9
construíram-me uma estátua
e uma civilização
todo o dia vem um amigo
e defeca nos meus pés de bronze
voltei ao meu lugar de início
céu vermelho e inferno branco
Que é de onde vejo a parada militar
e todo o litoral do tempo
às vezes me dá vontade de gritar
mas aqui dentro da eternidade
tudo é vácuo, onde nada som/sou
principalmente os meus gemidos
e os gritos de dor e pânico
suor supersônico sulcando pômulos
10
que assim tudo retorne
de onde vim e para onde vou
estou tão só, que seja então
sem aurora e sem crepúsculo
tudo que fui, fui com palavras
nem todas elas tão exatas
e muito bem apropriadas
quanto este ponto no meio do fim
11
estátua
até
epígrafe
Mallarmé
lápide
coroa
cetro
esfinge
brasão
alma
anel
aura
ouro
fantasma
fogo
fugaz
fátuo
feto
células
metástases
elipses
eclipse
fugaz
vou
ar
contagem
agressiva
zero
um
dois
três
quatro
fogo
infinito
busto
bronze
estátua
e
[nada me falta, nada tenho].
>>>>Este poema é a história de uma estátua/eu que ganha vida/carne quando a humanidade acaba devido a um dilúvio de fezes. Daí em diante eu pretendi contar as maravilhas e as escatologias de um mundo em início e ocaso.
Há um outro sobrevivente que vive distante e perto ao qual são devotados o amor e o ódio e as dualidades e dicotomias da vida e a impossibilidade de relacionamento entre seres humanos. Sendo eles do mesmo sexo não garantem um futuro para a humanidade. Até que consigo fertilizar uma macaca e tenho uma filha mulher. Nascem mulheres e a tentação de ser eterno e fundador de uma nova raça faz com que tenha um filho e uma filha com a minha filha. A eternidade é resgatada mas o preço que pago é voltar a ser estátua.
Portanto trata-se de uma metáfora sobre a impossibilidade de ser eterno por que não podemos ser eternos. Há uma sutil e pré-socrática e nietzscheana alusão ao eterno retorno e uma concepção circular de filosofia. Saio da condição de estátua e volto para ela; por isso conto Entreternidades, está passagem chamada vida.
Assim o mar, como diria Rimbaud, se evade no fim da tarde.>>>>
eunuco eu eueu eunu
nu nu cu nu co co
nu cu co co cu eu
eu no cu nu
eu cu no co
nu nu nu co
Thursday, April 02, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:29 PM 4 comments
LITIUM.
litium
leite
light
lai
ka
fka
des
de
lá
até
aqui
dieta
Wednesday, April 01, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:07 AM 1 comments
.
No meu hd
Tuesday, March 31, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:24 AM 0 comments
DENTE DE LEITE.
Monday, March 30, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:58 AM 2 comments
FUMAÇA.
Pedaços
De voz
Vem me dizer
Sobre nós
Alguma coisa
Está errada
Neste estilhaço
Algum maço
Fumo só
O outro os outros
berram
Sunday, March 29, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:23 AM 1 comments
selinho.
boca
que
ousa
na
boca
que
usa
Saturday, March 28, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:07 AM 1 comments
DÓ DE PEITO.
O amor deitado no corpo
Soterra o silêncio
Da paz que naufraga
Pensar no nada enfada?
Ou é busca no tudo
No amor que de tão mudo
Esquece a mudez
E solfeja uma nota
Será que tem dó de mim?
Friday, March 27, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:23 AM 1 comments
&.
Wednesday, March 25, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:40 AM 0 comments
Carnaval.
engraçado que quem pede carnaval é ela
enquanto eu animal enjaulado em mim
apenas digo: meu ventre está com um filho
e o segundo sol coloca chamas
não chama-me rosa pois estou tão triste
que murchei te entendendo um segundo
Tuesday, March 24, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:40 PM 0 comments
INSPIRAÇÃO X TRANSPIRAÇÃO.
É necessário aquela brisa inspiradora para a movimentação interna e para que uma palavra puxe outra palavra e assim comecemos a escrevinhar alguma coisa no papel. O que eu chamo de brisa é a inspiração. Eu como poeta e resenhista tinha tudo para ser o do tipo construtor: aquele que soergue o texto lapidando-o, moldando-o a ferro e fogo, mas não o faço. Escrevo sempre num jorro contínuo. Como se uma cachoeira entrasse dentro de mim e fosse me banhando a ponto de me misturar tanto a enxurrada que acabo virando a própria enxurrada.
João Cabral de Mello Neto era um poeta inventor que combatia muito a idéia de inspiração. Ele planejava tudo desde o número de poemas ao número de páginas de um livro. Cabral me influenciou em muita coisa. Mas eu acredito na inspiração. Para mim a inspiração não morreu. Ela ainda vive. É o insight. É o momento que antecede ao transe.
É muito comum em mim a pergunta: fui eu quem escrevi isso? E a pergunta vem de espanto tanto pelo fato de achar que a coisa escrita por mim é ruim ou de achar que o objeto da inspiração, o poema acabado, é belo. Sendo um bom poema ou não este sentimento de desorientação em relação ao próprio é uma sensação inspiradora. Quantas vezes eu sentei diante de um computador para escrever alguma coisa e não consegui escrever sobre o tema em questão. A necessidade de se escrever um tema ou uma peça específica me causa um bloqueio incrível.
É claro que quem quer construir uma carreira não pode e nem deve depender de inspiração para fazer uma simples resenha que seja. Não depender – o ato de não acreditar na inspiração – é muito mais salutar a um escriba. Quem não depende deste insight não tem problemas em escrever sobre qualquer coisa que lhe venha à mente em qualquer hora, ao passo de que o escritor inspirado é dependente da inspiração. Qual postura então deve ser a postura mais correta?
Não há postura correta. Acho que existe o transe, aquilo que te carrega de linha para linha e de poema para poema. Existe também o desabandonar-se para que flua algo de superior e tome a mente de assalto. Mas não podemos é mistificar o processo da inspiração. Creio que as coisas não devem ser nem tanto ao mar e nem tanto a terra. Nem tão inspiradas e alcandoradas e nem tão construtoras e desérticas.
O ideal para mim é que haja um processo de construção e que o poeta abra o espaço para um outro toma-lo, mas que seja este outro sempre um escravo do poeta. Que o poeta não perca nunca as rédeas de um poema. Que o poema seja puxado ou conduzido pela inspiração, mas que depois o poeta burile e faça daquele objeto inspirado um objeto acabado.
Com isso chegamos a conclusão de que tanto a inspiração e a transpiração devem andar juntas para se construir um bom poema.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:28 AM 2 comments
&.
morri por um triz
fui no que fiz
Monday, March 23, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:30 AM 0 comments
O HOMEM BOM.
O homem bom nunca fez pipi na cama
O homem bom não usa fralda geriátrica
O homem bom não é sobrevivente
O homem bom não tem pesadelo
O homem bom freqüentou boas escolas
O homem bom teve poucas mulheres
O homem bom nunca fumou maconha
O homem bom nunca morreu na vida
O homem bom nunca comeu uma puta
O homem bom leu toda bíblia
O homem bom usa métrica e rima
O homem bom faz versos complicados
O homem bom acredita nas pessoas
O homem bom não vive no passado
O homem bom de vez em quando é
O homem bom não lê histórias em quadrinhos
O homem bom não gosta de pornografia
E só por isso (e tantas outras coisas): sou ruim pra caralho
Sunday, March 22, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:13 AM 3 comments
.
morri cedo
fui tarde
Saturday, March 21, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:34 AM 2 comments
SOBRE TUDO QUE ACONTECE.
Friday, March 20, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 2:18 PM 0 comments
.
Foge o silêncio pelo ralo
Nasce uma flor em meu falo
Às duas horas da manhã
Ele acorda pensando no satã
E a minha palavra sempre exígua
Está mais morta do que viva
Deus não é um diabo invertido
É só mais um ser oprimido
Pela beleza que o crânio carrega
Quando defeca tudo que nega
Enfim, ando meio puto com
Deus fazendo meu Satiricon
Thursday, March 19, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:44 PM 0 comments
DEPOIS DA MORTE.
Se pudesse decidir pra onde ir
Riria
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:47 AM 0 comments
.
A mente mente muito
Diz algo q o corpo não sente
A mente pode ser um ente
Uma estrela cadente
Ou algo que não sei dizer
Vivo em minha mente
Na sua não posso viver
Wednesday, March 18, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:43 AM 0 comments
CENTOPÉIA.
Monday, March 16, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:48 AM 0 comments
OS QUE NASCEM DE SI.
deitada no quarto
aguarda vozes
vasos de plantas
sobre a mesa
uma pequena luz
incide sobre ela
alguns soluços
por piedade
e o sol na latrina
nasce vesgo
como se só ele
precisasse nascer
Sunday, March 15, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:47 AM 0 comments
EU, HOJE.
Alguma palavra
Nenhuma poesia
Saturday, March 14, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:56 AM 0 comments
.
mas geralmente sua mãe
Friday, March 13, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:31 AM 0 comments
NUM DIA DE CHUVA.
A sombra vai
pra onde vou
Ela cai
A sombra não
me abandona assim
Só tem fim
quando a abandono
e a mim
A sombra é
um bocado de coisas
Nem quando morre
ela vai
Acordar o defunto
a sombra é
um péssimo assunto
Thursday, March 12, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:00 AM 0 comments
nada.
não tenho vontade de
nada
de tudo tenho
distância
guardo em mim um reparo
e reparo que gostam
ou não
do nada em questão
Wednesday, March 11, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:38 AM 0 comments
O ALIENADO.
Quero ser presidente
do Brasil.
Espero acabar com o
que acabou.
Sou Rodrigo e não vou
mudar de nome.
E ser a verdade que me
consome.
Sou louco e não sou
frustrado.
Muito menos um
coitado.
Talvez eu mesmo:
um sem cuidado,
possa dar jeito nesse
país culpado.
Possa fazer um verso
alado.
E ser o que quero:
um alienado.
Tuesday, March 10, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:19 AM 0 comments
MONO.
Quando recorrente a paisagem
Monday, March 09, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:45 AM 0 comments
PARTE.
Sunday, March 08, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:01 AM 0 comments
.
Ou ouve algo
Ou diz algo
Que não quer dizer
Ou incendeia
Ou faz nevar
Naquela alucinação
Paredes esguias
Me prendem aqui dentro
Romper o crepom
Daquela falha no dente
Insinuar uma certeza
Rapidinho
Ver seu sorriso
No color bar
Só o seu olhar
Saturday, March 07, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:53 AM 0 comments
POPOL VUH É POP.
A invenção é sempre necessária para a escolha correta do vocábulo, ritmo, signo, significado, etc., o que exige uma técnica refinada do tradutor. No caso da poesia, muitas vezes quem faz este trabalho é poeta também: se não a domina — ainda mesmo que poetastro, o que nem sempre é o caso —, pelo menos, tem uma noção básica de como funciona a estrutura de um verso. Tanto é mais valorizado o trabalho conforme a dedicação em manter o texto estruturado e de acordo com a sua origem. Nem com tanta inventividade que deturpe o original, nem tão fixo que não acrescente nada na sua metamorfose para o idioma de Drummond, Bandeira, Cabral e Machado de Assis. Um trabalho que pode ser bem complicado, cujo resultado é importante para quem lê (e, especialmente, não domina a língua em questão).
Foi encarando todos estes dilemas que os tradutores conseguiram êxito quando resolveram transpor Popol Vuh para o Português.
Cabe aqui ressaltar a importância deste texto para a literatura mundial, considerado a “bíblia” do continente americano: o quarto mundo na história planetária. Escrito na Guatemala, no século XVI, já foi traduzido para diversas línguas, inclusive o japonês. Faltava uma tradução para a língua portuguesa e apesar de ser a versão da versão, o trabalho é coeso e comprova todo o vigor da poesia ameríndia.
Podemos chamar de “guia” a tradução feita por Munro Edmonson, para o inglês. Foi nela que Sérgio de Medeiros (poeta e professor brasileiro) e Gordon Brotherston (estudioso inglês) se debruçaram, para a feitura da obra em nossa língua. Ambos trabalharam de forma associada para a elaboração deste que é, sem dúvida, um trabalho de grande fôlego. Operários do ofício, os tradutores não pouparam tempo de suas vidas para organizar a edição. Sérgio esteve várias vezes nos Estados Unidos, nestes quatros anos, dedicados quase que integralmente ao Popol Vuh, que influenciou, como cosmogonia singular que é, grandes escritores como Jorge Luis Borges e Miguel Angel Asturias. Também trabalhos de artistas plásticos e músicos receberam o vento inspirador do livro guatemalteco. Podemos citar Edgar Varèse e Diego Rivera. Na área sociopolítica, a obra serviu de base para a líder indígena Rigoberta Menchú – ganhadora do Nobel da Paz – delimitar as linhas de força de sua atuação de resistência indígena na América Latina.
A cosmogonia trata da origem de um povo. Assim como o mundo cristão tem a Bíblia, os índios guatemaltecos fizeram seu relato de como vêem a origem do mundo no planeta Terra em particular, de seu povo e do universo. Antes de ser quase que completamente dizimados, resolveram escrever a sua história em versos, e registrar todos os seus relatos cosmogônicos mais populares.
A poesia é a escritura primal do ser humano e apesar de estar, na atualidade, meio relegada a uma posição secundária, era a forma com que os povos antigos comunicavam seus valores, suas crenças e toda a sua visão de mundo. Neste aspecto e num universo pós-moderno, onde o poema foi relegado à posição de "inutencílio", traduções como esta promovem o religare com o que a tradição tem de melhor. Nela é possível perceber o verdadeiro valor e papel da peça poética e, ainda, a sua influência no transcorrer da história universal, trazendo para perto do leitor toda a força que só a linguagem poética tem.
Popol Vuh é um texto clássico e foi traduzido por — como diria Erza Pound — um poeta de invenção, chamado Sérgio Medeiros. Ele tem no imagético sua principal característica. Esta aparente ambigüidade serve para carregar de força lírica guatemalteca a sua coleção de seres inusitados, que foram mantidos com os nomes em maia-quiché, como aparecem num glossário, apêndice do livro. Também há ensaios sobre as questões e temáticas que a publicação aborda.
Resta-nos desejar que este projeto se consolide com novas incursões sobre as cosmogonias ameríndias, o que já é projeto de Medeiros. Talvez não seja um caminho medíocre, pelo contrário, traduzir estas peças de relevante importância para o entendimento da América Latina pode nos levar ao encontro do Brasil (como nação também) e ainda descobrir o que nos faz iguais ou diferentes de nossos hermanos que foram os verdadeiros donos da terra.
Os leitores brasileiros têm grandes motivos para penetrar neste novo mundo, ao mesmo tempo tão próximo e tão distante. O mundo dos verdadeiros donos dos primitivos relatos de tempos ancestrais, que ainda insistem em demonstrar que existem, apesar de tudo o que existe contra eles hoje em dia. Popol Vuh é pop, em português, agora disponível a todos e não somente restrito a um pequeno grupo de eruditos e estudiosos do assunto.
Saudações a todos os “Ahav Ah Tzik Vinaq” que trabalharam neste grande projeto. O projeto de uma vida.
Friday, March 06, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:38 AM 0 comments
Caixa de fósforos.
Eu não saio pra ver a vida
Eu vivo ávido de vida
A vida está aqui dentro
Tão dentro que estou morto
Pronto pra pegar fogo
Thursday, March 05, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:43 AM 0 comments
FREUD.
Freud dizia que defecar é um prazer
e que todo mundo ama sua mãe
Eis que defequei um filho com barba
Onde foram parar minhas hemorróidas,
eu pergunto
Só uma puta poderia te parir, respondo
E vou pondo naftalina na latrina
do dia-a-dia
Para não apodrecer de mim mesmo
Wednesday, March 04, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:27 AM 0 comments
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cavandoasepultura
buraconas alturas
Tuesday, March 03, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:51 AM 0 comments
Compulsão.
Um poema só um poema a mais
Na barriga só mais um problema
Na cabeça alguma coisa dizendo
Que eu estou me repetindo e
Vivendo na barriga do problema
Um poema que comece com tudo
Que termine com o universo confuso
Aquele caos que belisca o umbigo
Dois poemas agora num só poema
Um pra dizer que eu estou assim
Outro pra dizer que eu estou assado
Três poemas e uma tatuagem
Algum enigma e uma canção triste
Talvez todo o poema seja um cemitério
Monday, March 02, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:55 AM 0 comments
Uma Temporada nas Têmporas.
Marx e Nietzsche conversavam sobre Zaratustra temendo que o fogo daquelas labaredas próximas destruísse o abismo que limita o fim e o início dele. Ele era Deus e se recompunha de uma fase onde as chamas foram fartas mas não fatais. Criar e Destruir. Aqui está a modernidade enforcada com seu próprio paradigma. Quem sabe um novo Deus virá?
Daniel B. E seu boné peludo com um pênis pediu para que Picasso acabasse logo de fazer o seu retrato.
Eu querendo ser James Joyce.
(marfim tristeza onde derrubam a profusão de idéias tolas que circundam o que todos esperam é que o ser seja o que todos são e iguais assim seremos animais também) Derrubem uma vaca e a defequem quando gozam. Os pássaros foram feitos para morrer voando.)
Triste hospício em que me visto em que me vasto em que insisto em devastar têmporas de verde e.
Um tablóide sensacionalista publicou uma foto da lady Diana dando um beijo na boca de um surrealista. Foi quando eu qualquer fuzilei um por um dos meus ídolos e ficou claro que teria que deixar de ser sensasurrealista.
James viu Joyce que viu Frederico que viu Nietzsche. Trocaram sorrisos e disseram que mesmo um beijo rápido que trocaram, não significava amor. Por que amor é Camões. É o fogo que arde sem se ver. Entre eles não havia nada além de poesia. Gostavam dos mesmos poetas e tinham certa erudição vulcânica: transbordante. Mesmo quando esporraram e cuspiram palavras cruzadas e bombas de efeito moral, se diziam pessoas tristes e inacabadas. Alan Kardec lhes havia dito que Nietzsche iria voltar. Daniel B. chorou como quem abandona o silêncio de uma rua da infância. Marx foi sarcástico e pediu que Sartre fosse crucificado. Picasso sorriu, sorriu tanto que ruiu feito um edifício explodido.
- Mas eu nunca li James Joyce.
- Eu também nunca li nenhum destes caros, mas se você complicar bem a coisa...
O olho esquerdo de Marcel Proust caiu de sua boca.
- Voltar! – gritou Nietzsche. Porra eu quero ir eu não quero voltar porra nenhuma.
Ouve-se Mozart num piano de cauda tão longo que o infinito daquele ponto de interrogação comeu o horizonte no peito do Charada.
- Quero Ac. Quero Ac.
Keruac surgiu com Freud. Freud disse:
- Esse povo quando quer zona quer a tempestade de um Amplictil. Ficam com
estes trocadilhos que não levam a literatura para lugar nenhum. Mas quem quer chegar a algum lugar e que lugar é este?
Assim todos esperavam sua vez de esperar.
Era o soma que estava em falta naquele inferno place. Motel vagabundo onde Elizabeth Bishop e Emily D. onde Breton e Piva onde Marlom Brando e Elvis se encontravam com Lou Reed, Yma Sumac e David Bowie.
(MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo1) Quero qualquer coisa qualquer nota qualquer dia e odeio aveia Quaker. Desejo o que respiro. Respiro o que desejo. Cada um é livre e pode se dizer poeta da forma como quiser e se expressar como quiser e a palavra poetastro será banida do dicionário. Todo o poeta é um bom poeta e Jesus Cristo que ia julgar os vivos e os mortos ainda não apareceu para me coroar com uma flor carnívora. Além do fim do poço há muita possibilidade de haver uma areia movediça no quintal de sua depressão. Por isso tudo pode piorar. Para que o Qualquerismo seja implantado é forçosamente necessário que os dez primeiros inscritos no movimento façam uma antologia poética com Os Cem Piores Versos dos Cem melhores Poetas de Todos os Tempos. Assim veremos que ainda somos piores do que o que os piores dos melhores.)
to cansado de escrever e como ninguém vai ler:
lamina na goela estéril da minha criatividade toda lux luxuosa e rubra ruboriza aquele horizonte onde dante e algum demônio se dilacera numa verdade e alguma turbina de um avião cadaveriza o aerador fênix mordendo jorge de lima revirando na cova por ter citado o seu nome nesta nova trova embolala onde ponho todo o meu coração apodrecido por fezes e cactos e sêmen-lhantes que abominam alguns trocadalhos mesmo assim quem sabe me invento inventando um vento que turbine a alma daquela vela próspera em ignecer minha designição
ao invés de enrolar prefiro copiar e colar:
(marfim tristeza onde derrubam a profusão de idéias tolas que circundam o que todos esperam é que o ser seja o que todos são e iguais assim seremos animais também) Derrubem uma vaca e a defequem quando gozarem. Os pássaros foram feitos para morrer voando.)
OS PÁSSAROS FORAM FEITOS PARA MORRER VOANDO.
MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo 2) Partindo do pressuposto de que tudo é tudo e nada é nada como nos dizia um dos dez maiores filósofos contemporâneos - o Tim Maia -, é que o pilar das patas bovinas do Qualquerismo deve ser fincado. Depois de uma antologia com “Os Piores”, é a hora de aliciarmos o maior número de adeptos a nossa causa. Para isso o departamento esportivo estará fornecendo a carteirinha de sócio-atleta aos dez primeiros que chegarem depois daqueles dez primeiros. Assim poderão todos os vinte freqüentar a piscina cheia de ratos da modernidade, e ouvir esta “chupação” extraída daquela música de Cazuza. Lembre-se que uma vez Qualquerista sempre Qualquerista. Todo o Qualquerista carregará um Q de (abrir o MINIDICIONÁRIO SACCONI DA LÍNGUA PORTUGUESA E LER DA PÁGINA 555 ATÉ A PÁGINA 662) dentro do coração e estudará apenas nos manuais da Disney. Aos jornalistas nada melhor do que o Manual do Peninha. Aos magos, como o nosso querido Paulo Coelho: o Manual da Maga Patalógica. Aos escoteiros: o Manual dos escoteiros. Ao Manuel: o Manual do Manual que é a bíblia de todo o Qualquerista.
Marx e Nietzsche conversavam sobre Zaratustra temendo que o fogo daquelas labaredas próximas destruísse o abismo que limita o fim e o início dele. Ele era Deus e se recompunha de uma fase onde as chamas foram fartas mas não fatais. Criar e Destruir. Aqui está a modernidade enforcada com seu próprio paradigma. Quem sabe um novo Deus virá?
Impávido Caetano Veloso é que não agüento mais. Ë muito espaço para uma pessoa só.
Pedem os piolhos que peidam. Pedem as algemas que prendem. Tudo quer e o querer e a vontade de ser é o que habita o instante que não se repete mais. Heráclito está no amarelado lago de Van Gogh. Heráclito pede uma orelha enquanto Dennis Hoper beija na nuca de Agripino de Paula.
Paulada.
Pau.
Pau grande de poder para embocetar-te de porrada.
OS PÁSSAROS FORAM FEITOS PARA MORRER VOANDO.
Pardal voando louco no infinito de uma boca sangrando sempre a procura de outra boca em que pardais que voam no escarro de Augusto dos Anjos que deve morrer como eu morri. Perdão meu pai é o que queria dizer mas meu pai não me pediu perdão e não me lê e não me quer mais agora aqui. É um pássaro dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro: tal vôo só é possível se todos os pássaros se unirem.
Daniel B. Pergunta a Nietzsche:
- Por que você quer voltar?
- Eu não quero.
Daniel B. tira o seu boné e o seu rifle e atira no criador do seriado em que foi Daniel B. Daniel B. chora.
- Diga a ele que eu fico – disse Nietzsche.
- Posso ir então.
- Kardec quer que eu vá.
- Kardec não é Deus. Deus é o circular.
Havia um círculo redondo na palma da mão de Daniel B.
Ele continuou falando:
- Sabe quando a gente é pequenina como a ponta de um dedal e a gente acha que sabe tudo. A gente chega a juventude e acha que sabe tudo. A gente chega a idade madura e acha que sabe tudo. Por que a gente sempre acha que sabe tudo?
Nietzsche olhou bem naqueles olhos que eram ciclones e que diziam o que Daniel B. queria. Queria profundidade de um personagem de Marcel Proust. Ele queria ser Marcel. Daniel Boone não gostava de ser Daniel Boone e queria ser um abismo como foram aquelas outras almas tão torturadas mas que no fundo podiam ser miragens, palavras, canções, desertos, história em quadrinhos e mais uma pá de coisas e de cal sobre o assunto. Assim tudo ficou durante o tempo em que penso em algo e foi o suficiente para me perguntar; “por quê me metalinguo?” Assim surgiu:
(MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo3) O Qualquerismo não é um movimento pois se pretende estático. O único movimento que pode se equiparar ao Qualquerismo em proposta é o MRU: Movimento Retilíneo Uniforme. Parar é andar para frente por mais contrário que possa isso parecer. Ócio total. Ócio parcial.Ócio ossal. Parar e olhar a natureza dentro de cada prédio negro além da vidraça. Parar para sentir a brisa do óleo que sobe. Parar e cintilar no corredor de ar entre o vazio que a cidade tem. Parar com o movimento por aqui pois devo mover-me, devo demover-me, isto eu acho.
populacho
prepopula
própopula
copio e colo:
- Eu surgi do nada e nunca fui ninguém. Queria perdoar meu pai, mas ele não me pediu perdão.
“Tornar-se pessoa. Thor nasce tornado. Tornar-se Tornado. Thor nasce Thor”.
Toni Tornado.
Nietzsche não queria o que Daniel Boone queria mas ambos eram populares em demasiado. Um tão gênio e o outro tão burro. Ambos bem pop. Um astro esquecido e idolatrado por milhões. Outro o filosofo da moda. O cara que fazia a cabeça de quem inventa de Quem I. De QI.
- Eu falo com Kardec que você quer ir em meu lugar e é você quem merece ser, o criador do Qualquerismo – disse N.
- Também acho. Mas será que este cara vai ser feliz?
- Um gênio!
- Então irei sofrer para caralho sabendo de que a inteligência não me ajudará de nada. Mas irei por que como Daniel Boone eu fui muito amado e quero sentir o que é o ódio.
- Saberá bem. Aprenderá tudo que eu disse e o pior é que você não porá em prática meus ensinamentos pois quem nasce para Daniel Boone nunca chega a Frederico. Nunca. Você viu o filme Traído pelo Desejo. Um escorpião é um escorpião.
Roberta Miranda cantava “Vá com Deus”. Kardec cochichou no ouvido de Nietzsche e Daniel Boone baixou em mim num centro espírita. Disse que iria ser, o criador do Qualquerismo. O movimento do eu sozinho. Disse para que eu fosse o meu movimento. Para que eu fosse fiel a ele e que o importante era se movimentar mesmo pedra.
Nasci. Os pássaros foram feitos para morrer voando. Mas nunca morrem assim.
Sunday, March 01, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:42 AM 0 comments
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Indo tudo indo como vindo
algum trem: pé na embreagem
Tudo indo como se nada fosse
todo o verso fez-se foice
O martelo e a bigorna
forjando uma estação
O trem novamente indo
Ele vai para o nunca mais
Vai de onde venho vindo
Há coisas que jamais
acontecem
A noite chega e a gente vai
se perseguindo
O pesadelo pelos poros vem surgindo
Brota numa folha de papel
Um anzol preso no lóbulo
e no final o prólogo
Saturday, February 28, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:12 AM 0 comments
CARTA DO CRÍTICO HILDEBERTO BARBOSA FILHO.
Comarca das Pedras, 17 de fevereiro de 2009.
Prezado Rodrigo:
Grato por todos os cachorros são azuis. A propósito, que belo título! Não o li assim que Sérgio Castro Pinto me entregou. Afazeres múltiplos me retardaram a leitura. Mas agora que devorei literalmente de uma pitada só, digo-lhe que fui quase a nocaute com sua prosa iluminada e estonteante. Eu, que sou obsessivamente louco por gêneros intimistas (Maura, Lúcio, Villaça, Amiel, Torga e tantos outros) me ative, com atenção, ao seu texto ousado, corajoso, sobretudo poético. Numa circunstância histórica como a nossa, onde se cristalizam o “império do efêmero” e a era do vazio”, textos desse tipo trazem uma aura de resistência contra a vulgaridade massiva dos bárbaros pós-modernos. É preciso, sim, “sair por aí com Rimbaud e Baudelaire”. Sair por aí tocado pelos sonhos proféticos e pelo êxtase dos devaneios. Seu romance me parece um convite direto a uma intensa experiência de iluminação. Sem mais, meu abraço.
HBF
Thursday, February 26, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:23 AM 0 comments
POP E ANTI-POP: DUAS COISAS AUDÍVEIS EM MEIO AO CAOS E AO BONDE DO TIGRÃO.
Quando você estiver doendo não coloque Win Metters na vitrola ou no cd do computador ou ainda na aparelhagem que tiver em casa. É que o som deste belga pode causar ainda maior dano a sua saúde mental. Não se trata de barulheira. Não se trata de problema de surdez. Não é nada disso que está pensando agora. Trata-se de música triste. Uma música que beira a clássica e já serviu de trilha para alguns filmes fúnebres. Se você achava que Janis Joplin era triste, era. Nem nenhum punk rock pode deixar alguém num estado de depressão tão profunda quando Metters. Ele toca um piano muitas vezes acompanhado de um sintetizador e uma soprano que não chega a ser uma Yma Sumac, mas alcança notas altíssimas e belas. Sem dúvida que para dias de desespero não é muito aconselhável – também não é apropriado ao distúrbio bipolar de humor. É perigoso ouvir o som do desespero.
Por outro lado, em dias quentes de verão enquanto a turma se acotovela.- ouvindo O Bonde do Tigrão rumo ao Piscinão de Ramos-, existe o desprazer do prazer de saber, com perdão da grande cacofonia, que ainda há música boa na face do globo terrestre. Nem que seja vindo da Bélgica. Nem que seja vinda de apenas um instrumento como muitas vezes um piano. Um piano belo e triste que ecoa no vazio e no interior, retinindo no âmago como se fosse o antídoto a facilidade.
Claro que o contato com as verdades ou com uma música de qualidade potencializadora é uma experiência. Sendo assim: nunca se volta o mesmo depois de ter escutado algo que é arte em dias que enfadam de tristeza – só que uma tristeza infértil e que constata e pergunta, onde estão músicos como Metters? Onde mora a música contemporânea? O que estão fazendo com os nossos ouvidos?
2.CÁSSIA ELLER – GOLD.
Quando um escritor é editado pelas Edições de Ouro, em livros de formato de bolso, é o melhor sinal de que está alçada a categoria de eterno. Assim também o é – na música -, quando o cantor passa a figurar em antologias como a Gold,da gravadora Universal. Este é o caso de Cássia Eleer. Depois de uma morte estranha onde a família agiu de forma igualmente estranha, ocultando ou contradizendo os fatos, é a hora de dar à estrela Cássia a parte que lhe cabe dentro do latifúndio da MPB e do roque Brasil. E creiam, há que ser muito generosos com a cantora de “Malandragem” – sem dúvida o último grande artista que o século passado ouviu e o primeiro que o início do século viu acabar existencialmente.
Claro que a obra é eterna. Renato Russo é eterno. Cazuza é eterno e Cássia será eterna – uma destas grandes criaturas que vieram ao mundo para detonar tudo, para abalar alicerces, e ela cantou no CD GOLD tudo aquilo que viveu e os seres que povoaram a sua existência: Cazuza, Renato Russo, Jhon Lennon, Kurt Cobain.
O Segundo Sol é o primeiro som que brilha na alvorada do CD Gold de Cássia Eller. A música foi composta pelo titã Nando Reis e anuncia o brilho efusivo que virá e já começa nesta iluminação de abertura. É um arranjo simples onde os violões estão em primeiro plano e a voz de Cássia soa tranqüila e sem a agressividade que virá posteriormente. Trata-se de uma balada suave à moda de Cássia. Na Cadência do Samba seguimos ouvindo o clássico de Ataulfo Alves, revisitado e mostrando o balacobaco e o caterefofo de nossa musa gay. Cazuza surge e brilha na voz da diva quando ela canta Todo Amor que Houver Nesta Vida. Ser o pão e ser a ferida. Todo o amor que houver nesta vida não e suficiente para amar Cássia. Malandragem vem com muita sacanagem e é o maior sucesso da cantora. Aqui ouvimos a versão antiga e não a que fez mais sucesso: a do acústico MTV. Mesmo assim Ela é Ela ou Ela é Ele. Pouco importa. Eu só peço a Deus um pouco de malandragem, pois eu sou criança e não conheço a Verdade. Segue uma versão ao vivo de Eu sou Neguinha, de Cae Veloso Chegamos ao ápice com Try a litle tenderness. Um puta soul maravilhoso, obra prima. Na voz de Cássia a canção ainda cresceu mais e é um momento inigualável na carreira da cantora. Preciso dizer que te amo, de Cazuza, vem a seguir deixando a interprete passear por ritmos mais calmos como a bossa nova. A Legião está presente em Música Urbana, uma canção muito chata, mas que na voz de Cássia fica estranha e dissonante. Ganha o ouvinte. Outra chatice de letra é Pro dia nascer feliz, que fica audível devido ao arranjo e a voz da cantora mais importante surgida no Brasil desde a morte de Elis Regina. Creio que o maior paralelo entre as duas está no fato de que ambas não sabiam da dimensão que tinham. Cássia ainda irá crescer muito. A versão para Smells like teen spirit é fraca e nada acrescenta a original: mesmo a gana da interprete não é suficiente para levantar uma música como esta. Mas logo depois é a vez de outro momento sublime: a cantora interpreta Woman is the nigger of the world. O faz de forma magistral. Ela não desafina e não derrapa. Tudo ao vivo. Todo o poderio da melhor voz feminina da atualidade disposta a jogar no vento tudo que o vento pode trazer de volta. Tudo que uma mulher sente por ser descriminada. Meu mundo ficaria completo não compromete e Geração Coca-cola incendeia a festa. Sem dúvida é um disco primoroso onde há muitos altos. Tantos altos que os baixos não são audíveis de tão baixos.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:31 AM 0 comments
.
O tempo nunca na nuca escuta. O tempo nunca.
Ele se repete enquanto vivemos no passado.
Alguma depressão de signos. Alguma conciliação
de plumas faz do carnaval algo da carne. Alguma
coisa que se apresenta como nova e não tem novidade
alguma. É só parar e olhar os ponteiros do relógio.
Eles sempre se encontram de hora em hora. Urge
saber apenas se as minhas repetições são esquivas ou
eqüinos de Lexotan seis miligramas que me deixam
calmo: eu preciso disso para viver porque sem os
remédios estou só. Vendo um temporal cair de uma
vez por todas: de uma forma devastadora: de uma forma
opressora: de uma forma em que os trovões atiçam o
louco em mim. Meu monstro cativo que trago decalcado
em um corpo antes gordo e hoje com as marcas do que
foi: foi bonito: foi singelo: foi um corpo: hoje é monstro.
Como se Charles tivesse perdido quarenta quilos. Mas
eu só perdi vinte e perdi ela numa novela: num novelo:
numa aquarela meio alegre e meio triste. Quase ninguém
sabe que sou esquizofrênico. Quase ninguém sabe que
sou pobre. Quase ninguém sabe nada de mim e sobre o
tempo tão absorto: tão sem graça que me acompanha:
tão tamanho que quase um elefante de Rivotril me engorda.
Sei que não existem novidades a dizer sobre o tempo, mas
de uma hora para outra vou perdendo o meu tempo aqui
neste poema e tenho que fazer o que eu não gosto: uma
amiga me ligou e ela tem um filho com a mesma doença
que eu: e não pude falar com ela porque estava com o tempo
preenchido por este poema que sequer diz nada sobre
o meu tempo e o verdadeiro Tempo gasto com coisas inúteis.
Quase agora estou perdido como sempre. Sentindo cheiros
que não quero. Vendo no Leponex um Haldol sincero.
Como se a minha egotrip fosse importante para alguém:
além de mim ninguém mais perde tempo com isso e agora
não chove: não nuvem: só sol: só lua: só Piportil: só quatro
vezes ao dia. Por que de noite tudo piora tanto que quase
esqueço desse Tempo que perdi: o redescubro (nos galhos)
(nas montanhas perto de minha casa) (nas alturas que onde
anda quem tem Tempo). Não tenho tempo e sim tardes como
esta em que escrevo sem parar porque preciso e só por isso.
Wednesday, February 25, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:03 AM 0 comments
DEUS.
Tuesday, February 24, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:50 AM 0 comments
Para Rodrigo de Souza Leão, POR LEONARDO GANDOLFI.
A viagem por ora termina aqui, como diz Montale.
Foram anos e anos, dormindo e acordando, não
dormindo e não acordando. Cansaço, aborrecimentos,
alegrias, tudo para acabar aqui. Inocentes traidores,
nós, da nossa causa, qualquer que tenha sido ela.
Nem é preciso pensar duas vezes, tudo o que você
tiver você está usando agora – o que trouxe e o que
deixou. Trata-se de um tipo de divisor de águas,
não porque estejamos – eu e você – no lugar e hora
certos, mas porque todas essas horas – para trás
e para frente – são ao seu jeito divisoras de águas
e se não dispomos do que temos e do que não temos
– o que mais ou menos sempre acontece –, acabamos
por deixá-las passar, como afinal elas de fato passam
e precisam de fato passar, sem alarde e com razão.
Da estrada de terra cortada pela bicicleta não se vêem
os sulcos, a não ser em intervalos generosos de muitos
anos. Tudo conta, os pais que já morreram e também
os que ainda vão morrer – o mesmo para as mães.
Horas cortando unha, escovando dentes, esperando
os filhos, deixando debalde a barba crescer. E de alguma
forma tudo isso termina nesta praia, diria Montale.
Il cammino finisce a queste prode. Que se somem
acertos e erros – e pronto: o resultado é estarmos aqui
onde exata e justamente estamos. Essa a matemática
possível, você diria. E quem sou eu para discordar?
Quem somos nós, eu perguntaria, perguntaríamos.
Cinco minutos a mais na hora de se levantar num dia
qualquer – por exemplo no ano de 1996 – e com certeza
não estaríamos aqui. Um filme do John Wayne a mais,
um que você ainda não tivesse visto, e com certeza
não estaríamos aqui. Uma música do Elton John a mais
que seja, e nada feito. As coisas na sua vida foram feitas
para culminarem por ora nesta praia que poderia muito
bem ser uma página num livrinho ruim, qualquer um
assinado por Leonardo Gandolfi. Mas não. É uma praia.
E é linda. E toda sua vida vem junto. Com o vento,
a areia e o aceno feliz das mulheres sob o guarda-sol.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:37 AM 0 comments
.
O rei tá nu. O príncipe tb.
O partido comunista nu.
O princípio imediato nu.
O primeiro nu. O magro nu.
O alquimista nu. O povo nu.
O submarino nu. O elefante nu.
Aquele cara que olha lunetas lunáticas
tá nu. O conteúdo nu. O contexto nu.
O termo nu.O enfado nu.
O objeto nu. Fica melhor nu.
O som nu. O mar nu.
O cheiro nu. O cosmos tá nu.
O universo nu. O sol nu.
O masculino nu. O livro nu.
O feminino nu. O poema nu.
O verso tb. O que não está nu
Nuvem
Monday, February 23, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:14 PM 0 comments
TODOS.
O rei tá nu.
O príncipe nu.
O partido comunista nu.
O princípio imediato nu.
O primeiro nu.
O magro nu.
O alquimista nu.
O povo nu.
O submarino nu.
O elefante nu.
Aquele cara que olha lunetas lunáticas tá nu.
O conteúdo nu.
O contexto nu.
O termo nu.
O enfado nu.
O objeto nu.
Fica melhor nu.
O som nu.
O mar nu.
O cheiro nu.
O cosmos tá nu.
O universo nu.
O sol nu.
O masculino nu.
O feminino nu.
O livro nu.
O poema nu.
O verso nu.
O que não está nu:
nuvem.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:35 AM 0 comments
.
Eu vi como você olhava para as meninas
Você se chamava Adrenalina
E tinha as unhas pintadas de sangue
Depois do seu suicídio
Naquele dia em que lhe possui
Entendi que você gostava das meninas
E não de mim
E não de mim do jeito que eu queria
Por que pelo fato de você ser menina impede
Que você ame outra menina
As flores estão sempre juntas num buquê
E a merda sempre espalhada no vaso
Tudo estará no seu lugar
Por mais que eu queira pétala
Onde só há hipófise e neurose
Vem me beija no segundo
Que tua morte vem
Para pelo menos morrermos bem
Ou então vá com as suas meninas
Jantar em outro abismo
Estarei vendo de luneta
E sentindo o quanto aperta a farda
De homem que ama você
Do homem na mulher que lhe quer bem
Sunday, February 22, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:00 AM 0 comments
245.
tão nada
o mínimo
2
puxa osaco
saca-rolha
antolhando
a metavida
nametaviva
futurantes
sempreatos
panelóides
panelinhas
literatice
importante
pósburrice
3
saindo da cabeça do críticomor
oparadigma sintéticoe eufônico
do bumbumpraticumdumnucurumdum
e a mimesefrancados linguistas
falsoinglêsrelapsodossurfistas
não me faz pedirpraque sejamos
aquilo que detestamos:explorar
o homem pêlos homem pelos homi
e repetir a vigência de tudo o
queémaiscrueleimpuroeinfecundo
ser uma nota repetindo o qtoca
no rádio, no livro, na netnatv
ser ou não ser aindaserásempre
mas existe tanta gente bacanal
e comogostodosmeus245 leitores
4
flui
indo
5
eu não quero só elogio
queroé aprender de fio
a pavio:da morteao cio
Saturday, February 21, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:11 AM 0 comments
o velho.
eu só quero escrever no escuro
de minha infância infecunda
não me lembro se fui ou não currado
e o pior que existe gente como eu
que tem orgulho de um passado
e fala do menino que nunca foi
e do caralho e da bunda que nunca deu
Friday, February 20, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:16 AM 0 comments
GORDURA.
Eu sou o poeta gordo.
Eu comeria a mim
e a senhora sua mãe.
Eu comeria tudo.
Eu sou o poeta gordo.
Escuto o silêncio dos
carros que parecem ecoar
dentro de meu eu.
Os carros são coloridos
feito confetes.
Eu sou o poeta gordo.
É hora do café da manhã.
Aquele pão doce
lambuzado de manteiga.
Quase é um tesão só de olhar.
Será que alguém se masturbou
olhando uma lata de leite moça?
Eu sou o gordo que se
enfurnou em si para devorar
o que não é comida também.
E a geladeira tem cadeado
pra que eu não coma a papinha
da nenê. Para que o feijão
sobreviva ao silêncio externo
e ouça o estomago em grito eterno.
Eu sou o poeta gordo.
Hoje estou sem muitas metáforas.
Apesar de saber que todo
gordo é uma metáfora
daquela alegria sem freio.
SONETO AO LULA VIEIRA
O meu ídolo é o Lula Vieira.
Ele ta cada vez mais magro.
É um publicitário de primeira.
Com estas palavras eu afago
o ego do nosso grande mártir.
Viva o Lula em abundância!
É a prova de que persistir
sendo gordo desde a infância
não é um atestado eterno.
Que saiam gordos do inferno!
Que o Lula seja o presidente.
Nunca volte a engordar
E assim se mantenha contente
e crie o slogan para governar.
Espantalho
Ser gordo é ver um anúncio
e querer comer a televisão.
Quando o tal do anúncio
for o de uma refeição.
Ser gordo é querer dobrar a perna.
Querer se abaixar.
Querer parar de engordar.
Ser gordo é olhar para a barriga
procurando o Camilo.
É não encontrar o refrão
no estribilho.
Ser gordo é não poder jogar bola
com filho.
E diante de um horizonte de gente
parecer um espantalho
comendo com os corvos o milho.
SONETO AO JÔ SOARES
Eu gosto do Jô Soares.
Ele é um gordo bonito.
Gosto do gordo Derico.
Não é igual seus pares.
Derico dedilha o sax.
O Jô dedilha o pistom.
Eu dedilho o longo fax
Comendo caixa de bombom.
No fax afirmo que o Jô
diz ser gordo porque quer.
É o Derico uma mulher?
Seja lá o que ele for
algo tem de interessante
na sua gordura de elefante.
(ou: bufante)
Thursday, February 19, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:07 AM 0 comments
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Restos de comida. Garrafas pet. Latas. Tudo que corta a alma.
Já que ganhamos pouco, poderia estar carregando o lixo e não estou.
Não acredito em força divina que me protege e não a ele. Em que acreditar então?
Sei lá.
Perguntas nunca cansam de me perguntar. Gostaria de ter respostas para todas, mas seria como ter todas as chaves pra tudo. Eu não tenho resposta. E acho que, pelo menos, ele é mais feliz que eu porque não deve se fazer tanto essa pergunta. Ou.
*
Às vezes eu penso, mas só às vezes.
Quando alguém morre, eu fico triste porque não sei pra onde esta pessoa, objeto ou coisa vai.
O fato de não ter certeza é que me incomoda.
Quando eu morrer, não fique triste só porque não sabe para onde eu vou.
Fique triste porque gosta de mim e sentirá minha falta. Mesmo sendo você alta voltagem. Sentirei sua falta também.
Estarei no cemitério do Caju e lá sediado esperarei as flores que sempre quis lhe dar.
Tuesday, February 17, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:14 PM 0 comments
A OUTRA E A OUTRA DA OUTRA.
Monday, February 16, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:20 PM 0 comments
A OUTRA E A OUTRA DA OUTRA.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:20 PM 0 comments
A OUTRA E A OUTRA DA OUTRA.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:20 PM 0 comments
MORTE.
Feito pó de pensamento
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:21 AM 0 comments
PARTE.
Sunday, February 15, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:17 AM 0 comments
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Você fala comigo.
Você fala com você.
Como?
Eu sempre fui você.
Você sou eu.
O que seria de eu sem eu?
O que seria de você sem você?
Você ignora você.
Eu ignoro eu.
Como você é simplório eu!
Será que eu sou você mesmo?
Devo eu ser eu?
Eu sou você.
Você é você também?
Talvez eu seja você e você seja eu.
Eu sou quem falo de você.
Eu sou quem falo de mim.
Você sou eu?
Sou!
Quem sou eu?
Você.
Você ligou pra você.
O telefone tá ocupado?
Claro.
Eu Tô falando com eu.
Você com você.
Saturday, February 14, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:36 AM 0 comments
LEMINSKAIS.
um but por dia
é o mínimo
em micro companhia
*
enamoradas
as nuvens cinzentas
apagam o sol
*
Poeira na soleira
Ratos em briga
Por alçapões
*
cuspo
pro alto
guarda-chuva
é pra isso
narciso era
no fundo
do lago
uma mariposa
*
arde
oceano selvagem
flama onde plana
a nau da palma
de minha mão
*
urubus sobrevoam
restos deteriorados
de amores eternos
*
decorrerá uma vaga
até que o a noite volte
a afogar o sol
a chuva nua
sempre transparente
nunca reticências
*
a vela se apagando
as sombras crescendo
quantas auroras em mim?
*
a tatuagem do sono
na nuca da noite
pesadelos coloridos
*
no polígono das reticências
a seca é o ponto final
morder o silêncio
é como afagar a mentira
cada lóbulo se vicia
*
o violão ancorado na parede
produz sombra, não som
na partitura do trem das 11
só amanhã de manhã
*
tudo como estábulo
tudo como estabelecido
tudo quando estátua
*
a poesia da montanha
na lentidão de sua passada
de tão pesada é uma mortalha
*
a fumaça do cigarro
no copo de uisque
algum sol que me engula
nevoa, nuvem ou bruma
*
quanta luz se perde
no buraco negro
alçapão de estrelas
*
o ipê dourado
ao pé do beija-flor
mestre-sala dos ares
*
jim light my fire
lança suas chamas
esculpindo rum
nos cubos de gelo
*
zen não
na inflação de tempo
a overdose de nada
*
beijo seu beijo
um só batom
*
proteção de tela
sempre o mesmo céu
ruwindows
*
pop
pula
acho
sou
soul
fui
*
abro a janela
só o verde sabe
como me invade
*
zípei o antivírus
e me gripei
*
zíper se abrindo
fisgando o ereto
terSol
nublado
*
também o asco
homens quando queimam
têm cheiro de churrasco
*
de tanto ler
explodo em reticências
eternamente burras
*
o fogo baila
bailarina brisa
tortura olfativa
banheiro de rodoviária
*
o anjo negro esbarra
no anjo branco
falta, apita deus
*
sal
e o sono é uma morte
que a vida desperta
pitadas de rascunho
preparam arte final
*
o suicídio do sol
o sol desaba
nunca mais aurora
vã pira
em vão
piro
*
as veias da manga
nos dentes da frente
amarelo-vampiro
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:19 AM 0 comments
LETRA DE MÚSICA.
Eu não sei o que é uma anêmona
Os nossos sonhos chegam no mormaço
As sombras estão tremulas
Vestígios são silêncios imediatos
A guitarra escolhe seu acorde maior
Não sei se são meus os seus atos
O que é bom só pode ficar melhor
São sonhos o que agente pede a Deus
São teus esses olhos que brilham
Biônicos feito aquela aurora e adeus
Meus sentimentos são coisas que me ilham
Faço o download da sua foto
Você está ao lado da moto
E quem corre nesta história
Sou eu em sua trajetória
Thursday, February 12, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:31 AM 0 comments
TRECHO DE ROMANCE A SER LANÇADO NÂO SEI QUANDO.
Wednesday, February 11, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:56 AM 0 comments
FOLHA DE LONDRINA, HOJE.
Título: Os jardins do cemitério
Retranca: “Todos os Cachorros São Azuis”, novela de Rodrigo de Souza Leão, aproxima a literatura da esquizofrenia
Marcos Losnak
Especial para a Folha2
Todo mundo possui a possibilidade e um dia espanar os parafusos. Alguns, parafusos pequenos. Outros, parafusos bem maiores. O narrador da novela “Todos os Cachorros São Azuis”, obra do carioca Rodrigo de Souza Leão, espanou um dos grandes. Passou um tempo na rede hoteleira do inferno, experimentando quartos e serviços, conversando com outros hóspedes e tentando encontrar alguma luz através das janelas. E retornou para contar sua melancólica aventura.
O narrador de “Todos os Cachorros São Azuis”, lançado pela editora 7 Letras, está internado num hospício após ter quebrado toda a casa na ausência dos familiares. Além do confinamento, seu tratamento consiste em dúzias de comprimidos das mais variadas cores, todos embalados em faixas e mais faixas pretas.
Considera que suas alterações começaram quando engoliu um grilo na juventude. Ou quando teve um chip implantado em sua cabeça num momento de distração. Sua única lembrança afetiva está na figura de um cachorrinho de pelúcia azul que teve na infância e que, misteriosamente, foi perdido. Além de conviver com os loucos do local, em suas visões regulares conversa com os poetas franceses Arthur Rimbaud (1854 – 1891) e Charles Baudelaire (1821 – 1867) que também passam uma temporada no inferno. Após conseguir sair do hospício, o narrador cria uma nova religião (a “Todog”) que arrebanha multidões de fiéis.
Todo o enredo de “Todos os Cachorros São Azuis” se resume basicamente a isso. Um sujeito lutando contra a própria loucura dentro de uma clínica psiquiátrica. A grande surpresa da obra está na linguagem que Souza Leão desenvolve como instrumento narrativo. O autor aproxima a escrita da esquizofrenia. Coloca as duas tão próximas que os limites são quase eliminados e nesse processo cria um tom particular de escritura.
Se uma das características básicas da esquizofrenia está na fragmentação, no estabelecimento de cisões da estrutura mental, a narrativa presente na novela reproduz justamente essa fragmentação, essas cisões. A alucinação é colocada como um componente do real dentro do discurso do narrador. E onde poderia se encontrar apenas lágrimas e tormento, pode-se encontrar boas doses de humor e ironia que invariavelmente olham além das janelas.
Rodrigo de Souza Leão tem conhecimento de causa. Assumidamente esquizofrênico, passou duas temporadas em hospitais e clínicas psiquiátricas. A primeira em 1989, quando tinha 23 anos, e a segunda em 2001. Comeu o pão que psiquiatras e enfermeiros amassaram até encontrar na literatura um porto seguro. Com vários e-books disponibilizados na internet, “Todos os Cachorros São Azuis” é seu segundo livro publicado em formato convencional. O primeiro, “Há Flores na Pele”, que reúne poemas, foi publicado em 2001 pela editora Trema. Atualmente atua como editor (ao lado de Claudio Daniel) da revista virtual de literatura “Zunái” e colaborador site literário “Germina”, além de manter o blog pessoal “Lowcura” (lowcura.blogspot.com).
Enquanto novela, “Todos os Cachorros São Azuis” realiza uma coisa pouco usual. Ao mesmo tempo em que coloca a literatura dentro do hospício, coloca o hospício dentro da literatura. Faz um caminho de mão dupla onde a poesia possui as chaves mais absurdas para escancarar as portas e arrebentar as janelas.
Existe, no interior das páginas do livro de Souza Leão, uma imagem exemplar. O narrador descreve os hospitais psiquiátricos como um lugar de simbolismo exemplar: “Os hospícios são lugares tão bonitos que lembram os cemitérios”.
Serviço:
“Todos os Cachorros São Azuis”
Autor – Rodrigo de Souza Leão
Editora – 7 Letras
Páginas – 80
Quanto – R$ 25
Fragmento:
O que é a solidão? É viver sem obsessões. Mas na vida às vezes a gente tem que escolher entre esmurrar a ponta de uma faca ou se deixa queimar no fogo.
Qual o pior?
Um homem vestido de gelatina deu um beijo dentro da garrafa de Coca-Cola.
Você não deve escrever sobre hospícios.
Não. Todo mundo tem um hospícios perto. Ou é a sua bolsa que é um hospício. Ou sua casa. Ou ainda a carteira de dinheiro. Muita coisa pode ser um hospício. Não falo da desorganização, falo de hospícios mesmo.
Rimbaud apareceu vestido de índio apache. Disse que eu estava virando general Custer.
Havia muitas flores em toda a clínica. Era um lugar bonito. Por isso digo que hospícios são lugares tão bonitos que lembram os cemitérios. Aqueles cemitérios onde há enormes jardins.
(Fragmento de “Todos os Cachorros São Azuis” de Rodrigo de Souza Leão)
Sunday, February 08, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:44 AM 0 comments
OS CEGOS..
Olhos azuis são mais valorizados que os verdes que são mais valorizados que os castanhos. Mas depois de a lente de contato
tudo mudou.
Um olho de pombo ficou valorizado, mas os olhos de lince são mais naturais.
Assim: o mundo: é colorido
enquanto
Brunhel e sua lamina cortam uma vertigem
com uma navalha
e jorra um sêmen branco do olho.
Todo olho olha.
Todo olho goza.
Os cegos gozam com o pênis mesmo.
Saturday, February 07, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:02 AM 0 comments
APARELHOS DOMÉSTICOS
nada mais se conserta
nem o concerto e nem o poeta
Friday, February 06, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:25 AM 0 comments
NENHUM.
Escalafobético hermético chato:
tudo que um poema tem de ser
de fato. Lobótomo átomo orgia.
Quero lhe comer no mato. Estranho.
Ser estranho é preciso arrancar:
o siso de cada olhar. De facto citar
deuses não é o meu caviar. Mas cito
às vezes Ogum. Faço o poema nenhum.
Sei lá o que quero disso aqui. É muito
menos que se divertir. Muito mais q me
diluir. Defeco um pensamento e isso não
é poema. É muito mais uma algema.
Thursday, February 05, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:49 AM 0 comments
ERAM SÓ COTOVELOS.
Silêncio. Ela está falando pelos cotovelos.
Cada cotovelo diz uma coisa. O esquerdo
diz que não. O direito diz que sim. Apesar
de ser um segredo o que os cotovelos pensam.
Existe um segredo ainda maior dentro dela.
Ela diz que me ama e isso seria o suficiente.
Mas como preciso de enquantos vários. Vou
enquanto fogo me queimando de silêncio.
Enquanto água vai deixando que o contorno
de meu corpo vá se aproximando e tocando
aos poucos as bocas dos cotovelos e vendo
que assim evito um pouco que ela fale que
ela diga o que quer porque sai do cotovelo
para fora. Para dentro há o fogo que consome.
Há os filhos de um outro homem que também
lhe fala melhor. Os cotovelos têm ouvidos
também. E os tambéns não têm sentidos iguais.
Os cotovelos, os tambéns são as bocas dos
enquantos. Enquanto isso nasce um ventre do
chão. E o chão é onde começa a filiação.
Enquanto caibo em mim vou bem e o problema
é quando deixo meu cotovelo perto do dela e
ele menstrua um silêncio eterno contido num
dó de peito. Aí o cotovelo canta. É o fim.
Wednesday, February 04, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:52 AM 0 comments
MAIS E MAIS TRECHOS DE TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS.
Uma vez, virei uma planta por uma hora de sessão. A mulher pensou que eu estava em estado catatônico. Ela ficou nervosa. Foi a mesma coisa que fiz com uma namorada, e ela teve a mesma reação. Fiquei sem falar e parado. Como se tivesse engolido uma baleia. Durante uma hora, a baleia que estava dentro, estava fora, e eu vivi preso dentro de um manicômio. Os manicômios são lugares muito bonitos. São lugares com muitas flores e árvores. Não fiquei num lugar cinco estrelas, também não fiquei no pior lugar, mas vi muita coisa quando Alfonso me dizia que ia para Paracambi. Paracambi é aqui.
Tudo era um pouco ficar calado o tempo todo como se ninguém merecesse que você falasse algo nobre e importante.
O que todas aquelas pessoas de branco tinham a ver com o fato de eu estar vomitando sangue? Levaram-me para o Miguel Couto. Pensaram que eu estava com tuberculose. O Miguel Couto era o hospital referência para casos de dengue. Havia uma epidemia de dengue na cidade. Havia muitos hipopótamos deitados. Algumas tartarugas andando de quatro rodas. Passei pela porta do hospício. Quis me levantar e fugir. O pior: fugir pra onde? Quem iria acreditar na idéia de que eu estava com um chip implantado dentro de mim? Havia tanta gente, que se eu dissesse que o Maracanã em dia de jogo do Flamengo estava ali não seria nenhum eufemismo.
Botaram tubos em mim e começaram a fazer sucção. Fui abduzido por extraterrestres.
Eu via uma luz passando pelo meu corpo de menino de cinco anos e segurei meu cachorro azul. Desmaiei por alguns segundos. Depois Fronsky estava lá.
Voltaremos para te buscar quando você tiver 18 anos.
Macas por todo o campo. Gente andando com soro dependurado. Tubos saindo da boca de extropiados. Tudo ali era Acneton. Da minha veia, tiraram o meu sangue. Eu agora estava indo tirar uma chapa torácica. Como é que um cara gordo como eu pode sofrer com algum problema que não seja obesidade? Eu deveria estar num spa, e não no Miguel Couto com aquela crise de dengue. Uma samambaia começou a crescer do meu lado, feito um pé de feijão. Eu fui subindo as escadas, ancorado por dois médicos fortes e gordos como eu. Havia toda aquela gente pobre, superpobre: aquilo era o Brasil. Uma zona total. Gente caída no chão. Gente chegando morta. Gente morrendo. Uma fileira de corpos deitados com etiquetas nos pés. Todos munidos de seus prontuários. E aqueles médicos tão jovens, que não sabem muito mais do que eu sei de biologia, fazendo gozação com a sua cara.
Olha que cara gordo!
Que homem gordo!
Que baleia!
Tuesday, February 03, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:17 AM 0 comments
.
Escrever um poema hermético
É quase virar um réptil
Monday, February 02, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:38 AM 0 comments
NO FIM DO TUNEL.
Ali reunida sobre o corpo: as cinzas
escutam
Aqui perto de casa tem um botequim
onde
Bêbados falam com os cotovelos
presos
Todos estão rindo menos o revólver
cospe
Balas de cuspe esperma pus sombra
Lama
E todo mundo olha fixo o mendigo
bate
Uma punheta no meio da rua pensando
numa
mente que flutua feito um astronauta
cego
que não pode ver a terra azul lá de
cima
Mas pode sentir no braile das estrelas
a luz
A luz dura um segundo para iluminá-lo
Escreve
Sunday, February 01, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 1:32 PM 0 comments
PÁSSARO DE ASA QUEBRADA OU OS ANJINHOS DO HOSPÍCIO.
TADINHO DELE
ELE NÃO CONSEGUE SAIR DE CASA
ELE SÒ PENSA NAS SUAS PRÓPRIAS ASAS
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:52 AM 0 comments
LAGOA.
a garça
disfarça-se de branco
para nuvem
ser
também silenciar
Saturday, January 31, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:44 AM 0 comments
SANTOS DUMMONT.
Olhou os céus
Caírem de si e caiu em si.
Caiu de uma gravata.
Para teto abaixo
Quando viu bombas
Caindo de um avião.
Na sua lembrança
O 14 bis
Decolou com um sonho
E naquela hora
E até hoje quando lembro dele
A compaixão me abraça
Com muita tristeza.
Quantos homens sãos
Ficaram loucos
E tiraram de si,
Sua maior violência.
O suicida não irá nunca
Para um lugar pior
Um santo
Deve estar com anjos
E trombetas brancas.
Quem inventou o Mal?
Friday, January 30, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:05 AM 0 comments
ORÁCULO.
De novo Proust vem me indagar:
o
q
é
pó-
ética?
Eu respondo a Proust:
pô-
Emma
Thompson dá um caldo
Descon-
verso/mudo/inconvexo
Afinal/ele é Proust e deveria
Saber tudo sobre tudo
Thursday, January 29, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:25 AM 0 comments
AINDA ESPERANDO UMA RESPOSTA.
Venho, por meio desta carta, pedir uma solução para o meu caso. Tenho um filho de 39 anos que é esquizofrênico e aposentado por invalidez. Rodrigo tem pânico de sair de casa devido a sua doença mental: esquizofrenia paranóica. Felizmente no meio familiar ele é lúcido e inclusive poeta. Desde sua aposentadoria sou sua procuradora junto ao INSS, através de procuração feita em casa, pelo cartório de Copacabana.
Fui ao posto Botafogo (Rua Paula Barreto) e está fechado. Fui ao posto Copacabana e me informaram que a procuração dele não pode ser revalidada. E não sabem para onde foram os seus papéis, não demonstrando boa vontade nenhuma em resolver o meu caso.
Será que é pelo fato de ele ser moço? Doença pode acontecer com qualquer um sem escolher uma idade.
Peço que me dê uma resposta de onde fazer tal reativação da procuração. Ele ganha pouco R$800, não é nada para quem tem muito, mas vale bastante como ajuda. Peço mais uma vez: me ajude!
Agradeço
Atenciosamente
Maria Sylvia V. de Souza Leão
Wednesday, January 28, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:51 AM 0 comments
JESUS CRISTO.
Cumprir alguns rituais se faz necessário
Eu sempre faço o sinal da cruz às seis horas
Isto porque sou Jesus às seis horas
Sou monoteísta em minha adoração
Só adoro a Jesus meu Deus
Só quando vou internado passo a adorar algum remédio
Então faço odes ao haldol e ao diazepan
Mas isso só quando eu vou internado
Dia sim e dia não
No dia a dia me chamo de Jesus Cristo
Alguém duvida disso?
Tuesday, January 27, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:28 AM 0 comments
NÃO SEI ESCREVER SONETOS.
Escrever um soneto com sono
que não tenha nenhuma rima
Deslocar alguma química em mim
Queria falar tanto de amor, mas
sem isso me sinto tão normal
Eu sei que você não gosta da flor
e eu não gosto do seu perfume
A linguagem do esgoto é o
que ficou para sempre entre
os dentes existe um buraco
para que eu me aceite como
Eu não sou aquilo que procuro
e isso é quase um hospício
Bebo o café num penico
Sunday, January 25, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:03 AM 0 comments
CONSIDERAÇÕES ALEATÓRIAS SOBRE ANIMAIS.
azul veludo sobre azul piscina
olhos que piscam o caribe inteiro
outro meteoro
outra crina de cavalo que voa sozinha
ele segura a cabeça de alguém
olhando mais de perto podemos ver o vírus
matamos seres vivos quando tomamos banho
ah, as bactérias e os mínimos seres que habitam a nossa pele
rubro olhar que exorciza o ritual
maconha e veias dilatadas do olho esquerdo
a tecla delete do computador
tem certeza que deseja deletar tudo ou
salvar como
ou cuspir na tela
ou ouvir Mozart
mais uma vez antes das cinco
que é a hora que você desmaia todo o dia
e não sabe se volta
com costeletas estranhas
estas de porco
o porco berra tanto quando é castrado
o porco berra e berra o porco que berra
e o homem ri e enquanto sorri se ferra
quem é a fera?
Saturday, January 24, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:27 AM 0 comments
AQUI.
Chove e estou lá
Ouvindo a chuva dos carros
Chove e eu estou lá
Comendo o meu escarro
Friday, January 23, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:41 AM 0 comments
POLO.
Receber a bola
De costas e 2
Metros antes
De acontecer
O gol de inglesa
É algo como
Viver o que fumo
Fumar o que vivo
E soltando o ar
Pulmão a pleno
De adolescente
Respirar uma
Pequena vitória
Ver a bola no
Fundo da rede
E enfrentar no gol
Toda uma parede
Thursday, January 22, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:23 AM 0 comments
EXTREMO.
diario 002.01 [Y alguna lucha habría de persistir en aquellos ojos que dudaban de todo. El policía César Amparo fue internado en el hospício.]
extremo
amparo ampara y duerme a pierna suelta
la onda que opera en él diazepan o lexotan
satán a su lado y del mío dios dormido
la mímica del algoz en su sonrisa limpia
cuanto de mi queda claro como la meada
que bebo a falta de agua y de espejismos
algún azul claro en el cielo pide que nuves
vengan a salvar las heces que ocasionalmente
ruedan como piedras que no crean limo
al sueño de Sabath cantando Born to be wilde
trepidan los locos y en el gardenal fluctuan
tontos tres veces al día todo dormido
césar amparo besa en la boca de Sabath
qué hombre no salta más que él ahora
Sabath comió una melena y escupe rizos
en la oreja del amparo algunos sostenes se calientan
son las puntas de los senos de Karina y sus muslos
anhelando mis manos que acarician el ralo
barbeado mal hecho por lo que restó de presto-
barba azul y barba roja y barba papa y
sonríe que te estoy filmando y va Serguiño y
va Serguiño y puta que lo parió cotia no
en la noche la oscuridad asciende la Rosiña
las orquídeas brotan en la belleza de los ojos
de la Luna llena que explota en el agua al sueño
del testículo de mármol molido por Alfonso
yo voy para Paracambí y tienes que comer sino
vas por Caju y metro Estácio y Tijuca y Paracambí
Vanessa mira los ojos en sangre del sargento
en el pico hiper-tensivo de un silbido demente
él lee cantando un texto que hizo ayer
para hoy ser leído en la dinámica de grupo de la Dra.
poco más vieja o mucho más nueva yo no
quiero nada que no sea el diseño de plata
en el arco de sonrisa de una loquita que recuerda
a mi madre y me da un beso y dice que niño
bonito que niño bonito que niño bonito
Ana es internada de mañana y amarrada en la cama
no mamá no come no nada y así como el
procurador mente brillante y brillantina en el cabello
demuestra que detesta electrodos en la testa pero adora
oir el funk carioca de la favela de minas paw
paulista big brother y casa de los artistas
café y leche con agua hirviendo en el coco legal
macarrón en el almuerzo y no comer gardenal
en la noche tiene juego de la selección y si la enfermera b
dejar dejará de nuevo la tv conectada a Globo
y a tí todo haber o a ver o habrá todavía
otro cielo y no los grandes de hierro cromado
engullendo la noche y la luna de Cortázar ahorcada
y escaldada entre la química cerebral y Dios
quien puede con un ateo quien quiere que sea yo
se q


























