AGORA DEPOIS QUE O TEMPO PASSOU E VOCÊ NÃO VEIO.

Um poema tíbio. Um lixo prolixo. Isso o que tinha de dizer pra você. Uma vacuidade era melhor: o nada. Performance de abismo no trampolim do medo. Era melhor se jogar sem medo do que vem. Mas você é tão forte que não sei por onde penetrá-la. Mal tem buracos. Todos os canais estão fechados. Não dá pra ouvir nenhuma canção. Nenhuma música. Nenhum assobio. Só vejo um transeunte passando pela sua rua. E escrevendo seu nome com um giz no chão. Sem deixar pegadas nas areias afofadas de algodão doce. Que as crianças deixaram cair quando voltavam do parque.
Eu estive tão só estes dias que quase me sufoquei bebendo um copo d´água. Engasguei com um milhão de pterodátilos que falavam pai pai painho meu. E eu não tenho filhos de olhos azuis. Para que possam olhar meu horizonte castanho. O que vêem seus olhos verdes? Você fica bonita vestida de preto e seus cabelos castanhos esvoaçantes me fazem lembrar as cobras na cabeça da Medusa.
Papai Noel deixou um presente gordo na meia. Eu fui o inquilino de seu corpo por alguns dias. Só quero ser seu amigo e nada mais que amante. Diamante e rubi e esferas em toda a parte rodolitas e aquele programa às dez horas da noite onde mulheres vendem jóias. Vendo tudo hoje. Vendo minha fé. Meu codinome. Quero um color bar pra me meter entre suas cores. Sua cara tem muitas cores. Quero beber o azul do color bar no bar da minha Tv. Quero me afogar numa piscina vazia. Quero coisas impossíveis como lhe ver de novo aqui e ali mesmo onde esteve vinte quatro horas antes de um trem ter despencado sobre nossas cabeças vindo de não sei onde e indo pra algum lugar que detesto, pois pra ir teve que passar por aqui e nos destru-ir. Ir fundo. Mergulhar da ponta daquele iceberg e dar duas piruetas no ar e cair. O sangue escorrendo. A vida indo. O que não pode voltar não volta. O que não vem não vem. Deus deu também vinte quatro horas para que eu fizesse tudo que eu queria fazer olhar seus olhos de chocolate verde de preto verde de azul verde, portanto era algo verde que eu tinha medo de olhar para.


Thursday, July 12, 2007

4 Comments:

c braz said...

parabéns, vi seu nome na lista do projeto cultural petrobras. sempre passo por aqui, fiquei feliz ao ver seu nome entre os contemplados.

paulo de toledo said...

rodrigão, parabéns pela conquista!
vc merece!
abrações

cássio amaral said...

hoje fiquei feliz véio.

mais que merecido.

esse escrito é uma metralhadora.

abração.

verabasile said...

Incrível como seus textos, de uma maneira esquisita e surpreendente, afetam meu estado de espirito...como se de alguma forma desse uma sacudida nos meus sentimentos (vou procurar um analista depois de te ler..rs)
Agora:"portanto era algo verde que eu tinha medo de olhar para." esse foi demais. Olhos verdes destroem...cuidado!Acabo de ser atropelada por um par deles..rs
bj

 
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