DELÍRIO

Ninguém despertou do ano novo
e todo mundo se divertiu
Hoje dou um de bico na minha cama
e vou voar em outro aroma
Há delírios vários
e um me persegue:
a de que o cheiro da pasta de laçar
me enlaça como um cheiro de bosta
Como eu posso ir à praia feliz
e surfar minhas ondas de Amplictil?
Meus tisunamis interiores são tão maiores
Mas só podem matar a mim
Menos mal

Thursday, November 16, 2006

3 Comments:

Poeta do pântano said...

Outro

Quando antes o sonho materializou-se intenso
o corpo alegrou-se e viveu a utopia
nuvens brancas e um vento denso
enfumaçaram toda a pretensa alegria

No ocaso do pensamento eu paro morto
Coração que bate fraco fosco e torto
E corajosamente digo que não
Não sabia que eu queria

Não sabia o que eu queria?
Destemido de araque sem crer na profecia
Ser um reles suburbano condenado ao engano
Esquecido na sarjeta, na sarjeta esquecido

Pensei mesmo ou pensei depois que havia pensado
Parei no tempo, entretanto adquiri o poder do homem-hora
Tempo não é mais dinheiro para mim
Livre das amarras mone-otárias danço desajeitadamente
Tropeço, ôpa, escorreguei e pisei no pé dos meus amigos

Quando antes eu vi um futuro brilhante
Tudo não passou de uma reles ilusão
Um simulacro de vida arquitetada por meu próprio cérebro
Maldição. Hoje sei que me enganei.
Preciso repetir isso novamente.
Hoje sei que me enganei.
Ei! Ei! Você aí...cuidado com o que pensa
Pode se enganar também

Função
Pra que serve isso aqui?
Não cometa os mesmos erros que eu
É um aviso - apito inicial da partida.
Leia e previna-se contra a besteira repetida

Mas nunca cometerás os mesmos erros que eu
afinal és diferente, este erro é um erro seu
Se teimas em prosseguir saiba que não prometo-lhe nada
descalibrada curva torta e a tosca rota errada

Desventura ou aventura? Essa é a tal pergunta
Vida dura, mil agruras, pobre letra se ajunta
O caminho da poesia espinhoso se coloca
O poeta é um covarde que jamais saiu da toca

Rodrigo de Souza Leão said...

Gostei do poema. Parabéns.

iosif landau said...

Rodrigo
nossos tsunamis não nos matam, nos assustam, nos castigam, angustiam e sufocam, vamos surfá-los?
abraço delirante
Iosif

 
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