CONTAMINADO

Dizem que sou muito louco mesmo
Dizem e eu sou

Quando eu acordo e ligo o computador fico triste
Ela não se lembrou de mim

A minha loucura não se lembrou de mim quando mandei um e-mail para mim mesmo
Eu não recebi o e-mail que enderecei a mim

Neste mesmo dia coloquei uma mensagem dentro de uma garrafa e joguei no mar
Segundo os meus cálculos a mensagem vai demorara alguns meses para chegar

Na verdade
Verdade mesmo, eu queria que as mensagens que eu mandei voltassem para mim
Para que eu as refizesse, para que eu as reescrevesse
E assim fosse vivendo reescrevendo aquela mesma mensagem a mim mesmo
Mas nem isso é original na minha loucura porque o que faço mais é reescrevê-la
Como estou fazendo aqui neste espetáculo do óbvio
Neste poema que reluta a ficar circunscrito a minha obviedade

Sou tão óbvio quanto um cartão postal do Brasil cheio de bundas
Mas quem não ama bundas não é óbvio?
Adoro a bunda das mulheres e também as adoro por inteiro
Talvez o que faça de mais interessante na vida seja olhar para a bunda das mulheres

Mas porque comecei a falar das duas mensagens que mandei e cheguei nas bundas?
As bundas são tão óbvias? Tão iguais? As minhas mensagens dizem a mesma coisa sempre?

Estou sempre reescrevendo o poema passado neste aqui que estou escrevendo agora
Não sei porque gosto tanto de reescrever poemas
E o pior,
Pior mesmo, gosto que meus amigos Leonardo Gandolfi e Franklin Alves os reescrevam
Porque acho que nenhum poema meu é meu
Quando saiu de mim já tem sua vida. Já precisa de outra pessoa para ser escrito.
Já não gosta mais tanto de mim

Friday, November 24, 2006

1 Comment:

Cássio Amaral said...

Contaminação pra lá de boa essa. Tô afim de ser contaminado com bom escrito e boa poesia como essa aqui.
Abração.

 
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