1. Algum palhaço
apontou um revólver
e divulgou seu nome
ao matar um macaco

O macaco morreu
desconjurando
O palhaço ria
pela primeira vez

Tantos macacos
vieram para o enterro
dar pêsames às núpcias
do palhaço com a dor

2. A tromba do elefante
limpa banha molha
os animais menores

Tempestade e pi
po
ca
porque quando escrevo agora
tudo chora
E o barulho da chuva na janela
lembra o da pi
po
ca
na panela

E o elefante no circo
E os animais menores
lascivam estáticos
escrutam o trapézio

(a cadeira nas rodas do trapezista)

que quer vôo
mola motor motriz lágrima grinalda e véu
e vento
Chuva
molhando
o poema

Água daquele elefante branco
sem o nó na tromba

3. O transferidor se abre bailarina
em poucas cores
piruetas e montanhas russas
E os alvéolos avelãs
de delicados se esticam
na ponta dos dedos
Linha finita limítrofe elástica tensão máxima
Ou o poema:
dança nas ancas
dobras e dribles
corpo agulha
Penélope baila

Monday, July 10, 2006

1 Comment:

cássio amaral said...

ainda bem que não tinha cão nesta história. velho, muito bão.
abração.

 
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