.

Você fala comigo.
Você fala com você.
Como?
Eu sempre fui você.
Você sou eu.
O que seria de eu sem eu?
O que seria de você sem você?
Você ignora você.
Eu ignoro eu.
Como você é simplório eu!
Será que eu sou você mesmo?
Devo eu ser eu?
Eu sou você.
Você é você também?
Talvez eu seja você e você seja eu.
Eu sou quem falo de você.
Eu sou quem falo de mim.
Você sou eu?
Sou!
Quem sou eu?
Você.
Você ligou pra você.
O telefone tá ocupado?
Claro.
Eu Tô falando com eu.
Você com você.

Saturday, February 14, 2009

TELA.


Friday, February 13, 2009

LEMINSKAIS.


um but por dia
é o mínimo
em micro companhia

*

enamoradas
as nuvens cinzentas
apagam o sol

*

Poeira na soleira
Ratos em briga
Por alçapões

*

cuspo
pro alto
guarda-chuva
é pra isso
*

narciso era
no fundo
do lago
uma mariposa


*


arde

oceano selvagem
flama onde plana
a nau da palma
de minha mão


*


urubus sobrevoam
restos deteriorados
de amores eternos


*


decorrerá uma vaga
até que o a noite volte
a afogar o sol
*

a chuva nua
sempre transparente
nunca reticências

*

a vela se apagando
as sombras crescendo
quantas auroras em mim?


*


a tatuagem do sono
na nuca da noite
pesadelos coloridos

*



no polígono das reticências
a seca é o ponto final



morder o silêncio
é como afagar a mentira
cada lóbulo se vicia


*


o violão ancorado na parede
produz sombra, não som
na partitura do trem das 11
só amanhã de manhã


*



tudo como estábulo
tudo como estabelecido
tudo quando estátua


*


a poesia da montanha
na lentidão de sua passada
de tão pesada é uma mortalha

*

a fumaça do cigarro
no copo de uisque
algum sol que me engula

nevoa, nuvem ou bruma


*

quanta luz se perde
no buraco negro
alçapão de estrelas


*


o ipê dourado
ao pé do beija-flor
mestre-sala dos ares


*


jim light my fire
lança suas chamas
esculpindo rum
nos cubos de gelo


*

zen não

na inflação de tempo
a overdose de nada


*


beijo seu beijo
um só batom


*


proteção de tela
sempre o mesmo céu
ruwindows


*

pop
pula
acho


sou
soul
fui


*


abro a janela
só o verde sabe
como me invade


*


zípei o antivírus
e me gripei

*



zíper se abrindo
fisgando o ereto

terSol
nublado


*


também o asco
homens quando queimam
têm cheiro de churrasco


*


de tanto ler
explodo em reticências
eternamente burras


*


o fogo baila
bailarina brisa


tortura olfativa
banheiro de rodoviária


*


o anjo negro esbarra
no anjo branco
falta, apita deus


*

sal
e o sono é uma morte
que a vida desperta
pitadas de rascunho
preparam arte final


*
o suicídio do sol

o sol desaba
nunca mais aurora

*

vã pira
em vão
piro


*
as veias da manga
nos dentes da frente
amarelo-vampiro

LETRA DE MÚSICA.

Flutua uma anêmona no espaço
Eu não sei o que é uma anêmona
Os nossos sonhos chegam no mormaço
As sombras estão tremulas

Vestígios são silêncios imediatos
A guitarra escolhe seu acorde maior
Não sei se são meus os seus atos
O que é bom só pode ficar melhor

São sonhos o que agente pede a Deus
São teus esses olhos que brilham
Biônicos feito aquela aurora e adeus
Meus sentimentos são coisas que me ilham

Faço o download da sua foto
Você está ao lado da moto
E quem corre nesta história
Sou eu em sua trajetória

Thursday, February 12, 2009

TRECHO DE ROMANCE A SER LANÇADO NÂO SEI QUANDO.

Olhos azuis são mais valorizados que os verdes que são mais valorizados que os castanhos. Mas depois da lente de contato tudo mudou. Um olho de pombo ficou valorizado, mas os olhos de lince são mais naturais. Assim o mundo é colorido, ao mesmo tempo Buñuel e sua lamina cortam a vertigem com uma navalha. É quando jorra um coisa branca do olho. Todo olho olha, todo olho goza. Mas nem tudo é pra ver.

Wednesday, February 11, 2009

FOLHA DE LONDRINA, HOJE.


LEITURA

Título: Os jardins do cemitério
Retranca: “Todos os Cachorros São Azuis”, novela de Rodrigo de Souza Leão, aproxima a literatura da esquizofrenia

Marcos Losnak
Especial para a Folha2


Todo mundo possui a possibilidade e um dia espanar os parafusos. Alguns, parafusos pequenos. Outros, parafusos bem maiores. O narrador da novela “Todos os Cachorros São Azuis”, obra do carioca Rodrigo de Souza Leão, espanou um dos grandes. Passou um tempo na rede hoteleira do inferno, experimentando quartos e serviços, conversando com outros hóspedes e tentando encontrar alguma luz através das janelas. E retornou para contar sua melancólica aventura.
O narrador de “Todos os Cachorros São Azuis”, lançado pela editora 7 Letras, está internado num hospício após ter quebrado toda a casa na ausência dos familiares. Além do confinamento, seu tratamento consiste em dúzias de comprimidos das mais variadas cores, todos embalados em faixas e mais faixas pretas.
Considera que suas alterações começaram quando engoliu um grilo na juventude. Ou quando teve um chip implantado em sua cabeça num momento de distração. Sua única lembrança afetiva está na figura de um cachorrinho de pelúcia azul que teve na infância e que, misteriosamente, foi perdido. Além de conviver com os loucos do local, em suas visões regulares conversa com os poetas franceses Arthur Rimbaud (1854 – 1891) e Charles Baudelaire (1821 – 1867) que também passam uma temporada no inferno. Após conseguir sair do hospício, o narrador cria uma nova religião (a “Todog”) que arrebanha multidões de fiéis.
Todo o enredo de “Todos os Cachorros São Azuis” se resume basicamente a isso. Um sujeito lutando contra a própria loucura dentro de uma clínica psiquiátrica. A grande surpresa da obra está na linguagem que Souza Leão desenvolve como instrumento narrativo. O autor aproxima a escrita da esquizofrenia. Coloca as duas tão próximas que os limites são quase eliminados e nesse processo cria um tom particular de escritura.
Se uma das características básicas da esquizofrenia está na fragmentação, no estabelecimento de cisões da estrutura mental, a narrativa presente na novela reproduz justamente essa fragmentação, essas cisões. A alucinação é colocada como um componente do real dentro do discurso do narrador. E onde poderia se encontrar apenas lágrimas e tormento, pode-se encontrar boas doses de humor e ironia que invariavelmente olham além das janelas.
Rodrigo de Souza Leão tem conhecimento de causa. Assumidamente esquizofrênico, passou duas temporadas em hospitais e clínicas psiquiátricas. A primeira em 1989, quando tinha 23 anos, e a segunda em 2001. Comeu o pão que psiquiatras e enfermeiros amassaram até encontrar na literatura um porto seguro. Com vários e-books disponibilizados na internet, “Todos os Cachorros São Azuis” é seu segundo livro publicado em formato convencional. O primeiro, “Há Flores na Pele”, que reúne poemas, foi publicado em 2001 pela editora Trema. Atualmente atua como editor (ao lado de Claudio Daniel) da revista virtual de literatura “Zunái” e colaborador site literário “Germina”, além de manter o blog pessoal “Lowcura” (lowcura.blogspot.com).
Enquanto novela, “Todos os Cachorros São Azuis” realiza uma coisa pouco usual. Ao mesmo tempo em que coloca a literatura dentro do hospício, coloca o hospício dentro da literatura. Faz um caminho de mão dupla onde a poesia possui as chaves mais absurdas para escancarar as portas e arrebentar as janelas.
Existe, no interior das páginas do livro de Souza Leão, uma imagem exemplar. O narrador descreve os hospitais psiquiátricos como um lugar de simbolismo exemplar: “Os hospícios são lugares tão bonitos que lembram os cemitérios”.

Serviço:
“Todos os Cachorros São Azuis”
Autor – Rodrigo de Souza Leão
Editora – 7 Letras
Páginas – 80
Quanto – R$ 25


Fragmento:

O que é a solidão? É viver sem obsessões. Mas na vida às vezes a gente tem que escolher entre esmurrar a ponta de uma faca ou se deixa queimar no fogo.
Qual o pior?
Um homem vestido de gelatina deu um beijo dentro da garrafa de Coca-Cola.
Você não deve escrever sobre hospícios.
Não. Todo mundo tem um hospícios perto. Ou é a sua bolsa que é um hospício. Ou sua casa. Ou ainda a carteira de dinheiro. Muita coisa pode ser um hospício. Não falo da desorganização, falo de hospícios mesmo.
Rimbaud apareceu vestido de índio apache. Disse que eu estava virando general Custer.
Havia muitas flores em toda a clínica. Era um lugar bonito. Por isso digo que hospícios são lugares tão bonitos que lembram os cemitérios. Aqueles cemitérios onde há enormes jardins.

(Fragmento de “Todos os Cachorros São Azuis” de Rodrigo de Souza Leão)

Sunday, February 08, 2009

OS CEGOS..

Olhos azuis são mais valorizados que os verdes que são mais valorizados que os castanhos. Mas depois de a lente de contato
tudo mudou.
Um olho de pombo ficou valorizado, mas os olhos de lince são mais naturais.
Assim: o mundo: é colorido
enquanto
Brunhel e sua lamina cortam uma vertigem
com uma navalha
e jorra um sêmen branco do olho.
Todo olho olha.
Todo olho goza.
Os cegos gozam com o pênis mesmo.

Saturday, February 07, 2009

APARELHOS DOMÉSTICOS

nada mais se conserta
nem o concerto e nem o poeta

Friday, February 06, 2009

NENHUM.

Escalafobético hermético chato:
tudo que um poema tem de ser
de fato. Lobótomo átomo orgia.
Quero lhe comer no mato. Estranho.
Ser estranho é preciso arrancar:
o siso de cada olhar. De facto citar
deuses não é o meu caviar. Mas cito
às vezes Ogum. Faço o poema nenhum.
Sei lá o que quero disso aqui. É muito
menos que se divertir. Muito mais q me
diluir. Defeco um pensamento e isso não
é poema. É muito mais uma algema.

Thursday, February 05, 2009

ERAM SÓ COTOVELOS.

Silêncio. Ela está falando pelos cotovelos.
Cada cotovelo diz uma coisa. O esquerdo
diz que não. O direito diz que sim. Apesar
de ser um segredo o que os cotovelos pensam.
Existe um segredo ainda maior dentro dela.
Ela diz que me ama e isso seria o suficiente.
Mas como preciso de enquantos vários. Vou
enquanto fogo me queimando de silêncio.
Enquanto água vai deixando que o contorno
de meu corpo vá se aproximando e tocando
aos poucos as bocas dos cotovelos e vendo
que assim evito um pouco que ela fale que
ela diga o que quer porque sai do cotovelo
para fora. Para dentro há o fogo que consome.
Há os filhos de um outro homem que também
lhe fala melhor. Os cotovelos têm ouvidos
também. E os tambéns não têm sentidos iguais.
Os cotovelos, os tambéns são as bocas dos
enquantos. Enquanto isso nasce um ventre do
chão. E o chão é onde começa a filiação.
Enquanto caibo em mim vou bem e o problema
é quando deixo meu cotovelo perto do dela e
ele menstrua um silêncio eterno contido num
dó de peito. Aí o cotovelo canta. É o fim.

Wednesday, February 04, 2009

MAIS E MAIS TRECHOS DE TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS.

Tudo começou quando engoli um grilo em São João da Barra. Eu tinha 15 anos de idade. Estava indo ou voltando. Sempre estava indo ou voltando. Só parava pra voar. Assim eram meus 15 anos, e foi como tudo começou. Nenhuma mulher saiu de mim. Nunca. Fui eu quem sempre entrou em minha mãe. Lá estava ela bela e bonita, transando com papai. E eu vi, e era apenas mil novecentos e setenta. Não foi um trauma. Eu costumava andar com um cachorro azul de pelúcia. Meu cachorro não era gay por ser azul. Só era azul. Também não tinha as noções de feminino e masculino naquela idade, ou tinha. Na verdade, eu já me masturbava e papai, com muito jeito, pedia para que eu tirasse a mão do meu pinto. Lembro-me de uma psiquiatra nos meus verdes 15 anos, que me dizia que eu era homem porque me masturbava, não tinha por quê ter crise de identidade. Eu não tinha crise de identidade, porque vivia correndo atrás daquela mulher no horário da sessão. Ela chegou a me ameaçar, dizendo para o meu pai que se eu continuasse a querer agarrá-la eu teria que sair da análise. Ela falou que não agüentava dar conta de mim e reclamou porque eu não fazia um desenho e não brincava com a massinha. Eu imitava um golfinho deitado no divã. Meu pau ficava duro e eu o friccionava o tempo todo, enquanto o golfinho nadava dentro de mim.
Uma vez, virei uma planta por uma hora de sessão. A mulher pensou que eu estava em estado catatônico. Ela ficou nervosa. Foi a mesma coisa que fiz com uma namorada, e ela teve a mesma reação. Fiquei sem falar e parado. Como se tivesse engolido uma baleia. Durante uma hora, a baleia que estava dentro, estava fora, e eu vivi preso dentro de um manicômio. Os manicômios são lugares muito bonitos. São lugares com muitas flores e árvores. Não fiquei num lugar cinco estrelas, também não fiquei no pior lugar, mas vi muita coisa quando Alfonso me dizia que ia para Paracambi. Paracambi é aqui.
Tudo era um pouco ficar calado o tempo todo como se ninguém merecesse que você falasse algo nobre e importante.
O que todas aquelas pessoas de branco tinham a ver com o fato de eu estar vomitando sangue? Levaram-me para o Miguel Couto. Pensaram que eu estava com tuberculose. O Miguel Couto era o hospital referência para casos de dengue. Havia uma epidemia de dengue na cidade. Havia muitos hipopótamos deitados. Algumas tartarugas andando de quatro rodas. Passei pela porta do hospício. Quis me levantar e fugir. O pior: fugir pra onde? Quem iria acreditar na idéia de que eu estava com um chip implantado dentro de mim? Havia tanta gente, que se eu dissesse que o Maracanã em dia de jogo do Flamengo estava ali não seria nenhum eufemismo.
Botaram tubos em mim e começaram a fazer sucção. Fui abduzido por extraterrestres.
Eu via uma luz passando pelo meu corpo de menino de cinco anos e segurei meu cachorro azul. Desmaiei por alguns segundos. Depois Fronsky estava lá.
Voltaremos para te buscar quando você tiver 18 anos.
Macas por todo o campo. Gente andando com soro dependurado. Tubos saindo da boca de extropiados. Tudo ali era Acneton. Da minha veia, tiraram o meu sangue. Eu agora estava indo tirar uma chapa torácica. Como é que um cara gordo como eu pode sofrer com algum problema que não seja obesidade? Eu deveria estar num spa, e não no Miguel Couto com aquela crise de dengue. Uma samambaia começou a crescer do meu lado, feito um pé de feijão. Eu fui subindo as escadas, ancorado por dois médicos fortes e gordos como eu. Havia toda aquela gente pobre, superpobre: aquilo era o Brasil. Uma zona total. Gente caída no chão. Gente chegando morta. Gente morrendo. Uma fileira de corpos deitados com etiquetas nos pés. Todos munidos de seus prontuários. E aqueles médicos tão jovens, que não sabem muito mais do que eu sei de biologia, fazendo gozação com a sua cara.
Olha que cara gordo!
Que homem gordo!
Que baleia!
onde encontrar: (21) 2540-0076 editora@7letras.com.br

Tuesday, February 03, 2009

.

Escrever um poema hermético
É quase virar um réptil

Monday, February 02, 2009

NO FIM DO TUNEL.

Ali reunida sobre o corpo: as cinzas
escutam

Aqui perto de casa tem um botequim
onde

Bêbados falam com os cotovelos
presos

Todos estão rindo menos o revólver
cospe

Balas de cuspe esperma pus sombra
Lama

E todo mundo olha fixo o mendigo
bate

Uma punheta no meio da rua pensando
numa

mente que flutua feito um astronauta
cego

que não pode ver a terra azul lá de
cima

Mas pode sentir no braile das estrelas
a luz

A luz dura um segundo para iluminá-lo
Escreve

Sunday, February 01, 2009

PÁSSARO DE ASA QUEBRADA OU OS ANJINHOS DO HOSPÍCIO.

TADINHO DELE
ELE NÃO CONSEGUE SAIR DE CASA
ELE SÒ PENSA NAS SUAS PRÓPRIAS ASAS

LAGOA.

a garça
disfarça-se de branco

para nuvem
ser

também silenciar

Saturday, January 31, 2009

SANTOS DUMMONT.

Olhou os céus
Caírem de si e caiu em si.
Caiu de uma gravata.
Para teto abaixo
Quando viu bombas
Caindo de um avião.

Na sua lembrança
O 14 bis
Decolou com um sonho
E naquela hora
E até hoje quando lembro dele

A compaixão me abraça
Com muita tristeza.
Quantos homens sãos
Ficaram loucos
E tiraram de si,
Sua maior violência.

O suicida não irá nunca
Para um lugar pior
Um santo
Deve estar com anjos
E trombetas brancas.
Quem inventou o Mal?

Friday, January 30, 2009

ORÁCULO.

De novo Proust vem me indagar:
o
q
é
pó-
ética?

Eu respondo a Proust:
pô-
Emma

Thompson dá um caldo

Descon-
verso/mudo/inconvexo
Afinal/ele é Proust e deveria
Saber tudo sobre tudo

Thursday, January 29, 2009

AINDA ESPERANDO UMA RESPOSTA.

Rio de Janeiro, 9 de setembro de 2005


Venho, por meio desta carta, pedir uma solução para o meu caso. Tenho um filho de 39 anos que é esquizofrênico e aposentado por invalidez. Rodrigo tem pânico de sair de casa devido a sua doença mental: esquizofrenia paranóica. Felizmente no meio familiar ele é lúcido e inclusive poeta. Desde sua aposentadoria sou sua procuradora junto ao INSS, através de procuração feita em casa, pelo cartório de Copacabana.
Fui ao posto Botafogo (Rua Paula Barreto) e está fechado. Fui ao posto Copacabana e me informaram que a procuração dele não pode ser revalidada. E não sabem para onde foram os seus papéis, não demonstrando boa vontade nenhuma em resolver o meu caso.
Será que é pelo fato de ele ser moço? Doença pode acontecer com qualquer um sem escolher uma idade.
Peço que me dê uma resposta de onde fazer tal reativação da procuração. Ele ganha pouco R$800, não é nada para quem tem muito, mas vale bastante como ajuda. Peço mais uma vez: me ajude!

Agradeço
Atenciosamente

Maria Sylvia V. de Souza Leão

Wednesday, January 28, 2009

JESUS CRISTO.

Cumprir alguns rituais se faz necessário
Eu sempre faço o sinal da cruz às seis horas
Isto porque sou Jesus às seis horas
Sou monoteísta em minha adoração
Só adoro a Jesus meu Deus
Só quando vou internado passo a adorar algum remédio
Então faço odes ao haldol e ao diazepan
Mas isso só quando eu vou internado
Dia sim e dia não
No dia a dia me chamo de Jesus Cristo
Alguém duvida disso?

Tuesday, January 27, 2009

NÃO SEI ESCREVER SONETOS.

Escrever um soneto com sono
que não tenha nenhuma rima
Deslocar alguma química em mim
Queria falar tanto de amor, mas

sem isso me sinto tão normal
Eu sei que você não gosta da flor
e eu não gosto do seu perfume
A linguagem do esgoto é o

que ficou para sempre entre
os dentes existe um buraco
para que eu me aceite como

Eu não sou aquilo que procuro
e isso é quase um hospício
Bebo o café num penico

Sunday, January 25, 2009

CONSIDERAÇÕES ALEATÓRIAS SOBRE ANIMAIS.

azul veludo sobre azul piscina
olhos que piscam o caribe inteiro
outro meteoro
outra crina de cavalo que voa sozinha
ele segura a cabeça de alguém
olhando mais de perto podemos ver o vírus
matamos seres vivos quando tomamos banho
ah, as bactérias e os mínimos seres que habitam a nossa pele
rubro olhar que exorciza o ritual
maconha e veias dilatadas do olho esquerdo
a tecla delete do computador
tem certeza que deseja deletar tudo ou
salvar como
ou cuspir na tela
ou ouvir Mozart
mais uma vez antes das cinco
que é a hora que você desmaia todo o dia
e não sabe se volta
com costeletas estranhas
estas de porco
o porco berra tanto quando é castrado
o porco berra e berra o porco que berra
e o homem ri e enquanto sorri se ferra
quem é a fera?

Saturday, January 24, 2009

AQUI.

Chove e estou lá
Ouvindo a chuva dos carros

Chove e eu estou lá
Comendo o meu escarro

Friday, January 23, 2009

POLO.




Receber a bola
De costas e 2
Metros antes
De acontecer
O gol de inglesa
É algo como
Viver o que fumo
Fumar o que vivo
E soltando o ar
Pulmão a pleno
De adolescente
Respirar uma
Pequena vitória
Ver a bola no
Fundo da rede
E enfrentar no gol
Toda uma parede

Thursday, January 22, 2009

EXTREMO.

diario 002.01 [Y alguna lucha habría de persistir en aquellos ojos que dudaban de todo. El policía César Amparo fue internado en el hospício.]

extremo

amparo ampara y duerme a pierna suelta
la onda que opera en él diazepan o lexotan

satán a su lado y del mío dios dormido
la mímica del algoz en su sonrisa limpia

cuanto de mi queda claro como la meada
que bebo a falta de agua y de espejismos

algún azul claro en el cielo pide que nuves
vengan a salvar las heces que ocasionalmente

ruedan como piedras que no crean limo
al sueño de Sabath cantando Born to be wilde

trepidan los locos y en el gardenal fluctuan
tontos tres veces al día todo dormido

césar amparo besa en la boca de Sabath
qué hombre no salta más que él ahora

Sabath comió una melena y escupe rizos
en la oreja del amparo algunos sostenes se calientan

son las puntas de los senos de Karina y sus muslos
anhelando mis manos que acarician el ralo

barbeado mal hecho por lo que restó de presto-
barba azul y barba roja y barba papa y

sonríe que te estoy filmando y va Serguiño y
va Serguiño y puta que lo parió cotia no

en la noche la oscuridad asciende la Rosiña
las orquídeas brotan en la belleza de los ojos

de la Luna llena que explota en el agua al sueño
del testículo de mármol molido por Alfonso

yo voy para Paracambí y tienes que comer sino
vas por Caju y metro Estácio y Tijuca y Paracambí

Vanessa mira los ojos en sangre del sargento
en el pico hiper-tensivo de un silbido demente

él lee cantando un texto que hizo ayer
para hoy ser leído en la dinámica de grupo de la Dra.

poco más vieja o mucho más nueva yo no
quiero nada que no sea el diseño de plata

en el arco de sonrisa de una loquita que recuerda
a mi madre y me da un beso y dice que niño

bonito que niño bonito que niño bonito

Ana es internada de mañana y amarrada en la cama
no mamá no come no nada y así como el

procurador mente brillante y brillantina en el cabello
demuestra que detesta electrodos en la testa pero adora

oir el funk carioca de la favela de minas paw
paulista big brother y casa de los artistas

café y leche con agua hirviendo en el coco legal
macarrón en el almuerzo y no comer gardenal

en la noche tiene juego de la selección y si la enfermera b
dejar dejará de nuevo la tv conectada a Globo

y a tí todo haber o a ver o habrá todavía
otro cielo y no los grandes de hierro cromado

engullendo la noche y la luna de Cortázar ahorcada
y escaldada entre la química cerebral y Dios

quien puede con un ateo quien quiere que sea yo
se que Ana duerme al pié de Alfonso y prensa la cama



Rodrigo Souza de Leão (1965). Sourpicios & Minds.
El autor mandó su trabajo a el pez náufrago para su publicación.
Traducción: Pedro González

Wednesday, January 21, 2009

SE O CÉU FOSSE UM HOSPÍCIO NINGUÉM TENTARIA O SUICÍDIO.

Às vezes
vezes acho
vozes

Tuesday, January 20, 2009

LOBOTOMIA

Na
Caixa
Craniana
Não há nada

Só o nada como artefato

Nada
Um peixe
E suas barbatanas

Homens dão viradas olímpicas
Nadam
E o nada continua ali

Vazio
Entre duas mãos
E o bisturi

Monday, January 19, 2009

OVO COR DE ROSA.

Olhar a casca do ovo
Achar que a casca é a gema
Fazer uma confusão de fato
e do poema uma algema

Criar algumas cicatrizes
como animais domésticos
Saber que a casca é delicada
e no fundo é algo hermético

Ir tirando a casca com calma
como quem arranca a própria alma
devagar feito um pelicano
Comer a gema de quem amo

Sunday, January 18, 2009

Eu não tenho medo de ninguém
Nem de Deus
Nem do diabo
Nem de fantasmas
Nem de camisas de força
Eu só tenho um medo
O de não ter medo de ninguém

Saturday, January 17, 2009

&.

Eu queria ser um Haldol
Um Rivotril
Um Litrisam
Um Leponex
Só assim eu seria
Para mim uma boa companhia

Thursday, January 15, 2009

JUNTOS.

A vida foi metrificada
Numa camisa de força
Ele e sua amada

Wednesday, January 14, 2009

IGUAL.

Aurélio que escreve igual a Marcus
Que escreve igual a Jota Borges
Que escreve igual a Luis
Que escreve igual a Agamenon
Que escreve igual à Laura
Que escreve igual à Ana
Que escreve igual a Marcus
Que escreve igual a Luis
Que escreve igual a Jota Borges
E você Rodrigo?
Não quer escrever igual a um amigo?

Tuesday, January 13, 2009

INTERNO RETORNO.

Eu ando em círculos e paro:
às vezes na metade do círculo.

O círculo é só um movimento
e o movimento é uma onda.

O círculo. O movimento. A onda.
São todos tão redondos assim

como quase um ovo que nunca
consegui colombar em pé.

Colombo é um nome cheio e redondo.
Desses que circula em círculos.

Desses que o mar traz para descobrir:
o movimento o Círculo a onda.

Tudo que faço é mesmo circular:
um ponto qualquer no infinito.

Um ponto também é um círculo.
Tudo é círculo, onda e mar.

Apenas alguma sarda que tinha
não era totalmente redonda.

Por que um círculo precisa
de um compasso? A Terra

nua no espaço é onda é mar
é círculo: sou eu no meu cubículo.

Monday, January 12, 2009

SOBRE TODOS OS CACHORROS AZUIS.

Diário de um louco cuja loucura não contamina a estrutura narrativa, toda ela sã, saudável, vendendo saúde ao leitor que a lê freneticamente, numa espécie de surto ante as peripécias de um enredo caoticamente construído. Sim, caoticamente construído, pois “Todos os cachorros são azuis”, de Rodrigo de Souza Leão, é um texto lúcido, bem elaborado, impregnado, aqui e acolá, do “(...) lirismo dos loucos”, do “lirismo dos bêbados”, do “lirismo difícil e pungente dos bêbedos”, do “lirismo dos clowns de Shakespeare”.

Sérgio de Castro Pinto

Saturday, January 10, 2009

REFORMA ORTOGRÁFICA.

A minha idéia não tem acento:
nunca teve
porque nunca tive ideia.
Essa porra do Word erra tudo.

Fotografei você na minha Roleflex.
Queimei o filme
e a reforma dos quartos
ficou pra depois.
(Como se pudesse prever
tudo que acontece antes: ontem).

Friday, January 09, 2009

Ela não mais
Sabe o que

O outono começou
Com calor

E outro corpo e outra mente

Brilha no vazio o que ficou
Não mais

Thursday, January 08, 2009

E-MAIL DE KOPROSKI SOBRE OS CACHORROS.

oi Rodrigo

Acabei de ler agora o teu livro. (comecei a ler esse fim de semana q estive finalmente livre). Puts, gostei bastante... Da profusão de vozes se entrelaçando, se atritando, delirando e se suavizando; do fantástico elenco de personagens, tanto da ilustre e elétrica presença do par coadjuvante Rimbaud e Baudelaire, quanto das estórias honestas e comoventes do circuito familiar; das intercaladas e ternas reminiscências de um menino azul aos olhos da pele do seu cachorro (e por conseqüência, aos olhos, imagino, de todos nós leitores); da prosa muito bem delineada, construída e dinamitada com a necessária força propulsora da poesia, esse secreto elixir inflamável prestes a acender e se alastrar a qualquer momento pela linguagem da narrativa, perturbando-a e desafiando-a; enfim, de todo esse incrível diário de bordo de palavras e estórias e pessoas vivendo ora sob esse mesmo sol diário ora sob uma iluminação espontânea e calculada de van gogh... Meu caro, é um grande livro. Parabéns!

um forte abraço

fernando koproski

Wednesday, January 07, 2009

RESENHA DE PAULA CAJATY.

- Leão, Rodrigo de Souza. Todos os cachorros são azuis. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.

As pelúcias de Rodrigo de Souza Leão.
"Abro 'Todos os cachorros são azuis' e, com ele, as portas para um mundo imagético bem elaborado, onde a fantasia se mescla à realidade em planos superpostos e estranhamente lúcidos.
O narrador, com a clarividência que lhe é possível através de suas lentes e filtros peculiares, é internado numa clínica para doentes mentais e mostra, com seu enfoque único, as belezas e tragédias da loucura.
Rodrigo não é o primeiro, nem será o último, escritor que porta uma doença mental. Antes, talvez tal condição apenas não fosse diagnosticada, de modo que tais autores podiam, livremente, criar e expor obras de rara excelência. No entanto, o reconhecimento público dessa condição e a aceitação do trabalho de Rodrigo é um passo firme na direção da superação da segregação e dos preconceitos, tanto pelas editoras como pelo público leitor.
As alternâncias de seus estados de percepção se assemelham a Dr. Jekyll e Mr. Hyde, pois a lucidez acompanha as bolinhas coloridas e, de alguma forma, o narrador sente uma certa melancolia ao tomá-las e ser obrigado, assim, a sair de seu ambiente lúdico para as limitações tediosas da razão.
Ler "Todos os cachorros são azuis" é resgatar uma infância proibida aos adultos, redescobrir a fluência de uma imaginação prodigiosa e rica, um humor essencial há tanto perdido e, ao mesmo tempo, constatar as atrocidades que são feitas em nome de uma suposta 'normalidade' padronizante do comportamento social esperado.
Poetas, artistas, loucos e crianças. No mundo da razão, no mundo da assepsia cultural imposta no século XX, tradicionalmente foram postos a par da racionalidade aceitável, pela exacerbação de sua sensibilidade em desconformidade com o padrão vigente. Nem sequer os auto-denominados movimentos vanguardistas foram capaz de romper as barreiras discriminatórias contra eles.
No século XXI, talvez sejam eles os responsáveis por uma mudança de paradigma, de linguagem, onde o sentimento não é mais contraposto à razão, mas sim sua complementação natural e imprescindível. Aceitando nossa humanidade primordial, com seus tantos defeitos, é Rodrigo quem nos ensina a criar uma nova religião, resgata um novo ideário fundante, nos ensina a ser um pouco mais poetas e artistas, um pouco mais loucos e crianças."

Tuesday, January 06, 2009

SEU CID.

Quando fui internado pela primeira vez (1989) fiquei no Carandiru. Era o nome que tinha o local onde fui internado. Foi ruim, mas foi bom. Lá fiquei num quarto com Seu Cid. Eu, bem nascido, não tinha o hábito de fazer minha cama. O bom Seu Cid fazia a cama pra mim. Ele não fumava, mas vivia catando papel de cigarro para fazer seus desenhos com giz de cera. Do meu e-book Síndrome, aí vai o poema que fiz para Cid.

cid


cid desenhava no vício dos outros
fazia retratos nos papéis de cigarros
tornava ouro embalagens fúteis

ele fazia da minha ressaca de sonhos
uma calmaria na minha cama rebelde
quando esticava os lençóis

cid não era tão louco assim
mas era muito mais louco que eu
diziam os doutores da lobotomia

cid não sabia escrever muito bem
e só desenhava com giz de cera
eram tão lindos retratos que sinto

saudades de mim e saudades de cid

Sunday, January 04, 2009

CACHORROS AZUIS, POR RODRIGO CAPELLA.

Que eu adoro animais de estimação, principalmente, os cachorros, isso todo mundo sabe. Só cães, tenho dois. Brutus, seis anos, é um yorkshire. Alemão, três anos, é um poodle brincalhão e sapeca. Não foi à toa, então, que o livro “Todos os cachorros são azuis”, de Rodrigo de Souza Leão, conquistou-me logo pelo título.
É lógico: pensei, de imediato, em pintá-los para dar uma alegria, um algo mais. Cachorros pretos e cinzas são chatos e sem graça. Canalhas! Os azuis devem ser mais divertidos. Peguei uma cerveja na mão direita; o livro na esquerda, como faço sempre, e abri, sem querer, na página 61: “por que putas são carentes e precisam de tanto amor? Eu não gosto muito de putas”.
Poesia marginal? Talvez! Mas, o mérito do autor está justamente em provocar com sabedoria e ainda fugir dos rótulos. Engana-se, portanto, quem tentar enquadrá-lo em qualquer tipo de prosa ou verso. Souza Leão tem traços sem limites, que brincam com o leitor, sem que o leitor perceba disso: “outro grito de terror. Roubaram-me alguns folhetinhos crentes e mais mil dólares. Eu começava a desconfiar de minha sombra”.
Traços que parecem transmitir um sentimento sobrenatural de buscar outros elementos e também de querer simplesmente se expressar, procurando sentimentos cotidianos, tão notórios e simples: “o que é solidão? É viver sem obsessões. Mas na vida às vezes a gente tem que escolher entre esmurrar a ponta de uma faca ou se deixar queimar no fogo”.Virando mais algumas páginas, o personagem se revolta e desabafa: “fui obrigado a estar aqui. Não queria vir. Não quero ficar, porra!”. E, é claro, provoca: “no mundo de fora, procuro no obituário todo dia meu nome. Já decici: não quero ir ao meu enterro. Como será o céu dos objetos?”.
Como será? Não sei. Mas, posso dizer que livros como esse já nascem bons, antes mesmo de memorizarmos todo o conteúdo. Desafiar as regras literárias e gramaticais não é para qualquer um. Só poucos – como Souza Leão – as conhecem e sabem quebrá-las com elegância. Viva os cachorros!
(*) Rodrigo Capella é escritor, poeta e palestrante. Autor de vários livros, entre eles “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer. Informações: http://www.rodrigocapella.com.br/

Saturday, January 03, 2009

PRA COMEÇAR O ANO MAL.

Às vezes eu fico pensando o porquê minha vida tomou esse rumo. E chego à conclusão que não foi só minha culpa. A culpa foi só minha. A culpa foi de todos. A culpa foi da puta. A culpa foi da vida. Mas foi minha mais. Eu sou o grande culpado. Um idiota. Sinto-me um idiota. Só. Numa estrada sem sinal. Sem placas. Andando como aquele menino que aos quinze anos engoliu um grilo.

Friday, January 02, 2009

FRAGMENTO.

meu eu
tão pequeno
que me algemo
para me aumentar

seu ego
tão grande
que sonego
o seu olhar

solitário andar
por entre a gente


trazer você pra dentro
da minha
música

de repente


deixar a noite ir
vazia e tísica

abrir espaços dentro
da minha física

Tuesday, December 30, 2008

MONÓLOGOMANIA.

Matei muita gente nessa vida. Nessa vida, que embaraçada sobre a minha mão, acolhe-me por um segundo: como se duas mãos se misturassem tanto que fossem caindo uma a uma de si. Matei. Roubei. Gaguei e peidei dinheiro porque o importante não era o dinheiro e sim o poder. O poder é uma bola de sabão e eu flutuo dentro dela. Sou um porco. Sujo. Imundo. Nojento. Abjeto. E qualificativos vários que aqui poderia enunciar, mas não o faço porque sou generoso comigo. Vomito um ventre novo por dia. Bebo. Esfolo bocetas selvagens e me dou um sonífero antes de dormir.

Sunday, December 28, 2008

Foge o silêncio pelo ralo
Nasce uma flor em meu falo

Às duas horas da manhã
Ele acorda pensando no satã

E a minha palavra sempre exígua
Está mais morta do que viva

Deus não é um diabo invertido
É só mais um ser oprimido

Pela beleza que o crânio carrega
Quando defeca tudo que nega

Enfim, ando meio puto com
Deus fazendo meu Satiricon

Thursday, December 25, 2008

NATAL.

É muito difícil escrever um poema
de natal.
Não é muito difícil. É dificílimo.
Por que quero escrever sobre uma metáfora: ela?
Por que? Um bilhão de porquês.
Por que todos não vão pro céu?
Eu acredito em papai
Noel.

Tuesday, December 23, 2008

CACHORROS AZUIS, POR MARCIA TIBURI.

Todos os cachorros são azuis de Rodrigo de Souza Leão (ed. 7 Letras, 78 páginas) é um grande conto, dividido em quatro partes cujos títulos merecem menção: Tudo ficou Van Gogh; Deus não: deuses; Humphrey Bogart contra Charles Laughton; [Do gr. epílogos]. Confesso que comecei a ler (desta vez não pela capa), mas pelo título e pelos subtítulos. Pensei: se for ruim (ou seja, cansativo, só uma historinha, metido à besta, etc.) desisto logo com aquele tantinho de dor que sobra quando se tem uma frustração literária. Continuei porque era o contrário. O assunto perfeito: um rapaz de 38 anos vivendo em um hospício, rodeado de pessoas que não aparecem senão como fantasmagorias que mostram o quanto a vida dita normal também não empolga pela ordem (o pai, pediatra que vira psiquiatra para entender os filhos, os enfermeiros meio policiais, a mãe açucarada fazedora de bolos, a turma da injeção benzetacil…) e fazem a vida alucinada muito mais interessante. O protagonista divide sua mente com as alucinações Rimbaud e Baudelaire. Diante deles a tal “realidade” é que merece um desconto. Diante deles é que o protagonista pode lançar que “quero ser promovido à alucinação de alguém”. O protagonista, a propósito, é um sujeito que engoliu um chip, quebrou tudo dentro de casa, foi internado pelos pais que dez anos antes souberam que ele tinha engolido um grilo. Depois disso o que ele engole é o Haldol.
O estilo de Rodrigo Leão é uma grande qualidade de seu escrito. Para quem gosta de tratos sérios com a linguagem, será leitura das melhores. Quem espera, no entanto, só uma historinha contada, ou tem pouco senso de humor, não leia o livro, nem a última parte, a do “epilogos” em que o protagonista resolve nos contar sua aventura com uma “liga que agregava todos os seres do universo”. A liga tinha também a sua língua: TODOG. Sua vantagem era que ninguém a entendia, e, por isso, unia a todos que estivessem dispostos.
O fim da história, se ele saiu ou não da clínica, se viveu, se morreu, eu não conto, mas garanto que é tudo bem parecido com o mundo que todo mundo conhece. E, por isso, mesmo, assustador.

Sunday, December 21, 2008

MY ONLY FRIEND: THE END.

Aquele número telefônico. De vinte anos atrás. Aquela série de seis números. Aquela esperança de te encontrar um dia. Voltou tudo. Mexia nas gavetas e encontrei aquele guardanapo. Pedaço. Ponte entre mim e você. História que não aconteceu. Um beijo apenas que nos separou. Tudo voltou. Por um segundo. Por um minuto. Tudo apareceu de novo. Como se existisse algo ainda entre nós. Algo como aquele beijo. Aquela noite de beijos. O número estava lá para ser digitado e liguei e você não estava lá. E o telefone não era mais seu e por que eu havia encontrado aquela memória naquele dia? Aquela circunstância. Eu liguei de novo. Percebi que não sabia seu nome. Você podia ter filhos. Família. Marido. Namorado. Percebi que tudo só podia ser lembrança. E fogo ardendo agora para que o nunca mais esteja entre nós. Eu queimei o guardanapo e enquanto via o azul do fogo e o amarelo Gogh consumindo o meu passado com você, percebi que você era minha musa. A mulher que sempre quis. A mulher que não falou comigo. Só me beijou ardentemente enquanto uma banda de roque tocava. Uma banda que eu gostava e você também. Será que você ainda gosta? Eu não gosto mais. Tudo mudou e nada mudou. Os cabelos brancos no peito que estão subindo pela barba e descendo pelo púbis. Tudo é o nosso desencontro. Como se nunca existisse um nós. Não. Existiu. Por uma noite. Algumas horas. Éramos tão jovens que nem percebemos que aquela seria a nossa primeira e última vez. Finito como um eletro-choque. Puro. Fim. In.

Saturday, December 20, 2008

TRAVECO.

Átimo de pedra sobre nuvem
Átomo de plástico

Corredeiras de enguias-crustáceas
Outro sonho pesado pesadelo

Tamanho do ósculo de sangue
Coagulado em algum ponto do sofá

Pende um minúsculo objeto do ventre
Dela pode-se esperar qualquer coisa

Friday, December 19, 2008

CARTA DO LEITOR E POETA PEDRO RODRIGUES.

OLÁ, RODRIGO! TUDO BEM?
RECEBI SEU LIVRO PELO CORREIO HÁ QUASE DOIS MESES, UM AMIGO CARIOCA O PEGOU PARA LER, MAS NÃO DEVE TER GOSTADO, PORQUE NÃO FALOU NADA. NÃO SABE O QUE PERDEU!
SOFRI UM PEQUENO ACIDENTE DE BICICLETA, EM QUE PODERIA TER IDO DESTA PARA, NÃO SEI QUE ADJETIVO SUPERLATIVO USAR, O FUTURO LOCAL QUE NINGUÉM SABE ONDE É QUE VAI DAR. MAS ESTOU AQUI, JÁ LI O LIVRO, AS PASSAGENS DA INTERNAÇÃO SÃO FANTÁSTICAS, PORQUE POR MENOS TEMPO QUE EU TENHA FICADO NA SANTA CASA, MUITA COISA DO QUE VOCÊE SCREVEU ERA O QUE TINHA ACABADO DE VIVER COM A CARA TODA ARREBENTADA NAQUELE LUGAR ESCROTO.
A CONTEMPORANEIDADE É FATOR MUITO RELEVANTE, POIS DIZ REPEITO A UMA GERAÇÃO, A NOSSA, COM DIREITO A VERSOS MUSICAIS DE RENATO RUSSO E TODOS OS ÓTIMOS AFORISMOS ETC. ISSO É MUITO BOM, É IDENTITÁRIO, É MUITO PRÓXIMO.
O TEMPO ESTÁ PASSANDO, ESTAMOS NOS AFIRMANDO COMO"ADULTOS", COMO ESCRITORES, POETAS, ENFIM... EENCONTRAR ALGO QUE É DO SEU TEMPO RELATIVOEINSTEINIANO NUM LIVRO É UM PRIVILÉGIO. PRECISAMOS DE MAIS LIVROS ASSIM. E A FICÇÃO, CARA!... O QUE EU POSSO DIZER?
PROCURE
TAMBÉM SOU MÚSICO EM FASE DE REGRAVAÇÃO. NO MESMO SITE, NO LINK "SOPA/POETAS", PROCURE POR "NUNNO DORA". TUDO INDICA QUE SEREI HOMENAGEADO AGORA DIA 29/12/2008.
LÁ NO CLUBE. O CONVITE JÁ ESTÁ FEITO. ENTRE NO SITE, OUÇA AS MÚSICAS, TEM UMA GALERA SUPERLEGAL PRA CONHECER E ÓTIMOS COMPOSTORES E COMPOSIÇÕES. OS POETAS PRIMEIROS SÃO DE PRIMEIRA LINHA, O QUE PRIMEIRAMENTE E ULTIMAMENTE ME APETECEU MUITO NOS ULTERIORES QUATRO MESES À INAUGURAÇÃO DO LINK.
UM GRANDE ABRAÇO!
PARABÉNS!
OBRIGADO!
TODOG!!!
PEDRO!!!

Tuesday, December 16, 2008

Camboja.

O copo A noite A morte
Enfim o grito de socorro

A britadeira ou o som
Do motor no dentista

Faz desaguar o mar que há
Numa criança

Mija

Monday, December 15, 2008

uma mãe como eu fui quer.

no diagrama da manhã
cutuquei minhas folhagens
e erigi meu diadema
entre os olhares das tatoo

quantas tristezas me fiz hoje
se o dedal me fere mais
do que a angústia de agulha
em meu ventre que ubíquo é

o filho que me olha parado
dedilha o meu sentimento
e refuga o meu corpo

diante de mim quero-o filho
amamentando o sutiã do dia
com cada vento que nos poluir

Friday, December 12, 2008

DIREITOS HUMANOS.

Deveres humanos são direitos quando um míssil percorre o azul do olho de uma criança que suspira um horizonte de chamas. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. A humanidade cinza de quem desfigura um índio na calçada e joga as tranças de Rapunzel pela janela da própria boca. Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua,de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania. A quem reclama da fraterna esfera celeste aquela abelha redonda de bola de fogo e aquele cão de sutiã. A quem pede ao fogo que decalque mais rapidamente os galhos em que os sagüis se acostumaram a tomar Fanta uva. Nega a si mesmo o dever de seguir no caminho traçado pelo esboço do que foi o seu almoço e ilha seu eu no paradoxo mais perto porque tudo parece muito bem empregado neste cemitério. Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. De que adianta sobreviver na estrita terra que leva tuas mãos ao marasmo do armário cheio de roupas cuidadosamente arrumadas por um personal arrumador de roupas. Há personal para tudo. Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos. Há um nascer e um morrer todo dia há o existir e há um elixir para o existir que é o bocejar. Paz cão. Peace Dog. Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis,desumanos ou degradantes. Entre os dois irmãos que lutam pelo poder foi o que cuspiu no outro que morreu primeiro. Foi o primeiro que morreu primeiro. Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.
Advogo em situações difíceis como a sua. Mas não dá para trazer o horizonte para o mar e nem levar o vice para o versa. Versa versejar o pouco de vento ainda e respirar ouvindo um átomo de colibri girinascendo. Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Nelson ficou preso uma porrada de tempo levando cordas para o seu suicidador suicida-lo na dor mais torturante. Toda a pessoa direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei. No olhar de mamãe há um saco de boxe e dizem que sou eu que dou o soco nela todo o dia. Ninguém pode ser arbitrariamente preso,detido ou exilado. Os padres rezam com a fé de que o céu nunca pode cair sobre suas cabeças. Tudo é possível até na impossibilidade há a segurança de que tudo é impossível. Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida. Num sei quem julga é Deus e virá para os vivos e os mortos. Os mortos coitados dos direitos dos mortos. Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. Até os mísseis que olhavam Cuba com bons olhos beberam naquele dia em que Fidel engoliu-se de falar. Fidel estava Castro ainda. Castrando. Mas será que saber que está sendo Castrado é melhor do que acordar castrado? A ditadura do invisível é invencível. Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido. Cláudio Manuel da Costa era maior do que o espaço que foi enforcado. Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei. Há programas do Gugu que salvam uma pessoa por semana enquanto o resto come a mão ou a colher com sal. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado. O mundo em Ibiza. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país. Londres e seu fog nunca voltaram a quem foi e alguns ficaram em Londres e pior os que Brasil na testa escrito tiveram que ser brasileiros. Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países. Baby eu dormi na praça pensando nela. Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Nobel foi o inventor da dinamite. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade. A nação Rubro negra é católica e canta hinos bonitos. Eu sou mengão com muito orgulho com muito amor. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade. Nunca quis ser americano. Nem torcer pelo Botafogo. A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família,sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.Um amigo que nunca foi amigo me mostra a foto da mulher nua e pergunta se ela é gostosa. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado. A Fat Family vai tocar no Canecão. Toda a pessoa, individual ou colectiva, tem direito à propriedade. A Igreja é a maior detentora de terras e os cemitérios deveriam ser no Egito vivo. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade. Quem é o proprietário dos meus sentidos? Quantos sentidos têm a vida? Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção,assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção,sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos. Eu comunguei quando pequei e depois disso só pequei! Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão. Viva a lista sem discussão. Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas. Ninguém pode bater num homem de saias. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação. A carteira de sócio atleta federado está sendo vendida por quinze mangos. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios, público do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos. Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país. A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto. Se o porteiro pode votar pode ser poeta. Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país. Eu não sou profissional da escrita e nem quero ser. Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego. Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual. Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social. Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses. Os meus interesses são o de ficar mais rico do que o mais rico dos riquinhos e peidar dólar. Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas. Das sete até ás dezenove horas papai trabalhava no Hospital X e depois ia dar plantão no Hospital e um dia perguntei quem era aquele homem que dormia com mamãe e era pouco visto e era ele mesmo. Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade. A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma protecção social. Engraxa o sapato da cola. Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito. A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. Aos pais pertence a prioridade do direito de escholher o género de educação a dar aos filhos. Pode escolher entre educar em Esparta ou Atenas? Eu estudei tanto que hoje sou burro. Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam. Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria. Principalmente os chatos como eu. Os chatos como eu são chatos. Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração. O espaço, a fronteira final estas são as viagens da Enterprise em busca de novos mundos audaciosamente indo onde quem sabe o mal que existe por detrás dos corações humanos. O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática. Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente e aos fins e aos princípios das Nações Unidas. Carcará pega mata e come. Nenhuma disposição da
presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados. Acabaram com o World Trade Center e deixaram a estátua da liberdade intacta. Os loucos têm seu céu particular. O meu dever é sempre fazer a lição de casa e um bom menino não faz pipi na cama.

Wednesday, December 10, 2008

ENTREVISTA PARA JULIANA KRAPP. JB.

RIO - O narrador de Todos os cachorros são azuis (7Letras, 80 páginas, R$ 25) é um esquizofrênico. Por isso, a trama do segundo livro de Rodrigo de Souza Leão – o primeiro em prosa - se passa, em sua maior parte, num hospício. Ou dentro das alucinações do protagonista-narrador, que tem amigos imaginários como Rimbaud e Baudelaire. Que acredita que engoliu um chip, ou um grilo. E que, fazendo jus ao estilo do jovem autor, encadeia uma narrativa exuberante, repleta de um lirismo – por que não dizer? – alucinado.
É, o próprio Souza Leão, um esquizofrênico, que se baseou em sua experiência pessoal para compor o livro. Não por coincidência, ele começou a escrevê-lo depois de sua segunda internação, em 2001 (a primeira fora em 1989), com o “quarto escurecido por doses de Litrisam”. Ao aproximar sua prosa da esquizofrenia, o autor também a aproxima da poesia, como conta na entrevista abaixo.

1 - Como e quando começou a escrever o "Todos os cachorros são azuis"?

Prefiro responder primeiro quando começou e depois responder como.

Comecei a escrever “Todos os cachorros são azuis” depois da minha segunda internação, que foi em 2001. Não me lembro exatamente o mês. Eu estava com 120 quilos de peso e muito gordo para o meu metro e setenta e um. Faço questão desse um, rs. Suava muito porque fazia um calor infernal. Agora me lembro. Era verão. Voltava de mais uma estadia no inferno. Internações são muito traumáticas. Às vezes não é necessário internar, ainda mais como eu fui, da maneira como foi. Estava em casa e minha família muito atormentada com as coisas que estava fazendo e acontecendo na minha vida, resolveu sair de casa e me deixar só com minha avó que era viva e estava com noventa anos e numa cama. Eu avisei a eles que se saíssem não iam mais entrar. Duas horas depois eles tocaram na campainha. Eu havia passado o trinco na porta. Falei que ninguém iria entrar. Mas era uma mistura de brincadeira com uma tentativa de dar um susto neles. De eles não me abandonarem. Mas eles chamaram a polícia. A polícia arrombou a minha casa. Eu havia acabado de passar um interurbano para Minas e estava ao telefone com a Silvana Guimarães. Não ouvi o barulho. Pelo menos a PM teve o cuidado de tirar as armas antes de invadir meu lar. Eram três policiais militares e eles tentaram durante uma hora me convencer a ir para o Pinel. Não tocavam em mim. Mas deixavam claro que se fosse necessário, usariam de força. Vendo que demoravam muito, oficial mais graduado resolveu subir. Ele estava em baixo, na viatura. A princípio expus meus argumentos. Falei que se tratava de uma brincadeira. Mas não deu e resolvi ir sem necessidade de ser usada a conhecida força policial. Sai do edifício escoltado por quatro policiais. Me botaram numa viatura e me levaram para o Pinel. Meu irmão foi junto comigo e meus pais foram no carro da família. Cheguei ao Pinel e minha família optou por me internar numa clínica particular. O hospício que havia ficado internado pela primeira vez em 1989.
Fiquei internado por vinte dias. Quando voltei a minha casa, dois dias depois, no meu quarto escurecido por doses de Litrisam, comecei a escrever “Todos os cachorros...”.

Agora o como? Eu já havia escrito “Carbono pautado – as memórias de um auxiliar de escritório”. Uma prosa mais convencional. (Século XIX). O “Carbono...” (ainda bem) não teve boa acolhida em nenhuma editora. Era um texto de duzentas páginas.
Quando começo a escrever uma narrativa não sei quantas páginas vai ter. Mas queria escrever uma coisa diferente e com menos quantidade de páginas. Escrevi uma página por dia e ao final de quarenta dias tinha uma novela em estágio embrionário. Necessitava de revisão e de uma burilagem. Teria que mexer mais no texto final. Mandei para Leonardo Gandolfi e Franklin Alves Dassie, meus amigos. Eles acharam o livro ótimo. O Leonardo deu uns pitacos que me ajudaram muito. Fiquei com aquilo guardado. Depois de um tempo mandei fazer uma revisão e enviei para algumas editoras. Fui rejeitado por todas, menos a 7Letras. O Jorge Viveiros de Castro gostou e queria publicar, mas eu não tinha grana alguma para ajudar. Veio o prêmio da Petrobras e ganhei a bolsa. Reescrevi o texto todo e acrescentei mais um capítulo. Aleluia!
2 - Apesar de ser um livro autobiográfico, não é narrado de forma linear. Como foi o seu processo de escritura?

O meu processo foi o de tentar aproximar a prosa à esquizofrenia. Para isto, resolvi achegar a prosa à poesia. A linguagem natural de um louco é, digamos, um pouco poética. Quando um poeta diz, por exemplo, “Guardei o Sol em sete partes”, usa uma linguagem específica. O Sol não tem partes e nem pode ser guardado. Só num poema isto é possível. Por isso, o livro pode ser poético. Foi isso que busquei. Fiquei possuído por esse espírito e acho que não errei de todo.
Queria também ser ágil e um pouco diferente sem ser chato. Já existem muitos escritores herméticos e chatos, não queria ser mais um em que o hermetismo fosse o principal da narrativa. Mas nunca facilitei o texto. Usei também muito a repetição. Repetia que tinha engolido um chip, que engolira um grilo e outras coisas mais. Só não havia engolido espadas. Aliás, nem gosto muito de ver mágica e magia.
3 - Você já disse algumas vezes que tem esquizofrenia. Gostaria que você falasse um pouco sobre como isso influencia a sua escrita.

Sou esquizofrênico. Tomo remédios coloridos para poder me controlar e viver da melhor forma possível. Se devo algo – e devo muito –, devo a escritores como Ruben Fonseca, João Gilberto Noll, Wilson Bueno, entre outros; eles é que fizeram eu escrever. Acho que estou indo, mas muito longe deles. Aliás, não dá nem para chegar perto de gente tão boa como esse pessoal aí de cima. De modo que a esquizofrenia em si não me ajuda; muito pelo contrário, me atrapalha. Ser esquizofrênico é muito difícil. Depois que li num compêndio psiquiátrico que a esquizofrenia é uma doença “altamente incapacitante” fiquei preocupado. E se eu piorar? Como manter um controle para escrever? Existe o mito esquizofrenia/inteligência. É um problema. Imagina o que o matemático Nash teria feito se não tivesse alucinações persecutória e ouvisse vozes e visto alucinações. Sua contribuição teria sido bem maior.
Van Gogh. não teria arrancado a orelha e talvez não tivesse feito sua obra com tamanha criatividade. Mas teria vivido melhor. Ser esquizofrênico é muito ruim e não faz de ninguém um ser melhor.

4 - Imagino que algumas das alucinações que aparecem em "Todos os cachorros" você tenha experimentado, de fato. Mas nem tudo é memória. Como surgem essas idéias alucinatórias, esse jeito no qual a própria linguagem puxa o insólito?

A esquizofrenia tem diversos níveis. Cada louco é um louco. Na minha experiência não tive muitas alucinações auditivas e visuais. Mas vivo com sensações persecutórias. Acho que estão me perseguindo e que vou ser assassinado. Convenhamos que isto não trás tranqüilidade. O que tenho é atualmente chamado pelos psiquiatras de distúrbio delirante. Para o livro coloquei um protagonista que via e ouvia alucinações. Aproveitei experiências do meu irmão Bruno. Ele é bipolar e já teve uma psicose séria. Só voltou a si graças ao eletro-choque. Ficou abobado, mas agora está normal. Misturei também as duas internações que existiram na minha vida. A primeira foi muito traumática. Fui internado com camisa-de-força. Me botaram num cubículo. Me deram um sossega-leão. Fiquei na ala destinada ao Suis. Foi horrível. Um verdadeiro pesadelo. O lugar da clínica onde fiquei era tão ruim que o chamavam de Carandiru. Mas não culpo ninguém da minha família por isso. Não havia outra opção. Amo muito minha família.

5 - Você está investindo mais pesado na prosa?
A poesia secou em mim. Eu já escrevi muitos poemas. A maioria da minha produção é disso. Mas a prosa vem me dando mais frutos. Também não consigo escrever algo um pouco melhor no formato poema faz muito tempo. Sinto que não tenho nada mais a dizer. Apesar de a poesia me tocar, eu sinto que ela está me abandonando. Fugindo. Escondendo-se de mim. Mas confesso que tenho mais facilidade de escrever poemas, um tanto ruins, é verdade. A prosa é uma coisa difícil e não me faz mais feliz. Tenho dificuldade realmente. A prosa requer uma paciência que tenho aprendido.
Tenho uma teoria boba na poesia: a de que a forma tem que ser apolínea e o conteúdo dionisíaco. Mas isso só vale para um estudo superficial, porque forma é conteúdo. Digamos que o apolíneo e o dionisíaco me abandonaram. Fiquei muito só na poesia. Percebo também que meus poemas estão meio que datados (alguns). Procuro sempre novas formas de escrever algo. Sou impaciente. Mas percebo que era melhor poeta quando tinha mais caoticidade nas minhas coisas. Hoje escrevo de forma mais simples. Nunca perfumei a flor, contudo fui simplificando demais meu texto. Também tem algo que ainda não disse. Minha prosa é meio poema. Uma elipse aqui, uma metáfora ali, e assim seguimos.
6 - E a poesia, como anda?
A poesia é uma coisa muito difícil. É complicado publicar um livro. Custa um dinheiro que não tenho. Gostaria que ao lerem minha prosa fossem procurar meus poemas. Existem três e-books sobre loucura e internação. O primeiro é “Síndrome”. Graças a este livro fui incluído na antologia feita por Claudio Daniel e Frederico Barbosa. Ela se chama “Na virada do século – Poesia de invenção no Brasil”. Foi uma vitória, porque lá estou junto com nomes bacanas. “Síndrome” é sobre a minha primeira internação. Tem uma linguagem muito particular. Pode ser encontrado na editora Virtual Books. Também por esta casa editorial publiquei “Suorpicios Mind”. Trata-se da minha segunda internação. Falei muito dela na primeira pergunta. É um texto em que há muito o hermetismo e um pouco da coisa surrealizante. O outro e-book está no site da Germina. Denominei-o de “Cataclismo”. Tem o prefácio de Sebastião Nunes que captou bem o que eu queria abordar; ele foi muito simpático. A temática é também a mesma, mas os poemas formam um conjunto, digamos, mais harmonioso e a escrita não é fechada. Gosto disso. De mudar de estilo. Sou qualquerista. Um movimento que inventei. O qualquerismo tem um integrante só. Um movimento do eu sozinho.
Mas uma coisa que queria deixar claro. Não sou médico, psiquiatra ou psicólogo. Me formei em jornalismo. Não quero ser conhecido como um chato que só fala de loucura. Nem como portador de uma boa nova. Tenho outros e-books e o meu primeiro livro impresso chama-se “Há flores na pele”. Um livro sobre amor. Afinal, o amor.
7 - Na verdade, será que é possível, ainda mais no seu caso, separar poesia de prosa?
É possível, mas não no caso de “Todos os cachorros...”. O bom deste livro é ser uma prosa sem muito limite, mais parecido com determinado tipo de poesia.
Como comecei escrevendo poemas e me dediquei a isto desde os dezoito anos, penso que é uma coisa que acontece naturalmente. Pelo menos foi assim com “Todos os cachorros...”. Mas tenho livros menos próximos da poesia. Inclusive o que estou escrevendo.
Creio que – como trabalho nesta nova narrativa com outros temas que me pedem outra escrita – este texto novo vai seguindo na direção que acho mais correta. Uma coisa mais contida. Por enquanto estou com um material de um romance de 300 páginas. Chama-se Tripolar. Serão novelas que, entrelaçadas, podem dar em um romance. Preciso trabalhar ainda muito neste novance. É como chamo este misto de novela com romance. Mas o importante é que é uma narrativa que não entra em uma categoria específica. É um híbrido, melhor, uma mixagem como se eu fosse um dj.
8 - Você já lançou e-books, tem um blog, colabora para sites, tem uma vasta produção online. Como a internet incide na sua criação?
A internet foi mais importante na minha formação do que na minha criação. Comecei publicando um e-zine. Era um fanzine distribuído por e-mail. Publicava poemas, textos e entrevistas. O nome deste veículo que escoava a minha produção era Balacobaco. Circulou por quase seis anos. Pude entrevistar diversos escritores. De alguns virei amigo. Eles me mandavam seus livros. Assim entrei em contato com boa parte da produção de literatura da nova geração. Depois veio o site Caox. Eu fazia o design do sítio cibernético. Fui um dos fundadores da revista Agulha. Colaborava como webmaster e como repórter. Mas só fiquei um número. Não gostava muito da função de web designer. Hoje em dia atuo em três frentes. Atualizo o meu blog http://lowcura.blogspot.com e faço entrevistas e resenhas para a Germina http://www.germinaliteratura.com.br e ainda edito junto com o poeta Claudio Daniel a revista Zunái http://www.revistazunai.com
Não considero que exista uma escrita específica na internet. Fica claro que o que há é um vocabulário diferente, mas ainda não chegou a influenciar tanto assim os escritores. Muita abreviação e adaptação. Creio que caberá à moçada da novíssima geração escrever o internetês em livro. Como tenho 43 anos, não fui educado com essa linguagem. O fato: existe uma nova forma de escrever no mundo, mas desconheço ainda algum escritor que trabalhe ostensivamente neste sentido.
9 - E o pesa-nervos acabou?
O pesa-nervos foi um blog criado por mim, pelo Franklin Alves Dassie e pelo Leonardo Gandolfi. Eles não estavam ainda nesta onda da rede que passou a ser surfada por muitos. Franklin e Leonardo são professores universitários, outro clima. Têm uma bagagem cultural muito enriquecedora para mim. Tornamo-nos grandes amigos.
A princípio eu atualizava o blog, já que tanto um quanto o outro não estavam enturmados com o formato. Publicávamos textos pequenos, poemas, fotos de telas, cultura em geral e poesia no particular. Aos poucos Franklin e Leonardo aprenderam como fazer um blog e então o primeiro ficou com o Pesa em http://pesa-nervos.blogspot.com e o segundo criou um chamado Robert Míssil. Todos moramos no Rio de Janeiro e mantemos um profícuo relacionamento cultural e de amizade.
10 - "O louco é muito sedutor", diz um trecho do livro. É verdade?
É uma verdade relativa. Temos que relativizar e ver que tipo de louco é sedutor. O louco que seduz é aquele que não tem conexão muito forte com a realidade e vive dentro de um estereótipo: o de usar roupas folclóricas e ter todo um aparato que o faz ser reconhecido como doente em qualquer lugar.
11 - E para a literatura? A loucura é sedutora?
Esta pergunta está ligada à de cima. A loucura que interessa é a esteorotipada. Existe muito esquizofrênico e muito bipolar que tenta e às vezes consegue levar uma vida normal e até ter uma visão crítica da própria da doença. É o meu caso. Mas o doente mental que interessa mesmo é o folclórico. Como me visto como uma pessoa normal e tenho uma articulação discursiva boa, não devo ser muito interessante para isso.
12 - Falemos sobre a produção dos loucos. No campo cultural, quais os loucos que mais lhe instigaram?
Van Gogh foi quem mais me instigou. A relação que tinha com o irmão é muito parecida com a que tenho com meu irmão Bruno. Ele é um puta companheiro. Nós nos ajudamos mutuamente. Outro que era diferente é Marcel Proust. Talvez não tivesse uma patologia forte, mas não tinha um grau de sanidade muito alto. Sua contribuição à literatura foi fundamental. Outro borderline era o Kafka. Chegou a ponto de pedir ao seu melhor amigo que queimasse quase tudo que havia escrito. Ainda bem que isso não aconteceu. Artaud vivia uma dupla dificuldade: homossexual e louco. Há muito o que falar nessa seara, mas, sinceramente, não me sinto muito capaz de falar bem disso, acho.

Saturday, December 06, 2008

DOMINGO.

Tudo é cheiro nesta esquizofrenia inoculada.
De viver cansado (e com alguém para amar)
também me canso. Este céu que eu respiro,
a quase um pulo, é todo decadência. Os deuses
todos provaram todos que não estão nem aí
para nós. Peido na farofa e sei que vou morrer
asfixiado. Tipo um suicídio quase tão presente
quanto este domingo. Quando algum efeito
colateral provocar em você (não me provoque).
Quando o quase toque vai se aproximando
sei que me afasto. Talvez não queira só um
simples contato imediato. E sim colocar na
boca coisas várias como Eros e Tanatos,
Ogum e Cristo rei: ou algum deus Inca
que não sei o nome. O que será que Platão
queria dizer ao certo não sei nada. Alguma
espada vem se esforçando para degolar-me
e a primeira coisa que quero quando chegar
é uma vitamina de banana: banana engorda e
faz crescer. Tostines só é bom fresquinho
e ele está sempre bem fresquinho e pronto como eu.

Thursday, December 04, 2008

JB ON-LINE.

Salve pessoal

Juliana Krapp, do Jornal do Brasil, fez uma entrevista legal comigo. Convido-os a darem uma olhada em http://jbonline.terra.com.br/editorias/ideiaselivros/

Wednesday, December 03, 2008

FOLHA DE SÃO PAULO, SEXTA-FEIRA PASSADA.

Todos os Cachorros são Azuis – Rodrigo de Souza Leão

Houve um tempo em que nem todos os escritores desejavam ser Charles Dickens ou se identificavam dizendo “sou apenas um contador de histórias”. Esse tempo acabou, mas volta e meia surge alguém para lembrar que a literatura nem sempre se compõe só de historinhas contadas tim-tim por tim-tim. Não me refiro ao experimentalismo inócuo (se chamam o romance de experimental, é porque a experiência não funcionou, dizia William Burroughs), mas à porra-louquice literária e muito bem-vinda.

É onde se encaixa “Todos os Cachorros são Azuis”, novela de estréia de Rodrigo de Souza Leão. Misto de diário hospitalar com delírio quimioterápico, é um livro que tem antepassados em Lima Barreto, Maura Lopes Cançado, Campos de Carvalho e Waly Salomão. Doidão, o narrador vai parar no hospício, aonde encontra seus melhores amigos, Rimbaud e Baudelaire. Curado, funda uma religião, o Todog, e uma nova língua. “O que é a morte, mãe?”, ele pergunta. Ela responde: “A morte é uma novela da Globo, filho”. É de morrer de chorar. Ou de rir?

Joca Reiners Terron

Tuesday, December 02, 2008

E-MAIL DE UMA LEITORA.

Olá... ainda não sei como usar um vocativo apropriado, visto que ainda não nos conhecemos, embora eu saiba seu nome, mas creio que não seria apenas o nome o suficiente para me dirigir a você com intimidade. Quero apenas dizer isto: engoli um livro! O nome dele é "todos os cachorros são azuis". Foi uma atitude um tanto quanto esquisita, visto que não é do meu feitio fazer isso com este tipo de objeto, não assim, em um quarto de hora, como diz nosso mestre Saramago. Engulo, sim, livros. E sempre. Mas não sem mastigá-los. Tudo começou assim: na escola em que dou aula (Lá no Pedro II de S. Cristóvão) encontrei, sobre a mesa da sala dos professores, o livro mencionado. Achei o título digno de uma excelente experimentação. Então, perguntei a alguns colegas de quem era aquele pertence. Surpreendentemente, ouvi de uma professora de matemática que aquele livro foi trazido por ela e deixado sobre a mesa de professores, para que o mesmo fosse adotado por alguém que tivesse algum interesse. Ela mesma não o seria. Eu o quero, disse. Posso levá-lo? Claro! Disse-me ela. Peguei-o e o pus na minha bolsa. Confesso que o título provocara em mim, de imediato, uma louca vontade de iniciar a leitura ali mesmo, naquele momento. Mas eu estava repleta de provas, redações e trabalhos de Literatura para serem corrigidos. As notas deveriam ser entregues o mais rápido possível e “euzinha” não poderia me atrasar, furar os prazos. A DIREÇÃO não iria gostar nada disso. Foi então que tive que adiar a leitura do título instigante. Foi então que o fenômeno aconteceu hoje, quero dizer, ontem (escrevo "demadrugada" e me refiro ao episódio da noite de 29 de novembro de 2008). Engoli o livro! Não sei como. Simplesmente aconteceu. Assim do nada. Como o EU do livro engoliu um grilo na adolescência e depois um chip. Eu engoli o livro. Comecei a lê-lo exatamente às 21:12, na mesa do Sobrado das Massas (no bairro de S Teresa, onde levo minha vida), enquanto aguardava, ansiosa, a vinda de um Fetuccine a 4 queijos ( eta coisa que vem quente!...). Desci o morro e cheguei à Lapa, mais precisamente no Clube dos Democràticos, na Rua do Riachuelo, no. 91, onde continuei a leitura e a finalizei- ali mesmo, não sei, e nem se sabe como, mais ou menos por volta das 3:00 da matina. Confesso que não tive como mastigar nada. Apenas engolia, num único fôlego e de modo inexplicável. Digo como foi: sou professora de Língua Portuguesa e de Literatura brasileira, mas trabalho junto à produção dos grupos musicais "Anjos da Lua" Orquestra Republicana", há seis anos. Por isso mesmo, tive que findar a leitura ali, engolindo cada frase, sílaba, morfema ou fonema, enquanto recebia os “festivos”, entre uma cobrança e outra de bilhetes de entrada. Engoli numa ânsia estranha a mim mesma, sem mastigar nem solver, sequer, a prosódia. Apenas foi! Findei o livro!. E queria muito dizer-te, humildemente, que fiquei fascinada pelo Eu que fala, que conta sua história, que sofre porque se acha um caco e que precisou quebrar tudo para se livrar dar dor de se sentir cacos. Que quebrou a casa dos pais e foi parar no hospício, que tem como amigos imaginários o Rimbaud e Baudelaire. Que engoliu um grilo e depois um chip. Que é gordo e gosta de goiabada, por ser a melhor comida daquele lugar. Que é acusado de matar o Temível e que sabe que é inocente, mas se angustia. Que, enfim, fez-me chorar e sorrir, quase gozando de estar descobrindo aquela história.
Obrigada, VOCÊ, por me propiciar este doce delírio, assim, de maneira inusitada, depois de um dia dormindo, sob a chuva incessante, para trabalhar descansada durante a noitada adentro. Que delícia de viagem! Que doce e leve loucura!...
Vai adiante Rodrigo! E nunca perca esta reticência que nos leva longe, longe, muito além de Pasárgada, Paracambi ou do próprio Caju.
Um grande abraço, Gilda.
Amei descobrir esta linda história! E como amo agora aquele gordo garoto me apresentado por você.
Abraços “santateresianos” e daqui a pouco tem Krassik no Parque das Ruínas (de graça, a partir das 18h.) Preciso, pois, mimir...

Sunday, November 30, 2008

RESENHA DE AMADOR RIBEIRO NETO.

Todos os cachorros são azuis
Amador Ribeiro Neto

O que é que você faz quando lê um livro, gosta imensamente dele, mas de tanta satisfação fica atordoado como o personagem principal? É o que me aconteceu depois de ler “Todos os cachorros são azuis”, de Rodrigo Souza Leão, editora 7Letras.
O livro não pé nem cabeça. E faz questão de não ter. Se você forçar a barra vai encontrar um fio mirrado de narrativa. Mas só se forçar a barra. Se se deixar levar pelo ritmo das palavras, pouco se importando com que diabos de gênero literário ele parece, vai ficar em dúvida. Ensaio? Poesia? Conto? Romance? Teatro? Roteiro cinematográfico? Rascunho? Diário? Diário de um louco? Tributo a Nietzsche? Ao José Mojica Martins? A Artur Bispo do Rosário?
Não se meta a engraçadinho querendo botar ordem no hospício das palavras esplendidamente encadeadas na estréia do poeta RSL como prosador. Prosador? Bem, é o que diz a orelha do livro. Mas, tal como os loucos, pouco ouvido devemos dar a palpites que vêm de estruturas viciadas/vigiadas. O caminho entre uma coisa e outra (seja esta coisa qualquer coisa e a outra idem) é vicinal. Como no interior do país. Como nas marginais das metrópoles.
Van Gogh cortou a orelha. O personagem principal desta geringonça de palavras não cortou nada além da lógica, da ilógica, da analógica. Deixa o leitor assim: com cara de quem tomou Haldol. E viajou. E viaja. E está aqui e agora. De repente escapa. Encontra Baudelaire, geralmente de mau humor. Cruza com Rimbaud, este mais desencanado. A modernidade dá as caras e mostra seu preço. Todog pode ser o salvador. O caminho. A saída do supermercado de sabão e cebola.
Sim: tem família no meio. Pai e mãe e irmãos. Claro: como um louco existiria sem família e sem hospício? Faz parte da cena real, irreal. É do roteiro. Do desnorteio.
O grande gancho está no fato de este texto tomar o leitor como comparsa numa levada de contrabando. Não diria um seqüestro, pois o leitor é levado porque consente. Poderia desistir na primeira página se quisesse. Mas ele não quer. Ou não consegue. O que dá no mesmo. E assim o livro vira a morada do ser-leitor.
Os cachorros azuis do título do livro não passam de um cachorro de pelúcia, inútil como todo bicho.... de pelúcia. O narrador manda o leitor lamber sabão. Ou cortar cebola. Entendeu, hipócrita leitor, meu espectador da MTV. Meu igual, meu irmão de Arrigo Barnabé. Clara Crocodilo escapuliu. Em tempo: a Terra é azul.
(publicado no jornal “a união”, de 25/11/2008, caderno de cultura, p. 20).

Saturday, November 29, 2008

Às vezez acho q vou morrer envenenado. Às vezes tenho certeza. O que me falta é o sempre para enfrentar os cheiros e a doençaa. Querem me matar.

Será que o dia que for seu
serei céu?

Friday, November 28, 2008

CINEMA.

A arte maior de Walter Benjamin. Uma sinuca de bico todo o dia. Só consigo falar de você tatuagem nua. Em alguma manhã como agora estarei acordado e escrevendo de novo a você ou será a última vez que Tróia será invadida. Mataram Agamenon. Glauber Rocha era que sabia fazer cinema. Com a máquina na mão e um berro na garganta. Um berro na mão e um berro na mão de lampião. Dois berros que berravam. Alguém chega bem próximo de mim. Agora estou tão longe e com péssimos sentimentos sobre o mundo. Você traiu? Perguntei a um amigo como foi. Se teve muita festa e cerveja. Se foi uma reunião social. Me falaram que foi um bacanal. E você não se portou bem. Estou tão distante agora que não quero mais falar com você nem mais um segundo. O telefone não toca e com o movimento da terra tão cansada sobre seu eixo e durante todo o tempo todas estas voltas sobre si que ela deu. Imagina nós rodando num espeto de churrasco. Quem ficará até o fim do campeonato. Por que estes caras darão as cartas e continuarão ganhando o jogo. Tudo não passa de uma ação entre amigos. Cinema é uma arte menor hoje em dia por que se prender ao realismo quando deveria ser mais do que um documentário. Alguma barreira astuta me impede de tocar em mim. Nasceu o oculto e frágil olhar. Nasceu. Nasceu. O ódio nasceu.

Thursday, November 27, 2008

Eu bem que queria
umaAmnésia
pra esquecer cada dia

Wednesday, November 26, 2008

FRIO.

Quando o quando voltar
Do último lugar conhecido por mim

Estaremos juntos no fim
E no início um todo acabado

Uma lápide com meu nome, minha idade
E telefone

Que é para contatar eu como ET
Em algum lugar menos escuro do que

Seu corpo às vezes me traz o que não quero
Berro

O vácuo é só uma questão de tempo

Tuesday, November 25, 2008

LOUCO COMO EU SÓ EU.

Comeu hipófises
eletroblastos e
osteócitos. Mal
me quer celular.

Bem me quer em
arterial compasso
de espera aspirai
cocaína e caos em

hidrólise de rum.
Campeniquanum
sendonum est pó
rus day in day o

R day in and out
]open in the samba[
Cocaína e caos em
tempo de têmporas.

Maça rubra rosto.
Folha morta de nervos
de fígado bife de
fígado do bife de

fígado no olho contra
a dor de cabeça contra
os do contra contra os
contrários do contra

Sunday, November 23, 2008

.

1.Uma barra de ferro num canto
Ele pega a barra de ferro
Ela recebe uma cabeçada
Depois leva com a barra
de ferro na cabeça
e vai para o CTI

2.Quem sabe o que ele queria
Ele diz que queria um beijo
que ela nunca quis lhe dar

A barra está suja de sangue
Os peritos estão na porta
Há pegadas e o que ele fez

Arrumou a cena do crime e
ela morreu dois dias depois
Hoje ele faz sexo com o xerife

Na cadeia todo mundo faz sexo
Todo mundo é mais normal

No hospício era bem diferente
Todo mundo era animal

Saturday, November 22, 2008

SE AFOGANDO NA PRAIA DA MACUMBA.

ar
com
flor

isopor
de
leite

ferrugem
nas
ondas

mar
de
pôr
do sol

surf
de
peito

areia
branca

ancas
de
fora

a flora
me olha
de lado

garrafas
sujas

mentes
limpas
de sal

binóculo
de
biquíni

anzóis
entre
nós

peixes
de chupeta
plástico

neura
nóia
pânico

água
agu...
ág...

Friday, November 21, 2008

A ESSÊNCIA DOS CASTRATI.

São sonhos
nada mais que sonhos
Medonhos por serem sonhos
Por serem do que somos
:
o humos

Wednesday, November 19, 2008

45.

Faltam 2 anos e 7 meses
para eu levar a dedada

Dizem que não dói nada
mas é q sou virgem

Dizem, todos dizem
que voltam vivos

Mas se eu gostar
e de lá não voltar?

Tuesday, November 18, 2008

BATMAN E ROBIN.

O Batman poeta
Tem um cinto de inutilidades

Por que nada o afeta
Desde a sua puberdade?

O Robim dito
Menino prodígio

Não era nem um papagaio
Estava mais para periquito

Jovem e esquisito
A quem fale que a relação

Tem que ser igual a um filme
Sem the end no final

Que nunca termine!

Só não sei quem comia quem
Ou se ambos se comiam

A verdade é que ser gay
Pouco importa

O que vale é que riam
Na cara do Coringa: uma torta

Eles comiam

Sunday, November 16, 2008

GOGH.

A aparição por si
nequan
on(m)
só fez desligar

O andador anda só

Volta no quarteirão

Algum(a) en-ig
nigção

outra

qualquer poema paira
sob
o sol a si desbota
tbm terra: cor do ofício:
amarelo

Saturday, November 15, 2008

NUM DIA DE CHUVA.

A sombra vai
pra onde vou
Ela cai

A sombra não
me abandona assim
Só tem fim

quando a abandono
e a mim

A sombra é
um bocado de coisas

Nem quando morre
ela vai

Acordar o defunto
a sombra é

um péssimo assunto

obs.: Está chovendo. São nove horas e trinta e oito minutos. Acordei muito cedo e venho sentindo muitos cheiros. Eu não acredito em cheiros inofensivos. Mas estou aqui para dizer que este é um poema ruim, um péssimo poema. Um poema antigo. À moda modernista sem descontinuidade contemporânea.
Pode ser uma besteira. Mas fiz outro poema e não monstrei pra ninguém. Nem para o Franklin e nem para o Leonardo. Isto significa que sou um covarde que não aguentaria ouvir: "esse poema é ruim". Mas a vida é feita de poemas ruins. Poemas ruins que vão se somando. Dizem que sou melhor prosador do que poeta. Os prosadores dizem que sou poeta. Os poetas dizem que sou bom prosador. O que será que sou? A idiotice em mim cresce à medida que escrevo. Paro por aqui. Ser ou não poeta.
OUTRO POEMA RUIM.
Quem nunca escreveu um poema ruim como este que atire a primeira pedra.
Ai, ui!. Oh céus! Oh dor!
Como tem poeta bom!

Friday, November 14, 2008

ANTIPENSAMENTO.

Às vezes o que a pessoa pensa é só uma coisa que a pessoa pensa e só ela pensa. Outras vezes outras pessoas pensam outras coisas sobre o que existe. E ainda muitas vezes todos pensam a mesma coisa: o que de fato dá mais força para a coisa em si. Mas a coisa em si não fica mais forte quando há uma unanimidade. Somente quando um pensa e aquele que pensa sobre a coisa em si é uma pessoa especial para a flor da espécie, somente aí o que a pessoa pensa sobre o objeto em si valoriza o objeto em si. Mas não penso sobre o que pensam de mim. Não importo muito com o que pensam, mas o pensamento nulo é chato. Talvez seja fundamental não pensar. É o que busco mais no meu dia a dia. Viver não é pensar. Há um tempo para tudo. Tempo de viver. Tempo de pensar. Nem sempre estes tempos caminham juntos. Quase nunca há um caminho em comum. Por isso procuro não pensar: sou quase sempre antipensamento.

Thursday, November 13, 2008

O GLOBO. PROSA E VERSO. 8 DE NOVEMBRO DE 2008.

Leveza e lirismo para abordar o tema da loucura

Estréia de poeta na prosa teve apoio de programa da Petrobras

Elaine Pauvolid
O livro de estréia de Rodrigo de Souza Leão na prosa, a novela “Todos os cachorros são azuis”, tem como mote a vida de um interno num hospício. Foi escrito com patrocínio da primeira edição do Programa Petrobras de Cultura (2006/2007) na área de literatura e baseia-se em experiências do autor, carioca de 1965, conhecido no meio literário pelos poemas do seu blog e do livro “Há flores na pele” (Trema), assim como pela co-edição da Revista “Zunái” (http://www.revistazunai.com/).A história se divide em quatro capítulos e tem como cenários principais a casa em que o narrador-protagonista mora com os pais e um hospital psiquiátrico. Um assassinato no hospital, a fundação de uma religião e uma nova linguagem são as bases da narrativa. Há diálogos sem travessão e mudanças sem aviso prévio da primeira para a terceira pessoa: o contexto define quem está falando. O protagonista é descrito como “doente mental, esquizofrênico. Tem distúrbio delirante, tem delírios persecutórios” e conversa com Rimbaud e Baudelaire. Há ainda referências ao mundo pop, como propagandas de TV, músicas, personagens de desenhos animados e filmes.
Mergulhos delirantes e frases da mais pura poesia O tom coloquial e a ingenuidade do protagonista lembram a prosa de Salinger em “O apanhador no campo de centeio”. Rodrigo fala de redenção; Holden, o protagonista de Salinger, segue trajetória oposta, ao sofrer um esgotamento mental e ser confinado numa casa de repouso. “Todos os cachorros” tem mergulhos delirantes e frases da mais pura poesia. Como quando explica por que quebrou a casa onde morava com os pais, motivo de sua internação: “(...) porque sou feito de cacos e quando os cacos me convidam, desordeno tudo”.Ou quando critica a instituição asilar: “O hospício era um lugar cheio de flores lindas, mas podre por dentro. O modelo hospício tinha que ser mudado. Mas como a minha família me agüentaria quebrando tudo?” E há questionamentos existenciais: “No dia da crise não se pode fazer nada. E o que fazer para não entrar em crise?”. E apesar de tratar de tema tão doloroso quanto o da loucura, o livro é leve e cheio de humor. Interessante notar o surpreendente final. Lembra um fato real envolvendo um dos muitos leitores de “O apanhador no campo de centeio” e um ícone da música pop.

Monday, November 10, 2008

CRIANÇA.

abismo
sinto pela boca

a propensão
ao caos também

incerta
minha mente absorta

combina com os dentes
como encarnecer

tecer novos juízos
e absintos

correr um quarteirão inteiro
atrás do vento

que se quer na frente

TRECHOS DO LIVRO & ETC.

O Portal Literal disponibilizou trechos do meu livro em arquivo pdf. Para conferir vá em: http://www.portalliteral.com.br/banco/texto/todos-os-cachorros-sao-azuis

Ramon Mello fez uma entrevista comigo. Disponível em: http://www.portalliteral.com.br/artigos/fragmentos-humanos-entrevista-com-rodrigo-de-souza-leao ou
http://wwwb.click21.mypage.com.br/myblog/visualiza_blog.asp?site=clickinversos.myblog.com.br

Friday, November 07, 2008

SEI QUE VOCÊS NÃO AGUENTAM MAIS FOTOS, MESMO ASSIM INSISTO.

Telas de fundo.

Dulce, Babí e um chato.



Márcio-André e um certo ex-jogador de polo-aquático.





Eu e Franklin




 
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