NUM DIA DE CHUVA.

A sombra vai
pra onde vou
Ela cai

A sombra não
me abandona assim
Só tem fim

quando a abandono
e a mim

A sombra é
um bocado de coisas

Nem quando morre
ela vai

Acordar o defunto
a sombra é

um péssimo assunto

obs.: Está chovendo. São nove horas e trinta e oito minutos. Acordei muito cedo e venho sentindo muitos cheiros. Eu não acredito em cheiros inofensivos. Mas estou aqui para dizer que este é um poema ruim, um péssimo poema. Um poema antigo. À moda modernista sem descontinuidade contemporânea.
Pode ser uma besteira. Mas fiz outro poema e não monstrei pra ninguém. Nem para o Franklin e nem para o Leonardo. Isto significa que sou um covarde que não aguentaria ouvir: "esse poema é ruim". Mas a vida é feita de poemas ruins. Poemas ruins que vão se somando. Dizem que sou melhor prosador do que poeta. Os prosadores dizem que sou poeta. Os poetas dizem que sou bom prosador. O que será que sou? A idiotice em mim cresce à medida que escrevo. Paro por aqui. Ser ou não poeta.
OUTRO POEMA RUIM.
Quem nunca escreveu um poema ruim como este que atire a primeira pedra.
Ai, ui!. Oh céus! Oh dor!
Como tem poeta bom!

Friday, November 14, 2008

5 Comments:

fred said...

Francamente, sinto uma enorme dificuldade em aceitar classificar poemas. Há, evidentemente, alguns que gosto mais, outros que gosto menos, outros que não gosto. Porém é muito comum ocorrer que outras pessoas prefiram os que eu não gosto e não gostem dos que prefiro. Acontece, também, de eu gostar hoje de um que ontem não gostava, e vice-versa. É obvio que talvez isso só ocorra comigo, que eu tenha algum distúrbio impeditivo ou deficiência cultural, acadêmica, sei-lá-o-quê. Portanto, meu querido, não atiro pedras, recolho-as e te deixo um forte abraço.
Em tempo: ocorre também comigo que os ficcionistas prefiram meus poemas aos contos, e os poetas os contos aos poemas. Prefiro nem dizer o que eu penso disso. (risos).
Outro abraço

Cássio Amaral said...

fiat lux.

yehuda said...

há o pessímo, o ruim, o menos ruim, o mais ou menos, o talvez, o não entendo, o analfabeto, o construido,o elaborado, o hibrido, o bobo, o horrível, o que não faz sentido, o que fede, o que não é lido nunca, o esquecido...e
há o poema do Rodrigo
o meu amigo
um gênio compreendido
querido
jamais será esquecido
prosa ou poesia
é musica no meu ouvido
como a musica de Stravinsky

Paulodaluzmoreira said...

Esse post foi muito bom, Rodrigo. A nota no meio fez do poeema "ruim" um poema muito mais interessante do que a média. Tem gente que chama coisas assim de "texto híbrido", mas a quem realmente interessa segregar a poesia da prosa assim. Fiquei com ainda mais vontade de ler seu livro.

Leonardo Gandolfi said...

Apesar de tudo ou por causa de tudo isso, é um poemaço, não? -- já é outra coisa, outros critérios e o mesmo velho hábito saudável de nos deixar sem saber

abração amigo

 
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