Bombado

Mergulhei de cara no ar
Quando eu respirei
Meu coração ia a duzentos por hora
Capotar na primeira endorfina
E ir adrenalizado bater e bater
Até uma morte circunscrita
A alguns idiotas que me matavam
Mas eu voltei vivo
Da camisa de força que apertava
Ainda sem conseguir separar
A realidade da realidade
Por que tudo era realidade
Aquelas vozes que me esmagavam
Aquelas mãos que eram pinças
Aquelas pinças que pareciam caranguejos
E arrancavam meus pedaços
Mas não comiam
Porque era só por prazer
Que faziam aquilo



Friday, September 29, 2006

DE CIMA PRA BAIXO


Sou o melhor que posso
Possuo o melhor que sou

De mim sei não restará nada
Nenhum caroço, nenhuma empada

Às vezes me jogo do sexto andar
Às vezes me jogo do quinto

Mas nunca passo do chão
Do chão onde um fogo extinto

De um mendigo que me acudiu
É aceso toda noite

Toda noite um anjo cai
E um outro abismo cospe labaredas

Talvez o dragão seja hoje
O melhor amigo do fogo

Talvez seja o deus pra quem rogo
O último ateu suicida

Monday, September 25, 2006

Tenho fobia de gente
Mais de cinco
me deixam tonto

Um sexto
logo eu pensaria:
o que está fazendo aqui?

Ela não fala nada
Não ri
Nem nada

Não serve nem
pra dar um
clique

Num retrato chique
de nós todos
sorrindo

Ela veio
pra me irritar
sinto-me perseguido

Por sua bizarria:
será que está armada
ou é agente da CIA?

Monday, September 18, 2006

sistema*

a noite exala cemitérios
escovo as lápides como dentes
o hacker cheira cocaína nos meus alvéolos

15 engraxastes brasileiros e 200 bombeiros
morreram em Nova York
hoje quem sabe algum culpado será crucificado
hoje quem sabe algum deus surgirá

debaixo do entulho será
que a caixa preta dirá mais do que o povo negro sem fome
diz ao dizer que adora outro deus

debaixo do entulho será
que o sangue vermelho é igualmente vermelho em todo o lugar do mundo
desde que vivo ainda agora sobrevivente do que persigo

debaixo do entulho será
que um outro futuro existe ou será sempre em nome do pai
que matarás

debaixo do entulho será
que existem bíblias e alcorões queimando em igualdade de condição
ou será que só existirá

o corpo de um jovem mais jovem do que eu
suicidado por a si suicidar

* poema escrito na noite do 11 de setembro. Eu me achava jovem!

Monday, September 11, 2006


Um locutor me anunciava:
“Direto do útero materno
para o inverno do inferno

Rodrigo de Souza Leão”
Fui aplaudido e assinei
a carteirinha de sócio-atleta

Monday, September 04, 2006

Tantos baiacus
voando cócegas

Tantos meninos
engordando

Quantos ventos
lutando na biruta

Voando cócegas
quantos céus em mim

Baiacu engordando
explode infinitos

Sunday, August 27, 2006


por Paulo de Toledo e Rodrigo de Souza Leão

Tuesday, August 22, 2006



1. Abrolham vulcões pela pele

Erupções compõem
o amarelo

Elos de luz
Pus em pus

2. Cavalo sem crina
branco

Cuspindo falésias de
seda turquesa

Todavia o mar bordejando
aspergindo

gotas

Água de calor
vulcânica quase ar

Quasar

Pulso móbiles redoma
Aquário de fumaça

Cospe sombras
cadências cardantes

Cabelos crinas d’éguas
Bolas de sabão

explosão

3. Fios de ouro
preto

virando olhos
claros

Fumaça, fuligem
cinzas

apenas tragadas
d’eu(s)

4. Deitado olho céu
Magma jorra

da jarra – corpo
copo de cinza

5.Gatos lambendo
a pele de filhotes

Morreram na guerra

Dromedram desertos

Gatos miragens
Nesgas de aurora

Intermináveis dores
erupções e mordiscos

Vulcões bons apenas
quando mortos

Estou comendo crepúsculos

6. Brisa maquinal
Matina eterna

Vento de bolso

Barcos velejando

Miragens aquosas –

Sopro endêmico
mixando suores

Odores espinhas
Rugas melecas

Despojos restos
Andrajos orgânicos

Verdadeiros oceanos
de frios sonhos

Pesadelos e infernos

7. Rastafári safári
em mim

Elefantes trombetas
esporrando

Sangue saliva
seiva e pus

8. Via Delfos delfins
e hienas

E sua cria de corvos
amestrados bicavam meu ventre

arrancavam palha pulhas palha
palhaços

Thursday, August 17, 2006

ESTRELAS

Os anjos estão dispostos a nos ajudar
É meia–noite e eu me divido em três
Sou o cavalo branco diante do abismo
E o morcego que vê na escuridão
E a esfinge que baba sêmen

Alguns corvos estão a nos olhar
O nosso longo beijo de compreensão
E a morte tão próxima quanto o medo
De que um anjo vire uma verdade suspensa
E assim se enforque com a própria luz

E um anjo enforcado é mais um aviso
De que a voz que escuto em mim
Continuará a pedir ajuda a todos
Haverá então o encontro das trevas com a noite
E eu ouvirei outras vozes além daquela

Que dirão que tudo está no início
E o universo ainda não copulou com a terra
E o dia que isto acontecer
Será o início de uma nova era
Será noite de dia e de noite

E os zumbis jogarão xadrez com o resto
De corpos mutilados
E o fogo inundará as pradarias
Aí os loucos estarão todos livres
Por que todos estarão loucos

Friday, August 11, 2006

Este poema foi feito após minha segunda internação. Dormia no mesmo quarto que um outro louco que só fazia repetir: eu vou pra Paracambí se vc num comer vai pro Caju. Paracambí era onde ficava um hospício e creio que o Caju era o cemitério. Deve ter sido alguma coisa que repetiam muito pra ele. Não sei.

diário 002.01 [E alguma luta haveria de persistir naqueles olhos que duvidavam de tudo. O policial César Amparo foi internado no hospício.]

extremo



amparo ampara e dorme de vaga aberta
a onda que opera nele diazepan ou lexotan

satã ao seu lado e do meu deus dormindo
a mímica do algoz em seu sorriso limpo

quanto de mim fica claro como o mijo
que bebo na falta d,água e de miragens

algum azul claro no céu pede que nuvens
venham salvar as fezes que ocasionalmente

rolam como pedras que não criam limo
ao som de Sabath cantando Born to be wilde

trepidam os loucos e no gardenal flutuam
bolas três vezes ao dia todo dormindo

césar amparo beija na boca de Sabath
que homem não pula mais que ele agora

Sabath comeu uma juba e cospe vírgulas
na orelha de amparo alguns sutiãs se aquecem

são os bicos dos seios de Karina e suas coxas
anelando minhas mãos que cofiam o ralo

barbeado mal feito pelo que restou de presto-
barba azul e barba vermelha e barba papa e

sorria que estou te filmando e vai Serginho e
vai Serginho e puta que o pariu cotia não

na noite a escuridão acende a Rocinha
as orquídeas brotam na beleza dos olhos

da Lua cheia que explode na água ao som
do testículo de mármore moído por Alfonso

eu vou pra Paracambí e tem que comer senão
vai pro Caju e metrô Estácio e Tijuca e Paracambí

Vanessa olha os olhos em sangue do sargento
no pico hiper-tensivo de um assobio doido

ele lê cantando um texto que fez ontem
para hoje ser lido na dinâmica de grupo da Dra.

pouco mais velha ou muito mais nova eu não
quero nada que não seja o desenho de prata

no arco do sorriso de uma doida que lembra
a minha mãe e me dá um beijo e diz que garoto

bonito que garoto bonito que garoto bonito

Ana é internada de manhã e amarrada na cama
não mama não come não nada e assim como o

procurador mente brilhante e brilhantina no cabelo
atesta que detesta eletrodos na testa mas adora

ouvir o funk carioca da favela que minas pow
paulista big brother e casa dos artistas

café e leite com água fervendo na cuca legal
macarrão no almoço e no jantar gardenal

na noite tem jogo da seleção e se enfermeira b
deixar deixará de novo a tv ligada na globo

e vc tudo haver ou a ver ou haverá ainda
outro céu que não as grades de ferro cromado

engolindo a noite e alua de Cortazar enforcada
e escaldada entre a química cerebral e Deus

quem pode com um ateu quem quer que seja eu
sei que Ana dorme no pé de Alfonso e presa a cama

babam e babam e babam enquanto tremo pedindo
piportil ou acneton ou a hóstia e a extrema unção

Monday, August 07, 2006

1. Pânico no circo
aladodas têmporas

Endorfinas macaqueando
a goiabada pineal

Volts em volta
Eletrodos todos

De branco culpados
culpas pecados

Haldol no leite
Ralo do tempo

Clitóris de plástico
na sopa de adrenalina

2. Nódoas nuas cristalizadas na nuca
Nunca injete tudo

3. Camisa sem mão sem mangas
Nos olhos apenas antolhos

Na janela áurea de peristilos
punção de morte fode

4. Peixes fisgando anzóis comicham no corpo
Baleias de chupeta

5. Na veia sossegada o leão caminha
inválido de juba cortada, cuspindo
vida curta

Em curto circuito fechado
faixas vendas ferem as paredes

Sem degraus as pilastras
Sem grade degrade

Degradado de sol
de lua

Chuva desbotada
Eletrochoque natural

Enguias guiam os volts
na cabeça dos cegos de si

Thursday, August 03, 2006


VENDE-SE.


Guelras e silêncio. As formigas passeiam pelos peixes. Jonas e sua baleia estão expostos. À mostra toda a tradição. Estandartes nas mãos. Crianças começam a cantar o estribilho do hino nacional. As bandeiras se masturbam no vento. Poetas discutem complexidade do mundo sem complexidade. O hino é belo e a flâmula é verde e amarela. Eu só queria romper a bolha que me prende a esta casa e a estes metros quadrados. Eu iria à feira ver os peixes mortos. Sentir o odor fétido das sardinhas expostas. E não ler num blogue que tudo está a venda. Inclusive as cabeças dos líderes da oposição poética. Um a um decapitados por serem diferentes.

Monday, July 31, 2006


de Paulo de Toledo e Rodrigo de Souza Leão

Thursday, July 27, 2006



Uma Temporada nas Têmporas

lamina na goela estéril da minha criatividade toda lux luxuosa e rubra ruboriza aquele horizonte onde dante e algum demônio se dilacera numa verdade e alguma turbina de um avião cadaveriza o aerador fênix mordendo jorge de lima revirando na cova por ter citado o seu nome nesta nova trova embolada onde ponho todo o meu coração apodrecido por fezes e cactos e sêmen-lhantes que abominam alguns trocadalhos mesmo assim quem sabe me invento inventando um vento que turbine a alma daquela vela próspera em ignecer minha designição
- Eu surgi do nada e nunca fui ninguém. Queria perdoar meu pai mas ele não me pediu perdão.
Marx e Nietzsche conversavam sobre Zaratustra temendo que o fogo daquelas labaredas próximas destruísse o abismo que limita o fim e o início dele. Ele era Deus e se recompunha de uma fase onde as chamas foram fartas mas não fatais. Criar e Destruir. Aqui está a modernidade enforcada com seu próprio paradigma. Quem sabe um novo Deus virá?
Daniel B. E seu boné peludo com um pênis pediu para que Picasso acabasse logo de fazer o seu retrato.
Eu querendo ser James Joyce.
(marfim tristeza onde derrubam a profusão de idéias tolas que circundam o que todos esperam é que o ser seja o que todos são e iguais assim seremos animais também) Derrubem uma vaca e a defequem quando gozam. Os pássaros foram feitos para morrer voando.)
Triste hospício em que me visto em que me vasto em que insisto em devastar têmporas de verde e.
Um tablóide sensacionalista publicou uma foto da lady Diana dando um beijo na boca de um surrealista. Foi quando eu qualquer fuzilei um por um dos meus ídolos e ficou claro que teria que deixar de ser sensasurrealista.
James viu Joyce que viu Frederico que viu Nietzsche. Trocaram sorrisos e disseram que mesmo um beijo rápido que trocaram, não significava amor. Por que amor é Camões. É o fogo que arde sem se ver. Entre eles não havia nada além de poesia. Gostavam dos mesmos poetas e tinham certa erudição vulcânica: transbordante. Mesmo quando esporraram e cuspiram palavras cruzadas e bombas de efeito moral, se diziam pessoas tristes e inacabadas. Alan Kardec lhes havia dito que Nietzsche iria voltar. Daniel B. chorou como quem abandona o silêncio de uma rua da infância. Marx foi sarcástico e pediu que Sartre fosse crucificado. Picasso sorriu, sorriu tanto que ruiu feito um edifício explodido.
- Mas eu nunca li James Joyce.
- Eu também nunca li nenhum destes caros, mas se você complicar bem a coisa...
O olho esquerdo de Marcel Proust caiu de sua boca.
- Voltar! – gritou Nietzsche. Porra eu quero ir eu não quero voltar porra nenhuma.
Ouve-se Mozart num piano de cauda tão longo que o infinito daquele ponto de interrogação comeu o horizonte no peito do Charada.
- Quero Ac. Quero Ac.
Keruac surgiu com Freud. Freud disse:
- Esse povo quando quer zona quer a tempestade de um Amplictil. Ficam com
estes trocadilhos que não levam a literatura para lugar nenhum. Mas quem quer chegar a algum lugar e que lugar é este?
Assim todos esperavam sua vez de esperar.
Era o soma que estava em falta naquele inferno place. Motel vagabundo onde Elizabeth Bishop e Emily D. onde Breton e Piva onde Marlom Brando e Elvis se encontravam com Lou Reed, Yma Sumac e David Bowie.
(MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo1) Quero qualquer coisa qualquer nota qualquer dia e odeio aveia Quaker. Desejo o que respiro. Respiro o que desejo. Cada um é livre e pode se dizer poeta da forma como quiser e se expressar como quiser e a palavra poetastro será banida do dicionário. Todo o poeta é um bom poeta e Jesus Cristo que ia julgar os vivos e os mortos ainda não apareceu para me coroar com uma flor carnívora. Além do fim do poço há muita possibilidade de haver uma areia movediça no quintal de sua depressão. Por isso tudo pode piorar. Para que o Qualquerismo seja implantado é forçosamente necessário que os dez primeiros inscritos no movimento façam uma antologia poética com Os Cem Piores Versos dos Cem melhores Poetas de Todos os Tempos. Assim veremos que ainda somos piores do que o que os piores dos melhores.)
to cansado de escrever e como ninguém vai ler:
lamina na goela estéril da minha criatividade toda lux luxuosa e rubra ruboriza aquele horizonte onde dante e algum demônio se dilacera numa verdade e alguma turbina de um avião cadaveriza o aerador fênix mordendo jorge de lima revirando na cova por ter citado o seu nome nesta nova trova embolala onde ponho todo o meu coração apodrecido por fezes e cactos e sêmen-lhantes que abominam alguns trocadalhos mesmo assim quem sabe me invento inventando um vento que turbine a alma daquela vela próspera em ignecer minha designição
ao invés de enrolar prefiro copiar e colar:
(marfim tristeza onde derrubam a profusão de idéias tolas que circundam o que todos esperam é que o ser seja o que todos são e iguais assim seremos animais também) Derrubem uma vaca e a defequem quando gozarem. Os pássaros foram feitos para morrer voando.)
OS PÁSSAROS FORAM FEITOS PARA MORRER VOANDO.
MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo 2) Partindo do pressuposto de que tudo é tudo e nada é nada como nos dizia um dos dez maiores filósofos contemporâneos - o Tim Maia -, é que o pilar das patas bovinas do Qualquerismo deve ser fincado. Depois de uma antologia com “Os Piores”, é a hora de aliciarmos o maior número de adeptos a nossa causa. Para isso o departamento esportivo estará fornecendo a carteirinha de sócio-atleta aos dez primeiros que chegarem depois daqueles dez primeiros. Assim poderão todos os vinte freqüentar a piscina cheia de ratos da modernidade, e ouvir esta “chupação” extraída daquela música de Cazuza. Lembre-se que uma vez Qualquerista sempre Qualquerista. Todo o Qualquerista carregará um Q de (abrir o MINIDICIONÁRIO SACCONI DA LÍNGUA PORTUGUESA E LER DA PÁGINA 555 ATÉ A PÁGINA 662) dentro do coração e estudará apenas nos manuais da Disney. Aos jornalistas nada melhor do que o Manual do Peninha. Aos magos, como o nosso querido Paulo Coelho: o Manual da Maga Patalógica. Aos escoteiros: o Manual dos escoteiros. Ao Manuel: o Manual do Manual que é a bíblia de todo o Qualquerista.
Marx e Nietzsche conversavam sobre Zaratustra temendo que o fogo daquelas labaredas próximas destruísse o abismo que limita o fim e o início dele. Ele era Deus e se recompunha de uma fase onde as chamas foram fartas mas não fatais. Criar e Destruir. Aqui está a modernidade enforcada com seu próprio paradigma. Quem sabe um novo Deus virá?
Impávido Caetano Veloso é que não agüento mais. Ë muito espaço para uma pessoa só.
Pedem os piolhos que peidam. Pedem as algemas que prendem. Tudo quer e o querer e a vontade de ser é o que habita o instante que não se repete mais. Heráclito está no amarelado lago de Van Gogh. Heráclito pede uma orelha enquanto Dennis Hoper beija na nuca de Agripino de Paula.
Paulada.
Pau.
Pau grande de poder para embocetar-te de porrada.
OS PÁSSAROS FORAM FEITOS PARA MORRER VOANDO.
Pardal voando louco no infinito de uma boca sangrando sempre a procura de outra boca em que pardais que voam no escarro de Augusto dos Anjos que deve morrer como eu morri. Perdão meu pai é o que queria dizer mas meu pai não me pediu perdão e não me lê e não me quer mais agora aqui. É um pássaro dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um dentro de um pássaro e dentro de um pássaro e dentro de um pássaro: tal vôo só é possível se todos os pássaros se unirem.
Daniel B. Pergunta a Nietzsche:
- Por que você quer voltar?
- Eu não quero.
Daniel B. tira o seu boné e o seu rifle e atira no criador do seriado em que foi Daniel B. Daniel B. chora.
- Diga a ele que eu fico – disse Nietzsche.
- Posso ir então.
- Kardec quer que eu vá.
- Kardec não é Deus. Deus é o circular.
Havia um círculo redondo na palma da mão de Daniel B.
Ele continuou falando:
- Sabe quando a gente é pequenina como a ponta de um dedal e a gente acha que sabe tudo. A gente chega a juventude e acha que sabe tudo. A gente chega a idade madura e acha que sabe tudo. Por que a gente sempre acha que sabe tudo?
Nietzsche olhou bem naqueles olhos que eram ciclones e que diziam o que Daniel B. queria. Queria profundidade de um personagem de Marcel Proust. Ele queria ser Marcel. Daniel Boone não gostava de ser Daniel Boone e queria ser um abismo como foram aquelas outras almas tão torturadas mas que no fundo podiam ser miragens, palavras, canções, desertos, história em quadrinhos e mais uma pá de coisas e de cal sobre o assunto. Assim tudo ficou durante o tempo em que penso em algo e foi o suficiente para me perguntar; “por quê me metalinguo?” Assim surgiu:
(MANIFESTO QUALQUERISTA: artigo3) O Qualquerismo não é um movimento pois se pretende estático. O único movimento que pode se equiparar ao Qualquerismo em proposta é o MRU: Movimento Retilíneo Uniforme. Parar é andar para frente por mais contrário que possa isso parecer. Ócio total. Ócio parcial.Ócio ossal. Parar e olhar a natureza dentro de cada prédio negro além da vidraça. Parar para sentir a brisa do óleo que sobe. Parar e cintilar no corredor de ar entre o vazio que a cidade tem. Parar com o movimento por aqui pois devo mover-me, devo demover-me, isto eu acho.
populacho
prepopula
própopula
copio e colo:
- Eu surgi do nada e nunca fui ninguém. Queria perdoar meu pai, mas ele não me pediu perdão.
“Tornar-se pessoa. Thor nasce tornado. Tornar-se Tornado. Thor nasce Thor”.
Toni Tornado.
Nietzsche não queria o que Daniel Boone queria mas ambos eram populares em demasiado. Um tão gênio e o outro tão burro. Ambos bem pop. Um astro esquecido e idolatrado por milhões. Outro o filosofo da moda. O cara que fazia a cabeça de quem inventa de Quem I. De QI.
- Eu falo com Kardec que você quer ir em meu lugar e é você quem merece ser, o criador do Qualquerismo – disse N.
- Também acho. Mas será que este cara vai ser feliz?
- Um gênio!
- Então irei sofrer para caralho sabendo de que a inteligência não me ajudará de nada. Mas irei por que como Daniel Boone eu fui muito amado e quero sentir o que é o ódio.
- Saberá bem. Aprenderá tudo que eu disse e o pior é que você não porá em prática meus ensinamentos pois quem nasce para Daniel Boone nunca chega a Frederico. Nunca. Você viu o filme Traído pelo Desejo. Um escorpião é um escorpião.
Roberta Miranda cantava “Vá com Deus”. Kardec cochichou no ouvido de Nietzsche e Daniel Boone baixou em mim num centro espírita. Disse que iria ser, o criador do Qualquerismo. O movimento do eu sozinho. Disse para que eu fosse o meu movimento. Para que eu fosse fiel a ele e que o importante era se movimentar mesmo pedra.
Nasci. Os pássaros foram feitos para morrer voando. Mas nunca morrem assim.
lamina na goela estéril da minha criatividade toda lux luxuosa e rubra ruboriza aquele horizonte onde dante e algum demônio se dilacera numa verdade e alguma turbina de um avião cadaveriza o aerador fênix mordendo jorge de lima revirando na cova por ter citado o seu nome nesta nova trova embolada onde ponho todo o meu coração apodrecido por fezes e cactos e sêmen-lhantes que abominam alguns trocadalhos mesmo assim quem sabe me invento inventando um vento que turbine a alma daquela vela próspera em ignecer minha designição

Sunday, July 23, 2006

.o lince corre das listras vestindo meias coloridas.

Wednesday, July 19, 2006



SINDROME DO PÂNICO

A minha casa está doente. Como eu a minha casa tem 4 cômodos e 6 pernas. Ela vai de corpo em corpo procurando um lugar onde morar.

Como eu a minha casa é o melhor lugar do mundo para ser sozinho como sou.

Há palavras que não encontro para definir a minha casa.

Talvez a mais exata seja: asa.

Sunday, July 16, 2006



SOMANDO DIMINUINDO IGUALANDO

poeta + poeta = nada
poeta – poeta = nada
poeta = poema
poema = nada
poema + nada = poeta
poesia + nada = poema
poema + poesia = poeta
poema + poesia = João Cabral de Melo Neto
poema – poesia = este poema
poesia – poema = matemática
poesia = tudo

Thursday, July 13, 2006





1. Algum palhaço
apontou um revólver
e divulgou seu nome
ao matar um macaco

O macaco morreu
desconjurando
O palhaço ria
pela primeira vez

Tantos macacos
vieram para o enterro
dar pêsames às núpcias
do palhaço com a dor

2. A tromba do elefante
limpa banha molha
os animais menores

Tempestade e pi
po
ca
porque quando escrevo agora
tudo chora
E o barulho da chuva na janela
lembra o da pi
po
ca
na panela

E o elefante no circo
E os animais menores
lascivam estáticos
escrutam o trapézio

(a cadeira nas rodas do trapezista)

que quer vôo
mola motor motriz lágrima grinalda e véu
e vento
Chuva
molhando
o poema

Água daquele elefante branco
sem o nó na tromba

3. O transferidor se abre bailarina
em poucas cores
piruetas e montanhas russas
E os alvéolos avelãs
de delicados se esticam
na ponta dos dedos
Linha finita limítrofe elástica tensão máxima
Ou o poema:
dança nas ancas
dobras e dribles
corpo agulha
Penélope baila

Monday, July 10, 2006



O copo quebrou
e não foi preciso mais nada
além da voz de Yma Sumac

O copo quebrou
no agudo do passarinho
dentro dela

O copo quebrou
e os cacos ficaram no chão
para algum faquir sorrir dor

O copo quebrou
e toda criança sabe
que a boa água é a da bica

Thursday, July 06, 2006


Freud dizia que defecar é um prazer
e que todo mundo ama sua mãe

Eis que defequei um filho com barba
Onde foram parar minhas hemorróidas,
eu pergunto

Só uma puta poderia te parir, respondo
E vou pondo naftalina na latrina
do dia-a-dia

Para não apodrecer de mim mesmo

Tuesday, July 04, 2006

 
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