DEPOIS DO MOTEL.

Novamente ainda de tarde (depois do motel) penso em você.
Estive este tempo todo pensando em como seria se a tempestade
de Piportil caísse sobre mim e você. Ela não conta. É só uma miragem
que não tem papel nesta história. É se um corpo que pego emprestado
para fingir de seu perfume: seu estado alfa: sua consciência: sua
desordeira forma de amar. Ouço jazz no fim de tarde e eu não estou
morto ainda. Alô. Quem fala? Agora ela me diz que me achou
diferente: como se eu quisesse o tempo todo provar de algo que
eu mesmo não sabia se ela tinha. Alô, como estão todos aí e aqui
está calor? Cheio de coisas como Anatensol ou outro fototerápico
qualquer. Uma pica roçando em sua bocetinha. Era o que eu queria:
sentir que um scan passa pelo seu corpo enquanto a penetro e vou
vasculhando buraco por buraco: seu. Enquanto isso onde estará ela.
Eu babo um pouco no violão. Vou cantar uma canção para ela: que
fiz para ela: num desses momentos em que engulo um gravador e
não paro de falar. (depois do motel) escrevi para ela um e-mail dizendo
que (depois do motel) amava mais ainda ela porque na verdade (depois
do motel) é que descobri que estava transando com ela e não com você.
Não consigo mais me concentrar em nada. Passo horas pensando que
se ela estivesse aqui e você fosse ela estaria com o meu amor. (depois
do motel) as luzes da lagoa vão se desiluminando e você não está aqui e
nem ela. Mas foi bom (depois do motel) descobri que foi bom e quem
não pode caçar com cão, não deveria caçar. Por que na verdade (depois
do motel) estou fazendo a mesma coisa que aquele cara do filme fez hoje
quando vimos (depois do motel) o filme. Alô. É Ela. Ela me diz coisas
desencontradas como o seu Gardenal acabou? E como anda a Califórnia:
enfermeira: mulher adulta: professora de primário. Ouço Just the way you
are. A nossa canção que só eu sei que é nossa (depois do motel) um cara
me pára e me pergunta se quero cambiar dólar. Tudo isso acontece porque
não conheço ela e não quero conhecer porque você me basta (depois do
motel) e é claro que foi bom para você para mim e para ela. Sou complicado.

Sunday, February 03, 2008

2 Comments:

hm said...

complicado...
todos somos
mas depois do motel, por um instante a vida se descomplica, fica mais bonita
com calma, a vida novamente lhe rouba a alma

ela não sei, mas você existe

YEHUDA said...

motel ou hotel
e mesmo albergue
se tem cama de casal
é de cinco estrelas,
e o amor que ali ocorre
é sempre belo,
e depois da despedida
a conversa pelo telefone
mesmo que não seja com aquela
é sempre um poema,
complicado não é você,
complicado é ter grana
pra voltar na outra semana

 
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