
Tensão nas trevas do meio dia. Algum trocado balança no bolso. Alguma esmola que foi dada. Alguém de mãos arregaladas. Uma crosta de sujeira nas extremidades dos dedos. Cata o feijão. Depila a bunda de uma cenoura. A costureira costura um bolso dos fundos. Algum sonho me acorda e ainda tão cedo estou caindo de mim mesmo. O barulho da cama acorda seus gemidos. Nunca fui mais ao barbeiro. Minha juba está cada vez mais os cabelos da medusa. Quanto mais corto mais nasce cabelo. A baba do quiabo é nojenta e viscosa. O arroz virou uma papa. E continuo a cair de mim. Só posso cair de mim. E me escorrer pelos degraus feito líquido. Me dissolvo num bueiro nas portas do edifício. Alguém está varrendo a calçada. Levando – com uma ducha de água – uma poeira para o ralo. Quanto gasto com o que sobrou de meu corpo.
1 Comment:
entrar pelo cano
acontece não por engano
é coisa normal
é coisa banal
não se aflija
vai ressurgir em outra vida
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