.

tudo está como antes
e eu sinto tanta saudade

o mar sepulcro de fogo
ilumina o horizonte inerme

de seus olhos divindade
acesa nas velas de ontem

se as vagas velas acesas
ignoram a profundidade

uma onda mergulha em si
se apagando até outra vir

para novamente se apagar
as cinzas são as anáguases

pumas brancas d'água
onde a criança brinca

até se afogar de tanto ar
vendo fuligens e labaredas

tudo está como antes
e eu sinto tanta saudade

Thursday, April 30, 2009

LUZ.

Antes de antes era o depois
Depois do depois era o antes
De modo que tudo era o que era

Só eu não era o que era
Então quando eu era não era
até errar. Depois de errar

Tudo deu certo e ficou claro,
heraclitiano

Wednesday, April 29, 2009

PARE AGORA.

Falar tudo de novo de uma nova forma
Lema ou norma?
Idade de substituir a tosse pelo calo
Calar-se por algum tempo
Ou parte
De um assombro que dará
Qualidade ou
Enfarte

Cuspir numa latrina invisível o indizível
Levar o dirigível para outras terras
Onde quem me habita não sou eu
Sim, mais uma engrenagem:

Um suicídio
Ou morte diletante

Alguma ilha flutuante
Onde possa contar os meus ossos
Do ofício

Tuesday, April 28, 2009

LAGOA NEGRA.

a ilha flutua
a água flutua
quem não flutua

é a lua

Monday, April 27, 2009

.

Morri por um triz
Fui no que fiz

Sunday, April 26, 2009

HERÓIS.

Os verdadeiros heróis estão mortos
Alguns tortos
Outros de óculos
Nenhum recebendo o ósculo de Deus
Quem sabe a hóstia no fim da fila
Quem sabe pedindo esmola numa cadeira de rodas
Quem sabe num hospício como eu agora
Os verdadeiros heróis mostram a carne
E o osso
Foram alguns mortos no fosso
Os covardes fazem poesia e cinema e arte e música
Foram os que sobraram do enfarte
Da luta
Da guerra
Desta vida tão terna e tenra
No planeta Terra
Que agora insiste em enterrar o que se encerra
É a hora de outra quimera

Saturday, April 25, 2009

O MESMO POEMA QUE É SEMPRE O MESMO SEMPRE.

Todo mundo escrevendo igual.
Prefiro suruba.Querobacanal.

Friday, April 24, 2009

BANANAS.

Se viver até os oitenta
ganharei um Nobel
e uma penca

Mas aos quarenta
e três
uma linda banana Warol
de um mundo burguês

Thursday, April 23, 2009

.

Colocando um c com um circulo em volta
quem garante que não virará uma cópia?

Aprende-se a copiar e colar na escola
e faz-se no computador a diminuta cola.

Com um outro poeta aprende-se o conteúdo-
forma. Mas o que dizer se é surdo e mudo?

O que fazer com todo o conteúdo-forma
se o poeta só faz seguir a culta norma?

Wednesday, April 22, 2009

DOIS FANTASMAS.

Ali onde escuto o escorbuto
Nasce o silêncio

No canto do quarto
Onde velas negras saltam

O abismo
É branco e azul e às vezes laranja

Também as formas das sombras são estranhas
Existe a minha sombra

E a sombra dela
Nunca se tocam quando nos tocamos

Nunca é uma palavra pesada
Mas ao fundir um corpo com outro

Eu estaria quase morto
Por que o que mais quero é ser só?

Tuesday, April 21, 2009

A mulher barbada pediu ao guarda que guardasse o silêncio. O silêncio olhou pra ela e sorriu e lhe deu um beijo. Foi o único beijo que deu em vida.

A mulher sem dente era gostosa por isso a comiam. O fato de estar sem dente não a diminuiu até o dia em que a barba apareceu e ela virou uma mulher barbada que usava Prestobarba. A barba cresceu até a Groenlândia e um esquimó ou sei lá quem mora na Groenlândia se apaixonou por ela.

Ele gostava dela assim como era e ficou velho igual a Papai Noel que entrou aqui porque todos morremos e a mulher barbada foi feliz para o céu.

Curtiu a vida como pode deixando pros urubus sua barba podre.

Monday, April 20, 2009

&.

É tanta doença
que ser são
talvez seja uma doença

Sunday, April 19, 2009

.

alma lama lâmina
na palma da mão

transformando esponjas
aglutinando detritos
decupando cinzas

escolhendo algum caminho
por onde
escorrer os espinhos

pele sobre pele
resto sobre resto

um olhar absorto
que diz o posto
sobre o oposto

a ternura do gesto
sobre a escultura
do rosto

Saturday, April 18, 2009

ORAÇÃO.

Percebe que me fere
No exato expandir
Do aroma em pluma
Que céu da boca tece

Teu céu é imune ao Sol
E minha língua é outra
Aquela que fala do medo
Do falo que se aquieta

Se sou gigante em Deus
Ou ainda sobrevivo à dor
Talvez demônio ampare

Tudo que digo é reza
E rezo calado em mim
Nosso pranto ao segredo

Friday, April 17, 2009

.

Cabei de cabar
O a que falt-
Ar rarefeito

Thursday, April 16, 2009

EU.

Eu chorava só porque eu chorava:
ela perguntou quem morreu:
Eu

Wednesday, April 15, 2009

.

Chove e estou lá
Ouvindo a chuva dos carros

Chove e eu estou lá
Comendo o meu escarro

Tuesday, April 14, 2009

.

duas unidades
nãohumanidade

mil unidades
nãohumanidade


uma unidade
humana idade

de humanidade

Monday, April 13, 2009

.

- Eu tenho que escrever alguma coisa que não eu
Prometeu
Acorrentado em si

Sunday, April 12, 2009

DO CAIS AO CAOS.

vitória régia flor
regendo a orquestra

maestro régio: o tempo
das flores é o da chuva

regendo o silêncio: os
filósofos: os filólogos

abrem os guarda-napos
os perdigotos são troca-

dos: algum beijo via ar
elevado à potência de

Won Kar Wai dirige
entes lentos de seres-

teiros: boleros e la
barca: todos partem

Friday, April 10, 2009

 
Wordpress Themes is proudly powered by WordPress and themed by Mukkamu
Templates Novo Blogger