tudo está como antes
e eu sinto tanta saudade
o mar sepulcro de fogo
ilumina o horizonte inerme
de seus olhos divindade
acesa nas velas de ontem
se as vagas velas acesas
ignoram a profundidade
uma onda mergulha em si
se apagando até outra vir
para novamente se apagar
as cinzas são as anáguases
pumas brancas d'água
onde a criança brinca
até se afogar de tanto ar
vendo fuligens e labaredas
tudo está como antes
e eu sinto tanta saudade
.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:36 AM 2 comments
LUZ.
Antes de antes era o depois
Depois do depois era o antes
De modo que tudo era o que era
Só eu não era o que era
Então quando eu era não era
até errar. Depois de errar
Tudo deu certo e ficou claro,
heraclitiano
Wednesday, April 29, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:57 AM 1 comments
PARE AGORA.
Falar tudo de novo de uma nova forma
Lema ou norma?
Idade de substituir a tosse pelo calo
Calar-se por algum tempo
Ou parte
De um assombro que dará
Qualidade ou
Enfarte
Cuspir numa latrina invisível o indizível
Levar o dirigível para outras terras
Onde quem me habita não sou eu
Sim, mais uma engrenagem:
Um suicídio
Ou morte diletante
Alguma ilha flutuante
Onde possa contar os meus ossos
Do ofício
Tuesday, April 28, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:07 AM 2 comments
LAGOA NEGRA.
a ilha flutua
a água flutua
quem não flutua
é a lua
Monday, April 27, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:36 AM 2 comments
.
Morri por um triz
Fui no que fiz
Sunday, April 26, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:20 AM 1 comments
HERÓIS.
Os verdadeiros heróis estão mortos
Alguns tortos
Outros de óculos
Nenhum recebendo o ósculo de Deus
Quem sabe a hóstia no fim da fila
Quem sabe pedindo esmola numa cadeira de rodas
Quem sabe num hospício como eu agora
Os verdadeiros heróis mostram a carne
E o osso
Foram alguns mortos no fosso
Os covardes fazem poesia e cinema e arte e música
Foram os que sobraram do enfarte
Da luta
Da guerra
Desta vida tão terna e tenra
No planeta Terra
Que agora insiste em enterrar o que se encerra
É a hora de outra quimera
Saturday, April 25, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:35 AM 3 comments
O MESMO POEMA QUE É SEMPRE O MESMO SEMPRE.
Prefiro suruba.Querobacanal.
Friday, April 24, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:04 AM 2 comments
BANANAS.
Se viver até os oitenta
ganharei um Nobel
e uma penca
Mas aos quarenta
e três
uma linda banana Warol
de um mundo burguês
Thursday, April 23, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:42 AM 3 comments
.
Colocando um c com um circulo em volta
quem garante que não virará uma cópia?
Aprende-se a copiar e colar na escola
e faz-se no computador a diminuta cola.
Com um outro poeta aprende-se o conteúdo-
forma. Mas o que dizer se é surdo e mudo?
O que fazer com todo o conteúdo-forma
se o poeta só faz seguir a culta norma?
Wednesday, April 22, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:20 AM 1 comments
DOIS FANTASMAS.
Ali onde escuto o escorbuto
Nasce o silêncio
No canto do quarto
Onde velas negras saltam
O abismo
É branco e azul e às vezes laranja
Também as formas das sombras são estranhas
Existe a minha sombra
E a sombra dela
Nunca se tocam quando nos tocamos
Nunca é uma palavra pesada
Mas ao fundir um corpo com outro
Eu estaria quase morto
Por que o que mais quero é ser só?
Tuesday, April 21, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:58 AM 1 comments
A mulher sem dente era gostosa por isso a comiam. O fato de estar sem dente não a diminuiu até o dia em que a barba apareceu e ela virou uma mulher barbada que usava Prestobarba. A barba cresceu até a Groenlândia e um esquimó ou sei lá quem mora na Groenlândia se apaixonou por ela.
Ele gostava dela assim como era e ficou velho igual a Papai Noel que entrou aqui porque todos morremos e a mulher barbada foi feliz para o céu.
Curtiu a vida como pode deixando pros urubus sua barba podre.
Monday, April 20, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:19 AM 0 comments
&.
É tanta doença
que ser são
talvez seja uma doença
Sunday, April 19, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:50 AM 1 comments
.
alma lama lâmina
na palma da mão
transformando esponjas
aglutinando detritos
decupando cinzas
escolhendo algum caminho
por onde
escorrer os espinhos
pele sobre pele
resto sobre resto
um olhar absorto
que diz o posto
sobre o oposto
a ternura do gesto
sobre a escultura
do rosto
Saturday, April 18, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:46 AM 0 comments
ORAÇÃO.
Percebe que me fere
No exato expandir
Do aroma em pluma
Que céu da boca tece
Teu céu é imune ao Sol
E minha língua é outra
Aquela que fala do medo
Do falo que se aquieta
Se sou gigante em Deus
Ou ainda sobrevivo à dor
Talvez demônio ampare
Tudo que digo é reza
E rezo calado em mim
Nosso pranto ao segredo
Friday, April 17, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:16 AM 0 comments
.
Cabei de cabar
O a que falt-
Ar rarefeito
Thursday, April 16, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:42 PM 0 comments
EU.
Eu chorava só porque eu chorava:
ela perguntou quem morreu:
Eu
Wednesday, April 15, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:47 AM 0 comments
.
Chove e estou lá
Ouvindo a chuva dos carros
Chove e eu estou lá
Comendo o meu escarro
Tuesday, April 14, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:46 AM 1 comments
.
duas unidades
nãohumanidade
mil unidades
nãohumanidade
uma unidade
humana idade
de humanidade
Monday, April 13, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:56 AM 0 comments
.
- Eu tenho que escrever alguma coisa que não eu
Prometeu
Acorrentado em si
Sunday, April 12, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:06 AM 0 comments
DO CAIS AO CAOS.
vitória régia flor
regendo a orquestra
maestro régio: o tempo
das flores é o da chuva
regendo o silêncio: os
filósofos: os filólogos
abrem os guarda-napos
os perdigotos são troca-
dos: algum beijo via ar
elevado à potência de
Won Kar Wai dirige
entes lentos de seres-
teiros: boleros e la
barca: todos partem
Friday, April 10, 2009
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:02 AM 0 comments
