na lagoa a neblina
esconde os sapos
quantos sapos
engole a neblina?
quanta neblina
engolem os sapos?
quantos sapos
engoli hoje?
quantos sapos
estão calados?
quantos sapos
sabem do fato?
que sou
também um sapo?
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:57 AM 1 comments
fátima (enfermeira)
o mar
navega
em fá
fã
de falésias
meu infinito
ruge
o tempo
enjaulado
transmuta
ejacula
mutações
adrenalina
falta
ao cérebro
que
navega
em ré
médio
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:32 AM 3 comments
o primeiro dia
vendavais de amolictil
acalmam o silêncio
etílicos deitados
bebendo seu gardenal
o cérebro sufocado
a química cerebral
antenas recebendo
doses de fenergam
masturbam-se velas
pílulas bailarinas
a noite flutua
horrenda tarde
aqui a dentadura
me fala sombras
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:26 AM 2 comments

A flecha oculta um vôo: uma seta oculta uma flor: uma dicotomia:
algum paradigma. Quando olhar a garça (na lagoa) retira dos olhos
a graça. Quando o silêncio da garça sobrevoa (na lagoa): aquela lagartixa
: tão presa ao chão. Horas dali (na lagoa): numa outra vida fui você e
acabei batendo de frente com um trem. O trem que vem é o mesmo trem
que vai. Assim há dias dali (na lagoa): algum turista anda de pedalinho
e antes que a garça voe: um índio: há séculos atrás (na lagoa) mira o seu
arco na direção da garça. Atira-lhe a flecha. Não sou este índio. Não o
conheço. Matar a garça é tão normal para ele que ele pode ser ele enquanto
mata para comer o sagrado. (na lagoa): hoje em dia: peixes mortos sufocados
pelo lixo tóxico e alguma manhã impregna o meio-dia e é a noite que se
sente a falta da garça. Pois é noturno o seu vôo: como diurno. Mais muito
perto daqui (na lagoa) o índio matou uma garça, mas não matou a graça
simplesmente porque comeu a caça: matou para ficar mais selvagem do que
é. Matou porque só havia (na lagoa) aquela garça pra comer. Quando nós
que já comemos (na lagoa) a lagoa inteira e deixamos hoje em dia a garça
(na lagoa) espernear sufocada por um saco plástico. Ali (na lagoa) é onde
eu ando todos os dias falando comigo e respondendo as minhas perguntas:
como se pudesse voar como a garça morta que interpreta em silêncio sua
vocação para o branco. Hoje (na lagoa): há dias (na lagoa): há séculos.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:12 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:46 AM 1 comments
Novamente ainda de tarde (depois do motel) penso em você.
Estive este tempo todo pensando em como seria se a tempestade
de Piportil caísse sobre mim e você. Ela não conta. É só uma miragem
que não tem papel nesta história. É se um corpo que pego emprestado
para fingir de seu perfume: seu estado alfa: sua consciência: sua
desordeira forma de amar. Ouço jazz no fim de tarde e eu não estou
morto ainda. Alô. Quem fala? Agora ela me diz que me achou
diferente: como se eu quisesse o tempo todo provar de algo que
eu mesmo não sabia se ela tinha. Alô, como estão todos aí e aqui
está calor? Cheio de coisas como Anatensol ou outro fototerápico
qualquer. Uma pica roçando em sua bocetinha. Era o que eu queria:
sentir que um scan passa pelo seu corpo enquanto a penetro e vou
vasculhando buraco por buraco: seu. Enquanto isso onde estará ela.
Eu babo um pouco no violão. Vou cantar uma canção para ela: que
fiz para ela: num desses momentos em que engulo um gravador e
não paro de falar. (depois do motel) escrevi para ela um e-mail dizendo
que (depois do motel) amava mais ainda ela porque na verdade (depois
do motel) é que descobri que estava transando com ela e não com você.
Não consigo mais me concentrar em nada. Passo horas pensando que
se ela estivesse aqui e você fosse ela estaria com o meu amor. (depois
do motel) as luzes da lagoa vão se desiluminando e você não está aqui e
nem ela. Mas foi bom (depois do motel) descobri que foi bom e quem
não pode caçar com cão, não deveria caçar. Por que na verdade (depois
do motel) estou fazendo a mesma coisa que aquele cara do filme fez hoje
quando vimos (depois do motel) o filme. Alô. É Ela. Ela me diz coisas
desencontradas como o seu Gardenal acabou? E como anda a Califórnia:
enfermeira: mulher adulta: professora de primário. Ouço Just the way you
are. A nossa canção que só eu sei que é nossa (depois do motel) um cara
me pára e me pergunta se quero cambiar dólar. Tudo isso acontece porque
não conheço ela e não quero conhecer porque você me basta (depois do
motel) e é claro que foi bom para você para mim e para ela. Sou complicado.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:53 AM 2 comments
ENTERRANDO
Minha culpa
Minha tão grande cool pá
ENTRE
O poema não me diz nada
Quando diz tudo
O poema não me diz tudo
Quando não diz nada
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:38 AM 1 comments
O tempo nunca na nuca escuta. O tempo nunca.
Ele se repete enquanto vivemos no passado.
Alguma depressão de signos. Alguma conciliação
de plumas faz do carnaval algo da carne. Alguma
coisa que se apresenta como nova e não tem novidade
alguma. É só parar e olhar os ponteiros do relógio.
Eles sempre se encontram de hora em hora. Urge
saber apenas se as minhas repetições são esquivas ou
eqüinos de Lexotan seis miligramas que me deixam
calmo: eu preciso disso para viver porque sem os
remédios estou só. Vendo um temporal cair de uma
vez por todas: de uma forma devastadora: de uma forma
opressora: de uma forma em que os trovões atiçam o
louco em mim. Meu monstro cativo que trago decalcado
em um corpo antes gordo e hoje com as marcas do que
foi: foi bonito: foi singelo: foi um corpo: hoje é monstro.
Como se Charles tivesse perdido quarenta quilos. Mas
eu só perdi vinte e perdi ela numa novela: num novelo:
numa aquarela meio alegre e meio triste. Quase ninguém
sabe que sou esquizofrênico. Quase ninguém sabe que
sou pobre. Quase ninguém sabe nada de mim e sobre o
tempo tão absorto: tão sem graça que me acompanha:
tão tamanho que quase um elefante de Rivotril me engorda.
Sei que não existem novidades a dizer sobre o tempo, mas
de uma hora para outra vou perdendo o meu tempo aqui
neste poema e tenho que fazer o que eu não gosto: uma
amiga me ligou e ela tem um filho com a mesma doença
que eu: e não pude falar com ela porque estava com o tempo
preenchido por este poema que sequer diz nada sobre
o meu tempo e o verdadeiro Tempo gasto com coisas inúteis.
Quase agora estou perdido como sempre. Sentindo cheiros
que não quero. Vendo no Leponex um Haldol sincero.
Como se a minha egotrip fosse importante para alguém:
além de mim ninguém mais perde tempo com isso e agora
não chove: não nuvem: só sol: só lua: só Piportil: só quatro
vezes ao dia. Por que de noite tudo piora tanto que quase
esqueço desse Tempo que perdi: o redescubro (nos galhos)
(nas montanhas perto de minha casa) (nas alturas que onde
anda quem tem Tempo). Não tenho tempo e sim tardes como
esta em que escrevo sem parar porque preciso e só por isso.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:28 AM 3 comments
Eu encontro muita dificuldade em publicar livro em papel. Acho que a culpa não é das editoras e sim do conteúdo de minha escrita. Eu aproveito este blogue e outros espaços (na internet) para divulgar o meu trabalho. Na revista Germina foi publicado um livro inteiro chamado Cataclismo. Tem o prefácio de Sebastião Nunes e pode ser lido em http://www.germinaliteratura.com.br/booksonline_rodrigo.htm
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:00 AM 2 comments

Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:08 AM 1 comments
Psiquiatras vêem doença em tudo.
No azul do veludo
de uma neurose:
numa operação de fimose.
Por osmose
(numa réplica de crocodilo)
vêem o Murilo.
Mendes é o nome dele.
Vêem a Paranóia (de Piva)
e os sete cantos de um dado imaginário.
Podem me chamar de otário:
no sentido horário
e no anti-horário.
Podem cristalizar o Tempo
e catar o vento:
botar a pica pra subir numa aranha
cremosa:
só porque as tarântulas são Negras
como o véu da viúva: que Ivo viu
a uva.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:46 AM 2 comments
Ser dois
Estar ao mesmo tempo
Em dois lugares
Ser um
Estar em nenhum
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:32 AM 2 comments
Eu ficava sempre em segundo lugar
Até q fiquei em terceiro
Recebia seus beijos e ficava contente
Até q fiquei em quarto
Troquei as medalhas por um diploma
Fui para Roma
Lecionar espadas
Perdi todos os seus beijos
Voltei e caí pra quinto
Cada vez mais longe do pódio
Tive que conviver com o ódio
Cai pra sexto
Sétimo
Oitavo
E logo não estava nas finais
Parei com tudo
Deixei de escrever sob a cicatriz
Passei a nadar em outros papéis
Virei comentarista
Técnico
Crítico
Mas nunca fui o primeiro
Queimo hoje as fotos do passado
De sempre eu em segundo
Quis matar o mundo
Só fui campeão de alucinação
Nunca de natação
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 1:18 PM 3 comments
Reticências
ponte
para ir
e voltar
pontos
paralelos
:
infinito
...
Longe da badalação
Longe da badalação
Meu caralho
Vai de vão em vão
Deixando pingos
Na latrina
E sêmen na Irina
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 2:42 PM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:35 AM 2 comments
Há um céu que se divide
Entre azul e cinza e nuvem
Há carneirinhos em seus cabelos
E lésbicas rodando bolsinha
Na manhã de minha sopa quente
Há barbitúricos e cocaína
No clitóris da paisagem
Há uma engrenagem nuance
Entre azul e cinza e nuvem
Há um céu que se divide
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:45 PM 3 comments
Em cima do homem há outro homem
Em cima do cadáver dela
Há uma cadela
Em cima da luz existe o teto
Que vem vindo
Em cima da cama estou eu que vejo tudo
E nada sei
Em cima de mim está ela
Que berra
Grita pro silêncio que a escute
Grita para mim que a respeite
Simples mente grita porque para ela falar é gritar
Em cima do criado mudo há um livro aberto
Em cima da escrivaninha o diário
Do lado da porta uma janela
E alguém caindo
E gritando
Enquanto isso duas joaninhas comem açúcar
Três mulheres conversam sobre a menopausa
Toca o telefone
Em cima da cabine de telefone
Há nuvens que se ausentaram a tarde toda
Há um céu inteiro espatifando-se sobre nossas cabeças
E ninguém percebeu que é feriado
Que há crianças recebendo o corpo de Cristo
Enquanto esquizofrênicos só fazem repetir a mesma frase
A mesma dor
A mesma aurora
A mesma deformação dos sentidos
Porque tudo é assim mesmo
E só estará em baixo
Quando nos abaixarmos
Para olhar as formigas que carregam o esqueleto de um anjo
Uma asa tatuada no peito
Uma aurora inteira pra voar
Outro dia foi que se jogou
E só hoje descobriu que não sabia voar em dias como este
Onde tudo desaba escada a baixo
Como se pudéssemos saber tudo sobre qualquer coisa
Tão burocrática
Quanto lhe beijar agora
Neste silêncio que a tudo escuta
Quem foi o filho da puta que disse que tudo ia acabar depois
Depois veio o depois e pior que depois veio o pior
Que é cercar o nosso infinito com cacos de vidro
Para contarmos nossos pedaços que ficaram na tradição
Acima de tudo
Morto mar morto: mortinho da silva
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:48 AM 1 comments
Meu tio
Morreu
Dentro
De minha avó
Para ela
Virei
A encarnação
Do filho
Que perdeu
Sinto que perdi muitas vidas
Menos esta
De sofrimento
Sou masoquista
Bem no fundo
Gosto de chorar
E gozar
Com o teto
Gosto de me olhar em algum espelho
Que me distorça tanto
Que eu me pareça com quem sou
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:58 AM 4 comments
Mamãe já não me mama
com seus dentes
E suas unhas de acetona
Papai me olha de lado
Usando uma loção pós-barba
Quantos cheiros à vida têm?
Eu fiz todos os deveres de casa
e caminhei feito um horizonte
Sobre a manhã
Por que
quis cortar os meus pulsos
e não minha língua
Quis fazer um arco-íris
no meu quarto
e só consegui o silêncio
das sirenes vermelhas
Por favor me levem para
morrer no hospício
Queria rever o seu Cid
e queria ver todos aqui felizes
vendo as moscas avançando
Os meus pedaços ainda tenros
ou o que existe além deste
filho da acetona
do álcool
da cola de sapateiro
Durante muito tempo não agüentei
nem a cor da cola de sapateiro
E quando o Guga entrava na quadra cor de telha
eu mudava de canal
Mas o cheiro pavoroso da morte também inebria
como eu queria agora beber
um gole de cerveja
e jogar meu carro num banco da Duvivier
Eu queria chorar de morrer
Eu sei que vou partir
E um homem, porra, ia falar
que um homem é saber morrer
Mas o Homem é o oposto
Um homem é não saber morrer
É beber do álcool do lança-perfume
É virar as drogas que querem lhe drogar
É ser o seu próprio sangue
É porra nenhuma
É uma fatalidade de lugares-comuns
e eu não escrevi nada de novo em minha vida
Sequer soube morrer
Durante três dias me deitei em mim
Era um chafariz
Defequei pelo meu quarto
E fiquei com pena de minha mãe
E suas belas mãos de acetona
Fiquei com pena de meu pai
e amei a todos aqueles que me proporcionaram esta experiência
porque dar um tiro na testa é como ejacular sem sêmen
e como vencer sem sangrar
e sem sofrer
e ter vindo à vida e não ter visto que existe anus para defecar
o pênis para gozar
*Esse poema foi escrito faz muito tempo, mas as coisas não passam. Voltei a sentir cheiro de tudo e principalmente o cheiro da morte.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:26 AM 4 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 1:36 PM 3 comments
macacossáuro rex
eestou no centro
comendo o meu eu
eu sou um macaco
a caca do macaco
e a minha cacamá
quando eu sou eu
macacoe caca são
são quando eu má
caco de imitação
quando eu sou eu
eu sou um macaco
comendo o meu eu
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:49 AM 3 comments
perdi o controle
remoto
quebrei a estante
buscando
a caixa preta
de meu eu
guarda segredos
de quando me matei
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:34 PM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:12 AM 3 comments
COPROFAGIA D FIM D MANHÃ
1
albina manhã crepom bom
presa dentro de mim stá
quantidade de devir uma
que o dever de se abrir
deforma o existirdentro
defeco isso aqui fora d
tão presa prisão eunuca
em que o ventre padrãox
ao invés de se esconder
insiste em trazer vendo
um quiabinho pra você e
se deleitar e comer com
2
aqui Palavra alguma foi
hoje tudo é considerado
dourado feito o peixinh
ooooooooooooooooooooooo
aqui palavras suntuosas
perdem a suntuosidade e
pernoitam ao lado d aço
a solidão os pastéis em
algum idioma deixarão d
ser de queijo ou d cama
rão
quantos ao para o fim d
alguma palavra ou palav
rão
3
eu nem
vc tbm
estive
com os
stives
assime
perito
sintod
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:21 AM 2 comments
Ter dente da frente torto
A menina tinha
Tinha um arco-íris que despencava
Pela tatuagem dos seios
Tinha engrenagem
Ao invés de cabelos
Só não tinha aquilo
Que era me querer como um rito
Como quem olha o seu infinito
Sem precisar de óculos de longe
Olhando nos olhos
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 2:39 PM 2 comments
Seu corpo
É a escada por onde subo
São as digitais que deixo
Seu queixo
De gueixa
Tem alguma barba
Isso não lhe estraga
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:38 PM 3 comments
Se eu não gosto dele
Eu mato ele
Eu dou uma facada
Eu dou um beijo
Eu fecho a cara
Se eu não gosto dele
Eu jogo uma bomba
Eu dou um abraço
Eu cuspo em sua face
Eu como a bunda dele
Se eu não gosto dele
Eu não falo com ele
Eu jogo um scud dentro
Eu ponho fogo nele
Eu mato devagarinho
Que é pra eu achar que
Não matei
Que não fiz nada de errado
Que não pequei por Deus
Eu não sou um filho da puta
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:40 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:23 PM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:43 AM 0 comments
Clarabóia bóia no veludo da luz
Ilumina minhas noites de cemitério
Ilumina o sono dos dias pardos
Em que naveguei nos seus mares
Aonde encontrar a terra sagrada?
Singra na mata a luz veloz
O velô de Marina anda devagar
O tempo não escolhe passagem
A clarabóia não escolhe luz
Tudo é devir, assim falavam.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:18 PM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:32 PM 5 comments

Ninguém despertou do ano novo
e todo mundo se divertiu
Hoje dou um de bico na minha cama
e vou voar em outro aroma
Há delírios vários
e um me persegue:
a de que o cheiro da pasta de laçar
me enlaça como um cheiro de bosta
Como eu posso ir à praia feliz
e surfar minhas ondas de Amplictil?
Meus tisunamis interiores são tão maiores
Mas só podem matar a mim
Menos mal
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:42 AM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:23 AM 2 comments
Papai Noel está pobre.
Às vezes menos nobre do que Deus.
Às vezes mais chegado aos filisteus
do que aos filhos teus.
Por isso tu sabes que este ano que passou
voou rápida águia
sobre os escombros do que fomos.
Isso se nós somos mais do que somados:
um só e mais eles.
Os filhos que não tivemos pedem presentes
e nunca deixaram de morrer.
As meias dependuradas na lareira têm chulé.
O Saci é um papai Noel sem pé.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:52 AM 1 comments
Porrada no peito do pé de Pedro
O peito do pé de Pedro era preto
Porrada no peito do Pedro preto
Porrada no Pedro
Porrada no preto
Uma porrada de Pedro dando porrada no preto
Preto dando porrada em preto
E agora Pedro?
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:13 AM 3 comments
Como pode um louco débil mental
Com a idade de quatro anos
Viver num mundo tão vasto
Tão vasto é o mundo
Quão vasto será o mundo do louco
Com a idade mental de quatro anos
Se uma criança de quatro anos vive
Por que não pode viver o louco
Com a idade mental de quatro anos
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:24 AM 3 comments
O louco baba um licor de excrescências
O louco faz excrescências
entre o que baba e o que faz
Esta é a linguagem do louco
Ele está no que baba
Na excrescência que ali jaz
O louco não rasga dinheiro
Compra cigarros bem fortes
para que possam matá-los
Antes que a morte lhe mate
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 1:46 PM 2 comments
[Eu e meu ex-computador. Ganhei um novo de um puta amigo. O nome do amigo é Iosif Landau. Fiz este poeminho pra nós todos os fodidos. Resolvi botar a minha foto porq tá choveu mulher no site do Iosif, quando ele botou sua foto lá kkkkkkkkkkkkkk Sou mais feio do que ele em tudo. O que não nos impede de sermos muito amigos].
Quando ele acordou para aquele dia ele acordou
para Aquele dia. Acordou sabendo que iria morrer e sabia
que seria naquele dia. Os dias eram tão iguais menos este
que estava vivendo. Caminhou contra o vento e partiu.
Bem longe dali, ela deu um beijo em si mesma beijando
o espelho e caiu do parapeito. Não deu tempo para o
pára-quedas abrir. Eles morreram no mesmo instante e
hoje têm um contrato com deus: até que a vida os separe
serão ateus.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 2:23 PM 5 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:56 AM 6 comments
A tela em branco é o inferno que me arrepia
O céu sou eu dentro dela
Vestido formalmente com uma nova fantasia
A canção que eu escuto assim mesmo
É a mesma lua que vejo nua segurando o umbral
É a sua voz que flutua nas águas do canal
O Leblon me assusta na entrada do Miguel Couto
Enquanto eu vejo o meu papai e mamãe
Sumariamente interrompendo o coito
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:39 AM 3 comments
A gente prende e arrebenta
Depois de novo faz isso
Com loucos não se mexe
É o que querem no circo
No circo do hospício mais perto
Da sua casa bonita
Vá visitar algum louco
E entenda que o que ele vomita
É o mundo que o regurgita
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:49 PM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:19 AM 3 comments
O poeta é um ladrão
Rouba tão descaradamente
Que chega a dizer que é seu
O poema de outro indigente
E aquele leitor de sempre
Não chega a reparar
Que o poeta é um louco
Luz querendo brilhar
Por isso estou em pessoas
Em pessoas quero estar
Roubando a eternidade
De outro que me roubará
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:55 PM 2 comments
Fisicamente
a noite
é só um segundo
Dormir
é entrar
no mundo
Alice se olha
no espelho
Estão brancos
os seus pentelhos
Os clássicos em mp3
O e-book
Quem sabe
eu não viro o verde
Hulk?
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 4:22 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:27 AM 1 comments
na
partitura
da loucura
vou
tocando
meus instrumentos.
[ Saiu uma resenha hoje no Jornal do Brasil (de minha autoria) sobre o CD Sonorizador, de Ricardo Corona. Confira em http://jbonline.terra.com.br/editorias/ideias/papel/index.html ].
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:54 AM 1 comments
O masoquista
Sentou num ouriço
Gozou
O afogado
Ar rima com mar
E respiração boca a boca
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:10 PM 3 comments
Nos seus olhos
os meus olhos espelhados
são olhados
Vejo tigres desfocados
dando o bote
no caos da pupila
Nos seus olhos
vejo os ossos de minha face
devorados pelo tempo
Tudo é reflexo
Tudo reflete a mim e ao tigre
E o deus em tudo gira feito
uma baiana da Portela
Seus olhos são jibóias perfumadas
descendo rumo aos pés da existência
Você é uma criança pálida
e magra enguia que me guia
ao feroz de uma alma
os seus olhos
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:37 AM 3 comments
Eu não tenho medo de ninguém
Nem de Deus
Nem do diabo
Nem de fantasmas
Nem de camisas de força
Eu só tenho um medo
O de não ter medo de ninguém
EU INFERMO NO INFERNO
Falo dos infernos da vida
Pena
:
os que vivem no paraíso
estão enfermos
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:37 AM 2 comments
A minha mente tem uma fauna esquisita.
Orangotangos dançam tango.
A formiga carrega um pterodátilo.
O elefante é um chuveiro.
O porco é um banheiro.
E, além disso, as neuroses habitam sem calma
o galinheiro. A galinha cisca pra frente.
Mas o caranguejo anda pra trás.
Todos os cachorros são azuis.
Mesmo assim me habito sem traumas.
Nas minhas veias corre sangue de enguias.
Cheiro os pássaros que voam.
Vomito águas-vivas que moram na minha flora intestinal.
Tudo é assim tão selvagem lá dentro.
Por isso não consigo ser meu centro.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:23 AM 3 comments
Os anjos estão dispostos a nos ajudar
É meia–noite e eu me divido em três
Sou o cavalo branco diante do abismo
E o morcego que vê na escuridão
E a esfinge que baba sêmen
Alguns corvos estão a nos olhar
O nosso longo beijo de compreensão
E a morte tão próxima quanto o medo
De que um anjo vire uma verdade suspensa
E assim se enforque com a própria luz
E um anjo enforcado é mais um aviso
De que a voz que escuto em mim
Continuará a pedir ajuda a todos
Haverá então o encontro das trevas com a noite
E eu ouvirei outras vozes além daquela
Que dirão que tudo está no início
E o universo ainda não copulou com a terra
E o dia que isto acontecer
Será o início de uma nova era
Será noite de dia e de noite
E os zumbis jogarão xadrez com o resto
De corpos mutilados
E o fogo inundará as pradarias
Aí os loucos estarão todos livres
Por que todos estarão loucos
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:24 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:19 AM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:56 PM 2 comments

Um remédio que faz você tremer e babar
Um remédio pra você parar de beber e babar
Um outro pra você parar de tremer
Um remédio pra você relaxar
Um remédio pra você gozar sem se tocar
Um remédio pra você não ouvir música alta
Um remédio pra você não falar palavrão
Dois remédios: um para a mente e outro pra o coração
Três remédios para dor de cotovelo
Tomei o quarto por causa do terceiro
Foi um remédio que me fez
sujar o banheiro
Foram os remédios que me obrigaram a gostar deles
Não é um amor como o meu por você
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:16 AM 4 comments
[daqui de casa dá pra ver o mar de Copacabana distante e estas redes de proteção impedem-me de fazer algo mais brusco: como me jogar. daqui de casa dá pra ver a Lagoa bonita. outro dia eu mostro. mas esse negócio de rede não era pra mim. nunca foi. apesar de ser um suicida em potencial. era pra Marina, quando era pequena. por que as crianças têm essas propenções aos abismos?]
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:17 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 2:31 AM 5 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:30 AM 2 comments
Acho que as pessoas tristes vivem mais
Elas tomam mais remédios
Os doidos só não tomam mais remédio
Por que os laboratórios não querem
Governos preferem habitar algum planeta
Do que habitar algum remédio e alguma mente
É tão perigoso falar da loucura
Podem achar que eu sou louco mesmo
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:57 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 2:31 PM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:31 AM 2 comments
Eu lavo a mão toda a vez que toco alguém
Eu não me toco depois de ter tocado em alguém
Quando o lixeiro vem eu faço o máximo
Para que não exista nenhum toque entre nós
Quando o carteiro vem com vírus dele
Eu tomo cuidado para não haver qualquer contato
Detesto que me toquem e que falem tocando
Detesto cumprimento de mão com mão
Quando eu cumprimento alguém logo lavo a mão
Vejo sujeira em todo o lugar
Menos dentro da minha mente
Que deve ser o lugar mais sujo do mundo
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 1:26 PM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:04 AM 3 comments
parado, o silêncio me confunde
imóvel, teu laço de amizade
toda a mobilidade parada ainda
só pra te ouvir soltar cachorros
e engolir toda a pólvora de luz
cuspir nosso amor em fogos
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:27 AM 4 comments
Ninguém despertou do ano novo
e todo mundo se divertiu
Hoje dou um de bico na minha cama
e vou voar em outro aroma
Há delírios vários
e um me persegue:
a de que o cheiro da pasta de laçar
me enlaça como um cheiro de bosta
Como eu posso ir à praia feliz
e surfar minhas ondas de Amplictil?
Meus tisunamis interiores são tão maiores
Mas só podem matar a mim
Menos mal
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:19 AM 2 comments
não carece sol
alguma elisão
carece só compor
algum vento
e assim apagar
o que a chuva
dentro de mim
mar
fora de mim
pano com ponta
varal:
nuvens e nuvens
seda de botuca
queimando humos
*
o nada nada no nada
enquanto o nada nada
no nada estamos todos
todos esperamos a chegada
do nada no nada
se chegará nadando
ou pulando a enseada
o fato é que falta pouco
pro nada ser o todo
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 12:56 PM 5 comments
1
O sol-reflexo sobe pela latrina
Qualquer vulcão sabe
Do perigo que é o fogo
O fogo é o sol
Que gira em torno de si
E a si consome
2
Quando eu sento e paro para olhar
O que vejo é o amarelo em minhas mãos de cigarro
O que não vejo não me importa
Só uma vez ou outra
Quando
Aciono minhas espadas
Por isso queimo por dentro
Todos os carvões de minha locomotiva
E chego tão próximo do toque
Que me afasto
São mais de quarenta anos perseguindo quem sou
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:04 AM 3 comments
Um homem alto e forte apontava uma arma sofisticada para a cabeça de um senhor os seus oitenta anos. O homem alto e forte tremia. Suas veias pareciam pular da face como que armadas também. Ele vociferava e pedia ao velho que passasse tudo que desse tudo que fosse o mais rápido possível que tudo estava por um triz. O velho pedia calmo e com atitudes lentas de velho: pedia que o homem alto tivesse calma que o homem alto não atirasse que ele iria passar tudo o que tinha para ele, pois a sua vida era importante. O homem alto e forte tirou o relógio do velho e a camisa e o suspensório e a calça e a carteira. O velho ficou só de cueca enquanto o homem forte contava o dinheiro e queimava as roupas do velho. O homem alto e forte que havia roubado tudo do velho deixou o velho caído depois de um soco e sumiu nas esquinas seguintes. Quando eu encontrei o velho queria saber o por quê que o velho estava rezando naquele momento se ele velho havia sido roubado e todos os seus pertences foram levados pelo homem alto e forte. O velho me respondeu que rezava por si mesmo, pois era ele velho que poderia estar no lugar daquele homem alto e forte.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:06 PM 3 comments
Muitas pernas pernas esquisitas pernas de elefantes pernas de lince. Dores na perna na perna de elefante na tromba de um cordeiro. Muitas faces na face dela. Muitos beijos no beijo que dei e tropecei nas próprias pernas. Mal caí e me quebrei. Mal parti e me alonguei como o vento que sacode a enseada e os galhos verdes das árvores que vejo do meu quarto parecem tremer de frio. Eu não sei mais muita coisa e sobre o que falar: perdi as pernas e ouço versos deste lugar sem pernas. Onde está o meu corpo morto? Eu diria que este silêncio me confunde nesta tarde sem binóculos. Não posso ouvir o que digo. Não consigo mais levar minhas pernas pra onde quer que eu vá só levo tentáculos enfurecidos e as cascavéis com seus chocalhos perguntam-me onde estamos indo com tanta velocidade. Pernas pra que te quero. Não consigo entrar. Não consigo sair. Me deixe ficar. Parado. Imóvel. Morrível. Aqui onde ninguém possa tropeçar nas minhas pernas.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:44 AM 3 comments

Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:21 AM 2 comments
Versão 1:
A gente jogava tênis. Algumas pessoas me disseram: como você conseguiu jogar tênis com ela? Ela não joga com ninguém, como foi jogar justamente com você?
Um fodido. Um mal jogador. Um quatro olhos. Ainda por cima tem um backhand ruim.
Deve ter sido por pena.
Eu disse que ela queria me ensinar uma jogada nova. Uns lances de efeito.
Ou seja: nenhum interesse. Só o de que eu aprendesse a ser um melhor jogador.
As bolas amarelas ficaram no chão. Elas não duram uma partida inteira.
Eu queria continuar jogando. Mas ela jogava muito mais que eu e marcamos um outro jogo que durasse menos.
Jogamos. Jogamos e jogamos. Eu melhorei tanto que deixava ela me ganhar.
Versão 2:
A gente jogava tênis. Algumas pessoas me disseram:
como você conseguiu jogar tênis com ela?
Ela não joga com ninguém, como foi jogar justamente com você?
Um fodido. Um mal jogador. Um quatro olhos.
Ainda por cima tem um backhand ruim.
Deve ter sido por pena.
Eu disse que ela queria me ensinar uma jogada nova. Uns lances de efeito.
Ou seja: nenhum interesse.
Só o de que eu aprendesse a ser um melhor jogador.
As bolas amarelas ficaram no chão. Elas não duram uma partida inteira.
Eu queria continuar jogando.
Mas ela jogava muito mais que eu
e marcamos um outro jogo que durasse menos.
Jogamos. Jogamos e jogamos.
Eu melhorei tanto que deixava ela me ganhar.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:24 AM 1 comments
planto
plantas
plânctons
plural de abismo:
céu
orquídeas brotando do lixo
coturnos andando solitários
armários que voam na noite
algum alguém ou algo
nata no leite quente
restos de rastros no espaço
almoço: papel almaço
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:07 AM 1 comments
Todos saíram quando entraram
Todos entraram quando saíram
Alguns foram enterrados vivos
Outros são vivos enterrados
Fico: em ambas as frases: sem saber
O por quê de os vivos serem tão vivos
E os mortos tão mortos
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:37 AM 3 comments
Ana era um tesão. Mulher gostosa para homem nenhum botar defeito. Todo mundo na faculdade queria come-la. Não havia homem vivo que não fizesse reverência à beleza de Ana. Eu sempre gostei de mulheres que falassem algo de inteligente, pelo menos de hora em hora. Não cobrava uma mente brilhante o tempo todo: o que eu queria era um corpo brilhante como o de Ana. Possui-la seria algo muito especial com certeza.
Passei a sentar perto dela na sala de aula. Mas eu corava um pouco diante daquela mulher. Era tesuda. Linda demais para mim. Era tudo que eu queria; tanto que babo enquanto escrevo estas linhas mal traçadas. Além do tesão, fui construindo dentro de mim uma mulher maravilhosa: capaz de recitar Rimbaud de cor. Capaz de soletrar em alemão. Capaz de traduzir para o francês parte da obra de Joyce.
Ela só crescia em mim enquanto pessoa e enquanto mulher. Como pessoa mostrava-se militante da causa do mais pobres e como mulher estava cada vez mais maravilhosa em sua minissaia babante ao chão. Eu não agüentava mais o meu pênis e a minha cabeça. Meu corpo e minha mente estavam fascinados pela mulher maravilhosa chamada Ana.
- Ana qual è o seu nome?
Perguntei pra ela o nome dela que eu sabia. Que gafe. Vai me reduzir a esterco.
- Como sabe o meu nome?
- Todos sabem o seu nome.
- Todos?
A filha da putinha estava me dando mole. Vaca profana: toda mulher gostosa gosta de saber que é gostosa.
- Todos somos seu fã.
- E você vê: eu estou sem namorado há mais de um mês.
Não sei o que eu tenho, mas ela estava me dando mole. Enquanto falava gesticulava. Adoro mulheres que gesticulam. Elas passam uma verdade para a gente. Passa uma sensualidade toda própria. Adoro mulheres que sabem falar. Falar é primordial e Ana falava bem:
- Sabe, você fala tão bem!
- Quero ser professora de Português e escritora. Meu sonho sempre foi escrever um livro do tipo do Patavina Angústia.
- Patavina Angustia! – eu não conhecia porra nenhuma do Patavina – eu adoro Patavina – falei mentindo, óbvio.
E Ela ficou ali meia hora falando do Patavina Angústia e de como a linearidade discursiva poderia ser substituída pela tensão estrutural no texto do tal escritor. Fiquei gamado e nos dias que se seguiriam leria toda a obra do Patavina Angústia.
Era amigo de Ana. Um amigo distante e – com medo de ver o meu planejamento de aproximação – cair por terra, não fazia nada fora das dadas planejadas para que eu traçasse Ana ou não. Ana era tão gostosa que dei um prazo a mim de um ano para que comesse a mulher mais gostosa da faculdade, que eu saiba virgem indevassada ainda nas bocas das matildes da facu.
Fomos estudar junto o tal do Patavina na biblioteca quando ela pegou na minha mão. Havia uma barata andando perto da mesa e de sua bolsa. Eu tremi de medo. Se há uma coisa que detesto é barata, mas se eu mostrasse toda aquela minha porção viado a ela, meu deus! correria o risco de perder meu bem para sempre. Fui macho e matei a kafquiana. Ela, Ana me elevou momentaneamente a condição de herói grego e ainda bem que eu percebia que aquela mulher estava se afeiçoando a mim: porque estava chegando no final do meu prazo de varredura e eu não havia liquidado a promissória, sequer me aproximara dela. E o pior: estava apaixonado. Vivia o dia todo escrevendo Ana no caderno. Fazia balõezinhos com a palavra AMOR. Estava caído de amor. Quedado.
Passava horas a fio em busca de uma idéia salutar que me fizesse chegar a aproximação de minha deusa. Cantava aquela música; “Eu pensei em tanto pra dizer enquanto esperei pela chegada triunfal desta deusa”. Enquanto não a possuía maritalmente e enquanto ela não era a minha mulher e a mulher de meus filhos e a mulher mais perfeita quase a virgem Maria, eu me masturbava libidinosamente pensando em seu corpo. No que me falava. Na sua voz. Nas suas coxas. Na sua zona do agrião. Cheguei – de tanto descabelar o palhaço – a conviver com uma dor de cabeça tão forte que só vinha na hora em que o meu sexo tremia de amor mais sincero: a hora do gozo eufônico. Eu gozava recitando o soneto da fidelidade e minha vida era feliz.
Suficientemente perto do natal fui acometido de uma dor que me ofuscava a entranha, uma dor rimbauldiana mesmo: nós iríamos entrar de férias e resolvi partir com tudo antes que mais um fim de ano chegasse e eu ficasse a ver navios, ou melhor, a ler revistinhas do Hary Jone, a ver os filmes da coleção Sex Hot ou a fazer o plano total de aquisição da tv a cabo, só por causa dos quatro canais de sexo. Estava doido. Quicava dentro de mim. Era a última prova do ano. O tema da prova era Patavina Angústia. Pronto!
- Ana quer estudar o Patavina Angústia lá em casa?
- Tudo bem. Eu vou. Que horas?
Eu não acreditei. Ela iria. Ó Ana Júlia aahaahh ahhahhahahahha/Ó Ana Júlia ahahahahahahah”.
Preparei todo o ambiente da minha casa. Cheguei a chamar uma amiga decoradora – que tive de traçar por conta dos palpites que me deu – e decorei a casa com flores e fragrâncias florais. Botei um espelho no teto para dimensionar todos os ângulos do sexo selvagem que iria rolar. As tamancas vão quebrar, eu dizia a mim mesmo. Era que o meu pai dizia quando me levou pela primeira vez nas termas Santo Amaro.
Ting dong, tocou a campainha. Eu já estava puto de tanto esperar. Ela estava numa calça tão grudada que chegava a ver o âmago da sua xaninha. Meu pau logo endureceu. Eu era um garoto e tinha só vinte e poucos anos: o que potencializava a minha força sexual.
Ela era doce, meiga, bonita, gentil, delicada, bondosa e usava um Pierre Merdon: o melhor perfume do mundo. Sentamos e ela fez questão de ficar bem distante de mim. Li vinte e cinco páginas de um texto que havia feito sobre Patavina. Falei e falei. Dei aula do assunto. Dentro dela eu sentia que ela pensava: “COMO ESTE CARA SABE DE PATAVINA”.
Eu sabia de Patavina para caralho. Não gostava tanto do Patavina quanto da Rosecler Lisboa Prado de Almeida e Fragon, mas tudo pelo sexual.
Conversa vai e vem. A cada meia hora me aproximava vinte centímetros: o que deu no final de duas horas, uma quase coxa a coxa com Ana.
O tempo estava passando e o assunto se assuntando e se espargindo, indo pelo ar. Resolvi partir para o ataque. Botei minha mão sobre as coxas dela. Ana tirou as mãos. Toda a mulher recatada é mais gostosa. Depois de meia hora de tira e bota a mão pra lá e pra cá, eu resolvi parar tudo:
- Pára tudo!
- Por que?
Resolvi me declarar.
- O amor é o fogo que arde sem se ver.
- É ferida que dói e não sente.
Falei por meia hora e olhei por meia hora no azul piscina daqueles olhos e mergulhei na sua boca. Bingo. Vitória. Gol do Mengão no Maracanã.
Ficamos quinze dias saindo e levei dois meses para que fizéssemos amor. Eu não faço sexo. Eu só faço amor. Fizemos de tudo menos o tal do boquete: sexo oral. Ela alegou que exigia uma melhor “enturmação” com o meu ser e que um dia chegaria e nós faríamos o tal do boquete.
Eu estava amando e havia achado a deusa da minha vida e a mulher que iria guiar o meu carmanguia vermelho. A senhora do meu sono. A perfeita. A deusa. A formosa e a imaculada: Ana.
Passeávamos de mãos dadas na praia. Íamos ao cinema. Fizemos todo o roteiro de amor do Rio de Janeiro. Tudo vale a pena quando a pica não é pequena, dizia ela em seus momentos de maior aproximação... Só havia um problema: ela não fazia o boquete. Não chegava perto do Godofredo. Não beijava o bichinho.
- Um dia será o dia em que tudo se revelará e nós faremos sexo oral.
Aguardava este dia tanto que resolvi, pelo fato de ter encontrado a mulher de minha vida, a deusa de meus caminhos, resolver aquele problema com uma profissional. Aquilo não era traição. Era só uma fissura minha que estava aumentando e podia terminar prejudicando o amor da minha vida. Para o meu relacionamento não sucumbir em discussões de relação, procurei uma mulher no jornal. Eu era contra. Juro que sou um homem que preza o amor como algo superior. Não sou do tipo que só pensa em carne. A única carne que como é boi ralado. Com mulher eu faço amor. Desculpe meu bem, mas lá fui eu para a RAINHA DO BOQUETE, um antro de perdição mais conhecido como termas Copacabana.
- Quero conhecer a rainha do boquete. Falei a recepcionista que me olhava.
Pedi desculpas a Ana. O fiz internamente. O fiz por nós dois. Eu não iria beijar. Não iria fazer sexo. Eu não iria me prostituir às avessas e me entregar a luxuria. Era só uma chupadinha. Fui ao reservado e tirei a roupa enquanto pensava numa boca mecânica, numa dessas ordenhadoras de tetas de vaca automática. Eu estava fazendo aquilo pelo meu amor.
A barraca estava armada. O sangue pulsava. Só de pensar que o meu fetiche, algo que não fazia há muito tempo ia ser concretizado, me fazia babar.
Virei-me e fiquei de bunda para a porta e me olhando no espelho. A recepcionista chegou trazendo uma mulher à tira colo. Ela disse que a garota com o véu era a Rainha do Boquete.
Me aproximei. Olhei nos olhos dela e uma lágrima caiu. Tirei o véu e ela era Ana. Ana Júlia era a rainha do boquete. Meu pênis broxou na hora. Cai fulminado com um ataque cardíaco. Hoje me encontro no CTI sexual do céu. Fui condenado a viver de pau duro esperando Ana para consolidar meu desejo mais ulterior.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:33 AM 3 comments

Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:48 PM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 3:57 PM 2 comments

Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:07 AM 3 comments
mente
prisão maior que eu
do tamanho do mundo
prisão maior do mundo
do tamanho de mim
enquanto
todo mundo é eterno
enquanto dorme
depois que acorda:
morre
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:40 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:17 AM 2 comments
crio mundos inocentes
parâmetros para pensar a doença
(não é todo mundo que
tem uma bomba que
pode explodir)
(que pode imprimir um texto em sua mente que
pode numa fração de segundo
não distinguir mais entre qual realidade
mais se adapta a cada loucura /que
também ao se olhar no espelho depois de tudo
deixe de se angustiar tanto que possa
pôr um ponto final. que
só se reconheça em reticências que
só se diga aquela palavra
na hora exata
em que se plugue na mente
uma conexão qualquer que
navegue como um som)
às vezes ouço um piano
às vezes ouço uma voz
pior quando não ouço nada e estou sozinho
e o pior acontece
aço na testa e o início de um calafrio que não termina
nem com uma gota anatensora
((só a realidade é calma
enquanto coço o infinito com o meu maior dedo do pé pois
não estou mais
aqui))
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:22 AM 2 comments
Eu acho que nós somos muito mau
Nós quer ver guerra pela televisão
Nós quer ver atentado em todo o 11 de setembro
Nós torce pelo mais fraco
Nós quer torcer por um
Nós quer ver programas de polícia na tv
Nós não quer aprender a falar
Não fale por mim idiota
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:38 AM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:36 AM 4 comments

Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:12 AM 0 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:33 AM 3 comments
a voracidade do sexo
meus dedos dos pés nos calcanhares
de todas as luas cheias
e se abrindo um crepúsculo
o músculo do infinito
entre algumas pedras que se abrem
abismos ou grutas onde só me perco
quando encontro
a calmaria total de quem silencia
e feito uma onda plácida
deixa que surfe
no caos enquanto me engole
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:38 AM 0 comments
o plástico que lhe protege
na pele que me arrepia
a aurora no banho de espasmo
que nossas bocas copulam
diversos ventres entre os afagos
e guilhotinas de plumas
cortando cardando o plástico
chegando ao teu átomo
o indivisível dizível
entre paredes de quatro
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:21 AM 3 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:24 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:57 AM 2 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:04 AM 6 comments
o eu suturando tudo: a mesura do silêncio
o escopo do clandestino
pra sempre ser sempre
só
*
olhar a si mesmo nem sempre como si
*
a culpa de ser quem sou não é a única
ser outros além de mim
também
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:44 AM 3 comments
Há um colibri naquela flor
Há algemas para prender os animais?
Há camisas de força pra enforcar
E um varal cheio delas no meu quintal
E há ainda uma quinta-feira por viver
E talvez nada mais importe tanto assim
Do que o colibri naquela flor
Porque ela sabe dar e ele sabe receber
Se alguém (inclusive eu) soubesse disso
Evitaria internar alguém em um hospício
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:45 PM 3 comments
Há vinte anos tomo Haldol e ainda não me curei porque não tem cura:
por que não tem cura?
Continuo vendo papagaios ao invés de ratos no meu quarto e
sei que não tem papagaio algum: são só ratos
O q um rato pode fazer de mal a alguém? Garanto que um outro
ser humano pode fazer mais mal do que os muitos ratos q não são papagaios
q vejo.
O fato de ver papagaios ao invés de ratos é uma dádiva. Imagine se eu visse ratos?
Imagine se eu visse seres humanos?
Os papagaios pelo menos falam com a gente.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 12:30 PM 1 comments
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:48 AM 1 comments