TELAS E SAPOS.


os sapos

na lagoa a neblina
esconde os sapos

quantos sapos
engole a neblina?

quanta neblina
engolem os sapos?

quantos sapos
engoli hoje?

quantos sapos
estão calados?

quantos sapos
sabem do fato?

que sou
também um sapo?


Friday, February 08, 2008

fátima (enfermeira)

o mar
navega
em fá

de falésias

meu infinito
ruge

o tempo
enjaulado
transmuta
ejacula
mutações

adrenalina
falta
ao cérebro
que
navega
em ré
médio

Thursday, February 07, 2008

POEMA DO E-BOOK "SÍNDROME".

o primeiro dia

vendavais de amolictil
acalmam o silêncio

etílicos deitados
bebendo seu gardenal

o cérebro sufocado
a química cerebral

antenas recebendo
doses de fenergam

masturbam-se velas
pílulas bailarinas

a noite flutua
horrenda tarde

aqui a dentadura
me fala sombras

Wednesday, February 06, 2008

LAGOA BRANCA.



A flecha oculta um vôo: uma seta oculta uma flor: uma dicotomia:
algum paradigma. Quando olhar a garça (na lagoa) retira dos olhos
a graça. Quando o silêncio da garça sobrevoa (na lagoa): aquela lagartixa
: tão presa ao chão. Horas dali (na lagoa): numa outra vida fui você e
acabei batendo de frente com um trem. O trem que vem é o mesmo trem
que vai. Assim há dias dali (na lagoa): algum turista anda de pedalinho
e antes que a garça voe: um índio: há séculos atrás (na lagoa) mira o seu
arco na direção da garça. Atira-lhe a flecha. Não sou este índio. Não o
conheço. Matar a garça é tão normal para ele que ele pode ser ele enquanto
mata para comer o sagrado. (na lagoa): hoje em dia: peixes mortos sufocados
pelo lixo tóxico e alguma manhã impregna o meio-dia e é a noite que se
sente a falta da garça. Pois é noturno o seu vôo: como diurno. Mais muito
perto daqui (na lagoa) o índio matou uma garça, mas não matou a graça
simplesmente porque comeu a caça: matou para ficar mais selvagem do que
é. Matou porque só havia (na lagoa) aquela garça pra comer. Quando nós
que já comemos (na lagoa) a lagoa inteira e deixamos hoje em dia a garça
(na lagoa) espernear sufocada por um saco plástico. Ali (na lagoa) é onde
eu ando todos os dias falando comigo e respondendo as minhas perguntas:
como se pudesse voar como a garça morta que interpreta em silêncio sua
vocação para o branco. Hoje (na lagoa): há dias (na lagoa): há séculos.

Tuesday, February 05, 2008

HENDRIX.


Eu não posso quebrar
Uma guitarra
Uma guitarra eu
Não posso quebrar

Eu não tenho dinheiro
Eu não sou popstar

Eu não posso quebrar
Uma cabeça
Uma cabeça eu
Não posso quebrar

Eu não sou médico
Eu não sei consertar

Não sou enfermeiro
Não sou guitarrista
Não sou escoteiro
Não sou escafandrista

Monday, February 04, 2008

DEPOIS DO MOTEL.

Novamente ainda de tarde (depois do motel) penso em você.
Estive este tempo todo pensando em como seria se a tempestade
de Piportil caísse sobre mim e você. Ela não conta. É só uma miragem
que não tem papel nesta história. É se um corpo que pego emprestado
para fingir de seu perfume: seu estado alfa: sua consciência: sua
desordeira forma de amar. Ouço jazz no fim de tarde e eu não estou
morto ainda. Alô. Quem fala? Agora ela me diz que me achou
diferente: como se eu quisesse o tempo todo provar de algo que
eu mesmo não sabia se ela tinha. Alô, como estão todos aí e aqui
está calor? Cheio de coisas como Anatensol ou outro fototerápico
qualquer. Uma pica roçando em sua bocetinha. Era o que eu queria:
sentir que um scan passa pelo seu corpo enquanto a penetro e vou
vasculhando buraco por buraco: seu. Enquanto isso onde estará ela.
Eu babo um pouco no violão. Vou cantar uma canção para ela: que
fiz para ela: num desses momentos em que engulo um gravador e
não paro de falar. (depois do motel) escrevi para ela um e-mail dizendo
que (depois do motel) amava mais ainda ela porque na verdade (depois
do motel) é que descobri que estava transando com ela e não com você.
Não consigo mais me concentrar em nada. Passo horas pensando que
se ela estivesse aqui e você fosse ela estaria com o meu amor. (depois
do motel) as luzes da lagoa vão se desiluminando e você não está aqui e
nem ela. Mas foi bom (depois do motel) descobri que foi bom e quem
não pode caçar com cão, não deveria caçar. Por que na verdade (depois
do motel) estou fazendo a mesma coisa que aquele cara do filme fez hoje
quando vimos (depois do motel) o filme. Alô. É Ela. Ela me diz coisas
desencontradas como o seu Gardenal acabou? E como anda a Califórnia:
enfermeira: mulher adulta: professora de primário. Ouço Just the way you
are. A nossa canção que só eu sei que é nossa (depois do motel) um cara
me pára e me pergunta se quero cambiar dólar. Tudo isso acontece porque
não conheço ela e não quero conhecer porque você me basta (depois do
motel) e é claro que foi bom para você para mim e para ela. Sou complicado.

Sunday, February 03, 2008

DOIS POEMAS CURTINHOS.

ENTERRANDO

Minha culpa
Minha tão grande cool pá

ENTRE

O poema não me diz nada
Quando diz tudo

O poema não me diz tudo
Quando não diz nada

Saturday, February 02, 2008

O TEMPO.

O tempo nunca na nuca escuta. O tempo nunca.
Ele se repete enquanto vivemos no passado.
Alguma depressão de signos. Alguma conciliação
de plumas faz do carnaval algo da carne. Alguma
coisa que se apresenta como nova e não tem novidade
alguma. É só parar e olhar os ponteiros do relógio.
Eles sempre se encontram de hora em hora. Urge
saber apenas se as minhas repetições são esquivas ou
eqüinos de Lexotan seis miligramas que me deixam
calmo: eu preciso disso para viver porque sem os
remédios estou só. Vendo um temporal cair de uma
vez por todas: de uma forma devastadora: de uma forma
opressora: de uma forma em que os trovões atiçam o
louco em mim. Meu monstro cativo que trago decalcado
em um corpo antes gordo e hoje com as marcas do que
foi: foi bonito: foi singelo: foi um corpo: hoje é monstro.
Como se Charles tivesse perdido quarenta quilos. Mas
eu só perdi vinte e perdi ela numa novela: num novelo:
numa aquarela meio alegre e meio triste. Quase ninguém
sabe que sou esquizofrênico. Quase ninguém sabe que
sou pobre. Quase ninguém sabe nada de mim e sobre o
tempo tão absorto: tão sem graça que me acompanha:
tão tamanho que quase um elefante de Rivotril me engorda.
Sei que não existem novidades a dizer sobre o tempo, mas
de uma hora para outra vou perdendo o meu tempo aqui
neste poema e tenho que fazer o que eu não gosto: uma
amiga me ligou e ela tem um filho com a mesma doença
que eu: e não pude falar com ela porque estava com o tempo
preenchido por este poema que sequer diz nada sobre
o meu tempo e o verdadeiro Tempo gasto com coisas inúteis.
Quase agora estou perdido como sempre. Sentindo cheiros
que não quero. Vendo no Leponex um Haldol sincero.
Como se a minha egotrip fosse importante para alguém:
além de mim ninguém mais perde tempo com isso e agora
não chove: não nuvem: só sol: só lua: só Piportil: só quatro
vezes ao dia. Por que de noite tudo piora tanto que quase
esqueço desse Tempo que perdi: o redescubro (nos galhos)
(nas montanhas perto de minha casa) (nas alturas que onde
anda quem tem Tempo). Não tenho tempo e sim tardes como
esta em que escrevo sem parar porque preciso e só por isso.

Friday, February 01, 2008

BOOK.

Eu encontro muita dificuldade em publicar livro em papel. Acho que a culpa não é das editoras e sim do conteúdo de minha escrita. Eu aproveito este blogue e outros espaços (na internet) para divulgar o meu trabalho. Na revista Germina foi publicado um livro inteiro chamado Cataclismo. Tem o prefácio de Sebastião Nunes e pode ser lido em http://www.germinaliteratura.com.br/booksonline_rodrigo.htm

Thursday, January 31, 2008

POEMA E FOTO.


EM LUGAR ERRADO.

No fundo (bem no fundo) não existe nada.
Só uma empregada varre a casa e
Ela sabe que o ato de varrer é de uma empregada
(SERÁ QUE ELA SABE ISSO: que o ato de varrer
é o de uma simples empregada). Ou Ela não se acha nada.
Sei que lá no fundo dela está de mãos dadas com um amor.
Todo mundo quer um amor mesmo com raiva. Todo mundo
quer numa rave um amor. Ela não diz para ele o que Ela é.
Talvez porque saiba que é muito mais do que ele e
ainda (bem no fundo) que ele também não é nada.
Então mais uma noite passa de mão dada. Mãos aneladas
no silêncio de beijos. Ela pede um sanduíche de ricota.
É o que de mais sofisticado conhece para não transparecer
que ele está de mão dada (numa rave) com uma empregada.
UM COQUETEL DE FRUTAS. UM COQUETEL DE DROGAS.
Um coque na cabeça dela. Tudo ali a faz feliz. Mesmo estando
por um triz. Ela pensa em ser atriz e parar de varrer chão.
Ele coça o seu culhão enquanto Ela toma todo o cuidado
para não lhe mostrar sua verdadeira identidade. A vida é
uma falsidade. Mesmo. Eles se beijam com raiva na rave.
O som eletrônico e o êxtase estão próximos. Quem sabe
a felicidade é aquilo mesmo: um homem, uma mulher e
uma noite apenas. Porque no fundo (bem no fundo) Ela sabe
que eles nunca mais se verão. Que pertencem (bem no fundo)
a um mundo fora desse mundo. Um lugar qualquer onde
um homem e uma mulher podem ser menos que uma lata de lixo e
mais do que um discurso prolixo de um homem bom.

Wednesday, January 30, 2008

O DADO DE SETE LADOS.

Psiquiatras vêem doença em tudo.
No azul do veludo
de uma neurose:

numa operação de fimose.

Por osmose
(numa réplica de crocodilo)

vêem o Murilo.
Mendes é o nome dele.

Vêem a Paranóia (de Piva)
e os sete cantos de um dado imaginário.

Podem me chamar de otário:
no sentido horário

e no anti-horário.

Podem cristalizar o Tempo
e catar o vento:

botar a pica pra subir numa aranha
cremosa:

só porque as tarântulas são Negras
como o véu da viúva: que Ivo viu

a uva.

Tuesday, January 29, 2008

NUNCA.

Ser dois
Estar ao mesmo tempo
Em dois lugares

Ser um
Estar em nenhum

Monday, January 28, 2008

PRATA REJEITADA.

Eu ficava sempre em segundo lugar
Até q fiquei em terceiro
Recebia seus beijos e ficava contente

Até q fiquei em quarto
Troquei as medalhas por um diploma
Fui para Roma
Lecionar espadas
Perdi todos os seus beijos

Voltei e caí pra quinto

Cada vez mais longe do pódio
Tive que conviver com o ódio

Cai pra sexto
Sétimo
Oitavo

E logo não estava nas finais
Parei com tudo
Deixei de escrever sob a cicatriz
Passei a nadar em outros papéis
Virei comentarista
Técnico
Crítico
Mas nunca fui o primeiro

Queimo hoje as fotos do passado
De sempre eu em segundo
Quis matar o mundo
Só fui campeão de alucinação
Nunca de natação

Saturday, January 26, 2008

DOIS POEMAS.

Reticências

ponte
para ir
e voltar
pontos
paralelos
:
infinito
...

Longe da badalação

Longe da badalação
Meu caralho
Vai de vão em vão

Deixando pingos
Na latrina
E sêmen na Irina

Friday, January 25, 2008

*

Edu, eu, Turista e michele (em pé). Marcelo Coelho, Alex, Adré Trigueiro e João.
*Essa foto é para eu me lembrar e cair no pranto. Não que eu seja um infeliz: pelo contrário. Mas sou um saudosista. Lembro-me da turma da faculdade. Éramos tão amigos. E creio que ainda somos. Marcelo me mandou pelo Orkut a foto do nosso time. Devia ter uns vinte anos. Sou o mais baixo de pé. O mais branco. O mais feio. Qualquer semelhança com Alexandre Pato não é mera coincidência. KKKKKKKKKKKKKK.




OS ÚLTIMOS ÍCAROS

As pombas voam com seus cocos
As bombas voam com os aviões
O único homem que voava era o super-homem
Talvez deixasse peidos pelos ares
Hoje os únicos vôos são os últimos
Alguns atingem alvos móveis
Por que me querem tão parado?
Alucinado pelos contornos de um corpo
que nunca eu usei: o meu próprio osso

Thursday, January 24, 2008

LIXO.


ESQUINAS.

Há um céu que se divide
Entre azul e cinza e nuvem

Há carneirinhos em seus cabelos
E lésbicas rodando bolsinha

Na manhã de minha sopa quente
Há barbitúricos e cocaína

No clitóris da paisagem
Há uma engrenagem nuance

Entre azul e cinza e nuvem
Há um céu que se divide

Monday, January 21, 2008

Em cima do homem há outro homem
Em cima do cadáver dela
Há uma cadela
Em cima da luz existe o teto
Que vem vindo
Em cima da cama estou eu que vejo tudo
E nada sei
Em cima de mim está ela
Que berra
Grita pro silêncio que a escute
Grita para mim que a respeite
Simples mente grita porque para ela falar é gritar
Em cima do criado mudo há um livro aberto
Em cima da escrivaninha o diário
Do lado da porta uma janela
E alguém caindo
E gritando
Enquanto isso duas joaninhas comem açúcar
Três mulheres conversam sobre a menopausa
Toca o telefone
Em cima da cabine de telefone
Há nuvens que se ausentaram a tarde toda
Há um céu inteiro espatifando-se sobre nossas cabeças
E ninguém percebeu que é feriado
Que há crianças recebendo o corpo de Cristo
Enquanto esquizofrênicos só fazem repetir a mesma frase
A mesma dor
A mesma aurora
A mesma deformação dos sentidos
Porque tudo é assim mesmo
E só estará em baixo
Quando nos abaixarmos
Para olhar as formigas que carregam o esqueleto de um anjo
Uma asa tatuada no peito
Uma aurora inteira pra voar
Outro dia foi que se jogou
E só hoje descobriu que não sabia voar em dias como este
Onde tudo desaba escada a baixo
Como se pudéssemos saber tudo sobre qualquer coisa
Tão burocrática
Quanto lhe beijar agora
Neste silêncio que a tudo escuta
Quem foi o filho da puta que disse que tudo ia acabar depois
Depois veio o depois e pior que depois veio o pior
Que é cercar o nosso infinito com cacos de vidro
Para contarmos nossos pedaços que ficaram na tradição
Acima de tudo
Morto mar morto: mortinho da silva

Sunday, January 20, 2008

MUTILAÇÃO.

Meu tio
Morreu
Dentro
De minha avó

Para ela
Virei
A encarnação
Do filho
Que perdeu

Sinto que perdi muitas vidas
Menos esta
De sofrimento

Sou masoquista
Bem no fundo
Gosto de chorar
E gozar
Com o teto

Gosto de me olhar em algum espelho
Que me distorça tanto
Que eu me pareça com quem sou

Friday, January 18, 2008

TUDO QUE NÃO QUERIA DIZER.

Mamãe já não me mama
com seus dentes
E suas unhas de acetona
Papai me olha de lado
Usando uma loção pós-barba
Quantos cheiros à vida têm?

Eu fiz todos os deveres de casa
e caminhei feito um horizonte
Sobre a manhã
Por que
quis cortar os meus pulsos
e não minha língua
Quis fazer um arco-íris
no meu quarto
e só consegui o silêncio
das sirenes vermelhas
Por favor me levem para
morrer no hospício
Queria rever o seu Cid
e queria ver todos aqui felizes
vendo as moscas avançando
Os meus pedaços ainda tenros
ou o que existe além deste
filho da acetona
do álcool
da cola de sapateiro

Durante muito tempo não agüentei
nem a cor da cola de sapateiro
E quando o Guga entrava na quadra cor de telha
eu mudava de canal
Mas o cheiro pavoroso da morte também inebria
como eu queria agora beber
um gole de cerveja
e jogar meu carro num banco da Duvivier
Eu queria chorar de morrer
Eu sei que vou partir
E um homem, porra, ia falar
que um homem é saber morrer
Mas o Homem é o oposto
Um homem é não saber morrer
É beber do álcool do lança-perfume
É virar as drogas que querem lhe drogar
É ser o seu próprio sangue
É porra nenhuma
É uma fatalidade de lugares-comuns
e eu não escrevi nada de novo em minha vida
Sequer soube morrer
Durante três dias me deitei em mim
Era um chafariz
Defequei pelo meu quarto
E fiquei com pena de minha mãe
E suas belas mãos de acetona
Fiquei com pena de meu pai
e amei a todos aqueles que me proporcionaram esta experiência
porque dar um tiro na testa é como ejacular sem sêmen
e como vencer sem sangrar
e sem sofrer
e ter vindo à vida e não ter visto que existe anus para defecar
o pênis para gozar

*Esse poema foi escrito faz muito tempo, mas as coisas não passam. Voltei a sentir cheiro de tudo e principalmente o cheiro da morte.

Thursday, January 17, 2008

VERDE.


Wednesday, January 16, 2008

4 POEMAS PEQUENOS.




O AMOR ERA UM PINÓQUIO

Eu podia te amar eternamente
Como quem mente

AMOR


Enquanto eu tiver minha mão
Tá tudo bão

ANTI

P´ra que o vício
De precipício
P´ra que o início
Do velho início

P´ra que hospício

COMO ELA FALA


Ela falou muito muito muito muito do seu ex-namorado
Falou muito muito muito de tv
Falou muito muito de cinema
Falou muito de livro
E nada de si

Tuesday, January 15, 2008

macacossáuro rex

eestou no centro
comendo o meu eu
eu sou um macaco

a caca do macaco
e a minha cacamá
quando eu sou eu

macacoe caca são
são quando eu má
caco de imitação

quando eu sou eu
eu sou um macaco
comendo o meu eu

Monday, January 14, 2008

de quando em quando.

perdi o controle
remoto
quebrei a estante
buscando
a caixa preta
de meu eu
guarda segredos
de quando me matei

Saturday, January 12, 2008

OVO COR DE ROSA.



Olhar a casca do ovo
Achar que a casca é a gema
Fazer uma confusão de fato
e do poema uma algema

Criar algumas cicatrizes
como animais domésticos
Saber que a casca é delicada
e no fundo é algo hermético

Ir tirando a casca com calma
como quem arranca a própria alma
devagar feito um pelicano
Comer a gema de quem amo

Friday, January 11, 2008

COPROFAGIA D FIM D MANHÃ

1
albina manhã crepom bom
presa dentro de mim stá
quantidade de devir uma
que o dever de se abrir
deforma o existirdentro
defeco isso aqui fora d

tão presa prisão eunuca
em que o ventre padrãox
ao invés de se esconder
insiste em trazer vendo
um quiabinho pra você e
se deleitar e comer com

2
aqui Palavra alguma foi
hoje tudo é considerado
dourado feito o peixinh
ooooooooooooooooooooooo

aqui palavras suntuosas
perdem a suntuosidade e
pernoitam ao lado d aço
a solidão os pastéis em

algum idioma deixarão d
ser de queijo ou d cama
rão

quantos ao para o fim d
alguma palavra ou palav
rão

3

eu nem
vc tbm
estive
com os
stives
assime
perito
sintod

Thursday, January 10, 2008

DESAPAIXONADA.

Ter dente da frente torto
A menina tinha
Tinha um arco-íris que despencava
Pela tatuagem dos seios

Tinha engrenagem
Ao invés de cabelos

Só não tinha aquilo
Que era me querer como um rito

Como quem olha o seu infinito
Sem precisar de óculos de longe
Olhando nos olhos

Tuesday, January 08, 2008

MULHER BARBADA.

Seu corpo
É a escada por onde subo

São as digitais que deixo

Seu queixo

De gueixa
Tem alguma barba

Isso não lhe estraga

Sunday, January 06, 2008

O NORMAL SERIA IGNORAR AQUELE CARA QUE ME MANDOU TOMAR NO CU.

Se eu não gosto dele
Eu mato ele
Eu dou uma facada
Eu dou um beijo
Eu fecho a cara

Se eu não gosto dele
Eu jogo uma bomba
Eu dou um abraço
Eu cuspo em sua face
Eu como a bunda dele

Se eu não gosto dele
Eu não falo com ele
Eu jogo um scud dentro
Eu ponho fogo nele
Eu mato devagarinho

Que é pra eu achar que
Não matei
Que não fiz nada de errado
Que não pequei por Deus
Eu não sou um filho da puta

Saturday, January 05, 2008

UM QUASE-POEMA.




buscar o epitélio do poema
ornado em flores pela noite

a noite é só uma sutileza
que eu não entendo

estrelas são flores no deserto
do mar de assalto sou tomado

tempestades nuas de favores
me dão certas certezas

a de que tudo é tão possível
mas prefiro acabar aqui

do que continuar existindo
num poema por existir

Thursday, January 03, 2008

PARECE QUE VAI SER PRA SEMPRE.


Beltranos é uma banda de rock pesado. Eles estão tocando duas músicas de minha autoria. A que está neste link http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/beltranos/ chama-se PARECE QUE VAI SER PRA SEMPRE. O título original era Vertigem. Foi feita quando eu tinha 20 anos de idade. Já era o prenúncio de que eu viveria na LOWCURA pela vida toda.

Wednesday, January 02, 2008

É DEVER DEVIR.

Clarabóia bóia no veludo da luz
Ilumina minhas noites de cemitério

Ilumina o sono dos dias pardos
Em que naveguei nos seus mares

Aonde encontrar a terra sagrada?
Singra na mata a luz veloz

O velô de Marina anda devagar
O tempo não escolhe passagem

A clarabóia não escolhe luz
Tudo é devir, assim falavam.

Tuesday, January 01, 2008

O CÉU.

A Lua também tem um céu. Eu e você também. Dizem que existe Deus, mas eu só acredito no céu. Que nem sempre é azul. Vamos, não se prenda ao detalhe e olhe nos meus olhos. Não há um céu azul neles. Há uma eterna conjuntivite. Feita de baseado e licor. Meu céu é como o azul de seus olhos e têm cílios grandes como as caudas de um pavão. O pavão é um bicho feito de arco-íris. Qual será a cor do céu do planeta dos pavões? Sim, pois quando estou doidão acho que cada bicho tem seu planeta natal. Deve ser colorido demais. Existe um céu em Van Gogh, um céu em Bacon, um céu em Kandinsky. Mas nem em todos tudo é tão azul assim. Por que o azul é a cor do céu da Terra?

Sunday, December 30, 2007

DELIRIUM



Ninguém despertou do ano novo
e todo mundo se divertiu
Hoje dou um de bico na minha cama
e vou voar em outro aroma
Há delírios vários
e um me persegue:
a de que o cheiro da pasta de laçar
me enlaça como um cheiro de bosta
Como eu posso ir à praia feliz
e surfar minhas ondas de Amplictil?
Meus tisunamis interiores são tão maiores
Mas só podem matar a mim
Menos mal

Friday, December 28, 2007

QUINZE.

A fúria silenciosa do vento que bate na janela e prossegue o seu caminho de errância até levantar as pontas da minha camisola. O obstinado silêncio que eletrocuta o dia-a-dia. Eu vou quebrar ele. Eu vou quebrar ela. E nos encontramos nas curvas da estação do metrô. Todos quebrados e nos quebrando mais ainda. Eu não sei mais andar. Você quer fazer sexo com uma paralítica. Eu vou te quebrar inteirinha. Vou arrancar seus testículos. Soprarei seu horizonte para longe de mim. Empurrarei você abismo acima. Puxarei pelos pêlos do púbis. Pelos seus cabelos. Quebrarei uma a uma as suas falangetas. Depois te darei um beijo. Depois vamos para as férias. Eu não entendo você. Que não é meu. Bebo, babo, bebo. Sou uma mulher que bebe em casa, mais que socialmente e menos que uma alcoólatra. Sou uma prostituta de luxo. Ganho porrada de graça. E não sou masoquista. Quero te ferir um pouco. Tirar seus contornos de mim. Fazer um outro princípio final. Por que sou assim? Por que aceito levar estas chicotadas com palavras de choque? Caio dentro de mim tão em mim que de mim não saio. Estou paralisada agora, olhando a tevê. Nada me diz nada. A não ser aquela propaganda que vendia uma família cheia de filhos e todos saudáveis. Nós temos um e sou eu quem sustenta tudo. Eu que dou duro na rua. Eu que trago o leite das crianças. Com quantos abismos se faz uma canoa pra navegar o nosso caos? Eu não entendo você. Você me entende com esse punhal na mão e com esse soco inglês e com essa bandeira do Atlético e com este puçá e espinhos e baiacus boiando feito eu, toda inchada. Cheia de hematomas pelo corpo onde corre uma voltagem que te repele. Mas eu não sei mais viver. Não sei o que é viver. Parece que todo o meu prazer foi apagado feito HD de computador. Há muito tempo não tenho o antivírus contra você. Me dá um tempo antes que eu te mate agora mesmo e venha tirar de mim um pouco da minha dignidade. Vergonha na cara é o que eu não tenho. Sempre volto pra você. Sempre me pede mais uma chance. Sempre digo que sim. Sempre bebo mais um pouco e mais e mais. Depois vem isso. Fazemos sexo e tudo volta a ser como era nos nossos melhores dias. Fica assim uma semana e você pega o soco inglês e me ameaça com uma pistola taurus. E ninguém sabe que você me bate que você arranca o meu couro que você me trata assim. Você é cordial com todo mundo. Comigo, áspero, cheio de cacetetes nas mãos e aquela população inteira de seres violentos que você carrega. Não adianta eu tentar. Já tentei de tudo. Já procurei pai de santo, já fiz mandinga, já tirei você de outras e tem isso. Você tem outras e as outras têm você. Mas você só bate em mim. Por que sou eu quem te sustenta? Por que você é incapaz de realizar uma boa ação pra mim? No final disso tudo nunca tem final e a gente vai levando feito uma bola de neve. Crescendo e levando tudo. Eu preciso de um tempo que seja suficientemente grande pra eu me esquecer que você existe, pois você se esqueceu da sua antiga elegância e de como era amável e bacana. Você só joga o corpo em mim pra me dar porrada ou socar seu sexo dentro de mim. Depois me fura com o furador de gelo. Eu passei a máquina zero no cabelo. Eu vou mudar. A beleza é o que a mulher tem de mais importante pra você. E eu já estou velha e cansada e perdendo tudo, as esperanças indo bueiro abaixo. Qual arco-íris é o verdadeiro? O do chão posso tocar: estou na sarjeta. Você é sujo e cheira a perfume barato. Hoje estou com pena de você. Não sei como pude agüentar tanto tempo. Você me deu tapas na cara. Me quicou na parede e foi tomar uísque barato, fumando seu cigarro barato. Botou suas botinas e me deu um pontapé. E aquele filho que perdi por você ter me jogado de brincadeira, depois de um porre, numa piscina sem água? Flores e mais flores. Quero pétalas de rosa. Quero orquídeas e tudo isso pode ser ao mesmo tempo o que quero e o que não quero, porque não adianta vir mais com meu amor e com meu benzinho e com minha querida.
Eu vou te foder, menina. Vou tirar o seu filho de você. Num tenho nada em meu nome. Você num vai ficar com nada. Só vai ficar com as marcas no corpo dessa última surra que vou te dar. Você acha que é poderosa, mas num tem poder nenhum. Você é melancólica triste chata burra. Nem sabe quanto é três vezes cinco.
Quinze vezes ela atirou nele com duas pistolas diferentes. Quinze chutes deu no saco dele. Quinze estocadas com o quebra-gelo. Quinze marteladas na cabeça. Depois rezou quinze ave-marias, quinze pai-nossos e dormiu ao lado do corpo, esperando a polícia chegar.

Wednesday, December 26, 2007

O SACI E OS PRESENTES.

Papai Noel está pobre.
Às vezes menos nobre do que Deus.
Às vezes mais chegado aos filisteus
do que aos filhos teus.
Por isso tu sabes que este ano que passou
voou rápida águia
sobre os escombros do que fomos.
Isso se nós somos mais do que somados:
um só e mais eles.
Os filhos que não tivemos pedem presentes
e nunca deixaram de morrer.
As meias dependuradas na lareira têm chulé.
O Saci é um papai Noel sem pé.

Tuesday, December 25, 2007


Friday, December 21, 2007

ESCRAVIDÃO OU ESCROTIDÃO????????

Porrada no peito do pé de Pedro
O peito do pé de Pedro era preto
Porrada no peito do Pedro preto

Porrada no Pedro
Porrada no preto

Uma porrada de Pedro dando porrada no preto
Preto dando porrada em preto

E agora Pedro?

Thursday, December 20, 2007

HUMANIDADE.

Como pode um louco débil mental
Com a idade de quatro anos
Viver num mundo tão vasto

Tão vasto é o mundo
Quão vasto será o mundo do louco
Com a idade mental de quatro anos

Se uma criança de quatro anos vive
Por que não pode viver o louco
Com a idade mental de quatro anos

Tuesday, December 18, 2007

LINGUAGEM.

O louco baba um licor de excrescências
O louco faz excrescências
entre o que baba e o que faz

Esta é a linguagem do louco
Ele está no que baba
Na excrescência que ali jaz

O louco não rasga dinheiro
Compra cigarros bem fortes
para que possam matá-los

Antes que a morte lhe mate

Sunday, December 16, 2007

CONTRATO COM DEUS.

[Eu e meu ex-computador. Ganhei um novo de um puta amigo. O nome do amigo é Iosif Landau. Fiz este poeminho pra nós todos os fodidos. Resolvi botar a minha foto porq tá choveu mulher no site do Iosif, quando ele botou sua foto lá kkkkkkkkkkkkkk Sou mais feio do que ele em tudo. O que não nos impede de sermos muito amigos].


Quando ele acordou para aquele dia ele acordou
para Aquele dia. Acordou sabendo que iria morrer e sabia
que seria naquele dia. Os dias eram tão iguais menos este
que estava vivendo. Caminhou contra o vento e partiu.
Bem longe dali, ela deu um beijo em si mesma beijando
o espelho e caiu do parapeito. Não deu tempo para o
pára-quedas abrir. Eles morreram no mesmo instante e
hoje têm um contrato com deus: até que a vida os separe
serão ateus.

Saturday, December 15, 2007

VARIAÇÃO DE ATOMIC E UM POEMA.


QUÍMICA CEREBRAL

Bom dia Lexotan
Bom dia Prozac
Bom dia Diazepan
Bom dia coquetel
Bom dia amplictil
Bom dia fenergan
Bom dia sossega-leão
Bom dia eletrochoque
Bom dia Piportil
Bom dia Lorax
Bom dia Litium
Bom dia Haldol

Boa noite Rodrigo

Friday, December 14, 2007

INFÂNCIA NO LEBLON ENQUANTO ELA.

A tela em branco é o inferno que me arrepia
O céu sou eu dentro dela
Vestido formalmente com uma nova fantasia

A canção que eu escuto assim mesmo
É a mesma lua que vejo nua segurando o umbral
É a sua voz que flutua nas águas do canal

O Leblon me assusta na entrada do Miguel Couto
Enquanto eu vejo o meu papai e mamãe
Sumariamente interrompendo o coito

Wednesday, December 12, 2007

REGURGITANDO.

A gente prende e arrebenta
Depois de novo faz isso

Com loucos não se mexe
É o que querem no circo

No circo do hospício mais perto
Da sua casa bonita

Vá visitar algum louco
E entenda que o que ele vomita

É o mundo que o regurgita

Monday, December 10, 2007

UMA VARIAÇÃO DE UMA TELA E UM CONTINHO.


CÓRTEX

Comprei uma arma prateada para me matar. Era a mais bonita e a mais linda pistola e também a mais cara. Gastei todo o meu dinheiro na compra. Mas você não quis atirar em mim e como sou um covarde não puxei o gatilho. Preferi me jogar. Mas não sabia que eu tinha asas e naturalmente elas voavam ou me faziam voar. Tentei tantas vezes me matar que desisti por incompetência.

Certo dia bati numa quina de mesa e tudo foi-se quando não queria mais morrer. Eu não havia sido feliz, mas era um aquário com muitos peixes naquele momento. Foi como se uma baleia caísse dentro do aquário e se debatendo estourou meus tímpanos.

Não entendi.

Não levo nada.

Sunday, December 09, 2007

AUTO-AJUDA.

O poeta é um ladrão
Rouba tão descaradamente
Que chega a dizer que é seu
O poema de outro indigente

E aquele leitor de sempre
Não chega a reparar
Que o poeta é um louco
Luz querendo brilhar

Por isso estou em pessoas
Em pessoas quero estar
Roubando a eternidade
De outro que me roubará

Thursday, December 06, 2007

A FORÇA INCRÍVEL.

Fisicamente
a noite
é só um segundo

Dormir
é entrar
no mundo

Alice se olha
no espelho

Estão brancos
os seus pentelhos

Os clássicos em mp3
O e-book

Quem sabe
eu não viro o verde

Hulk?

Wednesday, December 05, 2007

TÚNEL.


Indo tudo indo como vindo
algum trem: pé na embreagem

Tudo indo como se nada fosse
todo o verso fez-se foice

O martelo e a bigorna
forjando uma estação

O trem novamente indo
Ele vai para o nunca mais

Vai de onde venho vindo
Há coisas que jamais

acontecem
A noite chega e a gente vai

se perseguindo
O pesadelo pelos poros vem surgindo

Brota numa folha de papel
Um anzol preso no lóbulo

e no final o prólogo

Monday, December 03, 2007

RESENHA NO JB.

na
partitura
da loucura
vou
tocando
meus instrumentos.

[ Saiu uma resenha hoje no Jornal do Brasil (de minha autoria) sobre o CD Sonorizador, de Ricardo Corona. Confira em http://jbonline.terra.com.br/editorias/ideias/papel/index.html ].

Saturday, December 01, 2007

TELA E 2 POEMAS CURTINHOS.

O masoquista

Sentou num ouriço
Gozou


O afogado

Ar rima com mar
E respiração boca a boca

Thursday, November 29, 2007

OLHOS

Nos seus olhos
os meus olhos espelhados
são olhados

Vejo tigres desfocados
dando o bote
no caos da pupila

Nos seus olhos
vejo os ossos de minha face
devorados pelo tempo

Tudo é reflexo
Tudo reflete a mim e ao tigre
E o deus em tudo gira feito

uma baiana da Portela
Seus olhos são jibóias perfumadas
descendo rumo aos pés da existência

Você é uma criança pálida
e magra enguia que me guia
ao feroz de uma alma

os seus olhos

Wednesday, November 28, 2007

DOIS POEMAS E UMA TELA.

Eu não tenho medo de ninguém
Nem de Deus
Nem do diabo
Nem de fantasmas
Nem de camisas de força
Eu só tenho um medo
O de não ter medo de ninguém

EU INFERMO NO INFERNO

Falo dos infernos da vida
Pena
:
os que vivem no paraíso
estão enfermos

Sunday, November 25, 2007

DEMENTE.

A minha mente tem uma fauna esquisita.
Orangotangos dançam tango.
A formiga carrega um pterodátilo.
O elefante é um chuveiro.
O porco é um banheiro.
E, além disso, as neuroses habitam sem calma
o galinheiro. A galinha cisca pra frente.
Mas o caranguejo anda pra trás.
Todos os cachorros são azuis.
Mesmo assim me habito sem traumas.
Nas minhas veias corre sangue de enguias.
Cheiro os pássaros que voam.
Vomito águas-vivas que moram na minha flora intestinal.
Tudo é assim tão selvagem lá dentro.
Por isso não consigo ser meu centro.

Thursday, November 22, 2007

ESTRELAS.

Os anjos estão dispostos a nos ajudar
É meia–noite e eu me divido em três
Sou o cavalo branco diante do abismo
E o morcego que vê na escuridão
E a esfinge que baba sêmen

Alguns corvos estão a nos olhar
O nosso longo beijo de compreensão
E a morte tão próxima quanto o medo
De que um anjo vire uma verdade suspensa
E assim se enforque com a própria luz

E um anjo enforcado é mais um aviso
De que a voz que escuto em mim
Continuará a pedir ajuda a todos
Haverá então o encontro das trevas com a noite
E eu ouvirei outras vozes além daquela

Que dirão que tudo está no início
E o universo ainda não copulou com a terra
E o dia que isto acontecer
Será o início de uma nova era
Será noite de dia e de noite

E os zumbis jogarão xadrez com o resto
De corpos mutilados
E o fogo inundará as pradarias
Aí os loucos estarão todos livres
Por que todos estarão loucos

Tuesday, November 20, 2007

ONTEM.



[alguém q passa pela nossa vida e leva tudo que deu. fiz este poema ontem de madrugada, depois que ela foi embora].


e ela olhou
fixo pra si
se achou tanto
que sumiu
no espelho

além de levar
algo que era meu
cuspiu bocejou
e não disse
adeus ou até já

ela roubou-me
levou o poema
e hoje eu com fome
vomito ontem

Sunday, November 18, 2007

DEPOIS DO ALMOÇO.


PAPO FURADO

A Antonio Mariano


O meu poema burilado
É como um pum molhado

Ele não fede nem cheira
Gosto de Manuel Bandeira

Thursday, November 15, 2007

REMÉDIOS.


Um remédio que faz você tremer e babar
Um remédio pra você parar de beber e babar
Um outro pra você parar de tremer
Um remédio pra você relaxar
Um remédio pra você gozar sem se tocar
Um remédio pra você não ouvir música alta
Um remédio pra você não falar palavrão
Dois remédios: um para a mente e outro pra o coração
Três remédios para dor de cotovelo
Tomei o quarto por causa do terceiro
Foi um remédio que me fez
sujar o banheiro
Foram os remédios que me obrigaram a gostar deles
Não é um amor como o meu por você




Wednesday, November 14, 2007

SE JOGAR.

[daqui de casa dá pra ver o mar de Copacabana distante e estas redes de proteção impedem-me de fazer algo mais brusco: como me jogar. daqui de casa dá pra ver a Lagoa bonita. outro dia eu mostro. mas esse negócio de rede não era pra mim. nunca foi. apesar de ser um suicida em potencial. era pra Marina, quando era pequena. por que as crianças têm essas propenções aos abismos?]


Matei um homem e
Uma mulher
Comi-os de colher
E vomitei um poema
Outro dia também me mataram
Mas me comeram de garfo e faca
Saí pelas fezes
Calmamente
Como quem nasce
Lentamente
Usando um disfarce
De gente
Vestia Negro como a noite era negra
Me confundia com ela
Até que viramos a cadela
Que defecava no tapete
Um bilhete
Ela me veria de estilete
Um outro Valete
A queria de sapatos altos
Alguns fatos são menos exatos
A poesia é um fetiche
Quando ela existe
E o poema é só o princípio
De um precipício

Monday, November 12, 2007

Cada vez tem mais gente no mundo. Gente que fala. Que ri. Que chora. Gente que corre. Gente que morre. Gente pra tudo. Pra tudo tem gente.
E cada vez todo mundo está mais perto da morte. Até eu que já nasci morto.
Apesar de a punheta ser a certeza de que existe céu. A boceta é a melhor coisa que Deus inventou. Uma ex-freira quis transar comigo. Depois ela me pediu a extrema unção. Disse que tinha pecado. Eu fumei um baseado e dei o que ela precisava. Depois do depois chorou tanto que ria convulsivamente como se o nada e o tudo se completassem numa oferenda. Ela me deu uma flor. Eu coloquei a flor no cabelo dela. Depois disse adeus. Ela me ligou e eu não atendi o telefonema porq meus poderes para normais diziam que era ela que tava ligando. Depois fui ver Tropa de Elite. Puta que pariu. Que falta do que fazer. O Word grifou diziam e puta. Um concerto maestro. Três acordes é tudo e tudo é como a pessoa fala, tudo é como a pessoa fala e tudo e como a pessoa fala: melhor ficar calado. Once more.

Saturday, November 10, 2007

MUITAS VEZES.

Às vezes eu penso, mas só às vezes. Numa coisa venho pensando muito. Aquele rapaz q vem pegar o lixo todo o dia ganha pouco pra caralho. Eu também ganho pouco e fico a me perguntar constantemente: por que não sou eu no lugar dele?
Restos de comida. Garrafas pet. Latas. Tudo que corta a alma.
Já que ganhamos pouco, poderia estar carregando o lixo e não estou.
Não acredito em força divina que me protege e não a ele. Em que acreditar então?
Sei lá.
Perguntas nunca cansam de me perguntar. Gostaria de ter respostas para todas, mas seria como ter todas as chaves pra tudo. Eu não tenho resposta. E acho que, pelo menos, ele é mais feliz que eu porque não deve se fazer tanto essa pergunta. Ou.

*
Às vezes eu penso, mas só às vezes.
Quando alguém morre, eu fico triste porque não sei pra onde esta pessoa, objeto ou coisa vai.
O fato de não ter certeza é que me incomoda.
Quando eu morrer, não fique triste só porque não sabe para onde eu vou.
Fique triste porque gosta de mim e sentirá minha falta. Mesmo sendo você alta voltagem. Sentirei sua falta também.Estarei no cemitério do Caju e lá sediado esperarei as flores que sempre quis lhe dar.

Wednesday, November 07, 2007

SOBRE O POP.

Acho que as pessoas tristes vivem mais
Elas tomam mais remédios

Os doidos só não tomam mais remédio
Por que os laboratórios não querem

Governos preferem habitar algum planeta
Do que habitar algum remédio e alguma mente

É tão perigoso falar da loucura
Podem achar que eu sou louco mesmo

Monday, November 05, 2007


Detesto falar como você fala de mim.
Detesto falar como eu falo de você.
As palavras às vezes se suicidam.
Às vezes como as pessoas, as palavras fazem loucuras.
Eu não me controlo tanto assim.
Às vezes tudo parece bem fácil,
mas quando vejo o tumor que criamos junto:
um em cada um;
nestas horas é que mastigo árvores invertidas
e o silêncio do silenciador me vicia.
Saio dando teco em todo mundo.
Pena que a arma é silenciosa e as balas explodem no corpo:
também sem som.
Queria ouvir algum som de seu vácuo,
mas não vejo o barulho nas coisas que me diz.
Sequer um esgar quando morre pra mim.
Sequer um ponto final.

Friday, November 02, 2007

PUNK 2


Camisa de força

Tira esta camisa de louco de mim
Assim não posso mentir e dizer que sou louco

Está muito apertado aqui por perto
Mal posso falar como falo com as mãos

Não posso fazer nenhuma mágica
Me diga se sou um perigo pra mim

Aceita que eu sou um doente
Já me aceitei desde a minha última morte

Tuesday, October 30, 2007

COMPULSÃO

Eu lavo a mão toda a vez que toco alguém
Eu não me toco depois de ter tocado em alguém
Quando o lixeiro vem eu faço o máximo
Para que não exista nenhum toque entre nós

Quando o carteiro vem com vírus dele
Eu tomo cuidado para não haver qualquer contato
Detesto que me toquem e que falem tocando
Detesto cumprimento de mão com mão

Quando eu cumprimento alguém logo lavo a mão
Vejo sujeira em todo o lugar
Menos dentro da minha mente
Que deve ser o lugar mais sujo do mundo

Friday, October 26, 2007

DUPLO





Freud dizia que defecar é um prazer
e que todo mundo ama sua mãe

Eis que defequei um filho com barba
Onde foram parar minhas hemorróidas,
eu pergunto

Só uma puta poderia te parir, respondo
E vou pondo naftalina na latrina
do dia-a-dia

Para não apodrecer de mim mesmo

Tuesday, October 23, 2007

A IMOBILIDADE DIANTE DOS FOGOS

parado, o silêncio me confunde
imóvel, teu laço de amizade
toda a mobilidade parada ainda

só pra te ouvir soltar cachorros
e engolir toda a pólvora de luz
cuspir nosso amor em fogos

Saturday, October 20, 2007

DELÍRIO

Ninguém despertou do ano novo
e todo mundo se divertiu
Hoje dou um de bico na minha cama
e vou voar em outro aroma
Há delírios vários
e um me persegue:
a de que o cheiro da pasta de laçar
me enlaça como um cheiro de bosta
Como eu posso ir à praia feliz
e surfar minhas ondas de Amplictil?
Meus tisunamis interiores são tão maiores
Mas só podem matar a mim
Menos mal

Monday, October 15, 2007

DOIS POEMAS SEM TÍTULO

não carece sol
alguma elisão

carece só compor
algum vento

e assim apagar
o que a chuva

dentro de mim
mar

fora de mim
pano com ponta

varal:
nuvens e nuvens

seda de botuca
queimando humos

*

o nada nada no nada
enquanto o nada nada
no nada estamos todos

todos esperamos a chegada
do nada no nada

se chegará nadando
ou pulando a enseada

o fato é que falta pouco
pro nada ser o todo

Wednesday, October 10, 2007

ESGRIMANDO COMIGO

1
O sol-reflexo sobe pela latrina

Qualquer vulcão sabe
Do perigo que é o fogo

O fogo é o sol
Que gira em torno de si
E a si consome

2
Quando eu sento e paro para olhar
O que vejo é o amarelo em minhas mãos de cigarro
O que não vejo não me importa
Só uma vez ou outra
Quando
Aciono minhas espadas

Por isso queimo por dentro
Todos os carvões de minha locomotiva
E chego tão próximo do toque
Que me afasto

São mais de quarenta anos perseguindo quem sou

Sunday, October 07, 2007

Pai Nosso

Um homem alto e forte apontava uma arma sofisticada para a cabeça de um senhor os seus oitenta anos. O homem alto e forte tremia. Suas veias pareciam pular da face como que armadas também. Ele vociferava e pedia ao velho que passasse tudo que desse tudo que fosse o mais rápido possível que tudo estava por um triz. O velho pedia calmo e com atitudes lentas de velho: pedia que o homem alto tivesse calma que o homem alto não atirasse que ele iria passar tudo o que tinha para ele, pois a sua vida era importante. O homem alto e forte tirou o relógio do velho e a camisa e o suspensório e a calça e a carteira. O velho ficou só de cueca enquanto o homem forte contava o dinheiro e queimava as roupas do velho. O homem alto e forte que havia roubado tudo do velho deixou o velho caído depois de um soco e sumiu nas esquinas seguintes. Quando eu encontrei o velho queria saber o por quê que o velho estava rezando naquele momento se ele velho havia sido roubado e todos os seus pertences foram levados pelo homem alto e forte. O velho me respondeu que rezava por si mesmo, pois era ele velho que poderia estar no lugar daquele homem alto e forte.

Wednesday, October 03, 2007

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Muitas pernas pernas esquisitas pernas de elefantes pernas de lince. Dores na perna na perna de elefante na tromba de um cordeiro. Muitas faces na face dela. Muitos beijos no beijo que dei e tropecei nas próprias pernas. Mal caí e me quebrei. Mal parti e me alonguei como o vento que sacode a enseada e os galhos verdes das árvores que vejo do meu quarto parecem tremer de frio. Eu não sei mais muita coisa e sobre o que falar: perdi as pernas e ouço versos deste lugar sem pernas. Onde está o meu corpo morto? Eu diria que este silêncio me confunde nesta tarde sem binóculos. Não posso ouvir o que digo. Não consigo mais levar minhas pernas pra onde quer que eu vá só levo tentáculos enfurecidos e as cascavéis com seus chocalhos perguntam-me onde estamos indo com tanta velocidade. Pernas pra que te quero. Não consigo entrar. Não consigo sair. Me deixe ficar. Parado. Imóvel. Morrível. Aqui onde ninguém possa tropeçar nas minhas pernas.

Tuesday, October 02, 2007

PUNK


Sexo

À Denise e à Valéria

Sexo nas pistolas
Que esporram
Gomalina na garotada

Moicanos negros
Desbotam a noite
Nos coturnos

Em algum telhado
Dentro do crepúsculo
Surge Cubatão

Onde cabelos
De várias cores
Coloriam as Dolores

Duran-durante
O pó saudável
Que em mim

Agüente

Saturday, September 29, 2007

UM POEMA OU UM CONTINHO? QUAL A MELHOR OPÇÃO?

Versão 1:

A gente jogava tênis. Algumas pessoas me disseram: como você conseguiu jogar tênis com ela? Ela não joga com ninguém, como foi jogar justamente com você?
Um fodido. Um mal jogador. Um quatro olhos. Ainda por cima tem um backhand ruim.
Deve ter sido por pena.
Eu disse que ela queria me ensinar uma jogada nova. Uns lances de efeito.
Ou seja: nenhum interesse. Só o de que eu aprendesse a ser um melhor jogador.
As bolas amarelas ficaram no chão. Elas não duram uma partida inteira.
Eu queria continuar jogando. Mas ela jogava muito mais que eu e marcamos um outro jogo que durasse menos.
Jogamos. Jogamos e jogamos. Eu melhorei tanto que deixava ela me ganhar.

Versão 2:

A gente jogava tênis. Algumas pessoas me disseram:
como você conseguiu jogar tênis com ela?
Ela não joga com ninguém, como foi jogar justamente com você?
Um fodido. Um mal jogador. Um quatro olhos.
Ainda por cima tem um backhand ruim.
Deve ter sido por pena.

Eu disse que ela queria me ensinar uma jogada nova. Uns lances de efeito.
Ou seja: nenhum interesse.
Só o de que eu aprendesse a ser um melhor jogador.
As bolas amarelas ficaram no chão. Elas não duram uma partida inteira.
Eu queria continuar jogando.
Mas ela jogava muito mais que eu
e marcamos um outro jogo que durasse menos.
Jogamos. Jogamos e jogamos.
Eu melhorei tanto que deixava ela me ganhar.

Thursday, September 27, 2007

CROSTA

planto
plantas
plânctons

plural de abismo:
céu

orquídeas brotando do lixo
coturnos andando solitários

armários que voam na noite
algum alguém ou algo

nata no leite quente
restos de rastros no espaço

almoço: papel almaço

Wednesday, September 26, 2007

Atomic

Monday, September 24, 2007

MUNDO PARALELO

Todos saíram quando entraram
Todos entraram quando saíram

Alguns foram enterrados vivos
Outros são vivos enterrados

Fico: em ambas as frases: sem saber
O por quê de os vivos serem tão vivos

E os mortos tão mortos

Sunday, September 23, 2007

Palhaço.



Me acho
um gênio
enquanto
faço
Depois
Palhaço

I am
a genius
while
I take now.
After
I am clown.

Friday, September 21, 2007

BICO DE LACRE

Ana era um tesão. Mulher gostosa para homem nenhum botar defeito. Todo mundo na faculdade queria come-la. Não havia homem vivo que não fizesse reverência à beleza de Ana. Eu sempre gostei de mulheres que falassem algo de inteligente, pelo menos de hora em hora. Não cobrava uma mente brilhante o tempo todo: o que eu queria era um corpo brilhante como o de Ana. Possui-la seria algo muito especial com certeza.

Passei a sentar perto dela na sala de aula. Mas eu corava um pouco diante daquela mulher. Era tesuda. Linda demais para mim. Era tudo que eu queria; tanto que babo enquanto escrevo estas linhas mal traçadas. Além do tesão, fui construindo dentro de mim uma mulher maravilhosa: capaz de recitar Rimbaud de cor. Capaz de soletrar em alemão. Capaz de traduzir para o francês parte da obra de Joyce.

Ela só crescia em mim enquanto pessoa e enquanto mulher. Como pessoa mostrava-se militante da causa do mais pobres e como mulher estava cada vez mais maravilhosa em sua minissaia babante ao chão. Eu não agüentava mais o meu pênis e a minha cabeça. Meu corpo e minha mente estavam fascinados pela mulher maravilhosa chamada Ana.

- Ana qual è o seu nome?
Perguntei pra ela o nome dela que eu sabia. Que gafe. Vai me reduzir a esterco.
- Como sabe o meu nome?
- Todos sabem o seu nome.
- Todos?

A filha da putinha estava me dando mole. Vaca profana: toda mulher gostosa gosta de saber que é gostosa.

- Todos somos seu fã.
- E você vê: eu estou sem namorado há mais de um mês.

Não sei o que eu tenho, mas ela estava me dando mole. Enquanto falava gesticulava. Adoro mulheres que gesticulam. Elas passam uma verdade para a gente. Passa uma sensualidade toda própria. Adoro mulheres que sabem falar. Falar é primordial e Ana falava bem:

- Sabe, você fala tão bem!
- Quero ser professora de Português e escritora. Meu sonho sempre foi escrever um livro do tipo do Patavina Angústia.
- Patavina Angustia! – eu não conhecia porra nenhuma do Patavina – eu adoro Patavina – falei mentindo, óbvio.

E Ela ficou ali meia hora falando do Patavina Angústia e de como a linearidade discursiva poderia ser substituída pela tensão estrutural no texto do tal escritor. Fiquei gamado e nos dias que se seguiriam leria toda a obra do Patavina Angústia.

Era amigo de Ana. Um amigo distante e – com medo de ver o meu planejamento de aproximação – cair por terra, não fazia nada fora das dadas planejadas para que eu traçasse Ana ou não. Ana era tão gostosa que dei um prazo a mim de um ano para que comesse a mulher mais gostosa da faculdade, que eu saiba virgem indevassada ainda nas bocas das matildes da facu.

Fomos estudar junto o tal do Patavina na biblioteca quando ela pegou na minha mão. Havia uma barata andando perto da mesa e de sua bolsa. Eu tremi de medo. Se há uma coisa que detesto é barata, mas se eu mostrasse toda aquela minha porção viado a ela, meu deus! correria o risco de perder meu bem para sempre. Fui macho e matei a kafquiana. Ela, Ana me elevou momentaneamente a condição de herói grego e ainda bem que eu percebia que aquela mulher estava se afeiçoando a mim: porque estava chegando no final do meu prazo de varredura e eu não havia liquidado a promissória, sequer me aproximara dela. E o pior: estava apaixonado. Vivia o dia todo escrevendo Ana no caderno. Fazia balõezinhos com a palavra AMOR. Estava caído de amor. Quedado.

Passava horas a fio em busca de uma idéia salutar que me fizesse chegar a aproximação de minha deusa. Cantava aquela música; “Eu pensei em tanto pra dizer enquanto esperei pela chegada triunfal desta deusa”. Enquanto não a possuía maritalmente e enquanto ela não era a minha mulher e a mulher de meus filhos e a mulher mais perfeita quase a virgem Maria, eu me masturbava libidinosamente pensando em seu corpo. No que me falava. Na sua voz. Nas suas coxas. Na sua zona do agrião. Cheguei – de tanto descabelar o palhaço – a conviver com uma dor de cabeça tão forte que só vinha na hora em que o meu sexo tremia de amor mais sincero: a hora do gozo eufônico. Eu gozava recitando o soneto da fidelidade e minha vida era feliz.

Suficientemente perto do natal fui acometido de uma dor que me ofuscava a entranha, uma dor rimbauldiana mesmo: nós iríamos entrar de férias e resolvi partir com tudo antes que mais um fim de ano chegasse e eu ficasse a ver navios, ou melhor, a ler revistinhas do Hary Jone, a ver os filmes da coleção Sex Hot ou a fazer o plano total de aquisição da tv a cabo, só por causa dos quatro canais de sexo. Estava doido. Quicava dentro de mim. Era a última prova do ano. O tema da prova era Patavina Angústia. Pronto!

- Ana quer estudar o Patavina Angústia lá em casa?
- Tudo bem. Eu vou. Que horas?

Eu não acreditei. Ela iria. Ó Ana Júlia aahaahh ahhahhahahahha/Ó Ana Júlia ahahahahahahah”.

Preparei todo o ambiente da minha casa. Cheguei a chamar uma amiga decoradora – que tive de traçar por conta dos palpites que me deu – e decorei a casa com flores e fragrâncias florais. Botei um espelho no teto para dimensionar todos os ângulos do sexo selvagem que iria rolar. As tamancas vão quebrar, eu dizia a mim mesmo. Era que o meu pai dizia quando me levou pela primeira vez nas termas Santo Amaro.

Ting dong, tocou a campainha. Eu já estava puto de tanto esperar. Ela estava numa calça tão grudada que chegava a ver o âmago da sua xaninha. Meu pau logo endureceu. Eu era um garoto e tinha só vinte e poucos anos: o que potencializava a minha força sexual.

Ela era doce, meiga, bonita, gentil, delicada, bondosa e usava um Pierre Merdon: o melhor perfume do mundo. Sentamos e ela fez questão de ficar bem distante de mim. Li vinte e cinco páginas de um texto que havia feito sobre Patavina. Falei e falei. Dei aula do assunto. Dentro dela eu sentia que ela pensava: “COMO ESTE CARA SABE DE PATAVINA”.

Eu sabia de Patavina para caralho. Não gostava tanto do Patavina quanto da Rosecler Lisboa Prado de Almeida e Fragon, mas tudo pelo sexual.

Conversa vai e vem. A cada meia hora me aproximava vinte centímetros: o que deu no final de duas horas, uma quase coxa a coxa com Ana.

O tempo estava passando e o assunto se assuntando e se espargindo, indo pelo ar. Resolvi partir para o ataque. Botei minha mão sobre as coxas dela. Ana tirou as mãos. Toda a mulher recatada é mais gostosa. Depois de meia hora de tira e bota a mão pra lá e pra cá, eu resolvi parar tudo:

- Pára tudo!
- Por que?

Resolvi me declarar.

- O amor é o fogo que arde sem se ver.
- É ferida que dói e não sente.

Falei por meia hora e olhei por meia hora no azul piscina daqueles olhos e mergulhei na sua boca. Bingo. Vitória. Gol do Mengão no Maracanã.

Ficamos quinze dias saindo e levei dois meses para que fizéssemos amor. Eu não faço sexo. Eu só faço amor. Fizemos de tudo menos o tal do boquete: sexo oral. Ela alegou que exigia uma melhor “enturmação” com o meu ser e que um dia chegaria e nós faríamos o tal do boquete.

Eu estava amando e havia achado a deusa da minha vida e a mulher que iria guiar o meu carmanguia vermelho. A senhora do meu sono. A perfeita. A deusa. A formosa e a imaculada: Ana.

Passeávamos de mãos dadas na praia. Íamos ao cinema. Fizemos todo o roteiro de amor do Rio de Janeiro. Tudo vale a pena quando a pica não é pequena, dizia ela em seus momentos de maior aproximação... Só havia um problema: ela não fazia o boquete. Não chegava perto do Godofredo. Não beijava o bichinho.

- Um dia será o dia em que tudo se revelará e nós faremos sexo oral.


Aguardava este dia tanto que resolvi, pelo fato de ter encontrado a mulher de minha vida, a deusa de meus caminhos, resolver aquele problema com uma profissional. Aquilo não era traição. Era só uma fissura minha que estava aumentando e podia terminar prejudicando o amor da minha vida. Para o meu relacionamento não sucumbir em discussões de relação, procurei uma mulher no jornal. Eu era contra. Juro que sou um homem que preza o amor como algo superior. Não sou do tipo que só pensa em carne. A única carne que como é boi ralado. Com mulher eu faço amor. Desculpe meu bem, mas lá fui eu para a RAINHA DO BOQUETE, um antro de perdição mais conhecido como termas Copacabana.

- Quero conhecer a rainha do boquete. Falei a recepcionista que me olhava.

Pedi desculpas a Ana. O fiz internamente. O fiz por nós dois. Eu não iria beijar. Não iria fazer sexo. Eu não iria me prostituir às avessas e me entregar a luxuria. Era só uma chupadinha. Fui ao reservado e tirei a roupa enquanto pensava numa boca mecânica, numa dessas ordenhadoras de tetas de vaca automática. Eu estava fazendo aquilo pelo meu amor.

A barraca estava armada. O sangue pulsava. Só de pensar que o meu fetiche, algo que não fazia há muito tempo ia ser concretizado, me fazia babar.

Virei-me e fiquei de bunda para a porta e me olhando no espelho. A recepcionista chegou trazendo uma mulher à tira colo. Ela disse que a garota com o véu era a Rainha do Boquete.

Me aproximei. Olhei nos olhos dela e uma lágrima caiu. Tirei o véu e ela era Ana. Ana Júlia era a rainha do boquete. Meu pênis broxou na hora. Cai fulminado com um ataque cardíaco. Hoje me encontro no CTI sexual do céu. Fui condenado a viver de pau duro esperando Ana para consolidar meu desejo mais ulterior.

Thursday, September 20, 2007




Ouça a música Nada, de Rodrigo de Souza Leão.

Este é o Conservatório Erik Satie.
É um rústico Tascam (ou seria Toscam) onde cantei e toquei esta canção.
Não tem uma qualidade boa de gravação.
Mas dá pra ter uma idéia do que faço.
Espero que gostem.

Ab

Rodrigo

Monday, September 17, 2007

LOWCURA NO BLOOKS.

O blogue Lowcura está participando da exposição BLOOKS. É no espaço Oi Futuro. Ainda não fui lá. Dizem que está bem legal. Se você estiver pelo Rio, dê um pulinho lá e confira. Eu participo com o poema Gosma:

Gosma

gosma de silêncio: nóia
ficar mastigando um palito de fósforo
procurando em si uma respiração

encontrando o próprio bafo
na ponta do nariz alheio

ser a melhor parte do bolo
o recheio


BLOOKS

“– letras na rede é um olhar lançado sobre a produção literária na internet, um novo espaço que está sendo conquistado de forma acelerada pelas práticas literárias: prosa, poesia, quadrinhos, grafismos, conexões letra e som. Mostra o universo da palavra vista com todas as implicações de se escrever em um mundo conectado e veloz no qual se produz diariamente uma quantidade surpreendente de literatura. Além da velocidade, o ambiente www, traz consigo uma inédita facilidade de produção, publicação e divulgação para a criação literária. Incluindo-se neste quadro a natureza de excesso que essas facilidades permitem. A literatura na web define uma nova forma de criação na qual o conteúdo da escrita se adapta à sua ferramenta de produção. A data torna-se importante, as horas, os minutos. É a nova experiência de criar e produzir em um meio onde tudo se perde e se encontra com assombrosa simplicidade. O hoje é arquivado semanalmente e se perde entre outros milhares de hojes. O importante é ir além do factual, ficcionalizar. Em Blooks tentamos capturar não só o conteúdo das práticas literárias produzidas na ou partir da internet, mas criar uma experiência sensorial, transportando o espectador através de ambientes distintos, propondo que mergulhe conosco no nesse mar revolto de invenção e criação. Seja bem-vindo à Blooks. O acesso a tudo. O excesso de tudo.”

Curadoria:
Heloisa Buarque de Holanda
Bruna Beber
Omar Salomão

Visitação:
08 a 30 de setembro de 2007
terça a domingo, das 11h às 20h

Oi Futuro
Rua Dois de Dezembro, 63
Flamengo - Rio de Janeiro
[21] 3131-3060


Mais informações aqui.

Thursday, September 13, 2007

CORTINAS


olho interno
saúda a cócega
algum comichão
nasce pra morte
algum espantalho
explode um corvo
meu aneurisma
algum sangue pisado
ou a menstruação
do espaço sideral
em mim, mímica
algum esqueleto
inválido de plêiade
defeca um arbítrio

Wednesday, September 12, 2007

SÉRIE FACE DUPLA














Tuesday, September 11, 2007

dois poemas curtinhos

mente

prisão maior que eu
do tamanho do mundo

prisão maior do mundo
do tamanho de mim



enquanto

todo mundo é eterno
enquanto dorme
depois que acorda:
morre

MULHER BARBADA

A mulher barbada pediu ao guarda que guardasse o silêncio. O silêncio olhou pra ela e sorriu e lhe deu um beijo. Foi o único beijo que deu em vida.

A mulher sem dente era gostosa por isso a comiam. O fato de estar sem dente não a diminuiu até o dia em que a barba apareceu e ela virou uma mulher barbada que usava Prestobarba. A barba cresceu até a Groenlândia e um esquimó (ou sei lá quem mora na Groenlândia) se apaixonou por ela.

Ele gostava dela assim como era e ficou velho igual a Papai Noel que entrou aqui porque todos morremos e a mulher barbada foi feliz para o céu.
Curtiu a vida como pode deixando pros urubus sua barba podre.

Monday, September 10, 2007

crio mundos inocentes
parâmetros para pensar a doença
(não é todo mundo que
tem uma bomba que
pode explodir)
(que pode imprimir um texto em sua mente que
pode numa fração de segundo
não distinguir mais entre qual realidade
mais se adapta a cada loucura /que
também ao se olhar no espelho depois de tudo
deixe de se angustiar tanto que possa
pôr um ponto final. que
só se reconheça em reticências que
só se diga aquela palavra
na hora exata
em que se plugue na mente
uma conexão qualquer que
navegue como um som)
às vezes ouço um piano
às vezes ouço uma voz
pior quando não ouço nada e estou sozinho
e o pior acontece
aço na testa e o início de um calafrio que não termina
nem com uma gota anatensora
((só a realidade é calma
enquanto coço o infinito com o meu maior dedo do pé pois
não estou mais
aqui))

Wednesday, September 05, 2007

A MAIOR PRISÃO


Não é a prisão de ventre
É a prisão de mente

Monday, September 03, 2007

ACHISMO

Eu acho que nós somos muito mau
Nós quer ver guerra pela televisão
Nós quer ver atentado em todo o 11 de setembro
Nós torce pelo mais fraco
Nós quer torcer por um
Nós quer ver programas de polícia na tv
Nós não quer aprender a falar
Não fale por mim idiota

Friday, August 31, 2007

Virei homossexual aos 65 anos de idade. Depois de uma selvagem vida heterossexual, onde posso ter feito muita coisa, mas não tudo. Abandonei-a para tornar-me o tudo que me faltava. Parafraseando a canção de Gilberto Gil, eu percebi que a porção mulher que até hoje em mim se resguardara era a minha melhor porção. Sai dando por aí. E olha teve gente que comeu e se lambuzou. Horácio, o bom de cama, me comeu já três vezes e garantiu que com o meu corpinho vou continuar nesta vida até meu cu criar bico. Certo dia desses, me envolvi com um aluno da Faculdade em que eu dou aula. Maior de idade. Coisa fina. Garoto requintado. Eu só ainda não consigo beijar na boca de homens. Eu tenho náuseas. Só beijo na boca de minha mulher. Sou um homem casado e tenho filhos e netos. Mas desde que virei a folha, o mundo parece mais iluminado. O mundo tem a cor do amor livre. Ainda bem que pude viver em minha vida o amor livre. Ainda bem que pude sentir que tudo era muito mais do que um homem e uma mulher e uma noite. Podia ser um homem e outro homem e noites. Foi assim com o Guilherme. Passamos noites e noites tirando suor de nossos corpos. Ele tinha um membro muito avantajado que começou a me doer o ânus. Tive que romper com Guilherme porque eu ia acabar mal na história. Já estava ficando com feridas em volta do cu. Tenho que confidenciar uma coisa a vocês: desde que fiz 65 anos, sempre fui o passivo e perdi o gosto e a felicidade de uma ejaculação. Minha mulher não reparava em nada, apesar de eu vir fazendo a coisa com cada vez maior freqüência. Procurava garotos de programa e gastava uma fortuna. Foi quando um desses rapazes me falou:
- Você não é podre. Por que procura este mundo?
- Só tem gente podre neste mundo?
- No da prostituição só. O senhor é casado. Tem filhos. Só porque é broxa ou broxou resolveu dar o cu. Tem remédio. Tem implante. O senhor num gosta nem de beijar na boca.
- Beijo na boca é para quem a gente ama.
- O Senhor ama a sua mulher?
- Amo.
- Quando o senhor vai amar a outro homem?
Amar outro homem. Eu não percebia que o que o rapaz estava querendo me dizer era que eu não pertencia aquele mundo dos gays. Eu era um falso gay.
- O que fazer então para ser um gay verdadeiro?
- Tem que começar freqüentando. O peso da noite não é para qualquer um. O senhor já é um homem idoso. Volte para sua mulher. Diga pra ela te comer de consolo. Tudo se resolve. E você não vai precisar fazer nada.
Eu entendia que era necessário que eu mudasse para que a minha nova vida viesse à tona. Fiz o cabelo e fiz a mão. Fiz tudo. Rompi com família e virei mulher. Só não podia trabalhar como garoto de programa porque não tinha mais pau duro. Era uma flacidez. Comecei a soltar a franga. Sai do armário A freqüentar os becos. Tudo em busca de um amor. Mas as pessoas só queriam sacanagem comigo. Eram homens com suas mulheres. Vários homens. Não encontrei na vida homossexual o meu verdadeiro amor.
Até que num dia vestido de homenzinho - em plena luz do dia – meus olhos se abriram para uma mulher. Afinal eu era homem no meu desejo e só podia me apaixonar por mulheres: assim entendi.
- Mas a Lúcia é um puta de um sapatão.
- Gamei nela.
- Me apresenta ela. O mínimo que pode acontecer era o nada.
Mas eu acreditava no tudo. Fora paixão a primeira vista. Fui apresentado a Lúcia e senti que ela ficou balançada comigo. Passamos a sair juntas. Tornamos amigas e confidentes. O importante era que não competíamos. Ela era o tipo macho e eu fazia o travesti bem afeminado. Duas amigas velhas de guerra. Lucia tornou-se muito grata a mim porque a aliviei de certos perrenhos monetários. Eu tinha uma aposentadoria farta de funcionário de estatal.
- Se você fosse mulher eu tirava uma com você.
- Eu sou mulher.
- Mas tem um quinze centímetros entre as coxas.
Aquilo foi me incomodando, pois cada vez mais eu me sentia apaixonada ou apaixonado: eu já não sabia mais o que era.
O certo é que nós saíamos para balada juntas e nunca terminávamos no zero a zero. Ela com a sapatinha dela. E eu com o meu homem. Num dia onde ambas ficamos no zero a zero ela me deu um selinho e disse um poema:

A
Boca
Que
Ousa
Na
Boca
Que
Usa

Eu a segurei forte nos meus braços e tasquei-lhe um beijo de língua. Foi à boca mais perfeita que a minha já beijou. Eu havia encontrado o meu amor.
No dia seguinte abandonei minha esposa e embarquei para a Dinamarca para fazer a minha operação de troca de sexo. Hoje sou uma mulher feliz casada com uma mulher feliz. E é isso que importa. Estou beijando muuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiito.

Wednesday, August 29, 2007

BOMBADO



Mergulhei de cara no ar
Quando eu respirei
Meu coração ia a duzentos por hora
Capotar na primeira endorfina
E ir adrenalizado bater e bater
Até uma morte circunscrita
A alguns idiotas que me matavam
Mas eu voltei vivo
Da camisa de força que apertava
Ainda sem conseguir separar
A realidade da realidade
Por que tudo era realidade
Aquelas vozes que me esmagavam
Aquelas mãos que eram pinças
Aquelas pinças que pareciam caranguejos
E arrancavam meus pedaços
Mas não comiam
Porque era só por prazer
Que faziam aquilo


Monday, August 27, 2007

fantasmas


em especial as sombras
sobrevoam a borboleta

ela quem pousa e é pousada
pela sua silhueta

o que será de uma sombra sem ninguém
ou nenhum objeto?

todo o fantasma começa assim
sobrevivendo a tudo

Friday, August 24, 2007

a voracidade do sexo
meus dedos dos pés nos calcanhares
de todas as luas cheias

e se abrindo um crepúsculo
o músculo do infinito
entre algumas pedras que se abrem

abismos ou grutas onde só me perco
quando encontro
a calmaria total de quem silencia

e feito uma onda plácida
deixa que surfe
no caos enquanto me engole

Wednesday, August 22, 2007

instinto

o plástico que lhe protege
na pele que me arrepia

a aurora no banho de espasmo
que nossas bocas copulam

diversos ventres entre os afagos
e guilhotinas de plumas

cortando cardando o plástico
chegando ao teu átomo

o indivisível dizível
entre paredes de quatro

Monday, August 20, 2007

ÓCULOS


MAQUIAR CADÁVERES

A cicatriz de urtigas
sob a pele de nesga

sob o contorno dos lábios
algum batom que esconde o branco

O escarro do sol nas costeletas
O prisma aberto de suas pernas

Tornar-se claro sem ser verídico
O pó de arroz doce sem canela

Alguns pingos de chuva
Tempestades de orquídeas brancas

Formas paradoxais de ser estátua
Um bronze sardento e sua lágrima

Ela queria nascer ele e nasceu ela
Ele queria nascer ela e nasceu ele

Todos estão mortos por enquanto
Ninguém sabe quem é o pai

E este poema confuso é pra aumentar
a confusão. Jogo xadrez comigo

e sempre um de mim acaba perdendo

Friday, August 17, 2007

DOENÇA DE TREVAS

Um poema é uma coisa tão simples
Assim
Quando não se quer dizer nada

Quando quero dizer tudo faço um furo
No meu plexo
E digo para que olhem através de mim

Se houver horizonte há poema
Há poente

Tuesday, August 14, 2007

CERTEZA SEM NUVENS E ESTRELAS


Nunca saio de mim
Por isso sou só

Tenho uma camada de pó
Tomo remédios coloridos

Escuto com três ouvidos
E vejo com um olho só

Agora me olha e me diz
Se estou certo

Se sou mesmo este céu deserto

Sunday, August 12, 2007

O SELO DA COERÊNCIA LOUCA

o eu suturando tudo: a mesura do silêncio

o escopo do clandestino
pra sempre ser sempre


*
olhar a si mesmo nem sempre como si

*
a culpa de ser quem sou não é a única

ser outros além de mim
também

Thursday, August 09, 2007

CONSTATAÇÃO PRIMEIRA

Há um colibri naquela flor
Há algemas para prender os animais?

Há camisas de força pra enforcar
E um varal cheio delas no meu quintal

E há ainda uma quinta-feira por viver
E talvez nada mais importe tanto assim

Do que o colibri naquela flor
Porque ela sabe dar e ele sabe receber

Se alguém (inclusive eu) soubesse disso
Evitaria internar alguém em um hospício

Monday, August 06, 2007

PAPAGAIOS

Há vinte anos tomo Haldol e ainda não me curei porque não tem cura:
por que não tem cura?
Continuo vendo papagaios ao invés de ratos no meu quarto e
sei que não tem papagaio algum: são só ratos
O q um rato pode fazer de mal a alguém? Garanto que um outro
ser humano pode fazer mais mal do que os muitos ratos q não são papagaios
q vejo.
O fato de ver papagaios ao invés de ratos é uma dádiva. Imagine se eu visse ratos?
Imagine se eu visse seres humanos?
Os papagaios pelo menos falam com a gente.

Friday, August 03, 2007

desenho meu e poema.
Entrou pelo meu ouvido uma mosca e uma tarântula e uma borboleta. Saiu um poema. Bem pequeno. Quase nada.
Comi um pastel de minhoca.
Peidei um certo aroma de jasmim.
Algumas coisas acontecem com o meu braço quando escreve sobre animais.
O braço abraça a barca da loucura onde um esqueleto é o capitão.
Enquanto ele comanda o leme eu vou remando contra o vento e a maré.
Alguma ilha quer encontrar.
Diz alguma coisa sobre mim e a maré e a mosca e a tarântula. A borboleta não precisa.
Silencio.
Ela voa.

Wednesday, August 01, 2007

 
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