Pai Nosso

Um homem alto e forte apontava uma arma sofisticada para a cabeça de um senhor os seus oitenta anos. O homem alto e forte tremia. Suas veias pareciam pular da face como que armadas também. Ele vociferava e pedia ao velho que passasse tudo que desse tudo que fosse o mais rápido possível que tudo estava por um triz. O velho pedia calmo e com atitudes lentas de velho: pedia que o homem alto tivesse calma que o homem alto não atirasse que ele iria passar tudo o que tinha para ele, pois a sua vida era importante. O homem alto e forte tirou o relógio do velho e a camisa e o suspensório e a calça e a carteira. O velho ficou só de cueca enquanto o homem forte contava o dinheiro e queimava as roupas do velho. O homem alto e forte que havia roubado tudo do velho deixou o velho caído depois de um soco e sumiu nas esquinas seguintes. Quando eu encontrei o velho queria saber o por quê que o velho estava rezando naquele momento se ele velho havia sido roubado e todos os seus pertences foram levados pelo homem alto e forte. O velho me respondeu que rezava por si mesmo, pois era ele velho que poderia estar no lugar daquele homem alto e forte.

Wednesday, October 03, 2007

3 Comments:

iosif yehuda said...

pois é,essa fabula rodriguiana é sabia e impiedosa com a vida urbana
abraços

myra said...

otima!!!myra

enten katsudatsu said...

Rodrigão,

Poderíamos ser nós nos sinais de trânsito vendo balas, cheirando cola, roubando...

Puta crítica e muito bom.

O Drummond embaixo também.

Não gostava de Drummond,mas hoje gosto de umas coisas dele sim. Foi um gigante como poeta!

Abraço.

Cássio Amaral.

 
Wordpress Themes is proudly powered by WordPress and themed by Mukkamu
Templates Novo Blogger