OVERDOSE DE CACHORROS. MAIS TRECHOS.
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:15 AM 1 comments
RESENHAS.
Há duas resenhas no cyberespaço sobre o meu livro Todos os cachorros são azuis:
A primeira em Cronópios:
O céu está mortoO ensaísta Victor da Rosa estréia no Cronópios escrevendo sobre o livro Todos os cachorros são azuis, de Rodrigo de Souza Leão.http://www.cronopios.com.br/site/resenhas.asp?id=3604
A segunda em Amálgama:
http://www.amalgama.blog.br/ Clicar em literatura.
Visitem e o abraço amigo
do Rodrigo
Sunday, October 26, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:38 AM 1 comments
DIA 18. NO PLAY.
Inclusive há uma resenha escrita por Daniel Lopes sobre meu pequeno livro.
Coisa boa: NÃO PRECISEI TOMAR RIVOTRIL OU LEXOTAM. TINHA-OS NO BOLSO.
Wednesday, October 22, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:24 AM 1 comments
RELEASE DO LIVRO.
A escrita hábil de Rodrigo de Souza Leão permite que a leitura vá muito além da superfície, e apresenta, através do ponto de vista do paciente, uma visão apurada da sociedade, família, política e o tratamento dado aos internos dos hospícios.
Permeando os pensamentos do personagem, os flashes de sua infância e adolescência aproximam ainda mais o leitor de um mundo profundo e complexo, pouco tratado na literatura com tanto talento e seriedade.
A primeira liberdade é sair do cubículo. A segunda liberdade é andar pelo hospício. Liberdade, só fora do hospício. Mas a liberdade mesmo não existe. Estou sempre esbarrando em alguém para ser livre. Se houvesse liberdade o mundo seria uma loucura com todo mundo. Eu podendo sair por aí com Rimbaud e Baudelaire. Viajando pra Angra dos Reis.
ISBN 978-85-7577-519-6
80 páginas R$ 25,00
Tuesday, October 21, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:47 AM 1 comments
ORELHA DE “TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS”.
O humor é um traço a ser destacado, um humor freqüentemente desabusado, cuja inspiração são as histórias em quadrinhos e as comédias antigas, como as do Gordo e o Magro. Todos os homens e todas as culturas convivem no hospício, um lugar amplo e florido, mas que longe está de ser paradisíaco: é lindo como um cemitério. Ali, entre numerosas citações literárias, cenas de filmes e telenovelas, clichês, grosserias e delicadezas, deparamos, num dos pontos altos do livro, com uma alegoria carnavalesca, carioca: o hospício é a modernidade “louca”, a América Latina de hoje. Baudelaire, um dos personagens mais sombrios deste texto, assiste, mas “não deixa seu olhar fundar a modernidade” – já estamos na pós-modernidade terceiro-mundista.
Num tom cada vez mais alucinado e contagiante, a narrativa conclui com chave de ouro: entre ficção científica e fábula nonsense, Rodrigo cria uma impagável linguagem inumana, digna de Lewis Carroll. É a língua que um promissor líder religioso, curado ou ainda mais louco, divulga para seus infinitos adeptos, cada vez mais fervorosos: os humanos e os não-humanos da América do Sul enfim se irmanam – e uma catástrofe sobrevém. Como o leitor descobrirá.
Sérgio Medeiros
Monday, October 20, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 5:50 AM 0 comments
HOJE É O LANÇAMENTO DE MEU LIVRO.

Botaram tubos em mim e começaram a fazer sucção. Fui abduzido por extraterrestres.
Eu via uma luz passando pelo meu corpo de menino de cinco anos e segurei meu cachorro azul. Desmaiei por alguns segundos. Depois Fronsky estava lá.
Voltaremos para te buscar quando você tiver 18 anos.
Macas por todo o campo. Gente andando com soro dependurado. Tubos saindo da boca de extropiados. Tudo ali era Acneton. Da minha veia, tiraram o meu sangue. Eu agora estava indo tirar uma chapa torácica. Como é que um cara gordo como eu pode sofrer com algum problema que não seja obesidade? Eu deveria estar num spa, e não no Miguel Couto com aquela crise de dengue. Uma samambaia começou a crescer do meu lado, feito um pé de feijão. Eu fui subindo as escadas, ancorado por dois médicos fortes e gordos como eu. Havia toda aquela gente pobre, superpobre: aquilo era o Brasil. Uma zona total. Gente caída no chão. Gente chegando morta. Gente morrendo. Uma fileira de corpos deitados com etiquetas nos pés. Todos munidos de seus prontuários. E aqueles médicos tão jovens, que não sabem muito mais do que eu sei de biologia, fazendo gozação com a sua cara.
Olha que cara gordo!
Que homem gordo!
Que baleia!
Saturday, October 18, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:31 AM 0 comments
TRECHO DE TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS.
Andava pela casa e me sentia um ser livre. A liberdade estava nas pequenas coisas: ver os e-mails, abrir a geladeira. Agora era preciso ser mais saudável. Abrir as coisas. Fui abrindo a caixa de fósforos. Abri o gás. Abri o fogo. Abri a caixa com incenso. Fui abrindo, abrindo, abrindo como se estivesse abrindo e descobrindo as coisas pela primeira vez. Parecia que tinha ficado um século fora de casa. Estava tudo igual, mas diferente.
Era uma borboleta borboleteando pelo campo minado, pela zona de força, pelo local onde ocorreram todos os meus escândalos. Estava de volta à minha vida.
Botei uma pizza no forno. Finalmente, ia comer alguma coisa que me apetecia. Devorei a pizza feito um viking comedor de codornas assadas. Depois, deitei-me pra dormir.
Os remédios me faziam tremer e babar.
A noite chegou veloz. Bati um prato de legumes e salada, de lanche. Fui para o meu quarto e dormi.
Friday, October 17, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:37 AM 0 comments
O TEMÍVEL LOUCO E OS CACHORROS.
Eu sempre dava um cigarro para um louco que, na hora do almoço, dava cabeçada nas paredes. Imagina se esse doido fosse jogador de futebol. A cabeçada dele ia ser poderosa. Acostumado a cabecear paredes, ele ia estourar todas as bolas que cabeceasse. Quem sabe a seleção brasileira não o convocaria?
Toma um cigarro. Fuma o cigarro todo. Vê se não dá mais cabeçada na parede.
Wednesday, October 15, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 10:53 AM 2 comments
MAIS TRECHOS DE TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS.
O bom do cachorro azul era que ele não crescia e não morria. O negócio era eu cuidar para que ele não envelhecesse. No ano 2000, vou ter 35 anos. Estarei tão velho que mal saberia disso. Eu escovava a pelúcia do bicho. O cachorro azul era a minha melhor companhia. E se existisse mesmo um cachorro azul? Seria do grande caralho ter um. Será que se ele tivesse um filho, nasceria azul também? Se ele pudesse latir e pudesse comer, o que comeria um cachorro azul? Alimentos de sua cor? E quando adoecesse, tomaria remédio azul? Muitos remédios são azuis, dentre eles o Haldol. Eu tomo Haldol para não ter nenhuma ilusão de que morrerei louco, um dia, num lugar sujo e sem comida. É o fim de qualquer louco. Uma oligofrênica, dos seus setenta anos, uniformizada, surge diante dos meus olhos e me dá um beijo na boca. Vejo estrelas cor-de-rosa. Elefantes carregando Rimbaud na África. Verlaine comendo sua mulher, mas pensando em Rimbaud. Eu estou pensando em Nastassja Kinski e seus seios pequeninos em flor. Eu estou no lado escuro e mal posso me mover, mas dá para eu me masturbar muito devagarinho. Eu gozo e minha mão fica toda branca, tomada de sêmen. Minha mão vira uma luva branca. Eu acordo às cinco horas da manhã com o esporro colossal de um enfermeiro. Durmo mal. Acordo mal. Não sei qual dos dois pesadelos é o pior: acordado ou dormindo. Saio da jaula. Já estou na jaula há um bom tempo. Quando me tirarão de lá e me deixarão ficar com os outros? Entro na fila para tomar um café da manhã. É um café com leite que tem mais água do que leite e um pão com uma passada de manteiga na ida. Eu pago para estar neste lugar, mas só a ida da faca com manteiga no pão está nos custos. Hoje eu acordei querendo dizer coisas bonitas. Aproveitei um pouco de tempo que me deixaram livre do lado de fora e apanhei uma flor no jardim. Levei a flor para o quartinho. O enfermeiro encrencou com a flor. Deu-me outro esporro.
Tuesday, October 14, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:38 AM 1 comments
SEMANA DE LANÇAMENTO DO MEU LIVRO TODOS OS CACHORROS SÃO AZUIS.

Tudo ficou Van Gogh
Engoli um chip ontem. Danei-me a falar sobre o sistema que me cerca. Havia um eletrodo em minha testa, não sei se engoli o eletrodo também junto com o chip. Os cavalos estavam galopando. Menos o cavalo-marinho que nadava no aquário.
Ele tem um problema mental. Será que tem alguma seqüela? No fundo deste meu mundo, lá no quarto escurecido por doses de Litrisan, veio um psiquiatra e baionetou uma química na minha celha esquerda. Enquanto outro puxava a minha banha, esticando e esticando para que não sentisse a injeção de Benzetacil.
Benzeta.
Benzeta.
Uma dor imensa na bunda. Tudo girando ao meu redor e eu girando também. Tiro uma meleca e coloco na mesa do canto, bem longe da escuridão no quarto. A escuridão é asséptica. Só o pessoal de branco pode freqüentar aquela linha impura. Seguram-me de novo. Recebo o beijo de minha mãe. Deve ser dia de visita. Acordo e como uma lasca de goiabada com o sanduíche de atum que mamãe trouxe para mim. Escuto uma música tão alta que não entro nos meus pensamentos e estou fora, agora a cocaína não vai chegar. A conexão foi interrompida.
Mamãe mal chega, mal vai.
Ele continua achando que engoliu um chip.
Ela diz que tudo começou há uns dez anos, quando eu achei que havia engolido um grilo.
Quantos grilos você me fez engolir, filho.
Minha mãe disse isso afagando meus lábios e me dando um beijo na bochecha. Por alguns segundos lembrei-me de algo que havia acontecido no dia anterior. Eu havia quebrado toda a casa com uma fúria gigantesca. Nunca mais tomo Haldol na minha vida.
Foi por você não ter tomado o Haldol que você ficou assim, diz o chip. E eu começo a falar: Só no Anhembi é tupi. Só no Anhembi é tupi.
O engolidor de espadas engole uma nesga de fogo por vez. Tá todo mundo engolindo alguma coisa neste exato momento. É hora do jantar. Mamãe se foi. A música volta a me colocar fora de mim.
Entro no quarto. Tiro o pau pra fora e começo a bater uma punheta. Dança da motinha. Dança da motinha. Eu engoli um grilo quando tinha meus 15 anos de idade. Foi a primeira vez que consegui conviver comigo mais intensamente. Salvei uma casa do cupim maldito que queria destrui-la. Eram cupins gigantes. Tenho certeza de que salvei aquela casa. Tenho certeza de que por alguns segundos fui Jesus Cristo.
Ainda continuo na jaula. A minha boca está fechada com uma mordaça. Meus pés estão presos.
Monday, October 13, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:37 AM 1 comments
O PUMA.
1
criar é espetar o silêncio
ouvi-lo gritar de dor e continuar
a tirar do ar: o silêncio
nunca me ouço quando escrevo
a não ser quando não sou, sou
se sou alguma coisa não é pra mim
eu sou um nada cheio de nadas
e cortes e nervuras e tonturas
que me torturam e a quem me lê
escravo do que digo: não me esquivo
no que sei pois se sei nada: tudo serei
breve encanto no olhar do puma
breve vôo de chão da pluma
2
no olhar do puma
há um desejo enorme
pelos bolos pullman
no olhar do puma
algo que me guia
como um ima-
nhã
no olhar do puma
um desassossego
como um olhar fóssil
filho do inexato
no olhar do puma
que me olha dócil
mente
quer olhar pra mim
para burilar-me
no infinito suado
daquela chuva
pois quando me atacar
que azar
darei asas ao quasar
fugirei do puma
sairei dessa para uma
mônada melhor
Friday, October 10, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 11:04 AM 3 comments
NU.
Sobre tudo
o sobretudo
não sabe nada
Sunday, October 05, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 6:08 PM 3 comments
ALGUNS.
Não adianta nada
Ser
Uma grande
Pessoa
E um péssimo
Artista
Não adianta nada
Ser
Uma péssima
Pessoa
E um grande artista
Adianta menos ainda
Ser
Um péssimo artista
E uma péssima
Pessoa
Saturday, October 04, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 7:38 AM 0 comments
O NADA AO QUADRADO.
Roubaram os óculos de D.
Na praia ele já não vê o mar.
Também, por que está de costas
para as ondas ou meio de lado?
D. está de pernas cruzadas q
se misturam como se fossem
uma só. Que se desequilibram
equalizando: toda madrugada é
uma só. Passo por ele e sento ao
seu lado. Dou uma topada numa
pedra portuguesa quando levanto
e digo tchau. Empresto-lhe meus
óculos. Mesmo assim ele não me vê
e nem o mar que é todo você.
Thursday, October 02, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:02 AM 2 comments
OVO.
Ela eu nunca disse
Algo raro enigma
Talvez apenasmente
Possa saber agora
Que o que circunda
A noite azul é outra
Coisa como ela é
Talvez ouvir seja a
Parte que lhe falta
Mas só estar lendo
Já parece algo novo
Agora é colocar pêlo
Em cabeça de ovo
Tuesday, September 30, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 8:48 AM 2 comments
OLHOS.
O infinito é tão lindo
que esquisito eu me sinto.
O infindo me aflige ao
saber que o que é lindo
também é findo e
tem o fim onde meu olhos
não podem tecer o horizonte:
olhos diante de minha fronte.
Sunday, September 28, 2008
Posted by Rodrigo de Souza Leão at 9:30 AM 1 comments







